Questões comentadas para Técnico do IBGE: Geografia, Cartografia e IBGE

Capítulo 19

Tempo estimado de leitura: 12 minutos

+ Exercício

Como usar questões comentadas para integrar Geografia, Cartografia e IBGE

Neste capítulo, você vai treinar o padrão de cobrança típico de concursos: enunciados curtos, alternativas próximas e “pegadinhas” conceituais. O foco é integrar (1) conceitos geográficos, (2) leitura e interpretação de mapas e (3) noções institucionais do IBGE, com comentários que expliquem termos técnicos e o raciocínio de prova.

Checklist rápido de interpretação (antes de marcar a alternativa)

  • Identifique o tipo de mapa: político, físico, temático (coroplético, isolinhas, pontos, fluxos), cartograma.
  • Leia legenda, fonte e data: em mapas temáticos, a legenda “manda” no significado das cores/símbolos.
  • Cheque escala e orientação: escala numérica e/ou gráfica; norte convencional; projeção (quando informada).
  • Confirme unidade e base territorial: município, estado, região; área absoluta vs taxa/percentual.
  • Evite inferências indevidas: correlação espacial não implica causalidade; cor “mais escura” pode significar maior valor, mas depende da legenda.

Questões comentadas (com explicação e passo a passo)

1) Escala gráfica vs. escala numérica

Questão: Em um mapa impresso, a escala numérica é 1:250.000. Após uma ampliação em copiadora, o mapa ficou 150% maior. Qual alternativa descreve corretamente o que acontece com a escala?

  • A) A escala numérica permanece 1:250.000 e a escala gráfica fica incorreta.
  • B) A escala numérica muda e a escala gráfica permanece correta.
  • C) Ambas permanecem corretas, pois a ampliação não altera escalas.
  • D) Ambas ficam incorretas, pois a ampliação distorce o norte.

Gabarito: B

Comentário (conceito): Escala numérica (1:n) é uma razão fixa impressa; se você amplia/reduz o mapa, essa razão deixa de representar a realidade. Já a escala gráfica (barra graduada) aumenta ou diminui junto com o mapa, mantendo a proporcionalidade, desde que a ampliação seja uniforme.

Passo a passo prático:

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  • Se o mapa foi ampliado em 150%, o tamanho no papel aumentou 1,5 vez.
  • Logo, a escala “fica maior” (mais detalhada): o denominador diminui na mesma proporção.
  • Nova escala aproximada: 1:250.000 ÷ 1,5 ≈ 1:166.667.
  • A barra de escala, por ter sido ampliada junto, continua representando distâncias corretamente.

2) Tempo vs. clima (diferença conceitual cobrada)

Questão: Um boletim informa: “Amanhã há chance de pancadas de chuva no período da tarde”. Isso se refere a:

  • A) Clima, pois descreve o padrão atmosférico regional.
  • B) Tempo, pois descreve condição atmosférica de curto prazo.
  • C) Clima, pois envolve precipitação.
  • D) Tempo, pois envolve médias de 30 anos.

Gabarito: B

Comentário (conceito): Tempo é o estado momentâneo/curto prazo da atmosfera (horas, dias). Clima é o comportamento estatístico de longo prazo (padrões e variabilidade, usualmente em séries longas, como 30 anos em climatologia). A presença de chuva não define clima; o que define é a escala temporal e a abordagem por médias/variabilidade.

3) Coordenadas geográficas e hemisférios

Questão: Um ponto está em 15°S e 47°W. Em qual hemisfério ele se encontra?

  • A) Norte e Oriental
  • B) Sul e Ocidental
  • C) Norte e Ocidental
  • D) Sul e Oriental

Gabarito: B

Comentário (conceito): Latitude ao sul do Equador é Hemisfério Sul (S). Longitude a oeste de Greenwich é Hemisfério Ocidental (W).

Passo a passo prático:

  • Leia primeiro a latitude: 15°S → Sul.
  • Depois a longitude: 47°W → Ocidental.
  • Combine: Sul e Ocidental.

4) Projeções cartográficas: distorções e uso típico

Questão: Um mapa-múndi em projeção cilíndrica conforme tende a:

  • A) Preservar áreas e distorcer formas.
  • B) Preservar formas localmente e distorcer áreas, sobretudo em altas latitudes.
  • C) Preservar distâncias em qualquer direção.
  • D) Eliminar distorções por ser “padrão internacional”.

Gabarito: B

Comentário (conceito): Projeções conformes preservam ângulos e formas locais (útil para navegação e orientação), mas distorcem áreas, especialmente perto dos polos. Em prova, a pegadinha é confundir “forma” com “área”.

5) Interpretação de mapa coroplético (taxa vs. número absoluto)

Questão: Um mapa coroplético mostra “Taxa de desemprego (%) por município”. Um município pequeno aparece com cor mais escura que uma metrópole. A interpretação correta é:

  • A) O município pequeno tem mais desempregados em número absoluto.
  • B) O município pequeno tem maior proporção de desempregados, independentemente do tamanho populacional.
  • C) A metrópole tem taxa maior, pois tem mais habitantes.
  • D) Não é possível comparar municípios em mapas temáticos.

