Três caminhos para vender: estoque próprio, sob demanda e revenda
Antes de escolher fornecedor, você precisa decidir como o produto “existe” para você: guardado por você (estoque próprio), produzido/entregue após a venda (sob demanda) ou comprado de um distribuidor/atacadista para revender (revenda). A escolha afeta capital parado, risco de encalhe, velocidade de entrega e controle de qualidade.
| Modelo | Quando faz sentido | Riscos principais | Capital inicial | Controle |
|---|---|---|---|---|
| Estoque próprio | Produto com giro previsível; você quer envio rápido e padronização | Encalhe; perda por defeito/avaria; variação de demanda | Médio/alto | Alto (qualidade, embalagem, prazo) |
| Sob demanda | Variedade grande; personalização; testar sem comprar muito | Prazo maior; falhas do fornecedor; qualidade inconsistente | Baixo | Médio (depende do fornecedor) |
| Revenda (atacado/distribuidor) | Quer começar rápido com marcas existentes; reposição frequente | Margem menor; ruptura de estoque do fornecedor; concorrência | Baixo/médio | Médio (menos controle sobre produto) |
Critérios objetivos para escolher o modelo (risco e capital)
- Capital disponível para “parar” em produto: se seu caixa é curto, priorize sob demanda ou revenda com MOQ baixo.
- Tolerância a atraso: se seu público exige entrega rápida, estoque próprio ou revenda com pronta entrega tende a performar melhor.
- Risco de encalhe: produtos com variação de tamanho/cor (muitas SKUs) aumentam risco no estoque próprio; sob demanda reduz esse risco.
- Controle de qualidade: se o produto tem alta chance de defeito, estoque próprio permite inspecionar antes de enviar; sob demanda exige contrato e amostras.
- Complexidade operacional: estoque próprio exige espaço, organização e reposição; sob demanda exige gestão de prazos e SLAs com fornecedor.
Regra prática para decidir rápido
- Se você precisa validar com mínimo risco: comece com revenda (pequeno lote) ou sob demanda (com amostra aprovada).
- Se você já tem sinais claros de giro e quer melhorar prazo: migre itens campeões para estoque próprio.
- Se o produto é personalizável: sob demanda costuma ser o padrão, mas exija prova de qualidade e prazo.
Como avaliar fornecedores sem complicar (checklist prático)
Fornecedor bom não é só preço. É previsibilidade. Avalie com um checklist e registre tudo (mesmo que seja em uma planilha).
1) Prazo (lead time) e consistência
- Pergunte: “Qual o prazo de produção/separação + despacho?” e “Qual a variação típica (ex.: 2–3 dias ou 7–15 dias)?”
- Teste: faça um pedido pequeno e meça o prazo real do dia do pagamento até o envio.
- Sinal de alerta: respostas vagas (“depende”, “normalmente”) sem números.
2) Qualidade e padrão
- Amostra: peça 1–3 unidades (ou um kit) antes de comprar lote.
- Critérios de inspeção: acabamento, material, medidas, cor, funcionamento (se aplicável), embalagem do fornecedor.
- Consistência: pergunte se há controle por lote e se o produto muda de fornecedor/fábrica.
3) Troca, devolução e garantia (por defeito)
- Defina por escrito: prazo para reportar defeitos (ex.: 7 dias após recebimento), quem paga frete de devolução, e se haverá reposição ou crédito.
- Peça exemplos: “Como vocês tratam 2% de peças com defeito em um lote?”
- Evite: fornecedor que “não troca nada” ou que só troca se você provar com burocracia excessiva.
4) Nota fiscal e documentação (quando aplicável)
- Confirme: emite nota fiscal? Em nome de quem? Com descrição correta do produto?
- Importante: para revenda e para reduzir risco fiscal/contábil, a documentação do fornecedor ajuda a manter a operação organizada.
5) Capacidade de reposição e ruptura
- Pergunte: “Qual a capacidade mensal?” e “Qual o histórico de falta?”
- Combine: aviso prévio quando houver mudança de preço, material ou embalagem.
Score simples para comparar fornecedores
Use uma nota de 1 a 5 para cada critério e some:
- Prazo real
- Consistência do prazo
- Qualidade da amostra
- Política de troca por defeito
- Documentação (NF quando aplicável)
- Reposição (capacidade e previsibilidade)
Escolha o fornecedor com melhor equilíbrio, não necessariamente o mais barato.
Negociação prática: MOQ, preço e condições
MOQ (Minimum Order Quantity) é a quantidade mínima por pedido. Negociar MOQ é uma das formas mais rápidas de reduzir risco e capital parado.
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Estratégias para negociar MOQ sem perder o fornecedor
- Comece com um pedido teste: “Quero iniciar com 20 unidades para validar giro. Se vender em X dias, fecho 100 unidades.”
- Negocie mix de SKUs: em vez de MOQ por cor/tamanho, peça MOQ total somando variações (ex.: 60 unidades no total, distribuídas em 3 cores).
- Ofereça previsibilidade: “Posso fazer pedidos quinzenais se mantiverem preço e prazo.”
- Troca por volume futuro: peça desconto progressivo por faixa (ex.: 50/100/200 unidades).
