Neuroanatomia do telencéfalo: lobos cerebrais, sulcos e giros essenciais

Capítulo 2

Tempo estimado de leitura: 9 minutos

+ Exercício

Orientação rápida: como “entrar” no telencéfalo pela superfície

O telencéfalo (hemisférios cerebrais) é descrito por lobos, separados por sulcos e organizados em giros. Na prática clínica e em imagem, você não “vê” os limites dos lobos como linhas desenhadas: você os infere a partir de marcos constantes. Os quatro marcos mais úteis para delimitação externa são: sulco central, sulco lateral (fissura de Sylvius), sulco parieto-occipital e a incisura pré-occipital. A ínsula é um lobo “oculto”, reconhecido ao abrir o sulco lateral.

Delimitação prática dos lobos (com marcos)

Lobo frontal

  • Posterior: limitado pelo sulco central (separa frontal de parietal).
  • Inferior: limitado pelo sulco lateral (separa frontal de temporal).
  • Anterior: polo frontal (sem sulco “limite”).

Lobo parietal

  • Anterior: sulco central.
  • Inferior: sulco lateral (na porção posterior, a borda inferior do parietal é inferida pela continuação do sulco lateral e pelos giros supramarginal/angular).
  • Posterior: transição para occipital é inferida por uma linha imaginária entre sulco parieto-occipital (na face medial) e incisura pré-occipital (na face lateral/inferior).

Lobo temporal

  • Superior: sulco lateral.
  • Posterior: limite com occipital também é inferido pela linha parieto-occipital ↔ pré-occipital.
  • Inferior: superfície inferior do hemisfério (com giros temporais inferiores e occipitotemporais).

Lobo occipital

  • Anterior (limite com parietal/temporal): linha imaginária entre sulco parieto-occipital e incisura pré-occipital.
  • Posterior: polo occipital.

Ínsula

  • Localização: profunda ao sulco lateral, coberta pelos opérculos frontal, parietal e temporal.
  • Como delimitar: ao “abrir” o sulco lateral, aparece um córtex triangular/ovalado com giros curtos anteriores e giros longos posteriores (padrão útil em anatomia e neurocirurgia).

Marcos essenciais: como reconhecer cada um

Sulco central (de Rolando)

O que é: sulco profundo que separa os giros pré-central (frontal) e pós-central (parietal). É o marco mais importante para localizar áreas motoras e somatossensitivas primárias.

Dicas de reconhecimento (vista lateral):

  • Procure um sulco quase vertical, no terço médio do hemisfério, que não alcança o sulco lateral (geralmente termina acima dele).
  • Na região superior, aproxima-se da fissura inter-hemisférica (borda superomedial).

Sulco lateral (fissura de Sylvius)

O que é: separa temporal (inferior) de frontal/parietal (superiores). Tem um trajeto oblíquo e posterior na face lateral.

Dicas (vista lateral):

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  • É o sulco mais evidente na face lateral, abrindo-se como uma “fenda” que aponta para trás e para cima.
  • Se você seguir sua porção posterior, chega perto da região do giro supramarginal (que “abraça” a extremidade do sulco lateral).

Sulco parieto-occipital

O que é: sulco bem definido na face medial que separa parietal de occipital.

Dicas (vista medial):

  • Procure um sulco vertical posterior que encontra o sulco calcarino formando um “Y”.
  • É mais confiável na face medial do que na lateral (onde o limite occipital é menos nítido).

Incisura pré-occipital

O que é: entalhe na borda inferolateral do hemisfério, anterior ao polo occipital.

Uso prático: em conjunto com o sulco parieto-occipital, ajuda a traçar o limite anterior do lobo occipital na face lateral.

Giros de referência clínica/anatômica (o que procurar e onde)

Giro pré-central

Localização: imediatamente anterior ao sulco central (lobo frontal).

Como reconhecer: na vista lateral, é o giro longo que acompanha o sulco central; na vista medial, continua como parte do lóbulo paracentral.

