Por que frete e embalagem decidem sua margem (e sua reputação)
Frete e embalagem não são “detalhes operacionais”: eles afetam diretamente (1) o custo final do pedido, (2) o prazo percebido pelo cliente e (3) o risco de avarias e devoluções. Um cálculo errado de peso/dimensões pode aumentar o valor do envio, gerar cobrança extra na postagem ou obrigar você a cancelar pedidos por inviabilidade. A meta aqui é ter um método simples e repetível para: medir, embalar, estimar custo, prometer prazo e postar com consistência.
Medidas essenciais: peso real, dimensões e peso cubado
Conceitos que você precisa dominar
- Peso real: o peso do produto (com embalagem) na balança.
- Dimensões externas: comprimento × largura × altura da caixa já fechada.
- Peso cubado (volumétrico): um “peso calculado” a partir do volume. Em muitos envios, o transportador cobra pelo maior entre peso real e peso cubado.
Fórmula prática do peso cubado (modelo comum no mercado):
peso_cubado_kg = (comprimento_cm * largura_cm * altura_cm) / 6000Se o seu transportador usar outro divisor (ex.: 5000), ajuste. O importante é: caixas grandes “pesam mais” no cálculo, mesmo que o produto seja leve.
Passo a passo: como medir e registrar
- Separe ferramentas: balança (cozinha ou de bancada), trena/régua, fita adesiva, planilha.
- Meça o produto (sem embalagem): anote dimensões e peso.
- Escolha uma embalagem candidata (caixa ou envelope) e faça uma simulação de empacotamento.
- Feche a embalagem como se fosse enviar (com proteção interna).
- Meça dimensões externas da embalagem fechada.
- Pese o pacote final (peso real final).
- Calcule o peso cubado e registre o peso tarifável = maior entre real e cubado.
Dica operacional: crie uma ficha por produto (ou por “tipo de pedido”) com: embalagem padrão, dimensões finais, peso real final, peso cubado e peso tarifável. Isso acelera o cálculo do frete e reduz erros.
Escolha de embalagens: como decidir sem complicar
Objetivo da embalagem
- Proteger contra impacto, compressão e umidade.
- Reduzir volume (para não inflar o peso cubado).
- Padronizar para ganhar velocidade e previsibilidade de custo.
Tipos comuns e quando usar
- Caixa de papelão: melhor para itens frágeis, com cantos, ou que não podem dobrar. Permite preenchimento interno.
- Envelope plástico (coextrusado): bom para itens não frágeis e flexíveis (ex.: têxteis). Reduz volume e custo, mas protege menos contra amassados.
- Envelope com bolha: intermediário para itens pequenos com risco moderado de impacto.
- Tubo/caixa alongada: para itens compridos que não podem dobrar.
Regra prática de dimensionamento
Escolha a menor embalagem que acomode o produto + proteção. Evite “caixa grande com muito enchimento”: costuma aumentar o peso cubado e o custo do envio.
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Proteção do produto: padrão simples para reduzir avarias
Camadas de proteção (modelo em 3 níveis)
- Nível 1 (contato): saco plástico, papel seda ou filme para evitar atrito/poeira e proteger acabamento.
- Nível 2 (impacto): plástico bolha, espuma, cantoneiras ou papel amassado para absorver choque.
- Nível 3 (estrutura): caixa rígida ou envelope reforçado para resistir a compressão.
Passo a passo: empacotamento padrão para item frágil pequeno
- Envolva o produto em Nível 1 (proteção superficial).
- Faça 2 a 3 voltas de plástico bolha (Nível 2), fixando com fita.
- Coloque no centro da caixa e preencha folgas com papel/espuma (sem deixar o item “dançar”).
- Feche a caixa com fita no padrão H (uma faixa central + duas nas bordas).
- Agite levemente: se houver movimento interno, adicione preenchimento.
Passo a passo: empacotamento padrão para item não frágil (ex.: têxtil)
- Coloque em saco plástico (proteção contra umidade).
- Remova excesso de ar e feche.
- Use envelope plástico resistente do tamanho adequado.
- Reforce a aba com fita se necessário.
Controle de qualidade rápido: antes de fechar, confirme se o produto está correto (modelo/cor/tamanho) e se não há defeitos visíveis. Isso evita retrabalho e custo de reenvio.
Como estimar custos de envio (sem surpresas)
Componentes do custo logístico por pedido
- Frete (cobrado pelo transportador).
- Embalagem (caixa/envelope + proteção + fita + etiqueta).
