Capa do Ebook gratuito Papiloscopista da Polícia Civil: Identificação Humana e Preparação para Concursos

Papiloscopista da Polícia Civil: Identificação Humana e Preparação para Concursos

Novo curso

14 páginas

Processo Penal para Papiloscopista: Prova Pericial, Reconhecimento e Procedimentos Operacionais

Capítulo 12

Tempo estimado de leitura: 14 minutos

+ Exercício

Este capítulo foca nos pontos de Processo Penal que impactam diretamente a atuação do Papiloscopista em inquéritos e diligências: como a prova é formada, como o vestígio vira elemento probatório, quais formalidades protegem a validade do trabalho e como comunicar resultados de modo útil e juridicamente seguro.

1) Conceitos de prova no Processo Penal (o que importa na prática)

1.1 Prova, elemento de informação e fonte de prova

Prova é o resultado produzido sob contraditório (em regra, no processo) para convencer o juiz sobre um fato relevante. No inquérito, o que se colhe costuma ser elemento de informação, que orienta a investigação e pode subsidiar medidas cautelares, mas não substitui, por si só, a prova judicial (ressalvas existem, como provas cautelares, não repetíveis e antecipadas).

  • Fonte de prova: de onde a informação vem (pessoa, objeto, documento, vestígio).
  • Meio de prova: como a prova é produzida em juízo (perícia, testemunho, reconhecimento, documento).
  • Meio de obtenção de prova: como se chega à fonte (busca e apreensão, interceptação, quebra de sigilo, coleta em local, requisições).

Aplicação ao Papiloscopista: o vestígio papiloscópico coletado no local é fonte; o exame pericial é meio de prova; a diligência de coleta e apreensão do objeto é meio de obtenção.

1.2 Provas cautelares, não repetíveis e antecipadas

  • Cautelar: precisa ser feita logo para não perder utilidade (ex.: coleta imediata de vestígios em local sujeito a alteração).
  • Não repetível: não dá para reproduzir depois nas mesmas condições (ex.: vestígio frágil em superfície exposta, local que será liberado).
  • Antecipada: produzida antes da instrução, com controle judicial e contraditório possível.

Ponto de prova: quanto mais você documenta (fotografia, descrição, lacre, rastreabilidade), mais defensável fica a natureza cautelar/não repetível do ato, reduzindo risco de questionamento.

2) Meios de obtenção de prova relevantes para a rotina do Papiloscopista

2.1 Busca e apreensão e coleta de objetos

Em diligências, o Papiloscopista pode atuar na identificação, preservação e acondicionamento de objetos que serão apreendidos (arma, celular, documento, embalagem, ferramenta). A legalidade da apreensão depende do contexto (flagrante, consentimento válido, mandado, outras hipóteses legais), mas a integridade do vestígio depende do procedimento técnico.

Continue em nosso aplicativo

Você poderá ouvir o audiobook com a tela desligada, ganhar gratuitamente o certificado deste curso e ainda ter acesso a outros 5.000 cursos online gratuitos.

ou continue lendo abaixo...
Download App

Baixar o aplicativo

Passo a passo prático (apoio à equipe em busca/apreensão):

  • Confirmar com a autoridade responsável o escopo da diligência (o que se busca, onde, quais restrições).
  • Antes de tocar: fotografar o objeto no local e registrar posição/orientação.
  • Usar EPI e técnica para minimizar contaminação (luvas adequadas, pinças quando aplicável).
  • Embalagem compatível (papel, plástico, caixa rígida) e lacre com identificação.
  • Registrar quem coletou, quando, onde, como e para onde foi (rastreabilidade).
  • Entregar formalmente ao responsável pela custódia/depósito, com recibo/termo quando houver.

2.2 Requisições e documentos

É comum a autoridade policial requisitar exames, informações de bancos, prontuários de identificação, imagens e documentos. O Papiloscopista deve observar: origem do documento, integridade (se é cópia, se há metadados, se há cadeia de custódia digital), e finalidade (o que se pretende demonstrar).

3) Perícia oficial, peritos e assistentes técnicos

3.1 Quem faz a perícia e como isso afeta o valor do exame

No Processo Penal, a perícia é realizada por perito oficial (quando existente). Na falta, pode ser por pessoas idôneas com habilitação, conforme regras locais e legais. Para o Papiloscopista, o ponto central é: formalidade + método + documentação sustentam a credibilidade do resultado.