Giro pós-central

Localização: imediatamente posterior ao sulco central (lobo parietal).

Como reconhecer: paralelo ao giro pré-central, porém do lado parietal; também se estende para a face medial.

Giros frontais (superior, médio e inferior)

Localização: na face lateral do lobo frontal, anteriores ao giro pré-central.

  • Giro frontal superior: mais próximo da borda superior (convexidade superior).
  • Giro frontal médio: entre superior e inferior, geralmente o mais extenso na convexidade.
  • Giro frontal inferior: acima do sulco lateral; importante como referência anatômica por estar imediatamente superior à fissura de Sylvius.

Dica prática: se você identificou o sulco lateral, o giro imediatamente acima dele na porção anterior é o giro frontal inferior; acima dele, o frontal médio; e mais superior, o frontal superior.

Giro supramarginal e giro angular (lobo parietal inferior)

Ideia-chave: ambos são giros que “contornam” extremidades de sulcos, o que facilita muito a identificação.

  • Giro supramarginal: contorna a extremidade posterior do sulco lateral (parece “abraçar” o final da fissura de Sylvius).
  • Giro angular: mais posterior, contorna a extremidade do sulco temporal superior (na prática, fica logo atrás do supramarginal, na junção parieto-temporo-occipital).

Dica prática (vista lateral): encontre o final do sulco lateral → o giro que faz uma alça ao redor é o supramarginal; logo atrás, a alça em torno do sulco temporal superior é o angular.

Giros temporais (superior, médio e inferior)

Localização: na face lateral do lobo temporal, paralelos ao sulco lateral.

  • Giro temporal superior: imediatamente abaixo do sulco lateral.
  • Giro temporal médio: abaixo do superior, separado por sulco temporal superior.
  • Giro temporal inferior: mais inferior na convexidade lateral.

Dica prática: na vista lateral, “conte” de cima para baixo a partir do sulco lateral: primeiro giro temporal superior, depois médio, depois inferior.

Cúneo e giro lingual (face medial do occipital)

Marco central: sulco calcarino (na face medial do occipital) separa duas estruturas importantes.

  • Cúneo: fica acima do sulco calcarino, com formato triangular na face medial posterior.
  • Giro lingual: fica abaixo do sulco calcarino, alongado na face medial/inferior posterior.

Dica prática (vista medial): identifique o “Y” (parieto-occipital encontrando o calcarino); o calcarino segue para trás: acima dele está o cúneo, abaixo está o giro lingual.

Reconhecimento por vistas: roteiro passo a passo

Vista lateral (convexidade)

  1. Encontre o sulco lateral: a grande fissura oblíqua separando temporal (abaixo) de frontal/parietal (acima).
  2. Encontre o sulco central: sulco quase vertical no meio do hemisfério, separando pré-central (anterior) de pós-central (posterior).
  3. Marque os giros pré- e pós-central imediatamente ao redor do sulco central.
  4. No frontal anterior, identifique os giros frontais (superior, médio, inferior) acima do sulco lateral.
  5. No temporal, identifique os giros temporais (superior, médio, inferior) abaixo do sulco lateral.
  6. No parietal inferior, procure as “alças”: supramarginal contornando o final do sulco lateral e angular logo posterior.
  7. Delimite o occipital por inferência: localize a incisura pré-occipital na borda inferolateral e imagine a linha até o sulco parieto-occipital (que você verá melhor na face medial).

Vista medial

  1. Encontre o sulco parieto-occipital: sulco vertical posterior.
  2. Encontre o sulco calcarino: sulco horizontal/oblíquo posterior que encontra o parieto-occipital (formando um “Y”).
  3. Identifique cúneo e giro lingual: cúneo acima do calcarino; lingual abaixo.
  4. Localize a continuação do sulco central na borda superomedial (ajuda a orientar pré- vs pós-central na transição para a face medial).

Vista inferior (base do hemisfério)

Na vista inferior, o objetivo prático é orientar polos e limites e reconhecer a relação temporal–occipital pela borda inferolateral.

