Padronização visual no Google Looker Studio: tema, cores, tipografia e acessibilidade

Capítulo 11

Tempo estimado de leitura: 10 minutos

+ Exercício

O que é padronização visual e por que ela importa

Padronização visual é o conjunto de regras de aparência que você aplica ao relatório para que todas as páginas e componentes “falem a mesma língua”: mesmas cores para as mesmas categorias, tipografia consistente, hierarquia clara de títulos e rótulos, e estilos repetíveis (fundos, bordas, espaçamentos). No Looker Studio, isso reduz o tempo de leitura, evita interpretações erradas (por exemplo, uma cor significar coisas diferentes em gráficos diferentes) e melhora a acessibilidade para públicos diversos, incluindo pessoas com baixa visão ou daltonismo.

Tema no Looker Studio: onde configurar e o que ele controla

O tema é o ponto central para definir a identidade visual do relatório. Ele costuma controlar: paleta de cores (incluindo cores de série), tipografia (fonte, tamanhos e pesos), cores de fundo e de texto, e estilos padrão de componentes. Mesmo quando você ajusta um gráfico individualmente, ter um tema bem definido diminui a necessidade de “consertos” manuais em cada elemento.

Passo a passo: aplicar e ajustar um tema

  • Abra o relatório e entre no modo de edição.
  • No painel de propriedades do relatório (geralmente ao clicar em uma área vazia da página), procure a seção de Tema e layout (o nome pode variar levemente conforme a interface).
  • Escolha um tema base (claro/escuro ou um tema predefinido) e, em seguida, personalize.
  • Defina: cores do tema, fonte, cor de fundo e estilos padrão (bordas/sombras, quando disponíveis).
  • Revise uma página com vários tipos de gráfico para validar se o tema funciona em diferentes contextos (cartões, séries múltiplas, tabelas).

Paleta de cores: consistência, semântica e categorias

Uma paleta eficiente não é “bonita por acaso”: ela é planejada para comunicar. O objetivo é usar poucas cores, com funções claras, e manter o mesmo significado em todo o relatório.

Boas práticas para escolher a paleta

  • Defina cores por função: uma cor primária para destaque (ex.: azul), neutros para base (cinzas), e cores de alerta (ex.: vermelho/laranja) apenas quando houver semântica de risco/queda.
  • Use cores consistentes para categorias: se “Produto A” é azul em um gráfico, ele deve ser azul em todos. O mesmo vale para “Canal”, “Região”, “Status”.
  • Evite arco-íris: muitas cores saturadas competem entre si e dificultam a leitura.
  • Reserve cores fortes para o que importa: destaque deve ser raro; se tudo está destacado, nada está.

Passo a passo: padronizar cores de séries e categorias

  • Defina no tema a paleta de séries (ordem das cores) para gráficos com múltiplas categorias.
  • Em gráficos críticos (onde a consistência por categoria é indispensável), ajuste manualmente as cores da série/categoria no estilo do gráfico para “fixar” a associação.
  • Se houver páginas com filtros que mudam a ordem das categorias, prefira fixar cores por categoria (quando a opção estiver disponível) ou use um conjunto menor de categorias principais + “Outros”.

Exemplo prático de mapeamento de cores (documente e repita)

CategoriaCorUso
Meta / ReferênciaAzul (primária)Linhas de meta, cartões de KPI principal
RealizadoVerdeResultados positivos, séries de desempenho
Queda / AtençãoLaranjaAlertas moderados, variações negativas leves
CríticoVermelhoSomente para problemas reais (ex.: erro, queda forte)
Contexto / BaseCinzaGrades, eixos, textos secundários

Transforme essa tabela em uma “regra do relatório”: a mesma cor deve significar a mesma coisa em qualquer página.

Tipografia: hierarquia, legibilidade e consistência

Tipografia é a forma mais rápida de criar hierarquia visual. No Looker Studio, você quer que o usuário reconheça imediatamente: título da página, seção, rótulos, valores e notas.

