O que é padronização visual e por que ela importa
Padronização visual é o conjunto de regras de aparência que você aplica ao relatório para que todas as páginas e componentes “falem a mesma língua”: mesmas cores para as mesmas categorias, tipografia consistente, hierarquia clara de títulos e rótulos, e estilos repetíveis (fundos, bordas, espaçamentos). No Looker Studio, isso reduz o tempo de leitura, evita interpretações erradas (por exemplo, uma cor significar coisas diferentes em gráficos diferentes) e melhora a acessibilidade para públicos diversos, incluindo pessoas com baixa visão ou daltonismo.
Tema no Looker Studio: onde configurar e o que ele controla
O tema é o ponto central para definir a identidade visual do relatório. Ele costuma controlar: paleta de cores (incluindo cores de série), tipografia (fonte, tamanhos e pesos), cores de fundo e de texto, e estilos padrão de componentes. Mesmo quando você ajusta um gráfico individualmente, ter um tema bem definido diminui a necessidade de “consertos” manuais em cada elemento.
Passo a passo: aplicar e ajustar um tema
- Abra o relatório e entre no modo de edição.
- No painel de propriedades do relatório (geralmente ao clicar em uma área vazia da página), procure a seção de Tema e layout (o nome pode variar levemente conforme a interface).
- Escolha um tema base (claro/escuro ou um tema predefinido) e, em seguida, personalize.
- Defina: cores do tema, fonte, cor de fundo e estilos padrão (bordas/sombras, quando disponíveis).
- Revise uma página com vários tipos de gráfico para validar se o tema funciona em diferentes contextos (cartões, séries múltiplas, tabelas).
Paleta de cores: consistência, semântica e categorias
Uma paleta eficiente não é “bonita por acaso”: ela é planejada para comunicar. O objetivo é usar poucas cores, com funções claras, e manter o mesmo significado em todo o relatório.
Boas práticas para escolher a paleta
- Defina cores por função: uma cor primária para destaque (ex.: azul), neutros para base (cinzas), e cores de alerta (ex.: vermelho/laranja) apenas quando houver semântica de risco/queda.
- Use cores consistentes para categorias: se “Produto A” é azul em um gráfico, ele deve ser azul em todos. O mesmo vale para “Canal”, “Região”, “Status”.
- Evite arco-íris: muitas cores saturadas competem entre si e dificultam a leitura.
- Reserve cores fortes para o que importa: destaque deve ser raro; se tudo está destacado, nada está.
Passo a passo: padronizar cores de séries e categorias
- Defina no tema a paleta de séries (ordem das cores) para gráficos com múltiplas categorias.
- Em gráficos críticos (onde a consistência por categoria é indispensável), ajuste manualmente as cores da série/categoria no estilo do gráfico para “fixar” a associação.
- Se houver páginas com filtros que mudam a ordem das categorias, prefira fixar cores por categoria (quando a opção estiver disponível) ou use um conjunto menor de categorias principais + “Outros”.
Exemplo prático de mapeamento de cores (documente e repita)
| Categoria | Cor | Uso |
|---|---|---|
| Meta / Referência | Azul (primária) | Linhas de meta, cartões de KPI principal |
| Realizado | Verde | Resultados positivos, séries de desempenho |
| Queda / Atenção | Laranja | Alertas moderados, variações negativas leves |
| Crítico | Vermelho | Somente para problemas reais (ex.: erro, queda forte) |
| Contexto / Base | Cinza | Grades, eixos, textos secundários |
Transforme essa tabela em uma “regra do relatório”: a mesma cor deve significar a mesma coisa em qualquer página.
Tipografia: hierarquia, legibilidade e consistência
Tipografia é a forma mais rápida de criar hierarquia visual. No Looker Studio, você quer que o usuário reconheça imediatamente: título da página, seção, rótulos, valores e notas.