3.2 Assistente técnico e quesitos

Em processo, as partes podem indicar assistente técnico e formular quesitos. Mesmo que o exame tenha sido iniciado no inquérito, é comum que o laudo seja debatido depois. Por isso, registre de forma que um terceiro consiga reproduzir o raciocínio: o que foi recebido, em que condições, quais procedimentos, quais limitações, e como se chegou ao resultado.

Checklist de robustez contra impugnação:

  • Descrição do material recebido e condição de lacres.
  • Registro fotográfico suficiente e organizado.
  • Indicação de limitações (superfície, degradação, quantidade/qualidade do vestígio).
  • Rastreabilidade de manuseio (quem acessou, quando, por quê).
  • Separação clara entre achado (observação) e inferência (interpretação).

4) Exame de corpo de delito, vestígios e implicações para o Papiloscopista

4.1 O que é corpo de delito e quando ele existe

Corpo de delito é o conjunto de vestígios materiais que demonstram a ocorrência de uma infração que deixa sinais. O exame de corpo de delito é a verificação pericial desses vestígios. Para o Papiloscopista, isso se conecta quando há objetos, superfícies, documentos ou locais com potencial de impressão, marcas de manipulação, ou elementos de identificação vinculados ao fato.

4.2 Direto e indireto (e o que fazer quando o vestígio some)

  • Direto: exame feito sobre o próprio vestígio/material.
  • Indireto: quando não é possível examinar diretamente (vestígio desapareceu), usa-se documentação idônea (fotos, vídeos, registros, relatos técnicos).

Implicação prática: se o local será liberado rapidamente, ou se o objeto será consumido/alterado, a documentação técnica (especialmente imagens com escala e descrição) pode ser decisiva para sustentar um exame indireto ou justificar a natureza não repetível.

4.3 Vestígios: relevância, seleção e priorização

Nem todo vestígio é útil. O Papiloscopista deve priorizar o que tem maior potencial de vinculação entre pessoa e fato, considerando risco de perda e custo de processamento.

Critérios práticos de priorização:

  • Relação direta com a dinâmica (pontos de contato prováveis).
  • Superfície com maior chance de preservação.
  • Objeto com cadeia de posse mais controlável (menos manuseio por terceiros).
  • Vestígio com maior valor discriminatório (qualidade/quantidade).

5) Cadeia de custódia: do local ao laudo (visão operacional)

5.1 Conceito operacional

Cadeia de custódia é o conjunto de procedimentos para manter e demonstrar a história do vestígio: onde estava, quem coletou, como foi acondicionado, quem teve acesso, onde ficou armazenado e como chegou ao exame. O objetivo é garantir autenticidade e integridade.

5.2 Pontos críticos que mais geram nulidade/impugnação

  • Objeto sem identificação individual (sem etiqueta, sem número, sem descrição).
  • Lacre violado ou inexistente, sem justificativa formal.
  • Troca de embalagem sem registro.
  • Armazenamento inadequado (umidade, calor, atrito, mistura de itens).
  • Ausência de registro de transferência (quem entregou/recebeu).

5.3 Passo a passo prático (cadeia de custódia em diligência)

  • Isolamento: orientar a equipe para reduzir circulação e contato com superfícies-alvo.
  • Documentação inicial: fotos do local/objeto antes de qualquer intervenção.
  • Coleta: técnica adequada e mínima manipulação.
  • Acondicionamento: embalagem compatível, proteção contra atrito e umidade.
  • Lacre e identificação: número único, data/hora, coletor, local, descrição.
  • Registro: formulário/termo interno com rastreabilidade.
  • Transporte: controle de acesso e integridade até a unidade.
  • Recebimento: conferência de lacres e registro de entrada.

6) Documentos no inquérito: requisição, juntada e cuidados

6.1 Tipos de documentos que costumam envolver o Papiloscopista

  • Requisição de exame pericial e quesitos da autoridade.
  • Termos de apreensão/entrega e recibos de custódia.
  • Relatórios de diligência (descrição do que foi feito e encontrado).
  • Registros fotográficos e seus anexos (mídia, hash quando aplicável).
  • Ofícios de consulta e respostas (bancos, cadastros, órgãos).

6.2 Formalidades úteis para evitar retrabalho

Boas práticas: padronize nomenclatura do item (Item 01, Item 02), mantenha correspondência entre número do lacre, número do item e referência no relatório; descreva o objeto de modo identificável (marca, cor, dimensões, particularidades); e registre a condição (úmido, sujo, quebrado, com fita, com sangue etc.).

7) Reconhecimento de pessoas e coisas (CPP): como apoiar sem contaminar

7.1 Conceito e risco probatório

Reconhecimento é um meio de prova com alto risco de erro quando feito de modo informal. Por isso, o CPP prevê um procedimento que busca reduzir sugestão e viés. Embora o Papiloscopista não seja, em regra, o condutor do ato, pode ser chamado para apoiar na organização, registro e preservação de materiais (imagens, objetos, documentação).

