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Preparatório para o Concurso da Escola de Sargentos das Armas (ESA - Exército Brasileiro)

Novo curso

15 páginas

Preparação Física para a ESA: Condicionamento e Teste de Aptidão Física

Capítulo 14

Tempo estimado de leitura: 12 minutos

+ Exercício

O que é o TAF e quais capacidades físicas são cobradas

O Teste de Aptidão Física (TAF) avalia capacidades físicas básicas exigidas na rotina militar. Na prática, ele mede principalmente: resistência cardiorrespiratória (capacidade de sustentar esforço por tempo prolongado), força e resistência muscular (capacidade de produzir força e repeti-la sem queda acentuada de desempenho) e eficiência de movimento (técnica, coordenação e controle corporal). A preparação física eficaz foca em melhorar essas capacidades com execução segura, progressão gradual e recuperação adequada.

Princípios de execução segura: aquecimento, mobilidade e alongamento

Aquecimento (antes do treino)

O aquecimento prepara o corpo para o esforço: eleva a temperatura corporal, aumenta a circulação, “acorda” o sistema nervoso e reduz o risco de lesões. Deve ser progressivo (do leve ao moderado) e específico (parecido com o que você vai treinar).

Passo a passo (10 a 15 minutos):

  • 1) Ativação geral (3 a 5 min): caminhada rápida, trote leve, bicicleta ou polichinelos leves, mantendo respiração confortável.
  • 2) Mobilidade dinâmica (4 a 6 min): movimentos controlados em amplitude crescente (sem “forçar” no fim do movimento).
  • 3) Preparação específica (3 a 5 min): versões mais leves do exercício principal (ex.: educativos de corrida antes de correr; séries curtas com pouca carga antes de força).

Mobilidade (qualidade do movimento)

Mobilidade é a capacidade de mover articulações com controle e amplitude útil. Para corrida e exercícios de força, priorize tornozelos, quadris, coluna torácica e ombros. A mobilidade deve ser feita com controle, sem dor aguda e sem “trancos”.

Sequência prática (5 a 8 min):

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  • Tornozelo (joelho à parede): em pé, pé a poucos centímetros da parede, leve o joelho à parede sem tirar o calcanhar do chão. 2 séries de 8 a 12 repetições por lado.
  • Quadril (avanço com rotação): dê um passo à frente (lunge), mantenha tronco alto e faça rotação suave do tronco para o lado da perna da frente. 2 séries de 6 a 8 por lado.
  • Coluna torácica (rotações em quatro apoios): mão na nuca, gire o cotovelo para cima e para baixo com controle. 2 séries de 8 por lado.
  • Ombros (circundução controlada): círculos amplos e lentos, 10 para frente e 10 para trás.

Alongamento (quando e como usar)

Alongamento estático (manter a posição) é mais indicado após o treino ou em sessões separadas, para relaxamento e manutenção de amplitude. Antes do treino, prefira mobilidade dinâmica. No alongamento estático, busque sensação de tensão moderada, sem dor.

Passo a passo pós-treino (6 a 10 min):

  • Panturrilha: 2 x 20 a 40 s por lado.
  • Posterior de coxa: 2 x 20 a 40 s por lado.
  • Flexores do quadril: 2 x 20 a 40 s por lado.
  • Peitoral e ombros: 2 x 20 a 40 s por lado.

Resistência cardiorrespiratória: como desenvolver com segurança

Resistência melhora com combinação de treinos contínuos (ritmo confortável) e treinos intervalados (alternância de esforço e recuperação). A regra de segurança é aumentar volume e intensidade de forma gradual, observando sinais do corpo.

Treino contínuo (base aeróbia)

Objetivo: sustentar esforço moderado por mais tempo, melhorando eficiência do coração, pulmões e musculatura. Deve permitir falar frases curtas sem “gasping”.

  • Execução: corrida leve a moderada, postura alta, passada curta e cadenciada.
  • Cuidados: se a canela ou joelho começar a doer de forma progressiva, reduza o ritmo e encerre se a dor alterar a mecânica da corrida.