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Regras práticas de tipografia
- Use no máximo 1 família de fonte (ou 2 no máximo, se houver necessidade real). Misturar muitas fontes reduz a consistência.
- Crie uma escala de tamanhos (ex.: 24/18/14/12) e repita. Evite “tamanhos aleatórios”.
- Priorize legibilidade: textos pequenos demais em dashboards são uma das principais causas de abandono.
- Use peso (bold) com parcimônia: destaque para títulos e números-chave, não para tudo.
Passo a passo: padronizar títulos, subtítulos e rótulos
- Defina no tema a fonte padrão e cores de texto (primário e secundário).
- Crie um padrão de componentes de texto: Título de página, Título de seção, Rótulo, Nota.
- Copie e cole esses textos-modelo entre páginas para manter o mesmo estilo (em vez de recriar do zero).
- Em gráficos, ajuste o estilo de: título do gráfico, rótulos de eixo, rótulos de dados e legenda para seguir a mesma escala.
Estilos de gráfico: fundos, bordas, grade e “ruído visual”
O estilo do gráfico deve ajudar a leitura, não competir com os dados. Elementos como bordas pesadas, sombras fortes, grades muito marcadas e fundos coloridos em excesso criam ruído.
Boas práticas de estilo
- Fundos: prefira fundo neutro (branco ou cinza muito claro). Use cartões/containers com leve contraste para separar seções.
- Bordas: use bordas finas e discretas ou substitua por espaçamento consistente. Bordas fortes “quebram” o layout.
- Linhas de grade: mantenha leves; se o gráfico já é claro, reduza ou remova.
- Rótulos de dados: use apenas quando agregam (ex.: poucos pontos). Em séries longas, prefira tooltip e eixos bem configurados.
- Legendas: posicione de forma consistente (ex.: sempre no topo ou sempre à direita) e evite abreviações confusas.
Passo a passo: criar um padrão de “cartão de gráfico”
- Escolha um estilo de container para gráficos: fundo branco, borda cinza clara (ou sem borda), raio de canto consistente (se usar), e padding visual (espaço interno).
- Aplique o mesmo padrão em todos os gráficos: mesmo posicionamento de título, mesma cor de título, mesma posição de legenda.
- Quando precisar destacar um gráfico, destaque pelo conteúdo (ex.: cor de uma série) e não mudando todo o container.
Acessibilidade: contraste, legibilidade e daltonismo
Acessibilidade visual garante que mais pessoas consigam interpretar o relatório com segurança. Dois pontos críticos em dashboards: contraste (texto vs. fundo) e uso de cor como único sinal (problemático para daltonismo e também para impressão em preto e branco).
Contraste e legibilidade
- Texto em fundo claro: use texto escuro (cinza bem escuro ou preto). Evite cinza claro para textos importantes.
- Texto em fundo escuro: use texto claro com contraste suficiente e reduza saturação de cores vibrantes.
- Tamanho mínimo: evite textos muito pequenos em rótulos e legendas; se precisar reduzir, simplifique o gráfico (menos categorias) em vez de encolher fonte.
- Não dependa de “tons próximos”: duas cores diferentes, mas com luminância parecida, ficam indistinguíveis para muitas pessoas.
Daltonismo: como reduzir risco de interpretação errada
- Evite combinações problemáticas: vermelho vs. verde é a mais comum. Prefira azul vs. laranja, roxo vs. amarelo, ou variações com diferença forte de luminosidade.
- Use mais de um canal visual: cor + rótulo de dados, ou cor + ordem, ou cor + anotação. Em linhas, diferencie com espessura/estilo quando disponível.
- Limite o número de categorias por gráfico: quanto mais categorias, maior a chance de cores ficarem parecidas.
- Teste em escala de cinza: se impresso ou visto em tela com brilho baixo, o gráfico ainda deve fazer sentido.
Padronização de rótulos, títulos, legendas e textos
Mesmo com tema e cores definidos, a leitura rápida depende de consistência de linguagem: nomes, capitalização, unidades e abreviações.
