Procedimentos Operacionais de Rondas Preventivas: Antes, Durante e Após

Capítulo 6

Tempo estimado de leitura: 9 minutos

+ Exercício

Conceito e princípios operacionais

Procedimentos operacionais de rondas preventivas são o conjunto de rotinas padronizadas que orientam como preparar, executar e finalizar uma ronda com segurança, consistência e rastreabilidade. O foco é reduzir falhas humanas (esquecimentos, improvisos), aumentar a qualidade das verificações e garantir que qualquer anormalidade seja comunicada e registrada de forma útil para tomada de decisão.

Na prática, o procedimento se organiza em três momentos: antes (preparo e alinhamento), durante (execução com técnicas de observação e checagem) e após (entrega de informações e atualização de registros). Em todos eles, valem três princípios: segurança pessoal (não se expor), postura profissional (conduta e abordagem) e comunicação disciplinada com a central/portaria (clareza, brevidade e padronização).

Antes da ronda: preparo operacional

1) Briefing rápido (alinhamento de turno)

O briefing é um alinhamento objetivo para reduzir ambiguidades. Deve ocorrer antes de sair para a ronda e durar o suficiente para cobrir o essencial.

  • Ocorrências recentes: o que aconteceu no último turno (tentativas de acesso, alarmes, falhas de iluminação, portas encontradas abertas, reclamações).
  • Áreas com atenção reforçada: locais com manutenção em andamento, aumento de fluxo, obras, eventos, entregas programadas.
  • Regras de abordagem: como proceder com pessoas não identificadas, prestadores de serviço, visitantes fora de horário.
  • Critérios de acionamento: em que situações interromper a ronda e solicitar apoio imediato (ex.: indício de arrombamento, fumaça, pessoa agressiva, disparo de alarme).

2) Checagem de equipamentos (funcionalidade e redundância)

Faça uma checagem rápida e padronizada para evitar sair com equipamento falhando. Use uma lista curta e repetível.

  • Rádio/telefone: bateria, teste de transmissão e recepção, canal correto, volume audível, fone (se aplicável).
  • Lanterna: bateria/carga, foco, modo reserva; levar pilhas/bateria extra quando previsto.
  • Chaves, cartões e controles: conjunto completo conforme área; verificação de integridade de tags e identificação.
  • EPIs: calçado adequado, colete/refletivo (se área externa/baixa iluminação), luvas quando houver manuseio de lacres/portas, capa de chuva quando necessário.
  • Ferramentas de registro: aplicativo/terminal, prancheta, caneta, formulários; relógio sincronizado (ou horário do sistema).

3) Verificação de condições climáticas e ambiente

Clima e condições do terreno alteram risco e tempo de deslocamento. Ajuste a execução sem “encurtar” verificações críticas.

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  • Chuva/vento: risco de queda, baixa visibilidade, ruídos que mascaram sons; priorize iluminação e áreas externas expostas.
  • Nevoeiro/baixa visibilidade: reduza velocidade, aumente paradas para escuta e observação.
  • Calor extremo: hidratação e pausas curtas; atenção a sinais de mal-estar.

4) Áreas interditadas e mudanças temporárias

Antes de sair, confirme com a central/portaria e/ou manutenção:

  • Áreas interditadas (obras, vazamentos, risco elétrico, produtos químicos).
  • Rotas alternativas autorizadas e pontos de acesso liberados.
  • Limites de atuação: se a área estiver isolada, a ronda deve observar de fora, registrar e comunicar, sem violar isolamento.

5) Comunicação inicial com a central/portaria

Padronize a mensagem de início para criar rastreabilidade e permitir acompanhamento.

Central, aqui Ronda 01. Iniciando ronda às 22:10, setor externo leste, previsão 25 minutos. Rádio ok.

Durante a ronda: execução com técnica e segurança

1) Técnicas de deslocamento (movimento seguro e observação)

O deslocamento não é apenas “andar pelo local”; é uma forma de varredura contínua.