Treino intervalado (velocidade e tolerância ao esforço)

Objetivo: elevar capacidade de sustentar ritmos mais fortes, com pausas controladas. É útil para melhorar desempenho em distâncias e tempos exigidos em testes.

  • Execução: alternar trechos rápidos (fortes, mas controláveis) com recuperação ativa (trote/caminhada).
  • Cuidados: não “sprintar” sem preparo; mantenha técnica estável. Se a respiração ficar descontrolada já nas primeiras repetições, reduza a intensidade.

Força e resistência muscular: fundamentos para o TAF

Força é a capacidade de produzir tensão muscular; resistência muscular é repetir contrações por mais tempo (muitas repetições). Para o TAF, você precisa de força suficiente para executar com boa técnica e resistência para manter o desempenho até o final.

Princípios de técnica (aplicáveis a exercícios comuns)

  • Coluna neutra: evite “arredondar” lombar sob esforço; mantenha tronco firme.
  • Amplitude segura: use amplitude que não provoque dor articular; aumente gradualmente.
  • Controle: suba com intenção e desça controlando (evite “despencar”).
  • Respiração: evite prender o ar por longos períodos; expire na fase de maior esforço.

Exercícios base (com execução e cuidados)

Agachamento (peso corporal):

  • Execução: pés na largura dos ombros, ponta dos pés levemente para fora; desça levando quadril para trás e joelhos acompanhando a direção dos pés; suba empurrando o chão.
  • Cuidados: joelhos não “colapsam” para dentro; calcanhar no chão; pare se houver dor aguda no joelho.

Flexão de braços:

  • Execução: mãos abaixo da linha do ombro, corpo em prancha (cabeça, tronco e pernas alinhados); desça até o peito se aproximar do chão e suba sem perder alinhamento.
  • Cuidados: não “quebrar” o quadril; cotovelos em ângulo confortável (nem totalmente abertos); punhos neutros.

Prancha (core):

  • Execução: antebraços no chão, ombros sobre cotovelos; glúteos e abdômen contraídos; mantenha respiração contínua.
  • Cuidados: evite lombar “cedendo”; pare se houver dor lombar crescente.

Remada com elástico (equilíbrio de ombros):

  • Execução: elástico preso à frente, puxe trazendo cotovelos para trás, aproximando escápulas; retorne controlando.
  • Cuidados: não elevar ombros; mantenha pescoço relaxado.

Técnicas de corrida: eficiência e prevenção de lesões

Postura e mecânica básica

  • Tronco: alto, leve inclinação à frente a partir dos tornozelos (não “dobrar” na cintura).
  • Passada: mais curta e rápida tende a reduzir impacto; evite “alcançar” o chão muito à frente do corpo.
  • Braços: cotovelos flexionados, movimento para frente e para trás (não cruzar demais na frente do tronco).
  • Pés: aterrissagem suave, com o pé tocando próximo ao centro de massa.

Educativos simples (antes de treinos de corrida)

Use educativos para melhorar coordenação e reduzir desperdício de energia. Faça em terreno plano, com foco em técnica, não em velocidade.

  • Skipping (joelhos altos moderados): 2 a 3 passagens de 20 a 30 m, postura alta e contato rápido com o solo.
  • Calcanhar no glúteo (controlado): 2 a 3 passagens de 20 a 30 m, sem “chutar” para trás.
  • Passadas (strides) progressivas: 3 a 5 passagens de 60 a 80 m, começando leve e terminando forte-controlado, com recuperação caminhando.

Prevenção de lesões: sinais e ajustes

Lesões comuns em corrida e calistenia incluem dor na canela, joelho, quadril e sobrecarga de ombro/punho. A prevenção depende de técnica, progressão e recuperação.

