O que medir (sem excesso) e por quê
O calendário editorial não é um documento “fechado”: ele precisa ser ajustado com base no que o público realmente faz com o conteúdo. Para isso, você não precisa acompanhar dezenas de indicadores. Um conjunto pequeno de métricas, observado com consistência, já mostra o que repetir, o que ajustar e o que remover.
Trabalhe com duas camadas de leitura:
- Métricas de atenção: indicam se o conteúdo foi visto e consumido.
- Métricas de ação: indicam se o conteúdo gerou intenção, conversa ou resultado.
Métricas essenciais (e como interpretar)
- Alcance / visualizações: quantas pessoas foram expostas ao conteúdo (ou quantas vezes ele foi visto). Útil para comparar potencial de distribuição entre temas e formatos. Interpretação prática: alto alcance com baixa ação sugere que o conteúdo chama atenção, mas não aprofunda ou não direciona.
- Retenção em vídeo: quanto do vídeo as pessoas assistem. Use dois pontos: retenção nos 3 primeiros segundos (gancho) e retenção média (estrutura/ritmo). Interpretação prática: queda forte no início aponta problema de gancho; queda no meio aponta excesso de enrolação, falta de cortes, exemplo fraco ou promessa não cumprida.
- Salvamentos: sinal de utilidade e valor recorrente (“vou usar depois”). Interpretação prática: conteúdos educativos, checklists e modelos tendem a performar bem; se o tema é importante e salva pouco, talvez esteja genérico ou sem passo a passo.
- Compartilhamentos: sinal de relevância social (“isso representa alguém / preciso enviar”). Interpretação prática: opiniões bem posicionadas, mitos/verdades, antes/depois e listas curtas costumam gerar compartilhamento.
- Cliques: indica interesse em aprofundar (link, perfil, página, formulário). Interpretação prática: bom para medir alinhamento entre conteúdo e próximo passo; clique baixo pode ser CTA fraco, oferta pouco clara ou link mal posicionado.
- Respostas: comentários, DMs, respostas em stories/enquetes. Interpretação prática: mede conversa e objeções; ótimo para gerar novas pautas e ajustar linguagem.
- Conversões: leads, cadastros, vendas, agendamentos, downloads. Interpretação prática: não compare conversão “crua” entre conteúdos com CTAs diferentes; compare por taxa (conversões/cliques) e por intenção (conteúdo topo vs fundo do funil).
Análise por formato e por pilar: como encontrar padrões acionáveis
Para otimizar o calendário, você precisa responder duas perguntas:
- Qual formato entrega melhor cada tipo de resultado? (atenção, ação, conversão)
- Qual pilar entrega melhor cada tipo de resultado?
Passo a passo: análise por formato
- Separe os conteúdos do período (ex.: últimos 14 ou 30 dias) por formato (vídeo curto, carrossel, stories, etc.).
- Escolha 1 métrica principal e 1 secundária por objetivo. Exemplo: se o foco é crescimento, use alcance (principal) e compartilhamentos (secundária). Se o foco é demanda, use cliques (principal) e conversões (secundária).
- Calcule uma taxa simples quando fizer sentido:
Taxa de clique = cliques / alcanceTaxa de conversão = conversões / cliques
- Compare medianas (não só máximos) por formato. A mediana evita que um “viral” distorça sua decisão.
- Decida ações:
- Repetir: formato com boa mediana na métrica principal.
- Ajustar: formato com bom alcance, mas baixa ação (melhorar CTA, promessa, estrutura).
- Remover/pausar: formato com baixa mediana em atenção e ação por 2 ciclos seguidos (salvo conteúdo obrigatório).
Passo a passo: análise por pilar
- Marque cada conteúdo com um pilar (tag no calendário/planilha).
- Para cada pilar, observe o “perfil” de performance:
- Pilar A: alto alcance, baixa conversão (bom para topo).
- Pilar B: baixo alcance, alta conversão (bom para fundo).
- Pilar C: alto salvamento e compartilhamento (bom para autoridade e recorrência).
- Crie regras simples de decisão:
- Se um pilar tem alto salvamento, aumente a frequência de conteúdos “modelo/checklist” nele.
- Se um pilar tem alta resposta, use para levantar objeções e criar conteúdos de esclarecimento (FAQ, comparativos).
- Se um pilar tem boa conversão por clique, mantenha presença constante com CTAs claros (sem depender de picos de alcance).
Exemplo prático de leitura cruzada (formato × pilar)
| Achado | Interpretação | Ação no próximo ciclo |
|---|---|---|
| Vídeos curtos do Pilar 1 têm alta retenção no início, mas baixa retenção média | Gancho bom, desenvolvimento fraco/longa duração | Testar duração menor e estrutura em 3 pontos; inserir exemplo cedo |
| Carrosséis do Pilar 2 têm muitos salvamentos e poucos cliques | Conteúdo resolve “ali mesmo”; CTA não cria próximo passo | Adicionar CTA de continuidade: checklist completo, aula, diagnóstico, link com material |
| Stories do Pilar 3 geram muitas respostas e poucas conversões | Boa conversa, falta ponte para oferta | Inserir sequência: pergunta → objeção → prova → CTA com link e prazo |
Ritual quinzenal ou mensal de melhoria (Top 5 / Bottom 5)
Escolha uma cadência fixa (quinzenal para contas com alto volume; mensal para volume menor). O objetivo é transformar dados em decisões de calendário.
