O que são convulsões e alterações neurológicas agudas
Convulsão é um episódio súbito de atividade elétrica anormal no cérebro que pode causar contrações musculares, perda de consciência, salivação, micção/defecação involuntária e movimentos involuntários. “Alterações neurológicas agudas” incluem sinais que aparecem de repente e sugerem comprometimento do sistema nervoso, como desorientação, perda de equilíbrio (ataxia), tremores, cabeça inclinada, andar em círculos, fraqueza súbita, alterações de visão, comportamento anormal ou colapso.
Nem todo movimento estranho é convulsão. Tremores por frio, dor intensa, ansiedade ou fraqueza podem parecer “crise”, mas costumam ocorrer com o animal consciente e responsivo. Já a convulsão frequentemente vem em ondas, com perda de controle corporal e, muitas vezes, alteração do nível de consciência.
Como reconhecer diferentes apresentações
1) Convulsão tônico-clônica (a “clássica”)
- Fase tônica: rigidez do corpo, queda, membros estendidos, mandíbula rígida.
- Fase clônica: “pedalar” com as patas, contrações rítmicas, tremores fortes.
- Sinais associados: salivação espessa, vocalização, olhar fixo, micção/defecação, respiração irregular.
2) Convulsão focal (parcial)
- Movimentos repetitivos em uma parte do corpo (ex.: contração de um lado da face, mastigação no vazio, tremor de uma pata).
- Pode haver consciência preservada ou alterada.
- Pode evoluir para tônico-clônica generalizada.
3) Tremores (nem sempre são convulsão)
- Oscilações musculares finas ou moderadas, às vezes contínuas.
- O animal geralmente responde ao tutor (olha, tenta andar, reage ao toque).
- Podem ocorrer por frio, dor, estresse, hipoglicemia, intoxicações, febre, fraqueza.
4) Desorientação e comportamento anormal
- Parecer “perdido”, não reconhecer o ambiente, olhar vago.
- Andar sem objetivo, ficar preso em cantos, pressionar a cabeça contra a parede.
- Agitação, medo repentino, reatividade incomum.
5) Ataxia (perda de coordenação)
- Andar cambaleante, “bêbado”, cruzar as patas, cair para os lados.
- Cabeça inclinada, nistagmo (olhos “batendo” de um lado para outro) podem acompanhar.
- É um sinal de alerta: pode ocorrer em intoxicações, problemas vestibulares, AVC, inflamações, traumas, entre outras causas.
Como agir durante uma convulsão: passo a passo seguro
Passo 1 — Proteja o animal de acidentes (sem se expor)
- Afastar objetos ao redor (cadeiras, mesas, pontas, fios, brinquedos duros).
- Se estiver em local alto (sofá, cama), evite quedas: coloque almofadas ao redor ou deslize o animal cuidadosamente para o chão apenas se for seguro.
- Se houver escadas por perto, bloqueie o acesso com um objeto grande (ex.: cadeira) sem encostar no animal.
Passo 2 — Reduza estímulos
- Apague luzes fortes, reduza barulho, peça silêncio.
- Afaste outros animais e crianças.
- Evite tocar excessivamente: durante a crise, o animal não controla os movimentos.
Passo 3 — Não coloque a mão na boca
- Não tente segurar a língua e não introduza objetos (colher, pano, dedos). Há alto risco de mordida involuntária.
- O animal não “engole a língua” como mito popular sugere. O foco é evitar traumas e manter o ambiente seguro.
Passo 4 — Cronometre a duração
- Use o relógio do celular e marque o início e o fim.
- Se possível, anote: tipo de movimentos, se urinou/defecou, se houve vômito, se estava consciente antes.
Passo 5 — Registre vídeo quando possível
- Um vídeo curto (10–30 segundos) ajuda muito o veterinário a diferenciar convulsão de tremores, síncope ou dor.
- Filme à distância, sem flash e sem se aproximar da boca.
Passo 6 — Após cessar a crise, mantenha o animal em local seguro
- Deixe-o em um ambiente calmo, com pouca luz.
- Evite oferecer comida/água imediatamente se estiver desorientado (risco de engasgo). Aguarde recuperar coordenação e atenção.