  • Sinais de alerta: dor que piora a cada sessão, dor que altera a forma de correr/executar, dor pontual intensa, inchaço, dor que persiste em repouso.
  • Ajustes imediatos: reduzir intensidade/volume, trocar corrida por caminhada/ciclismo temporariamente, reforçar mobilidade de tornozelo/quadril e fortalecer glúteos e panturrilhas.
  • Superfície e calçado: varie superfícies (evite sempre concreto) e use calçado em bom estado; mudanças bruscas de tênis/superfície aumentam risco.

Progressão de carga e recuperação: como evoluir sem se machucar

Progressão (volume, intensidade e densidade)

Você pode progredir de três formas: volume (mais tempo/mais repetições), intensidade (mais rápido/mais carga/variação mais difícil) e densidade (mesmo trabalho em menos tempo, com pausas menores). Para segurança, aumente apenas um fator principal por vez.

  • Corrida: priorize aumentar tempo total antes de aumentar intensidade. Intervalados entram quando a base está estável.
  • Força: aumente repetições com técnica perfeita antes de avançar para variações mais difíceis ou adicionar carga.
  • Regra prática: se a técnica piora no final, você progrediu rápido demais para o nível atual.

Recuperação (sono, hidratação e sinais de fadiga)

Recuperação é parte do treino: é quando o corpo adapta. Sem recuperação, o desempenho cai e o risco de lesão sobe.

  • Sono: priorize regularidade; sonolência diurna e queda de desempenho são sinais de alerta.
  • Hidratação: urina muito escura e dor de cabeça podem indicar baixa ingestão de líquidos.
  • Fadiga acumulada: dores musculares que não melhoram, irritabilidade, piora do ritmo habitual e frequência cardíaca mais alta em esforço leve sugerem necessidade de reduzir carga.

Critérios de acompanhamento: como medir evolução

Tempo e distância (resistência)

  • Tempo total: quanto tempo você sustenta corrida contínua com controle.
  • Parciais: tempos por trecho (ex.: cada 400 m) em intervalados, buscando consistência.
  • Recuperação: quanto tempo você precisa para voltar a respirar de forma confortável após um tiro.

Repetições e qualidade (força/resistência muscular)

  • Repetições válidas: conte apenas as que mantêm amplitude e alinhamento.
  • Ritmo: evite “roubar” com movimentos incompletos; prefira cadência constante.
  • Reserva técnica: pare a série quando a postura começar a falhar.

Percepção de esforço (RPE) para controlar intensidade

Use uma escala de 0 a 10 (RPE): 0 repouso, 10 esforço máximo. Isso ajuda a ajustar o treino sem depender de equipamentos.

  • RPE 3-4: leve, dá para conversar.
  • RPE 5-6: moderado, conversa em frases curtas.
  • RPE 7-8: forte, poucas palavras.
  • RPE 9: muito forte, difícil sustentar por muito tempo.

Sessões-modelo por objetivo (com execução detalhada e cuidados)

Sessão-modelo 1: Resistência (corrida contínua + técnica)

Objetivo: melhorar base aeróbia e eficiência de corrida.

Aquecimento (10 a 12 min):

  • 3 a 5 min de caminhada rápida/trote leve.
  • Mobilidade dinâmica: tornozelo (joelho à parede) 1 x 10 por lado; avanço com rotação 1 x 6 por lado; rotações torácicas 1 x 8 por lado.
  • Educativos: 2 passagens de 20 a 30 m de skipping + 2 passagens de calcanhar no glúteo (controlado).

Parte principal (20 a 40 min, conforme nível):

  • Corrida contínua em RPE 4 a 6 (confortável a moderado).
  • Foco técnico: postura alta, passada curta, braços relaxados, aterrissagem suave.

Desaquecimento (5 a 8 min):

  • Caminhada leve 3 a 5 min.
  • Alongamento estático: panturrilha e posterior de coxa 2 x 20 a 30 s por lado.

Cuidados: se houver dor localizada que aumente durante a corrida (ex.: canela), reduza para caminhada e encerre se persistir; não compense alterando a passada.

Acompanhamento: registre tempo total, RPE médio e se conseguiu manter ritmo estável sem “quebrar” nos minutos finais.