7.2 Procedimento do reconhecimento de pessoas (pontos essenciais)

Elementos centrais do rito: a pessoa chamada a reconhecer deve descrever previamente quem pretende reconhecer; o suspeito deve ser colocado, sempre que possível, ao lado de outros semelhantes; o ato deve ser documentado (termo, assinaturas, registro do método).

Passo a passo prático (apoio técnico e documental):

  • Garantir que haja registro formal do ato (termo com data/hora/local/participantes).
  • Orientar para que a descrição do reconhecedor seja prévia e registrada antes da exibição.
  • Se houver uso de imagens: manter conjunto padronizado (mesma qualidade, enquadramento, iluminação) para reduzir sugestão.
  • Preservar a mídia original e gerar cópia de trabalho; quando aplicável, registrar hash e cadeia de custódia digital.
  • Evitar comentários, gestos ou indicações sobre “quem é” o suspeito.

7.3 Reconhecimento de coisas

Aplica-se lógica semelhante: descrição prévia do objeto, exibição junto a outros semelhantes quando possível e documentação do ato. O Papiloscopista pode contribuir garantindo que o objeto exibido seja o mesmo apreendido (conferência de lacre/identificação) e que o manuseio não destrua vestígios remanescentes.

8) Comunicação de resultados à autoridade policial (utilidade investigativa + segurança jurídica)

8.1 O que comunicar, quando e como

Além do laudo, é comum haver necessidade de comunicação imediata de achados relevantes (por exemplo, para orientar novas diligências). Essa comunicação deve ser objetiva, rastreável e compatível com o estágio do exame.

Modelo prático de comunicação preliminar (quando necessário):

  • Identificação do caso: número do procedimento, unidade, data.
  • Material: itens examinados e condição de recebimento (lacre íntegro/violado).
  • Achados: o que foi observado (ex.: presença/ausência de vestígio útil).
  • Grau de certeza: deixar claro se é preliminar, pendente de confirmação, ou conclusivo.
  • Impacto operacional: sugestão de diligências (ex.: coletar padrão de determinado indivíduo; preservar objeto X; buscar imagens de câmera em janela temporal).
  • Limitações: fatores que podem afetar resultado (contaminação, degradação, baixa qualidade).

8.2 Cuidados com linguagem

  • Evitar termos absolutos quando o dado é limitado (preferir “compatível”, “indica”, “não foi possível concluir”).
  • Separar “não encontrado” de “inexistente” (ausência de detecção não prova ausência de contato).
  • Não antecipar juízo de autoria fora do escopo técnico.

9) Roteiros de atuação em diligências (checklists de campo)

9.1 Roteiro: atendimento em local com potencial vestígio papiloscópico

  • Confirmar segurança do local e autorização de acesso.
  • Definir com a equipe o perímetro e pontos de maior probabilidade de contato.
  • Documentar antes de intervir (fotos gerais e de detalhe).
  • Selecionar itens prioritários e definir ordem para reduzir contaminação.
  • Coletar/acondicionar/lacrar com identificação individual.
  • Registrar transferências e responsáveis.
  • Relatar imediatamente à autoridade: itens coletados, riscos (chuva, limpeza, fluxo de pessoas), necessidades (novas coletas, preservação).

9.2 Roteiro: diligência em delegacia (exibição de objetos e reconhecimento de coisas)

  • Conferir se o objeto exibido é o apreendido (número do item e lacre).
  • Evitar manuseio desnecessário; se precisar, usar EPI e proteger superfícies.
  • Registrar quem teve contato com o objeto durante o ato.
  • Garantir termo do reconhecimento e anexos (fotos do conjunto exibido, se houver).

9.3 Roteiro: recebimento de itens para exame

  • Conferir integridade do lacre e correspondência com o documento de remessa.
  • Registrar condição do item (umidade, odor, danos, embalagem inadequada).
  • Se houver inconformidade: registrar formalmente e comunicar a autoridade antes de prosseguir, quando isso impactar a confiabilidade.

10) Prazos e formalidades relevantes (visão de concurso e de rotina)

10.1 Prazos do inquérito (noções essenciais)

Os prazos do inquérito variam conforme situação do investigado (preso/solto) e legislações especiais. Para o Papiloscopista, o ponto prático é: exames urgentes podem ser determinantes para medidas cautelares e para evitar perda de vestígios. Portanto, ao receber requisição, classifique prioridade e registre justificativa de urgência quando aplicável.

