Reações alérgicas e anafilaxia na infância: reconhecimento rápido e conduta segura

Capítulo 9

Tempo estimado de leitura: 6 minutos

+ Exercício

O que é uma reação alérgica e o que é anafilaxia

Reações alérgicas acontecem quando o sistema imunológico reage a algo que, para a maioria das pessoas, seria inofensivo (por exemplo: certos alimentos, picadas de insetos, medicamentos, látex, poeira ou pelos de animais). Em crianças, os sintomas podem variar de leves e localizados até uma emergência grave chamada anafilaxia.

Reação alérgica leve costuma ficar restrita à pele ou a uma área do corpo e não compromete a respiração nem a circulação. Anafilaxia é uma reação alérgica sistêmica (envolve mais de um sistema do corpo) e pode evoluir rapidamente, exigindo ação imediata.

Diferença prática: leve x anafilaxia

TipoComo costuma aparecerExemplos de sinais
Reação leve (localizada)Mais limitada, geralmente pele e mucosas, sem sinais de comprometimento respiratório/circulatórioUrticária localizada (placas vermelhas elevadas), coceira, vermelhidão em uma região, espirros/olhos lacrimejando leves
Anafilaxia (grave)Rápida, sistêmica, pode afetar respiração, circulação e trato gastrointestinalInchaço de lábios/face/língua, chiado no peito, falta de ar, tosse persistente, rouquidão ou voz abafada, vômitos repetidos, palidez intensa, fraqueza, confusão, desmaio

Dica de reconhecimento: se houver inchaço em face/lábios associado a chiado/falta de ar ou vômitos repetidos, trate como situação grave e busque ajuda imediatamente.

Gatilhos comuns na infância (para ajudar a suspeitar)

  • Alimentos: leite, ovo, amendoim, castanhas, frutos do mar, trigo, soja (varia por criança).
  • Picadas de insetos: abelhas, vespas, formigas.
  • Medicamentos: alguns antibióticos e anti-inflamatórios (sempre considerar temporalidade: sintomas após uso).
  • Contato: látex, alguns cosméticos/cremes, plantas.

Nem sempre o gatilho é óbvio. O importante é reconhecer o padrão de gravidade pelos sinais do corpo.

Passo a passo prático: o que fazer diante de uma reação leve

1) Interrompa a exposição quando for seguro

  • Se foi um alimento: pare de oferecer e retire resíduos da boca com cuidado (sem provocar vômito).
  • Se foi contato com substância na pele: lave a área com água e sabão suave.
  • Se foi picada: afaste a criança do local para evitar novas picadas.

2) Observe e descreva os sintomas

  • Onde estão as lesões? (localizadas ou espalhadas)
  • Há coceira intensa? Há inchaço em lábios/olhos?
  • A criança está respirando normalmente? Consegue falar/chorar com força?
  • Há náusea, dor abdominal ou vômitos?

3) Mantenha a criança confortável e evite “testes”

  • Evite oferecer novos alimentos “para ver se melhora”.
  • Evite banhos muito quentes (podem piorar coceira e vermelhidão).
  • Não aplique receitas caseiras na pele (pode irritar mais).

4) Reavalie com frequência nas próximas horas

Uma reação inicialmente leve pode evoluir. Se surgirem sinais sistêmicos (respiratórios, circulatórios ou vômitos repetidos), mude a conduta para anafilaxia e acione emergência.

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Passo a passo prático: o que fazer diante de suspeita de anafilaxia

Considere anafilaxia quando houver sinais como inchaço de lábios/face, chiado, falta de ar, vômitos repetidos, palidez ou desmaio, especialmente após exposição a um possível gatilho.

1) Acione ajuda de emergência imediatamente

  • Não espere “ver se passa”. Anafilaxia pode piorar em minutos.
  • Se houver mais de um adulto, um aciona a emergência enquanto o outro permanece com a criança.

2) Afastar o gatilho, se isso não atrasar a ajuda e for seguro

  • Alimento: interrompa a ingestão.
  • Contato: remova a substância da pele com água.
  • Picada: afaste do local. Se houver ferrão visível superficialmente, remova com cuidado (sem apertar a bolsa de veneno).

