O que é uma queimadura e por que exige atenção em crianças e bebês
Queimadura é uma lesão causada por calor, substâncias químicas, eletricidade ou radiação solar que danifica a pele e, em alguns casos, tecidos mais profundos. Em bebês e crianças, a pele é mais fina e perde líquidos com mais facilidade, o que pode tornar a queimadura mais grave mesmo quando parece pequena. Além disso, áreas como face, mãos e genitais têm maior risco de complicações funcionais e estéticas.
Tipos comuns de queimaduras
1) Térmica (contato com fonte quente)
Ocorre por contato direto com objetos quentes (ferro, panela, escapamento, chapinha, aquecedor). Geralmente tem formato que “desenha” o objeto na pele.
2) Escaldadura (líquidos quentes e vapor)
Muito comum em casa: água do banho muito quente, chá/café, sopa, vapor de panela. Pode atingir áreas extensas rapidamente (peito, abdômen, braços).
3) Elétrica
Pode acontecer ao morder fios, colocar objetos na tomada ou contato com instalações elétricas. Pode haver pequena marca na pele, mas lesões internas importantes.
4) Química
Causada por produtos de limpeza, desentupidores, água sanitária, ácidos/álcalis, cimento, baterias. Pode continuar “queimando” enquanto o agente estiver em contato com a pele.
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5) Solar
Exposição ao sol sem proteção. Pode causar vermelhidão, dor e, em casos mais intensos, bolhas e mal-estar.
Como reconhecer gravidade: extensão, localização e aparência
Extensão (tamanho da área queimada)
Quanto maior a área, maior o risco de desidratação e complicações. Uma regra prática: se a queimadura for maior do que a palma da mão da própria criança (incluindo dedos), trate como potencialmente relevante e considere avaliação médica, especialmente em bebês.
Localização (áreas que merecem atenção especial)
- Face, olhos, boca e pescoço: risco de inchaço e comprometimento de vias aéreas, além de lesões oculares.
- Mãos e pés: risco de rigidez, cicatrizes que limitam movimento e necessidade de curativos especializados.
- Genitais e região perineal: maior risco de infecção e complicações.
- Articulações (cotovelo, joelho, punho, tornozelo): risco de cicatrização com limitação de movimento.
Aparência (profundidade provável)
- Vermelha, dolorosa, sem bolhas: costuma ser mais superficial.
- Com bolhas e muita dor: sugere queimadura mais profunda na pele; precisa de cuidado para proteger as bolhas e evitar infecção.
- Áreas esbranquiçadas, acinzentadas, amarronzadas ou escurecidas (preto), aspecto “couro” e pouca dor: pode indicar lesão profunda (nervos podem estar danificados), exigindo avaliação urgente.
- Queimadura em faixa circular (em volta de dedo, braço, perna): pode comprometer circulação quando incha; é sinal de alerta.
Primeiros cuidados: passo a passo prático (térmica e escaldadura)
Passo 1: interrompa a fonte de calor com segurança
Afaste a criança da fonte (panela, água quente, vapor). Se houver fogo na roupa, apague com um pano grosso/lençol e faça a criança rolar no chão, se possível, sempre protegendo o rosto.
Passo 2: resfrie a queimadura imediatamente com água corrente
Coloque a área queimada sob água corrente fria (não gelada) por 20 minutos, idealmente iniciando nos primeiros minutos após o acidente. Isso reduz a progressão da lesão e alivia a dor.
- Se não houver torneira, use água limpa em recipiente e vá trocando para manter fresca.
- Em bebês e crianças pequenas, evite resfriar áreas muito grandes ao mesmo tempo para não causar hipotermia. Resfrie a área e mantenha o restante do corpo aquecido com uma toalha/roupa seca.
Passo 3: remova itens que possam apertar com o inchaço
Retire anéis, pulseiras, relógio, elásticos e roupas soltas próximas da área, apenas se não estiverem grudados na pele. Se o tecido estiver aderido, não puxe; corte ao redor e deixe o que estiver colado.
Passo 4: cubra com material limpo e não aderente
Após resfriar, cubra com gaze estéril ou pano limpo (de preferência que não solte fiapos). A cobertura protege contra sujeira e reduz dor pelo contato com o ar.
- Se disponível, filme plástico limpo pode ser usado como cobertura temporária em queimaduras superficiais, sem apertar.
- Mantenha a criança confortável e evite fricção na área.
Passo 5: observe sinais locais importantes
Verifique se há bolhas, mudança de cor (branco/escuro), aumento rápido do inchaço, queimadura circular, ou dor desproporcional. Esses achados ajudam a decidir por avaliação imediata.
O que NÃO fazer (erros comuns que pioram a queimadura)
- Não use gelo ou água muito gelada diretamente: pode causar lesão adicional e aumentar risco de hipotermia em crianças.
- Não passe pasta de dente, manteiga, pó de café, clara de ovo, óleos, “receitas caseiras”: aumentam risco de infecção e dificultam avaliação médica.