Gabarito: B

Comentário (conceito): Mapas coropléticos representam taxas, proporções ou densidades por unidade territorial. Cor mais escura indica maior valor da taxa, não necessariamente maior contagem absoluta. Em concursos, é comum a banca induzir a confusão entre “%” e “quantidade”.

Passo a passo prático:

  • Leia o título: se tem “%”, “por 100 mil”, “por km²”, é taxa/densidade.
  • Compare valores relativos, não totais.
  • Se pedirem “onde há mais pessoas”, você precisa de mapa/tabela de números absolutos.

6) Isolinhas (isotermas, isoietas, curvas de nível)

Questão: Em um mapa com curvas de nível, linhas muito próximas indicam:

  • A) Relevo suave (baixa declividade)
  • B) Relevo íngreme (alta declividade)
  • C) Maior altitude absoluta sempre
  • D) Presença de rios perenes

Gabarito: B

Comentário (conceito): Curvas de nível ligam pontos de mesma altitude. O espaçamento entre curvas indica declividade: linhas próximas = variação de altitude em pouca distância horizontal = encosta íngreme. Não significa “maior altitude” necessariamente; significa “maior inclinação” naquele trecho.

7) Mapas de fluxos e redes (mobilidade, comércio, migração)

Questão: Em um mapa de fluxos, setas mais espessas geralmente representam:

  • A) Maior altitude
  • B) Maior intensidade/volume do fluxo
  • C) Maior área territorial
  • D) Maior densidade demográfica

Gabarito: B

Comentário (conceito): Mapas de fluxo codificam magnitude por espessura, cor ou tamanho do símbolo. A direção é dada pela seta; a intensidade, pela espessura. A pegadinha é confundir com mapas coropléticos (áreas coloridas) ou com mapas físicos.

8) Regionalização e recortes do IBGE (leitura institucional aplicada)

Questão: Para comparar indicadores socioeconômicos entre áreas com forte integração urbana e deslocamentos pendulares, o recorte mais adequado tende a ser:

  • A) Apenas limites municipais, pois são estáveis e suficientes.
  • B) Unidades de conservação, pois refletem economia local.
  • C) Arranjos/recortes funcionais associados à dinâmica urbana (ex.: áreas de influência, concentrações urbanas), quando disponíveis.
  • D) Apenas regiões naturais, pois explicam toda a variação social.

Gabarito: C

Comentário (conceito): Em análises territoriais, o IBGE utiliza recortes que podem ser administrativos (municípios, estados) e também funcionais (ligados a fluxos e integração). Em prova, a ideia central é: o recorte deve ser coerente com o fenômeno. Mobilidade e integração urbana pedem recortes funcionais; já gestão pública e orçamento pedem recortes administrativos.

9) Censo, pesquisas amostrais e comparabilidade espacial (noção institucional + leitura de dados)

Questão: Ao comparar um indicador entre dois municípios, você percebe que um deles teve mudança recente de limites territoriais. O cuidado mais importante é:

  • A) Ignorar a mudança, pois percentuais não são afetados.
  • B) Verificar a compatibilidade temporal e territorial (mesma base geográfica) antes de comparar séries.
  • C) Trocar o indicador por um mapa físico.
  • D) Comparar apenas com a capital do estado.

Gabarito: B

Comentário (conceito): Mudanças de limites alteram denominadores (população, área) e podem quebrar séries históricas. Em concursos, isso aparece como “comparabilidade”: mesmo conceito, mesma unidade, mesma base territorial e mesmo período.

Conjunto final: questões mistas (integração Geografia + Cartografia + análise de dados no padrão de concurso)

10) Densidade demográfica em mapa temático

Questão: Um mapa coroplético apresenta “Densidade demográfica (hab/km²)”. Dois municípios A e B têm a mesma cor (mesma classe). É correto afirmar que:

  • A) A e B têm a mesma população total.
  • B) A e B têm a mesma área territorial.
  • C) A e B têm densidades semelhantes, mas podem ter populações totais diferentes.
  • D) A e B têm o mesmo número de domicílios.

Gabarito: C

Comentário: Densidade é razão população/área. Mesma densidade não implica mesma população nem mesma área.

11) Escala e nível de detalhamento (generalização cartográfica)

Questão: Ao passar de um mapa 1:50.000 para 1:1.000.000, espera-se:

  • A) Maior detalhamento de ruas e quadras.
  • B) Menor detalhamento e maior generalização de feições.
  • C) Aumento da precisão posicional.
  • D) Aumento do tamanho real representado por 1 cm no papel.

Gabarito: B

Comentário: Em escalas menores (denominador maior), o mapa cobre área maior e precisa generalizar (simplificar) feições. A alternativa D é uma consequência verdadeira (1 cm representa mais quilômetros), mas a pergunta pede o efeito esperado no conteúdo cartográfico; a banca costuma priorizar “generalização”.