Regras práticas de texto
- Padronize capitalização: escolha “Título em Caixa Alta Inicial” ou “frase normal” e mantenha.
- Evite jargões: prefira termos que o público reconhece (ex.: “Receita” em vez de “Faturamento Bruto” se esse for o termo interno? Defina e mantenha).
- Inclua unidade no lugar certo: em eixos e cartões, deixe claro se é R$, %, ou quantidade.
- Legendas curtas e claras: se a legenda fica longa, renomeie a dimensão (ou crie um campo com rótulo mais curto) para exibição.
Passo a passo: criar um padrão de títulos e subtítulos
- Defina um modelo: Título de página (o que é), Subtítulo (período/filtro aplicado), Notas (definições e exceções).
- Em cada gráfico, use títulos orientados à pergunta: “Receita por canal”, “Conversões por campanha”, “Evolução semanal de sessões”.
- Se houver comparações, explicite: “vs. período anterior”, “vs. meta”, “YoY”.
Formatação de números para leitura rápida
Formatação consistente evita que o usuário “traduza” números mentalmente. O ideal é que valores sejam comparáveis entre gráficos e cartões sem esforço.
Boas práticas de formatação
- Casas decimais: use 0 para contagens, 1–2 para taxas/percentuais quando necessário. Evite excesso.
- Separadores: mantenha padrão de milhar e decimal conforme o público (ex.: 1.234,56 em pt-BR).
- Abreviação: use K/M/B (mil/milhão/bilhão) com consistência e apenas quando melhora a leitura. Não misture “1.200.000” em um gráfico e “1,2M” em outro sem motivo.
- Moeda: padronize símbolo (R$), posição e arredondamento. Se o relatório mistura moedas, deixe explícito no título.
- Percentuais: sempre com “%” e escala coerente (0–100% ou 0–1, mas não misture).
Passo a passo: padronizar formatação em cartões e gráficos
- Para cada métrica principal, defina um padrão (ex.: Receita = R$ com 0 casas; Taxa = % com 1 casa; Ticket médio = R$ com 2 casas).
- Aplique a formatação no nível do campo/métrica quando possível para herdar em vários gráficos.
- Revise gráficos com múltiplas métricas (ex.: tabela): alinhe casas decimais e use abreviação de forma uniforme.
Checklist de revisão visual (páginas e componentes)
Tema e consistência
- O relatório usa um único tema (ou variações controladas) e a mesma fonte em todas as páginas.
- Cores têm significado consistente (mesma categoria = mesma cor).
- Há uma cor primária clara e neutros suficientes (cinzas) para não competir com os dados.
Legibilidade
- Títulos e rótulos têm tamanho suficiente para leitura em tela comum.
- Contraste de texto vs. fundo é alto o bastante (sem cinza claro para texto importante).
- Grades, bordas e sombras não dominam o gráfico (ruído visual reduzido).
Acessibilidade
- Gráficos não dependem apenas de cor para transmitir informação (há rótulos, ordenação, anotações ou outros sinais).
- Evita-se vermelho vs. verde como única distinção.
- Em escala de cinza, os principais insights ainda são compreensíveis.
Texto e linguagem
- Capitalização e nomenclatura são consistentes (títulos, legendas, rótulos).
- Unidades (R$, %, quantidade) estão claras em títulos, eixos e cartões.
- Abreviações são padronizadas e compreensíveis.
Números
- Casas decimais são consistentes por tipo de métrica.
- Moeda e percentuais seguem o mesmo padrão em todo o relatório.
- Abreviação (K/M) é usada de forma uniforme e não mistura formatos sem necessidade.
Repetição e alinhamento visual
- Posição de títulos de gráficos e legendas é consistente entre páginas.
- Containers de gráficos (fundos/bordas) seguem o mesmo padrão.
- Elementos de destaque são poucos e intencionais (não há “destaque demais”).