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Regras práticas de tipografia

  • Use no máximo 1 família de fonte (ou 2 no máximo, se houver necessidade real). Misturar muitas fontes reduz a consistência.
  • Crie uma escala de tamanhos (ex.: 24/18/14/12) e repita. Evite “tamanhos aleatórios”.
  • Priorize legibilidade: textos pequenos demais em dashboards são uma das principais causas de abandono.
  • Use peso (bold) com parcimônia: destaque para títulos e números-chave, não para tudo.

Passo a passo: padronizar títulos, subtítulos e rótulos

  • Defina no tema a fonte padrão e cores de texto (primário e secundário).
  • Crie um padrão de componentes de texto: Título de página, Título de seção, Rótulo, Nota.
  • Copie e cole esses textos-modelo entre páginas para manter o mesmo estilo (em vez de recriar do zero).
  • Em gráficos, ajuste o estilo de: título do gráfico, rótulos de eixo, rótulos de dados e legenda para seguir a mesma escala.

Estilos de gráfico: fundos, bordas, grade e “ruído visual”

O estilo do gráfico deve ajudar a leitura, não competir com os dados. Elementos como bordas pesadas, sombras fortes, grades muito marcadas e fundos coloridos em excesso criam ruído.

Boas práticas de estilo

  • Fundos: prefira fundo neutro (branco ou cinza muito claro). Use cartões/containers com leve contraste para separar seções.
  • Bordas: use bordas finas e discretas ou substitua por espaçamento consistente. Bordas fortes “quebram” o layout.
  • Linhas de grade: mantenha leves; se o gráfico já é claro, reduza ou remova.
  • Rótulos de dados: use apenas quando agregam (ex.: poucos pontos). Em séries longas, prefira tooltip e eixos bem configurados.
  • Legendas: posicione de forma consistente (ex.: sempre no topo ou sempre à direita) e evite abreviações confusas.

Passo a passo: criar um padrão de “cartão de gráfico”

  • Escolha um estilo de container para gráficos: fundo branco, borda cinza clara (ou sem borda), raio de canto consistente (se usar), e padding visual (espaço interno).
  • Aplique o mesmo padrão em todos os gráficos: mesmo posicionamento de título, mesma cor de título, mesma posição de legenda.
  • Quando precisar destacar um gráfico, destaque pelo conteúdo (ex.: cor de uma série) e não mudando todo o container.

Acessibilidade: contraste, legibilidade e daltonismo

Acessibilidade visual garante que mais pessoas consigam interpretar o relatório com segurança. Dois pontos críticos em dashboards: contraste (texto vs. fundo) e uso de cor como único sinal (problemático para daltonismo e também para impressão em preto e branco).

Contraste e legibilidade

  • Texto em fundo claro: use texto escuro (cinza bem escuro ou preto). Evite cinza claro para textos importantes.
  • Texto em fundo escuro: use texto claro com contraste suficiente e reduza saturação de cores vibrantes.
  • Tamanho mínimo: evite textos muito pequenos em rótulos e legendas; se precisar reduzir, simplifique o gráfico (menos categorias) em vez de encolher fonte.
  • Não dependa de “tons próximos”: duas cores diferentes, mas com luminância parecida, ficam indistinguíveis para muitas pessoas.

Daltonismo: como reduzir risco de interpretação errada

  • Evite combinações problemáticas: vermelho vs. verde é a mais comum. Prefira azul vs. laranja, roxo vs. amarelo, ou variações com diferença forte de luminosidade.
  • Use mais de um canal visual: cor + rótulo de dados, ou cor + ordem, ou cor + anotação. Em linhas, diferencie com espessura/estilo quando disponível.
  • Limite o número de categorias por gráfico: quanto mais categorias, maior a chance de cores ficarem parecidas.
  • Teste em escala de cinza: se impresso ou visto em tela com brilho baixo, o gráfico ainda deve fazer sentido.

Padronização de rótulos, títulos, legendas e textos

Mesmo com tema e cores definidos, a leitura rápida depende de consistência de linguagem: nomes, capitalização, unidades e abreviações.

Regras práticas de texto

  • Padronize capitalização: escolha “Título em Caixa Alta Inicial” ou “frase normal” e mantenha.
  • Evite jargões: prefira termos que o público reconhece (ex.: “Receita” em vez de “Faturamento Bruto” se esse for o termo interno? Defina e mantenha).
  • Inclua unidade no lugar certo: em eixos e cartões, deixe claro se é R$, %, ou quantidade.
  • Legendas curtas e claras: se a legenda fica longa, renomeie a dimensão (ou crie um campo com rótulo mais curto) para exibição.