- Não estoure bolhas: elas funcionam como proteção natural. Se romperem sozinhas, mantenha cobertura limpa.
- Não aplique pomadas/cremes sem orientação nas primeiras medidas, especialmente antes de avaliação quando a queimadura é extensa ou profunda.
- Não cubra com algodão diretamente: pode grudar e soltar fibras.
- Não faça curativo apertado: o inchaço pode comprometer circulação.
Condutas específicas
Queimadura química: lavagem prolongada e atenção ao agente
Queimadura química é uma emergência porque o produto pode continuar causando dano enquanto estiver em contato com a pele.
Passo a passo
- Proteja-se: se possível, use luvas ou um saco plástico nas mãos para evitar se contaminar.
- Remova a fonte: tire roupas, fraldas e acessórios contaminados imediatamente (corte se necessário), evitando espalhar o produto para outras áreas.
- Se for pó (produto seco): retire o excesso escovando suavemente com pano seco antes de lavar, para não ativar o produto com água.
- Lave com água corrente em grande quantidade por 20 a 30 minutos (ou mais se a dor persistir), mantendo a água correndo continuamente sobre a área.
- Não neutralize com vinagre, bicarbonato ou outras misturas: reações químicas podem piorar a lesão.
- Olhos: se houver contato ocular, lave com água corrente ou soro por 15 a 20 minutos, mantendo a pálpebra aberta. Procure atendimento imediato.
- Leve o rótulo/embalagem do produto ao serviço de saúde (ou uma foto), para orientar o tratamento.
Queimadura elétrica: risco interno mesmo com pouca marca
Na queimadura elétrica, a corrente pode causar lesões profundas, arritmias e dano muscular, mesmo quando a pele parece pouco afetada.
Passo a passo
- Desligue a fonte (chave geral/disjuntor) antes de tocar na criança. Se não for possível, afaste o fio/objeto com material isolante seco (madeira/plástico), sem contato direto.
- Após interromper a corrente, observe a criança: nível de consciência, respiração, cor da pele e presença de queimaduras de entrada/saída.
- Resfrie e cubra pequenas queimaduras na pele como nas térmicas (água corrente e cobertura limpa), se a criança estiver estável.
- Procure avaliação médica mesmo que pareça bem, especialmente se houve choque por tomada, mordida em fio, queda associada, desmaio, confusão, dor intensa, queimaduras em mãos/boca ou qualquer alteração de comportamento.
Queimadura solar: cuidados iniciais e sinais de gravidade
Em queimadura solar leve, priorize sombra, hidratação e conforto. Resfrie a pele com banho morno para fresco (sem esfregar) e use roupas leves. Se houver bolhas, febre, prostração, vômitos, dor de cabeça intensa ou sinais de desidratação, é necessária avaliação médica.
Quando procurar emergência (queimadura em criança/bebê)
- Queimadura em face, olhos, boca, pescoço, mãos, pés ou genitais/períneo.
- Presença de bolhas extensas ou múltiplas, ou pele com aspecto branco/acinzentado/escuro, “couro”, ou com pouca dor.
- Área maior que a palma da mão da própria criança, ou múltiplas áreas queimadas.
- Queimadura circular em dedo, braço, perna ou tórax.
- Suspeita de inalação de fumaça/calor: queimadura em rosto, fuligem no nariz/boca, tosse persistente, rouquidão, dificuldade para respirar.
- Queimadura química (especialmente olhos) ou por produto desconhecido.
- Queimadura elétrica (mesmo com lesão pequena), ou choque com queda/desmaio.
- Bebês com qualquer queimadura moderada, ou se houver dificuldade para controlar a dor e manter hidratação.
- Sinais locais de piora nas horas seguintes: aumento importante de vermelhidão ao redor, secreção, mau cheiro, dor crescente, febre, listras vermelhas na pele.
Prevenção prática no dia a dia (para evitar complicações e novos acidentes)
Em casa (cozinha e banho)
- Vire cabos de panela para dentro e use bocas de trás do fogão.
- Evite carregar bebê/criança no colo enquanto manipula líquidos quentes.
- Não deixe xícaras e recipientes com líquidos quentes na borda da mesa.
- Teste a água do banho com o antebraço e, se possível, ajuste aquecedor para temperatura segura.
Produtos químicos
- Guarde produtos de limpeza trancados e em embalagem original.
- Não transfira produtos para garrafas de bebida.
- Use travas de armário e mantenha desentupidores/álcalis fora do alcance.
Eletricidade
- Use protetores de tomada e mantenha fios fora do alcance.
- Substitua cabos danificados e evite extensões expostas.
Sol
- Evite exposição nos horários de maior intensidade e use barreiras físicas (roupas, chapéu, sombra).
- Em bebês pequenos, priorize sombra e roupas; use protetor solar conforme orientação do pediatra.