- Custos de manuseio (se você quiser contabilizar seu tempo: separação, empacotamento, deslocamento).
- Risco (avarias, extravios, reenvios): pode virar uma “reserva” percentual.
Modelo simples de cálculo
custo_logistico_pedido = frete + custo_embalagem + custo_manuseio + reserva_riscoExemplo prático (valores ilustrativos):
- Frete: R$ 22,00
- Embalagem (caixa + bolha + fita): R$ 4,50
- Manuseio (tempo + deslocamento): R$ 3,00
- Reserva de risco (ex.: 2% do valor do produto de R$ 120): R$ 2,40
custo_logistico_pedido = 22,00 + 4,50 + 3,00 + 2,40 = R$ 31,90
Esse número ajuda a decidir política de frete e a evitar “frete grátis” que come sua margem sem você perceber.
Políticas de frete: cliente paga, subsidiado e frete grátis acima de X
1) Cliente paga o frete
Quando faz sentido: produtos com margem apertada, ticket baixo, ou quando o frete varia muito por região/peso cubado.
Como aplicar: repasse o valor estimado do frete e deixe claro o prazo. Para reduzir abandono de carrinho, você pode mostrar uma estimativa já na página do produto (por CEP).
2) Frete subsidiado (você paga uma parte)
Quando faz sentido: para aumentar conversão sem assumir 100% do custo. Ex.: você limita o subsídio a um teto.
Regra simples:
frete_cobrado_cliente = max(0, frete_real - subsidio_maximo)Exemplo: frete real R$ 28, subsídio máximo R$ 10 → cliente paga R$ 18.
3) Frete grátis acima de X
Quando faz sentido: para elevar o valor do carrinho e diluir o frete na margem do pedido.
Como definir o X (método prático):
- Calcule seu custo logístico médio para os principais destinos (ou faixas de CEP).
- Defina quanto você consegue absorver sem comprometer a margem (ex.: até R$ 20 por pedido).
- Estime a margem bruta média por pedido (em R$) e veja a partir de que valor ela cobre o frete.
Regra de bolso: se seu frete médio é R$ 20 e sua margem bruta média é 35%, um ponto de partida é:
X ≈ frete_medio / margem_bruta_percentual = 20 / 0,35 ≈ R$ 57Depois, ajuste para cima para criar folga (ex.: R$ 79 ou R$ 99) e reduzir risco em regiões caras.
Combinações comuns (fáceis de operar)
- Frete pago para pedidos abaixo de X e frete grátis acima de X.
- Frete subsidiado fixo para todo pedido + frete grátis acima de X.
- Frete grátis apenas para regiões com custo previsível (ex.: mesma cidade/estado) e frete pago para demais.
Prazos de entrega: como prometer sem estourar
Componentes do prazo
- Prazo de preparação (separar + embalar): ex.: 1 dia útil.
- Prazo de postagem: quando você efetivamente entrega ao transportador (ex.: até 24h após o empacotamento).
- Prazo de transporte: varia por destino e modalidade.
Prazo prometido deve ser a soma com uma margem de segurança:
prazo_prometido = prazo_preparacao + prazo_postagem + prazo_transporte + folgaPasso a passo para definir prazos realistas
- Escolha um SLA interno: por exemplo, “pedidos pagos até 12h saem no próximo dia útil”.
- Mapeie 3 faixas de destino: local/mesmo estado, capitais principais, interior/longa distância.
- Use o prazo do transportador como base e adicione folga (ex.: +1 a +2 dias úteis) para absorver variações.
- Padronize: ofereça poucas opções (ex.: Econômico e Expresso) para não complicar a operação.
Boa prática: se você ainda não tem histórico, seja conservador no prazo prometido. Entregar antes do prazo gera percepção positiva; atrasar gera suporte, reembolso e avaliações ruins.
Áreas remotas e exceções: como lidar sem perder o controle
O que muda em áreas remotas
- Frete mais caro e maior variação de preço.
- Prazos mais longos e maior chance de restrições de rota.
- Menos opções de modalidade/transportadora.
Políticas práticas para áreas remotas
- Prazo diferenciado: aplique uma faixa de prazo maior para CEPs remotos (ex.: +3 a +7 dias úteis).
- Frete mínimo: defina um piso de frete para evitar prejuízo em pedidos leves porém volumosos.
- Contato proativo: se o custo real ficar muito acima do estimado, avise rapidamente e ofereça alternativas (ex.: modalidade econômica, ajuste de prazo, ou cancelamento sem atrito).