Passo a passo: criar um padrão de títulos e subtítulos

  • Defina um modelo: Título de página (o que é), Subtítulo (período/filtro aplicado), Notas (definições e exceções).
  • Em cada gráfico, use títulos orientados à pergunta: “Receita por canal”, “Conversões por campanha”, “Evolução semanal de sessões”.
  • Se houver comparações, explicite: “vs. período anterior”, “vs. meta”, “YoY”.

Formatação de números para leitura rápida

Formatação consistente evita que o usuário “traduza” números mentalmente. O ideal é que valores sejam comparáveis entre gráficos e cartões sem esforço.

Boas práticas de formatação

  • Casas decimais: use 0 para contagens, 1–2 para taxas/percentuais quando necessário. Evite excesso.
  • Separadores: mantenha padrão de milhar e decimal conforme o público (ex.: 1.234,56 em pt-BR).
  • Abreviação: use K/M/B (mil/milhão/bilhão) com consistência e apenas quando melhora a leitura. Não misture “1.200.000” em um gráfico e “1,2M” em outro sem motivo.
  • Moeda: padronize símbolo (R$), posição e arredondamento. Se o relatório mistura moedas, deixe explícito no título.
  • Percentuais: sempre com “%” e escala coerente (0–100% ou 0–1, mas não misture).

Passo a passo: padronizar formatação em cartões e gráficos

  • Para cada métrica principal, defina um padrão (ex.: Receita = R$ com 0 casas; Taxa = % com 1 casa; Ticket médio = R$ com 2 casas).
  • Aplique a formatação no nível do campo/métrica quando possível para herdar em vários gráficos.
  • Revise gráficos com múltiplas métricas (ex.: tabela): alinhe casas decimais e use abreviação de forma uniforme.

Checklist de revisão visual (páginas e componentes)

Tema e consistência

  • O relatório usa um único tema (ou variações controladas) e a mesma fonte em todas as páginas.
  • Cores têm significado consistente (mesma categoria = mesma cor).
  • Há uma cor primária clara e neutros suficientes (cinzas) para não competir com os dados.

Legibilidade

  • Títulos e rótulos têm tamanho suficiente para leitura em tela comum.
  • Contraste de texto vs. fundo é alto o bastante (sem cinza claro para texto importante).
  • Grades, bordas e sombras não dominam o gráfico (ruído visual reduzido).

Acessibilidade

  • Gráficos não dependem apenas de cor para transmitir informação (há rótulos, ordenação, anotações ou outros sinais).
  • Evita-se vermelho vs. verde como única distinção.
  • Em escala de cinza, os principais insights ainda são compreensíveis.

Texto e linguagem

  • Capitalização e nomenclatura são consistentes (títulos, legendas, rótulos).
  • Unidades (R$, %, quantidade) estão claras em títulos, eixos e cartões.
  • Abreviações são padronizadas e compreensíveis.

Números

  • Casas decimais são consistentes por tipo de métrica.
  • Moeda e percentuais seguem o mesmo padrão em todo o relatório.
  • Abreviação (K/M) é usada de forma uniforme e não mistura formatos sem necessidade.

Repetição e alinhamento visual

  • Posição de títulos de gráficos e legendas é consistente entre páginas.
  • Containers de gráficos (fundos/bordas) seguem o mesmo padrão.
  • Elementos de destaque são poucos e intencionais (não há “destaque demais”).

Agora responda o exercício sobre o conteúdo:

Ao padronizar a paleta de cores em um relatório no Looker Studio, qual prática ajuda a evitar interpretações erradas entre gráficos diferentes?

Você acertou! Parabéns, agora siga para a próxima página

Você errou! Tente novamente.

Ao repetir a mesma cor para a mesma categoria em todos os gráficos, o relatório fica mais rápido de ler e reduz o risco de a cor representar coisas diferentes em contextos distintos.

Próximo capitúlo

Compartilhamento no Google Looker Studio: permissões, acesso e entrega do relatório

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