  • Ritmo controlado: caminhe em velocidade que permita observar detalhes (portas, janelas, lacres, sombras, sinais no chão).
  • Varredura visual em camadas: primeiro o entorno amplo (movimento/pessoas), depois pontos médios (portas/portões), por fim detalhes (lacres, fechaduras, marcas).
  • Posicionamento: evite ficar encurralado; mantenha rotas de saída; não se aproxime de cantos cegos sem antes observar.
  • Uso de lanterna: ilumine o caminho e pontos de interesse sem ofuscar a própria visão; evite “varrer” janelas de residências/áreas sensíveis quando isso possa gerar reclamações.

2) Paradas para escuta (redução de ruído próprio)

Paradas curtas para escuta ajudam a detectar sons que passam despercebidos em movimento (passos, batidas, motor, vazamento, alarme baixo).

  • Quando fazer: antes de cruzar áreas de baixa visibilidade, próximo a portas de acesso, em locais com histórico de ocorrência, ao perceber qualquer indício (luz acesa fora do padrão, sombra, objeto deslocado).
  • Como fazer: pare, reduza movimentos, desligue rádio momentaneamente se necessário (sem perder contato), observe por 10–20 segundos.
  • O que procurar: ruídos metálicos, vozes, som de água, estalos elétricos, alarmes intermitentes, motores fora de horário.

3) Verificação de portas, portões e fechamentos

Checar fechamentos exige método para evitar “olhar e assumir”.

  • Inspeção visual: alinhamento da porta, sinais de violação, marcas recentes, dobradiças, batentes, cadeados.
  • Teste de condição (sem forçar): verifique se está efetivamente fechada (ex.: leve pressão/tração na maçaneta ou no portão) sem causar dano ou ruído excessivo.
  • Conferência de status: se houver indicador (trava, sensor, selo), confirme integridade e coerência com o esperado.
  • Regra de segurança: se houver indício de arrombamento, não entre sozinho. Afaste-se para posição segura, comunique a central e aguarde orientação/apoio.

4) Verificação de lacres e selos (integridade e evidência)

Lacres são evidências. O procedimento deve preservar rastreabilidade.

  • Conferir integridade: sem cortes, sem emendas, sem folga anormal, sem numeração ilegível (quando aplicável).
  • Conferir coerência: lacre presente onde deveria estar; ausência é anormalidade.
  • Não substituir por conta própria: se o procedimento exigir troca, deve ser autorizada e registrada com número do novo lacre e motivo.
  • Registro objetivo: “Lacre do quadro X íntegro” ou “Lacre ausente/rompido” com localização precisa.

5) Verificação de iluminação e condições do ambiente

Iluminação impacta segurança e prevenção. A checagem deve considerar falhas e situações fora do padrão.

  • Pontos apagados: lâmpadas queimadas, refletores desligados, sensores de presença falhando.
  • Pontos acesos indevidos: luz acesa em área que deveria estar apagada pode indicar presença, falha de automação ou esquecimento operacional.
  • Sombras e obstruções: vegetação alta, objetos que criam pontos cegos, materiais acumulados.
  • Riscos imediatos: fios expostos, poças próximas a instalações elétricas, cheiro de queimado, fumaça.

6) Cuidados com segurança pessoal (regras práticas)

  • Não atuar sozinho em situação de risco: indício de invasão, agressividade, barulho interno suspeito, porta violada, presença de arma, fumaça.
  • Manter distância e cobertura: observe de local protegido; evite se aproximar de veículos com ocupantes suspeitos.
  • Evitar previsibilidade: não pare sempre nos mesmos pontos e tempos; mantenha atenção ao entorno.
  • Controle emocional: voz firme, postura neutra, sem provocações; priorize desescalada.
  • Preservação de cena: em possível crime, não toque em objetos, não altere o ambiente; isole e comunique.

7) Postura profissional e abordagem de pessoas

Durante a ronda, a postura comunica autoridade e controle, sem hostilidade.