- Restrição por produto: itens muito volumosos podem ter envio limitado a certas regiões, com aviso claro antes do checkout.
Guia: criando uma tabela de frete simples (para começar hoje)
Uma tabela simples é útil quando você quer previsibilidade e operação rápida. Ela funciona melhor quando seus produtos têm pesos/dimensões parecidos ou quando você separa por faixas.
Passo a passo
- Defina faixas de peso tarifável: por exemplo, até 0,5 kg; 0,5–1 kg; 1–2 kg; 2–5 kg.
- Defina faixas de região: por exemplo, (A) local/mesmo estado, (B) sudeste/sul capitais, (C) demais regiões, (D) remoto.
- Para cada combinação (peso × região), pesquise um valor médio de frete e adicione uma margem de segurança (ex.: +10% a +20%).
- Crie 2 modalidades no máximo: Econômico e Expresso (se fizer sentido).
- Teste com 10 CEPs reais (amigos/clientes) e ajuste as faixas onde houver distorção.
Modelo de tabela (exemplo)
| Peso tarifável | Região A | Região B | Região C | Região D (remoto) |
|---|---|---|---|---|
| Até 0,5 kg | R$ 14 | R$ 18 | R$ 22 | R$ 29 |
| 0,5–1 kg | R$ 16 | R$ 21 | R$ 26 | R$ 35 |
| 1–2 kg | R$ 19 | R$ 25 | R$ 32 | R$ 45 |
| 2–5 kg | R$ 27 | R$ 35 | R$ 49 | R$ 69 |
Como usar: ao receber o CEP, classifique a região; ao montar o pacote, use o peso tarifável e aplique o valor da tabela. Se você preferir, pode cobrar do cliente um valor fixo por região e absorver pequenas variações.
Padrão de embalagem: crie 3 “kits” e pare de improvisar
Padronizar reduz tempo, erro e custo. Em vez de comprar dezenas de tamanhos, comece com 3 kits que cubram 80% dos pedidos.
Kit 1: Pequeno (leve e pouco frágil)
- Envelope plástico resistente (tamanho P)
- Saco plástico interno
- Etiqueta de envio
- Fita (se necessário)
Kit 2: Pequeno frágil
- Caixa pequena (tamanho P)
- Plástico bolha
- Preenchimento (papel/espuma)
- Fita adesiva (fechamento em H)
- Etiqueta de envio
Kit 3: Médio (mais volume ou múltiplos itens)
- Caixa média
- Divisórias/cantoneiras (quando aplicável)
- Preenchimento
- Fita adesiva reforçada
- Etiqueta de envio
Passo a passo para definir seus kits:
- Liste seus 10 pedidos mais prováveis (combinações de itens).
- Simule a embalagem de cada um e anote dimensões finais e peso tarifável.
- Agrupe por similaridade e escolha 2–3 tamanhos de embalagem que atendam a maioria.
- Calcule o custo por kit (embalagem + proteção + fita + etiqueta) e registre na sua planilha.
Checklist de postagem (para não esquecer nada)
Checklist antes de embalar
- Pedido conferido (itens, variações, quantidade).
- Endereço completo e CEP validados.
- Modalidade de frete e prazo confirmados.
- Nota/declaração/etiqueta pronta (conforme sua operação).
Checklist durante a embalagem
- Produto protegido (Nível 1 + Nível 2 quando necessário).
- Sem folgas internas (teste de agitação).
- Caixa/envelope sem deformações e bem fechado.
- Etiqueta colada em superfície plana, sem dobras.
- Removidos/ocultados códigos de barras antigos (se reutilizar caixa, evite).
Checklist antes de postar
- Pacote pesado e dimensões conferidas (se houver risco de divergência).
- Comprovante/registro de postagem preparado.
- Foto rápida do pacote (opcional, útil para disputas e avarias).
- Atualização do status do pedido (postado) e envio do código de rastreio ao cliente.
Planilha mínima recomendada (campos)
Para manter tudo sob controle, registre em uma planilha os campos abaixo por produto (ou por kit de pedido):
- SKU/Produto
- Embalagem padrão (Kit 1/2/3)
- Dimensões finais (C×L×A)
- Peso real final (kg)
- Peso cubado (kg)
- Peso tarifável (kg)
- Custo do kit de embalagem (R$)
- Faixa de frete aplicável (tabela)
- Prazo prometido por região (A/B/C/D)