Objetivo do projeto: para que a prateleira/nicho vai servir
Antes de medir ou escolher o modelo, defina o uso principal. Isso determina carga, profundidade, altura de instalação e o tipo de fixação que você vai precisar. Uma prateleira “bonita” para objetos leves pode falhar rapidamente se for usada para livros, e um nicho fechado pode ser ótimo para organizar, mas ruim para equipamentos que aquecem.
Defina o uso (e a carga) com exemplos práticos
- Decorativo (quadros, vasos pequenos, colecionáveis): normalmente carga leve e distribuição irregular. Priorize estética e facilidade de limpeza.
- Livros e pastas: carga alta e contínua. Exige maior rigidez (evitar flecha/arqueamento) e fixação mais robusta.
- Utensílios de cozinha (pratos, potes, mantimentos): carga média a alta, com manuseio frequente. Profundidade e altura de alcance são críticos.
- Eletrônicos (roteador, videogame, decodificador, caixas de som): precisa considerar ventilação, passagem de cabos, acesso a tomadas e calor.
- Banheiro/lavanderia (toalhas, produtos): umidade e respingos influenciam material e acabamento; evite locais de contato direto com água.
Dica prática: escreva uma lista com 5 a 10 itens reais que ficarão na prateleira/nicho. Ao lado, anote se são leves/médios/pesados e se precisam de acesso diário. Essa lista vai guiar todas as decisões seguintes.
Levantamento do ambiente: restrições que mudam o projeto
O ambiente impõe limites de segurança, durabilidade e ergonomia. Mapear essas restrições evita retrabalho (como descobrir depois que a prateleira cobre uma tomada) e ajuda a escolher entre prateleira simples, suportes aparentes, flutuante ou nicho fechado.
Checklist de restrições do ambiente
- Umidade: banheiro, lavanderia, parede com infiltração, área próxima a janela que pega chuva. Planeje afastamento de áreas molhadas e escolha acabamento compatível.
- Calor: acima de cooktop/forno, perto de coifa, atrás de TV/receiver, próximo a aquecedores. Evite nicho fechado para eletrônicos sem ventilação.
- Circulação: corredores, passagem atrás de cadeiras, área de abertura de portas e janelas. Prateleiras profundas podem virar “ponto de impacto”.
- Altura segura: acima de camas/sofás (risco em caso de queda), altura de alcance para crianças/idosos, e altura confortável para uso frequente.
- Rodapés: podem impedir encostar um nicho no piso ou alinhar a lateral do móvel com a parede. Considere recuo ou afastamento.
- Sancas/molduras/forro rebaixado: podem limitar a altura do nicho até o teto e interferir no alinhamento visual.
- Esquadrias e guarnições: batentes e acabamentos de portas/janelas podem “roubar” espaço lateral e impedir que a peça fique centralizada.
Identificação de pontos críticos (não dá para ignorar)
Faça uma varredura visual e funcional da área. O objetivo é evitar que a prateleira/nicho bloqueie acessos, crie dobras de cabos ou exija furos em locais problemáticos.
- Tomadas: posição, altura e se precisam ficar acessíveis (ex.: carregadores, roteador, TV).
- Interruptores: não podem ficar “atrás” do nicho ou muito próximos de quinas.
- Passagem de cabos: TV, internet, som. Planeje furos passa-cabos ou recuos.
- Tubulações aparentes: gás, água, conduítes. Evite encostar ou pressionar; considere recortes planejados.
- Registros e acesso de manutenção: não cubra registros de água/gás e caixas de inspeção.
- Abertura de portas e janelas: verifique o arco de abertura e a área de pega (mão).
Teste rápido: use fita crepe para marcar na parede o “retângulo” aproximado da prateleira/nicho. Abra portas, sente na cadeira, simule pegar objetos. Se algo encostar ou atrapalhar, ajuste antes de medir definitivo.
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Medição correta do espaço disponível (passo a passo)
Medir bem é o que transforma uma ideia em um projeto executável. O ideal é medir em pelo menos três pontos (esquerda, centro, direita) porque paredes raramente são perfeitamente retas.
Ferramentas recomendadas
- Trena (ou trena a laser, se tiver)
- Nível (ou aplicativo de nível, como conferência)
- Esquadro (para checar cantos)
- Bloco de notas ou folha para desenho
- Fita crepe e lápis
Passo a passo de medição
- Defina o “vão” de referência: escolha o trecho exato da parede onde ficará a peça (entre armários, entre batentes, acima de bancada etc.).
- Meça a largura em 3 alturas: na altura prevista da prateleira (linha principal), alguns centímetros acima e alguns centímetros abaixo. Anote o menor valor como referência de segurança.
- Meça a profundidade disponível: considere circulação e obstáculos (porta abrindo, passagem de pessoas, encosto de cadeira). Se houver bancada abaixo, meça a profundidade da bancada e decida se a prateleira ficará alinhada, recuada ou avançada.
- Meça a altura útil: do piso até o ponto onde a peça começa (ou até o topo, se for nicho alto). Se houver sanca/armário superior, meça até o obstáculo.
- Meça afastamentos obrigatórios: distância até tomadas/interruptores, até quinas, até batentes, até o teto/sanca, e até o rodapé (se a peça encostar no piso ou ficar baixa).