  1. Identifique o polo temporal (anterior e inferior) e o polo occipital (posterior).
  2. Procure a incisura pré-occipital na borda inferolateral: ela ajuda a “marcar” onde o occipital começa anteriormente.
  3. Diferencie temporal vs occipital na base: anterior tende a ser temporal; posterior, occipital; o limite exato é inferido pela incisura pré-occipital e pela linha até o sulco parieto-occipital (medial).

Integração com cortes de imagem (axial, coronal, sagital): o que aparece primeiro

Princípio geral

Em cortes, a identificação é mais confiável quando você usa sequência: quais estruturas surgem primeiro ao “varrer” o encéfalo em um plano. Abaixo, um roteiro prático de reconhecimento, pensando em uma progressão típica (sem depender de um protocolo específico).

Plano axial (de inferior para superior)

  • Primeiro a aparecer: superfícies inferiores dos lobos temporais (anterolaterais) e regiões posteriores inferiores próximas ao occipital.
  • À medida que sobe: o sulco lateral torna-se um marco dominante na convexidade lateral; acima dele, você está em frontal/parietal; abaixo, temporal.
  • Mais superior: o sulco central e os giros pré- e pós-central ficam mais evidentes perto do vértex.
  • Occipital medial: estruturas como cúneo/lingual são melhor correlacionadas quando o corte axial cruza a região do sulco calcarino (posterior e medial), mas a identificação “pura” é mais direta no sagital/medial.

Plano coronal (de anterior para posterior)

  • Primeiro a aparecer: lobo frontal (polo frontal) com giros frontais na convexidade.
  • Ao avançar posteriormente: surge a região do sulco lateral; abaixo dele, o temporal fica bem característico.
  • Região central: o sulco central é reconhecido quando você vê a transição entre giro pré-central (anterior) e pós-central (posterior) em cortes sucessivos; uma dica é observar a mudança de padrão de giros na convexidade superior.
  • Mais posterior: aparecem referências do parietal inferior (supramarginal/angular) na convexidade lateral posterior; e, ao se aproximar do polo occipital, o occipital domina o corte.

Plano sagital (de lateral para medial)

  • Primeiro a aparecer (bem lateral): convexidade com giros frontais/temporais/parietais, mas com menos marcos profundos.
  • Indo para mais medial: o sulco parieto-occipital torna-se evidente na porção posterior medial.
  • Posterior medial: o sulco calcarino aparece claramente, permitindo separar cúneo (acima) e giro lingual (abaixo).
  • Leitura prática: se seu objetivo é delimitar occipital com segurança e reconhecer cúneo/lingual, o sagital medial costuma ser o plano mais “didático”.

Tabela-resumo: marco → onde ver melhor → o que ele delimita

MarcoVista/plano mais fácilUso prático
Sulco centralLateral; axial alto; coronal médioSepara frontal/parietal; localiza giros pré- e pós-central
Sulco lateralLateral; axial médio; coronalSepara temporal de frontal/parietal; acesso indireto à ínsula
Sulco parieto-occipitalMedial; sagital medialLimite confiável parietal–occipital
Incisura pré-occipitalLateral/inferiorAjuda a inferir limite anterior do occipital na face lateral
SupramarginalLateral“Alça” no final do sulco lateral
AngularLateral posterior“Alça” posterior ao supramarginal, na junção parieto-temporo-occipital
Cúneo / Giro lingualMedial; sagitalReferências occipitais separadas pelo sulco calcarino

Agora responda o exercício sobre o conteúdo:

Ao delimitar o lobo occipital na face lateral do telencéfalo, qual combinação de marcos é usada para inferir seu limite anterior?

Você acertou! Parabéns, agora siga para a próxima página

Você errou! Tente novamente.

O limite anterior do lobo occipital na face lateral não é nítido e é inferido por uma linha imaginária entre o sulco parieto-occipital (medial) e a incisura pré-occipital (inferolateral).

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