- Condição de pagamento: se não der para reduzir MOQ, negocie sinal + saldo no envio, ou prazo após a primeira compra bem-sucedida.
Perguntas objetivas para fechar condições
- Qual o MOQ por SKU e por pedido?
- Qual o preço por faixa de quantidade?
- Qual o prazo de separação/produção e o prazo de despacho?
- Como funciona reposição de defeitos? (prazo, frete, evidências)
- Como vocês embalam? Dá para reforçar embalagem em itens frágeis?
- Há variação de lote (cor, tamanho, material)? Como avisam?
Planejamento de reposição: quando comprar de novo
Reposição é o que evita “produto esgotado” e também evita comprar demais. Você pode começar com um método simples: ponto de reposição.
Passo a passo: calcular ponto de reposição (simples)
- Meça o lead time total: dias entre fazer o pedido ao fornecedor e o produto estar disponível para vender (inclua transporte e recebimento). Ex.: 10 dias.
- Estime a venda média diária: use seus últimos dias/semanas. Ex.: 2 unidades/dia.
- Defina um estoque de segurança: para atrasos e picos. Ex.: 10 unidades.
- Calcule o ponto de reposição:
Ponto de reposição = (venda diária × lead time) + estoque de segurança. Ex.: (2 × 10) + 10 = 30 unidades. - Regra: quando o estoque disponível chegar a 30, você faz novo pedido.
Como escolher o tamanho do pedido (sem fórmula complexa)
- Base: compre para cobrir um ciclo de reposição (ex.: 15–30 dias), respeitando MOQ e seu caixa.
- Se o fornecedor atrasa: aumente estoque de segurança, não necessariamente o lote inteiro.
- Se há muitas variações (tamanho/cor): reponha primeiro as variações com maior giro e mantenha as lentas com estoque mínimo.
Processo de recebimento e conferência (para evitar dor de cabeça)
Receber bem é onde você evita vender item faltando, com defeito ou de lote errado. Faça sempre do mesmo jeito, mesmo que seja pouca quantidade.
Passo a passo de recebimento
- Prepare a área: mesa limpa, boa luz, caneta, celular para fotos, e sua planilha/sistema aberto.
- Conferência de volumes: compare quantidade de caixas/pacotes com o que foi informado no envio.
- Conferência de itens (quantidade): conte unidades por SKU (modelo/cor/tamanho). Marque o que foi recebido.
- Inspeção de defeitos: verifique amassados, riscos, falhas de costura, peças faltando, funcionamento (quando aplicável). Separe “OK” e “Problema”.
- Registro de lote/variação: anote lote, data de fabricação (se houver), e diferenças visuais (cor mais clara/escura, etiqueta diferente).
- Fotos e evidências: fotografe caixa externa (se danificada), etiqueta de envio, e defeitos. Isso acelera troca.
- Quarentena: itens com dúvida ficam separados e não entram como disponíveis para venda.
- Atualize o estoque: só após conferência. Se houver divergência, registre e acione o fornecedor no mesmo dia.
Modelo de registro de divergência (mensagem objetiva)
Pedido: #123 | Data de recebimento: 30/01/2026
Divergência: faltaram 3 unidades do SKU X / 2 unidades com defeito (foto anexa)
Solicitação: reposição no próximo envio ou crédito
Evidências: fotos da caixa, etiqueta e itens com defeitoControle simples de estoque: campos mínimos que você precisa
Você não precisa de um ERP para começar, mas precisa de um controle consistente. Uma planilha já resolve se tiver campos mínimos e rotina de atualização.
Campos mínimos (por SKU)
| Campo | Para que serve | Exemplo |
|---|---|---|
| SKU (código interno) | Identificar sem ambiguidade | CAM-PT-M |
| Produto | Nome curto | Camiseta básica |
| Variação | Cor/tamanho/modelo | Preta / M |
| Fornecedor | Quem repõe | Fornecedor A |
| Custo unitário | Base para margem e reposição | R$ 22,00 |
| Estoque disponível | O que pode vender | 48 |
| Estoque reservado | Pedidos pagos aguardando envio | 5 |
| Estoque em trânsito | Pedido feito e não recebido | 60 |
| Ponto de reposição | Gatilho de compra | 30 |
| Lead time (dias) | Prazo médio do fornecedor | 10 |
| Localização | Onde está guardado | Prateleira B2 |
| Lote/Data de entrada | Rastrear problemas | Lote 2401 / 15-01 |
Rotina mínima para não perder o controle
- Ao vender: diminua “estoque disponível” e aumente “reservado” (até enviar).
- Ao enviar: diminua “reservado”.
- Ao comprar do fornecedor: aumente “em trânsito”.
- Ao receber e conferir: diminua “em trânsito” e aumente “disponível” (somente itens OK).
- 1x por semana: revise SKUs abaixo do ponto de reposição e programe pedido.
Controle rápido de defeitos (para negociar melhor)
Crie dois campos extras simples:
- % defeito por lote (defeitos / total recebido)
- Motivo do defeito (ex.: costura, risco, peça faltando, não funciona)
Com 2–3 lotes registrados, você consegue conversar com o fornecedor com dados (“no lote 2401 tivemos 4% de defeito; precisamos de reposição e melhoria no controle”).