12) Leitura de legenda e classes (armadilha de cores)

Questão: Em um mapa temático, a legenda apresenta classes: 0–10, 10–20, 20–30. Um município com valor 10 aparece na classe:

  • A) 0–10
  • B) 10–20
  • C) 20–30
  • D) Depende do critério de inclusão de limites (aberto/fechado) definido na legenda/metadados.

Gabarito: D

Comentário: Em classificação, o tratamento do limite (se 10 entra na classe inferior ou superior) precisa estar definido. Em provas, quando não há regra explícita, a resposta correta é reconhecer a dependência do critério. Se a legenda indicar, por exemplo, “0 ≤ x < 10” e “10 ≤ x < 20”, então 10 entra na segunda classe.

13) Mapa de pontos (dot map) e interpretação

Questão: Um mapa de pontos representa produção agrícola, em que cada ponto equivale a 1.000 toneladas. Uma área com muitos pontos indica:

  • A) Maior produção total naquela área (conforme a equivalência da legenda).
  • B) Maior produção por km² necessariamente.
  • C) Maior população urbana.
  • D) Maior altitude.

Gabarito: A

Comentário: Mapa de pontos é bom para visualizar distribuição e concentração de um total. Não garante densidade por área, a menos que o enunciado normalize por km².

14) Integração: escolha do mapa adequado para um indicador

Questão: Você precisa comunicar, em uma única figura, a relação entre (i) taxa de analfabetismo (%) e (ii) tamanho da população municipal. Qual opção é mais adequada?

  • A) Mapa coroplético apenas com a taxa, pois população é irrelevante.
  • B) Mapa de símbolos proporcionais para população combinado com cor por taxa (mapa bivariado/dupla variável).
  • C) Curvas de nível de analfabetismo.
  • D) Mapa político sem legenda.

Gabarito: B

Comentário: A integração de duas variáveis pode ser feita com cor (taxa) + tamanho do símbolo (população). Em concursos, isso aparece como “qual representação é mais informativa sem induzir erro”.

15) Integração: cuidado com causalidade em padrões espaciais

Questão: Um mapa mostra alta taxa de uma doença em áreas com menor renda. A conclusão metodologicamente correta é:

  • A) Baixa renda causa a doença, sem necessidade de outras análises.
  • B) Existe associação espacial entre renda e taxa da doença; é preciso investigar fatores e controles antes de inferir causalidade.
  • C) O mapa prova que a doença é urbana.
  • D) O mapa está errado, pois mapas não servem para análise.

Gabarito: B

Comentário: Mapas sugerem padrões e hipóteses. Inferir causalidade exige análise adicional (variáveis de confusão, qualidade do dado, subnotificação, estrutura etária, acesso a serviços, etc.).

16) Integração IBGE + base territorial + indicador

Questão: Um técnico precisa comparar a evolução de um indicador municipal em 3 anos e percebe que houve alteração de limites entre o ano 1 e o ano 2. Qual procedimento é o mais adequado para manter comparabilidade?

  • A) Usar os dados como estão e mencionar que “mudanças não afetam séries”.
  • B) Harmonizar a base territorial (reagregar/recalcular) para uma mesma malha de referência antes de comparar.
  • C) Substituir municípios por estados, sempre.
  • D) Trocar o indicador por um qualitativo.

Gabarito: B

Comentário (passo a passo prático):

  • Defina uma malha de referência (por exemplo, a do ano 3).
  • Recalcule/compatibilize os valores dos anos anteriores para essa malha (por agregação, proporcionalização ou correspondência oficial, conforme o caso).
  • Somente então compare tendências e variações.

17) Integração: escala do fenômeno e escala do mapa

Questão: Para analisar microvariações intraurbanas (diferenças entre bairros) de um indicador, é mais adequado:

  • A) Usar mapa em escala pequena e unidade “estado”.
  • B) Usar mapa em escala grande e unidades menores (setores, bairros, áreas de ponderação, quando disponíveis).
  • C) Usar apenas um texto descritivo sem mapa.
  • D) Usar projeção que preserve áreas e ignorar a unidade territorial.

Gabarito: B

Comentário: Fenômenos locais pedem maior detalhamento cartográfico e unidades espaciais menores. A banca costuma cobrar coerência entre escala do fenômeno e escala de representação.

18) Questão estilo “certo/errado” (conceitos mistos)

Questão: (C/E) Em um mapa coroplético de taxa (%), municípios com maior população necessariamente terão cores mais escuras, pois concentram mais casos.

Gabarito: Errado

Comentário: Taxa é proporcional. Um município pequeno pode ter taxa alta (cor escura) com poucos casos absolutos; um município grande pode ter muitos casos, mas taxa menor (cor clara).

Agora responda o exercício sobre o conteúdo:

Ao analisar um mapa coroplético intitulado “Taxa (%) por município”, um município pequeno aparece com cor mais escura do que uma metrópole. Qual interpretação é a mais correta?

Você acertou! Parabéns, agora siga para a próxima página

Você errou! Tente novamente.

Em mapas coropléticos de taxa (%), a cor representa um valor relativo (proporção), não a contagem absoluta. Assim, um município pequeno pode ter cor mais escura por ter taxa maior, mesmo com menos casos em números absolutos.

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