Passo a passo do ritual (45–90 minutos)
- Defina o período (últimos 14 ou 30 dias) e exporte/registre as métricas essenciais.
- Selecione o Top 5 conteúdos do período pela métrica principal do seu objetivo (ex.: alcance ou cliques). Em seguida, valide com 1 métrica secundária (ex.: compartilhamentos ou conversões) para evitar “vitórias vazias”.
- Selecione o Bottom 5 pela mesma lógica.
- Para cada item do Top 5, responda:
- Qual foi o gancho (primeira frase/primeiro frame)?
- Qual foi a promessa (o que a pessoa ganha)?
- Qual foi a estrutura (lista, passo a passo, história curta, mito/verdade)?
- Qual foi o CTA (o que pedir e quando pedir)?
- Qual foi o contexto (dia/horário, tema do momento, sequência no calendário)?
- Para cada item do Bottom 5, crie hipóteses do porquê (sem culpar o algoritmo). Use categorias de diagnóstico:
- Gancho: genérico, longo, sem promessa.
- Duração/ritmo: lento, repetitivo, sem cortes.
- Clareza: tema amplo, sem exemplo, sem “como fazer”.
- Capa/primeiro frame: não comunica benefício.
- CTA: inexistente, cedo demais, pedido confuso.
- Horário/distribuição: publicado em janela fraca para seu público (hipótese a testar, não verdade absoluta).
- Defina testes para o próximo ciclo (2 a 4 testes no máximo). Cada teste deve ter: variável, hipótese e critério de sucesso.
Banco de testes prontos (gancho, duração, capa, CTA, horário)
| Variável | Hipótese | Como testar no próximo ciclo | Critério de sucesso |
|---|---|---|---|
| Gancho | Ganchos com dor específica aumentam retenção inicial | Regravar 2 conteúdos com abertura “Se você [dor], faça isso…” | Retenção nos 3s +10% vs mediana |
| Duração | Vídeos mais curtos mantêm retenção média | Versão A com 25–35s e versão B com 45–60s (mesma ideia) | Retenção média maior na versão curta |
| Capa/primeiro frame | Benefício explícito aumenta visualizações e cliques no perfil | Testar capa com “resultado” vs capa com “tema” | Visualizações/alcance + taxa de clique maiores |
| CTA | CTA específico aumenta cliques e conversões | Trocar “link na bio” por “baixe o checklist X” + motivo | Cliques/alcance + conversões/cliques maiores |
| Horário | Publicar em janela de maior atividade melhora alcance inicial | Publicar 2 conteúdos similares em horários diferentes | Alcance nas primeiras 2–4h maior |
Modelo de relatório simples conectado ao calendário (retroalimentação)
O relatório deve conversar com o calendário editorial: cada linha é um conteúdo publicado, com tags e métricas. Assim, você consegue filtrar por formato e por pilar e decidir o que entra no próximo ciclo.
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Estrutura mínima (planilha ou tabela)
| Campo | Como preencher | Por que importa |
|---|---|---|
| Data | Data de publicação | Permite comparar semanas e janelas |
| ID/Link | URL ou código interno | Facilita revisitar o conteúdo |
| Pilar | Tag do pilar | Análise por tema |
| Formato | Tag do formato | Análise por entrega (atenção vs ação) |
| Gancho (texto curto) | Primeira frase/primeiro frame | Ajuda a replicar padrões |
| CTA | Pedido principal | Conecta conteúdo a resultado |
| Alcance/Views | Número bruto | Distribuição |
| Retenção (se vídeo) | 3s e média | Qualidade do consumo |
| Salvamentos | Número bruto | Utilidade |
| Compartilhamentos | Número bruto | Relevância social |
| Cliques | Número bruto | Intenção |
| Respostas | Comentários/DMs | Conversas e objeções |
| Conversões | Número bruto | Resultado final |
| Notas | Contexto, hipótese, observações | Aprendizado qualitativo |
Como usar o relatório para ajustar o próximo calendário (passo a passo)
- Marque o Top 5 e Bottom 5 diretamente na planilha (coluna “Status”: Top/Bottom/Neutro).
- Crie 3 listas de decisão:
- Repetir: ideias/estruturas do Top 5 (transforme em variações).
- Ajustar: conteúdos com atenção alta e ação baixa (melhorar CTA, clareza, prova, exemplo).
- Remover/pausar: padrões recorrentes do Bottom 5 por 2 ciclos (mesmo pilar + mesmo formato + mesma falha).
- Transforme aprendizados em regras do próximo ciclo (2 a 5 regras). Exemplos:
- “Todo vídeo começa com dor específica + promessa em 1 frase.”
- “Conteúdos de checklist terão CTA para material complementar.”
- “Pilar X terá 2 conteúdos por semana, sendo 1 focado em salvamento.”
- Registre os testes do ciclo no próprio calendário (coluna “Teste”): gancho/duração/capa/CTA/horário. Assim, na próxima revisão, você compara resultados por teste, não por achismo.
Template copiável (em formato de tabela)
Colunas: Data | Conteúdo | Pilar | Formato | Gancho | CTA | Alcance/Views | Retenção 3s | Retenção média | Salvamentos | Compart. | Cliques | Respostas | Conversões | Status (Top/Bottom) | Hipótese | Teste do próximo ciclo