  • Identificação: apresente-se conforme protocolo; solicite identificação de forma objetiva.
  • Distância segura: mantenha espaço para reação; evite encurralar a pessoa.
  • Foco em fatos: “O senhor está autorizado a estar aqui? Qual o destino? Posso confirmar com a portaria?”
  • Evitar discussões: se houver resistência, recue, comunique e siga o procedimento de apoio.

8) Regras de comunicação com a central/portaria durante a ronda

Comunicação deve ser curta, padronizada e acionável. Evite mensagens longas e subjetivas.

  • Quando comunicar: início e fim, mudanças de rota por motivo operacional, qualquer anormalidade, necessidade de apoio, confirmação de situação resolvida.
  • Como comunicar: informe quem chama, onde está, o que observou, qual necessidade (orientação, apoio, registro).
  • Evitar códigos ambíguos: use termos definidos pelo procedimento local.
  • Confirmação: peça repetição/confirmação quando a informação for crítica (endereço interno, setor, número de lacre).
Central, aqui Ronda 01. Setor docas, porta D-03 com cadeado íntegro, porém luz do refletor 2 apagada. Solicito abertura de chamado para manutenção. Vou seguir para corredor norte.

Após a ronda: encerramento e registro

1) Debrief (retorno e alinhamento final)

O debrief consolida o que foi visto e garante que nada fique “na cabeça” do rondista. Deve ocorrer imediatamente após a ronda ou ao final do ciclo previsto.

  • Resumo objetivo: setores percorridos, principais verificações, pontos fora do padrão.
  • Prioridades: o que é urgente (risco imediato) versus o que é manutenção/ajuste.
  • Pendências: itens que precisam de retorno (ex.: refletor apagado, porta com fechamento irregular, lacre ilegível).

2) Entrega de achados (handoff para decisão)

“Achados” são evidências e observações relevantes para ação. Entregar achados significa repassar com clareza para quem decide/aciona (central, supervisão, manutenção, segurança patrimonial).

  • Classifique: segurança (suspeita/violação), infraestrutura (iluminação/fechamento), operacional (fluxo fora de horário).
  • Inclua contexto mínimo: horário, local exato, condição encontrada, ação tomada no momento.
  • Evite suposições: descreva o que foi observado (ex.: “porta entreaberta 5 cm”, não “tentaram invadir”).

3) Atualização de registros (rastreabilidade)

Registros devem permitir reconstruir a ronda: onde foi, o que foi checado, o que foi encontrado e o que foi feito. Use linguagem objetiva e padronizada.

  • Campos essenciais: data/hora, setor, item verificado, status (ok/não ok), descrição da anormalidade, ação imediata, responsável acionado, número de protocolo/chamado (se houver).
  • Fotos/anexos: quando permitido, registre evidência de iluminação apagada, dano, porta, lacre (sem expor dados sensíveis indevidos).
  • Correção de erro: se houver erro no registro, siga o procedimento (não “apagar” sem rastreio).
Exemplo de registroComo escrever
Iluminação22:18 — Doca — Refletor 2 apagado, demais ok. Ação: comunicado à central, solicitado chamado manutenção.
Porta/fechamento22:24 — Corredor norte — Porta N-07 fechada, porém trava com folga. Ação: sinalizado à central para verificação técnica; sem indício de violação.
Lacre22:31 — Sala elétrica — Lacre do quadro Q-03 íntegro, numeração legível. Ação: registro.

4) Comunicação de encerramento

Finalize com mensagem curta para fechar o ciclo e permitir controle operacional.

Central, aqui Ronda 01. Ronda finalizada às 22:35. Um apontamento: refletor 2 da doca apagado (chamado solicitado). Demais itens sem anormalidades.

Agora responda o exercício sobre o conteúdo:

Ao identificar um indício de arrombamento durante a verificação de portas e fechamentos, qual é o procedimento mais adequado?

Você acertou! Parabéns, agora siga para a próxima página

Você errou! Tente novamente.

Em caso de indício de arrombamento, a prioridade é a segurança pessoal e a comunicação disciplinada: não entrar sozinho, reposicionar-se com segurança, informar a central/portaria e aguardar orientação/apoio.

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