Sessão-modelo 2: Força e resistência muscular (calistenia + controle)

Objetivo: aumentar capacidade de repetir movimentos com técnica, fortalecendo tronco e membros.

Aquecimento (10 a 12 min):

  • Ativação geral 3 min (trote leve ou polichinelos leves).
  • Mobilidade: ombros (circundução) 10+10; quadril (avanço com rotação) 1 x 6 por lado.
  • Preparação específica: 1 série leve de 6 a 8 agachamentos + 4 a 6 flexões inclinadas (mãos em banco/parede) para “ensaiar” técnica.

Parte principal (3 a 5 blocos, com pausas controladas):

  • Bloco A: Agachamento (peso corporal) 10 a 20 repetições, descida controlada e subida firme.
  • Bloco B: Flexão de braços 6 a 15 repetições (ou variação inclinada se perder alinhamento).
  • Bloco C: Prancha 20 a 45 s com respiração contínua.
  • Bloco D: Remada com elástico 12 a 20 repetições, escápulas para trás e para baixo.

Pausas: 60 a 120 s entre blocos, mantendo a técnica como prioridade.

Desaquecimento (6 a 10 min):

  • Alongamento de peitoral/ombros e flexores do quadril 2 x 20 a 40 s por lado.

Cuidados: pare a série antes da falha total se a postura começar a colapsar (quadril caindo na flexão, joelho entrando no agachamento). Dor articular não é “normal”: ajuste amplitude e variação.

Acompanhamento: registre repetições válidas por bloco, tempo de prancha e RPE do bloco mais difícil.

Sessão-modelo 3: Mista (intervalado de corrida + circuito muscular)

Objetivo: combinar resistência e resistência muscular, simulando esforço intermitente.

Aquecimento (12 a 15 min):

  • 5 min de trote leve.
  • Mobilidade: tornozelo 1 x 10 por lado; quadril 1 x 6 por lado; rotações torácicas 1 x 8 por lado.
  • Strides progressivos: 3 passagens de 60 a 80 m, com recuperação caminhando.

Parte principal (2 a 4 rodadas):

  • 1) Intervalo de corrida: 2 a 3 min em RPE 7 (forte-controlado), seguido de 2 min de trote/caminhada.
  • 2) Circuito muscular (logo após a recuperação): 8 a 12 flexões (ou variação), 12 a 20 agachamentos, 20 a 40 s de prancha.

Pausas entre rodadas: 2 a 3 min, até a respiração voltar a um padrão controlado.

Desaquecimento (6 a 10 min):

  • Caminhada leve 3 a 5 min.
  • Alongamento: panturrilha, posterior de coxa e peitoral 2 x 20 a 30 s por lado.

Cuidados: mantenha o intervalo “forte-controlado”, não máximo; se a técnica de corrida deteriorar (passada muito longa, tronco caindo), reduza o ritmo. No circuito, priorize repetições limpas.

Acompanhamento: anote tempo e consistência dos intervalos (se o último ficou muito mais lento), repetições válidas no circuito e RPE ao final de cada rodada.

Checklist rápido de segurança (para qualquer sessão)

  • Dor aguda ou pontual: interrompa e reavalie; não “empurre” através de dor articular.
  • Técnica primeiro: só aumente volume/intensidade quando a execução estiver estável.
  • Progressão gradual: aumente um fator por vez (tempo, intensidade ou densidade).
  • Recuperação ativa: caminhar leve e alongar após treino ajuda a voltar ao estado basal.
  • Registro: tempo, repetições válidas e RPE são suficientes para acompanhar evolução com consistência.

Agora responda o exercício sobre o conteúdo:

Ao planejar a progressão do treino para melhorar o desempenho no TAF com segurança, qual estratégia está mais alinhada às recomendações de evolução sem aumentar o risco de lesões?

Você acertou! Parabéns, agora siga para a próxima página

Você errou! Tente novamente.

A progressão segura ocorre ao ajustar um fator por vez (volume, intensidade ou densidade). Se a técnica piora no final do treino, a carga evoluiu rápido demais, aumentando o risco de lesões.

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