10.2 Formalidades que mais caem em prova

  • Diferença entre meio de prova e meio de obtenção de prova.
  • Obrigatoriedade do exame de corpo de delito quando o crime deixa vestígios e consequências da sua ausência.
  • Procedimento do reconhecimento (descrição prévia, pessoas semelhantes, documentação).
  • Valor de elementos informativos do inquérito versus prova judicial.
  • Importância da cadeia de custódia para autenticidade e integridade.

11) Questões comentadas (foco em aplicação prática)

Questão 1

Enunciado: Em um furto, a equipe apreende uma mochila supostamente usada pelo autor. O item chega ao setor sem lacre e sem termo de apreensão, apenas com um bilhete informal. Qual é a principal consequência processual provável e a conduta mais adequada do Papiloscopista?

Comentário: O problema central é a quebra/ausência de cadeia de custódia, que fragiliza a autenticidade do item e abre espaço para alegação de contaminação/substituição. A conduta adequada é registrar formalmente a condição de recebimento (sem lacre/sem documentação), comunicar imediatamente a autoridade requisitante e, se possível, solicitar regularização documental (termo de apreensão/relato de quem coletou, quando e onde). O exame pode até ser realizado, mas com ressalvas claras sobre limitações e riscos de confiabilidade.

Questão 2

Enunciado: Uma vítima é chamada na delegacia e, sem qualquer registro prévio de descrição, um policial mostra apenas uma foto do suspeito e pergunta: “Foi ele?”. Isso atende ao procedimento de reconhecimento? Quais riscos?

Comentário: Não atende ao rito legal de reconhecimento. Falta a descrição prévia, não há apresentação com pessoas semelhantes (quando possível) e a forma é altamente sugestiva. O risco é a contaminação da memória e a redução do valor probatório, com possibilidade de impugnação. Se o Papiloscopista estiver apoiando, deve orientar para formalização do ato, preservação de registros e padronização do conjunto de imagens/indivíduos apresentados.

Questão 3

Enunciado: Em local sujeito a chuva, a equipe decide aguardar horas para iniciar a coleta de vestígios. Depois, não é possível obter material útil. Como enquadrar isso sob a ótica de prova cautelar/não repetível e qual lição operacional?

Comentário: A situação evidencia que a coleta era cautelar (urgente para não perder utilidade) e potencialmente não repetível (as condições se alteram). A lição operacional é priorizar preservação imediata, documentação e coleta dos pontos críticos, além de registrar no relatório fatores ambientais e decisões que impactaram a preservação do vestígio.

Questão 4

Enunciado: Ao receber um item lacrado, o Papiloscopista identifica o lacre violado, mas o documento de remessa não menciona isso. O que deve ser feito antes do exame?

Comentário: Deve-se registrar a inconformidade (foto do lacre, descrição), comunicar a autoridade requisitante e avaliar impacto na confiabilidade. Prosseguir sem registro pode comprometer a credibilidade do resultado. Se o exame for realizado, o laudo/relatório deve conter ressalva sobre a condição de recebimento e possíveis efeitos.

Questão 5

Enunciado: Em relatório preliminar, o servidor escreve: “O suspeito certamente tocou no objeto”. Essa redação é adequada? Como melhorar?

Comentário: A redação é inadequada por extrapolar o alcance e por usar certeza absoluta. Melhor: descrever o achado e o limite inferencial, por exemplo: “Foi identificado vestígio papiloscópico com características compatíveis com o padrão de X, conforme exame realizado. Ressalva-se que a presença do vestígio indica contato em momento indeterminado, não permitindo, por si só, inferir a data/hora do toque ou a dinâmica completa do fato.”

Agora responda o exercício sobre o conteúdo:

Ao receber um objeto para exame papiloscópico com lacre violado e sem registro dessa condição no documento de remessa, qual conduta é mais adequada para preservar a confiabilidade do trabalho e reduzir risco de impugnação?

Você acertou! Parabéns, agora siga para a próxima página

Você errou! Tente novamente.

A violação do lacre sem registro fragiliza a cadeia de custódia. O correto é documentar a inconformidade, comunicar a autoridade e avaliar o impacto na autenticidade/integridade. Se o exame seguir, deve constar ressalva sobre limitações e riscos de confiabilidade.

Próximo capitúlo

Informática Aplicada ao Papiloscopista: Fundamentos, Segurança da Informação e Gestão de Evidências Digitais

Arrow Right Icon
Baixe o app para ganhar Certificação grátis e ouvir os cursos em background, mesmo com a tela desligada.