3) Posicionamento adequado

  • Se a criança estiver pálida, fraca, tonta ou quase desmaiando: deite de costas e eleve levemente as pernas, se isso não piorar a respiração.
  • Se houver falta de ar importante: mantenha em posição que facilite respirar (geralmente semi-sentada), sem forçar deitar.
  • Se estiver vomitando ou muito nauseada: coloque de lado para reduzir risco de aspiração.
  • Evite colocar em pé ou caminhar durante a crise, pois pode piorar queda de pressão e desmaio.

4) Monitoramento contínuo da respiração e do estado geral

  • Observe se há chiado, esforço para respirar (costelas “marcando”), dificuldade para falar/chorar, ou sonolência incomum.
  • Note mudanças rápidas: piora do inchaço, voz rouca, tosse persistente, vômitos repetidos.
  • Se a criança ficar muito sonolenta, confusa ou desmaiar, isso é sinal de gravidade.

5) Se a criança já tem diagnóstico: siga o plano de ação individual

Algumas crianças com alergia conhecida têm um plano de ação orientado pelo médico e podem ter medicação prescrita e dispositivos próprios (por exemplo, autoinjetor de adrenalina, quando indicado). Nesses casos:

  • Use apenas o que foi prescrito para aquela criança e conforme o plano individual entregue pelo serviço de saúde.
  • Não improvise medicamentos nem utilize remédios de outra pessoa.
  • Verifique se o dispositivo está dentro da validade e se o cuidador sabe onde ele fica (casa, mochila, escola).

Importante: este material não orienta doses. O plano individual deve estar por escrito e acessível a todos os cuidadores (família, escola, babá).

Como observar recorrência (reação bifásica) e o que registrar

Em algumas situações, os sintomas podem retornar após uma melhora inicial. Por isso, após qualquer episódio significativo, é essencial manter vigilância e buscar orientação médica para avaliação e acompanhamento.

Sinais de possível recorrência

  • Coceira e urticária voltando ou se espalhando.
  • Retorno de inchaço em lábios/olhos.
  • Tosse, chiado ou falta de ar reaparecendo.
  • Náusea e vômitos voltando, especialmente se repetidos.
  • Fraqueza, palidez ou sonolência incomum.

Registro de desencadeantes: um “diário do episódio”

Registrar detalhes ajuda o médico a identificar o gatilho e orientar prevenção. Anote em um bloco de notas ou aplicativo:

  • Data e horário do início dos sintomas.
  • O que a criança comeu nas últimas horas (inclua marcas/ingredientes quando possível).
  • Exposições: picadas, contato com animais, plantas, poeira, produtos de limpeza, cosméticos, látex.
  • Medicamentos usados no dia e nos dias anteriores.
  • Atividade no momento (ex.: brincando ao ar livre, após exercício, durante banho).
  • Sintomas em ordem de aparecimento (pele → vômitos → respiração, por exemplo) e quanto tempo duraram.
  • Medidas tomadas conforme plano individual e resposta observada (melhorou, piorou, voltou).

Erros comuns que aumentam o risco (e como evitar)

  • Minimizar sinais respiratórios (chiado, voz rouca, esforço para respirar) achando que é “ansiedade” ou “gripe”. Em contexto alérgico, trate como alerta.
  • Esperar para acionar emergência quando há sinais sistêmicos. O tempo é decisivo.
  • Manter a criança em pé durante piora importante, favorecendo desmaio.
  • Oferecer alimentos, chás ou líquidos durante falta de ar ou sonolência, aumentando risco de engasgo.
  • Usar medicamentos de outra pessoa ou fora do plano individual.

Agora responda o exercício sobre o conteúdo:

Em uma suspeita de anafilaxia em uma criança, qual conduta é considerada mais segura e prioritária?

Você acertou! Parabéns, agora siga para a próxima página

Você errou! Tente novamente.

Na anafilaxia, o quadro pode piorar em minutos. A conduta segura é acionar emergência sem esperar e ajustar o posicionamento para facilitar a respiração e reduzir risco de aspiração, evitando colocar a criança em pé ou oferecer líquidos/alimentos.

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