- Se precisar mover, faça com cuidado: alguns animais ficam agitados e podem morder sem reconhecer o tutor.
Período pós-ictal: o que esperar e como cuidar
O período pós-ictal é a fase após a convulsão. Pode durar minutos a horas e incluir desorientação, andar cambaleante, fome intensa, sede, cegueira temporária, inquietação, vocalização ou sonolência. Nessa fase, o animal pode parecer “fora de si” e reagir de forma imprevisível.
Cuidados práticos no pós-ictal
- Ambiente controlado: mantenha em um cômodo pequeno e seguro, sem acesso a escadas/piscina.
- Contato mínimo e calmo: fale baixo, evite abraços e manipulação do rosto.
- Observe a respiração e a recuperação: a melhora costuma ser gradual.
- Evite estímulos: visitas, barulho, brincadeiras e passeios até estabilizar.
Controle de temperatura: por que importa e como fazer
Convulsões prolongadas ou repetidas podem elevar a temperatura corporal (hipertermia) pelo esforço muscular contínuo. Isso é perigoso e pode agravar o quadro.
O que fazer
- Se a crise foi longa, se houve várias crises em sequência, ou se o animal está muito quente ao toque, inicie resfriamento suave enquanto busca atendimento.
- Ventilação: use ventilador em intensidade moderada, mantendo o animal em local arejado.
- Compressas frescas (não geladas) em patas, axilas e virilha podem ajudar.
- Evite água gelada e gelo direto: podem causar vasoconstrição e piorar a dissipação de calor, além de estresse.
Quando é emergência imediata: critérios de alerta
Procure atendimento veterinário com urgência (ou emergência) se ocorrer qualquer um dos itens abaixo:
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- Duração maior que 5 minutos (status epilepticus) ou dificuldade de parar.
- Crises repetidas em curto intervalo (ex.: mais de uma em 24 horas, ou “em cluster”).
- Primeiro episódio de convulsão na vida.
- Filhotes ou idosos (maior risco de causas metabólicas, intoxicações e doenças graves).
- Suspeita de intoxicação (acesso a venenos, plantas tóxicas, medicamentos humanos, produtos de limpeza, drogas, iscas, alimentos perigosos).
- Recuperação anormal: não volta a reconhecer o ambiente, permanece muito desorientado por tempo prolongado, fraqueza intensa, dificuldade respiratória, colapso.
- Sinais neurológicos graves sem convulsão: incapacidade de ficar em pé, cabeça pressionada contra objetos, andar em círculos contínuo, nistagmo intenso, cegueira súbita, dor intensa, vocalização persistente.
Checklist rápido para o tutor (para usar no momento)
1) Afastar objetos e reduzir estímulos (luz/ruído). 2) Não tocar na boca; não segurar língua. 3) Cronometrar início e fim. 4) Filmar um trecho, se seguro. 5) Após a crise: manter em local calmo e seguro. 6) Avaliar critérios de emergência (≥5 min, repetidas, 1ª vez, filhote/idoso, intoxicação). 7) Se crise longa/repetida: resfriamento suave e atendimento imediato.Informações úteis para relatar ao veterinário
| O que observar | Exemplos do que anotar |
|---|---|
| Duração | “Começou 19:42 e terminou 19:44 (2 min)” |
| Tipo de episódio | Rigidez + movimentos de pedalar; tremor focal na face; queda súbita |
| Consciência | Respondia ao nome? Olhar fixo? Parecia ausente? |
| Antes do episódio | Vômito, ingestão suspeita, estresse, exercício, jejum, medicação recente |
| Depois do episódio | Desorientação, cegueira temporária, agressividade, sonolência |
| Frequência | Primeira vez? Quantas em 24h? Intervalo entre crises |
Diferenças práticas: convulsão x tremor x desmaio (para não confundir)
- Convulsão: movimentos involuntários marcantes, possível perda de consciência, pós-ictal comum (desorientação depois).
- Tremor: animal geralmente consciente e responsivo; pode piorar com frio/estresse; não costuma ter pós-ictal típico.
- Desmaio (síncope): queda súbita, pode ficar mole, recuperação rápida; pode haver poucos movimentos, mas geralmente sem fase tônico-clônica prolongada e sem pós-ictal longo.