- Cheque prumo e nível: com nível, verifique se a linha onde a prateleira ficará está “reta” visualmente. Se a parede estiver fora de prumo, planeje folgas laterais ou acabamento que disfarce.
Checklist de medições (anote tudo)
- Largura total do espaço: L1 (esquerda), L2 (centro), L3 (direita)
- Profundidade máxima aceitável: P (considerando circulação)
- Altura do piso até a base da peça: Hbase
- Altura do piso até o topo da peça (se nicho): Htopo
- Afastamento até tomada mais próxima: At
- Afastamento até interruptor mais próximo: Ai
- Afastamento até batente/guarnição: Ab
- Afastamento até teto/sanca/armário superior: As
- Afastamento até rodapé (se necessário): Ar
- Posição de tubulações aparentes/conduítes: distância a partir de um canto (X) e altura (Y)
Regra prática para folgas: se você quer uma peça “justa” entre duas paredes, ainda assim planeje uma folga pequena para encaixe e esquadro (ex.: alguns milímetros). Se o objetivo é visual alinhado, folga maior pode ser coberta com acabamento ou perfil.
Registro em desenho simples com cotas (como fazer)
Você não precisa de software. Um desenho simples com cotas evita erro de corte e ajuda a visualizar interferências (tomadas, interruptores, tubulações).
Passo a passo do desenho
- Desenhe a parede como um retângulo: marque o piso e o teto (ou sanca/armário superior).
- Escolha um canto como origem: normalmente o canto inferior esquerdo. A partir dele, você marca distâncias horizontais (X) e verticais (Y).
- Marque os obstáculos: desenhe tomadas/interruptores como pequenos retângulos e anote as cotas: distância da origem (X) e altura do piso (Y).
- Desenhe a prateleira/nicho: como um retângulo na posição desejada. Cote largura, profundidade (em vista superior ou anotação) e altura de instalação.
- Anote folgas e afastamentos: por exemplo: “afastar 60 mm da tomada” ou “alinhar com topo do backsplash”.
Exemplo de anotação (modelo de cota)
Parede (vista frontal) L = 1800 mm | Piso a sanca = 2400 mm
Tomada: X = 350 mm a partir do canto esquerdo | Y = 1100 mm do piso
Interruptor: X = 120 mm | Y = 1200 mm
Prateleira: largura = 1200 mm | base a 1400 mm do piso | profundidade = 250 mm
Afastamento da lateral esquerda = 300 mm | afastamento do topo até sanca = 200 mmDica: se for nicho fechado, desenhe também a “caixa” em vista lateral (profundidade) para checar se não vai encostar em conduítes aparentes ou atrapalhar a abertura de uma porta próxima.
Escolha do tipo: prateleira simples, suportes aparentes, flutuante ou nicho fechado
Com objetivo, restrições e medidas em mãos, escolha o modelo que equilibra carga, estética e praticidade. Use os critérios abaixo como guia.
| Tipo | Quando usar | Vantagens | Atenções |
|---|---|---|---|
| Prateleira simples (tábua apoiada/instalada com fixação básica) | Uso leve a médio, estética simples, locais sem grandes exigências de “invisibilidade” | Rápida de planejar, fácil de substituir | Se a carga for alta (livros), pode exigir reforço e maior espessura para evitar arqueamento |
| Prateleira com suportes aparentes | Quando a carga é média a alta e você aceita/ver valoriza o suporte como elemento visual | Boa capacidade de carga, manutenção fácil, permite ajustes | Suportes ocupam espaço lateral e podem interferir em objetos grandes; verifique distância entre suportes e tomadas |
| Prateleira flutuante (fixação “invisível”) | Quando a estética limpa é prioridade e a carga é leve a média (ou média com projeto bem dimensionado) | Visual minimalista, fácil de limpar por baixo | Mais sensível a erro de nível e alinhamento; exige planejamento preciso de posição e profundidade |
| Nicho fechado (caixa) | Organização, esconder itens, compor módulos, criar “moldura” para decoração | Rigidez estrutural maior, pode distribuir melhor a carga, cria compartimentos | Para eletrônicos, precisa prever ventilação e passagem de cabos; atenção a rodapés/sancas e esquadro do canto |
Roteiro rápido de decisão (perguntas objetivas)
- Vai receber livros/pastas? Prefira suportes aparentes ou nicho fechado; flutuante só com dimensionamento e fixação muito bem planejados.
- Precisa esconder bagunça? Nicho fechado (com ou sem porta, se for o caso do seu projeto).
- Precisa de visual “limpo”? Flutuante ou nicho com fixações discretas.
- Vai ficar perto de calor/eletrônicos? Evite nicho fechado sem respiro; planeje espaço para cabos e ventilação.
- Área de passagem é estreita? Reduza profundidade e evite quinas salientes; prateleira simples mais rasa costuma funcionar melhor.
Exemplos de aplicação (para comparar)
- Sala (TV + eletrônicos): prateleira flutuante para estética, mas com passagem de cabos e espaço para ventilação; ou nicho aberto (sem fundo total) para facilitar cabos.
- Home office (livros): prateleira com suportes aparentes ou nichos empilhados para rigidez e organização.
- Cozinha (mantimentos): suportes aparentes pela carga e uso frequente; profundidade compatível com potes e sem atrapalhar circulação.
- Banheiro (toalhas e itens leves): nicho fechado para organizar, mas afastado de respingos diretos; prateleira simples para itens de uso rápido.