Princípios que guiam a técnica (independente do exercício)
1) Coluna neutra: “empilhar” costelas sobre a pelve
Conceito: coluna neutra é manter as curvaturas naturais (cervical, torácica e lombar) sem exagerar (hiperlordose/retificação). Na prática, pense em costelas para baixo e pelve estável, evitando “empinar” o bumbum e abrir demais o peito.
Como sentir: em pé, faça uma leve expiração e perceba as costelas descendo. Mantenha essa posição e contraia o abdômen como se fosse receber um toque (sem prender o ar). Isso tende a colocar a lombar em posição mais neutra.
2) Escápulas: controle (retração/depressão quando aplicável)
Conceito: escápulas (as “placas” das costas) precisam se mover e estabilizar de forma adequada. Em muitos exercícios de puxar e de empurrar com carga, é comum precisar de depressão (ombros “para baixo”) e, em alguns casos, retração (escápulas “para trás”). Em outros movimentos (ex.: empurrar acima da cabeça), a escápula deve girar para cima e não ficar “presa” para trás.
Regra prática: evite ombros “subindo para as orelhas”. Se isso acontece, priorize depressão e reduza carga/ajuste amplitude.
3) Alinhamento joelho–pé: trilho estável
Conceito: o joelho tende a acompanhar a direção do pé. O objetivo é o joelho viajar no mesmo “trilho” do segundo/terceiro dedo do pé, sem colapsar para dentro.
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Regra prática: mantenha o pé “tripé”: base no calcanhar, base do dedão e base do mindinho. Um pé firme facilita o joelho alinhado.
4) Distribuição de carga: onde você sente o esforço importa
Conceito: técnica boa costuma “colocar” a carga no músculo-alvo e nas articulações certas. Se um agachamento vira dor no joelho da frente ou uma remada vira dor no pescoço, a distribuição está errada.
Regra prática: procure sensação de esforço muscular previsível (ex.: quadríceps no agachamento, dorsais na puxada) e articulações “silenciosas” (sem pinçar/dor aguda).
5) Estabilidade do core: rigidez útil, não “barriga dura o tempo todo”
Conceito: core estável é a capacidade de manter tronco e pelve controlados enquanto braços e pernas produzem força. Pense em “travar o tronco” o suficiente para não perder a coluna neutra.
Cue simples: “feche o zíper” (leve contração do abdômen baixo) + “costelas para baixo” + “respiração controlada”.
6) Controle respiratório: respirar para estabilizar
Conceito: a respiração influencia estabilidade. Para iniciantes, a estratégia mais segura é inspirar na fase mais fácil e soltar o ar na fase de esforço, mantendo o tronco firme (sem relaxar o abdômen no meio da repetição).
Exemplo: no leg press, inspire descendo (flexionando), expire subindo (empurrando), sem “descolar” o quadril do banco.
Passo a passo: checklist universal antes de começar uma série
- Pés: tripé do pé ativo (calcanhar, base do dedão, base do mindinho).
- Joelhos: apontam na direção dos dedos (2º/3º), sem colapsar para dentro.
- Pelve e costelas: costelas “para baixo”, pelve neutra (sem empinar).
- Core: contração moderada como “cinto natural”.
- Escápulas: ombros longe das orelhas; retração/depressão quando o exercício pede.
- Punhos: neutros (sem “quebrar” para trás), alinhados ao antebraço.
- Respiração: planeje: inspire na fase fácil, expire na fase de esforço, sem perder o tronco.
Desvios comuns: como identificar e corrigir (com ajustes simples)
Joelhos colapsando para dentro (valgo dinâmico)
Como identificar: ao descer no agachamento/leg press/avanço, os joelhos “se beijam” ou caminham para dentro, enquanto o pé pode “cair” para a borda interna.
Correções rápidas (em ordem):
- Reforce o tripé do pé: pressione levemente a base do dedão e do mindinho no chão/plataforma sem levantar o calcanhar.
- Ajuste a abertura dos pés: teste uma base um pouco mais aberta e uma leve rotação externa (ponta do pé discretamente para fora), mantendo o joelho seguindo os dedos.
- Cue de joelho: “joelhos para fora” o suficiente para alinhar com os dedos, sem exagerar.
- Reduza carga/amplitude: desça até onde mantém alinhamento; aumente amplitude depois.
Ombros elevados (trapézio dominando)
Como identificar: durante puxadas, remadas, supino ou desenvolvimento, os ombros sobem e o pescoço “encurta”. Pode aparecer tensão no pescoço.
Correções rápidas:
- Depressão escapular: pense em “colocar os ombros no bolso de trás” (ombros para baixo).
- Reduza a carga: ombro subindo é sinal de que você está “roubando” com trapézio superior.
- Ajuste a pegada: pegada muito aberta ou muito fechada pode forçar elevação. Procure uma posição em que o antebraço fique mais vertical (quando aplicável).
- Controle a fase excêntrica: subidas rápidas e descidas soltas aumentam compensações. Desça com controle.
Hiperlordose (lombar “quebrando” para trás)
Como identificar: no agachamento, terra, remadas ou supino, você “empina” e as costelas abrem; no leg press, o quadril pode começar a “descolar” do banco no final da descida.
Correções rápidas:
- Costelas para baixo: faça uma leve expiração antes de iniciar a repetição e mantenha o tronco empilhado.
- Encaixe neutro da pelve: não é “retroverter ao máximo”, é apenas sair do exagero. Busque o meio-termo confortável.
- Reduza amplitude: pare antes do ponto em que a lombar perde neutralidade (ex.: no leg press, não desça até o quadril enrolar).
- Reforce o core: contração moderada contínua durante a repetição.
Punhos quebrados (extensão excessiva do punho)
Como identificar: no supino, desenvolvimento, rosca ou puxadas, o punho dobra para trás e a carga “cai” na mão, gerando desconforto no punho/antebraço.
Correções rápidas:
- Empilhe punho–antebraço: punho neutro, como se você estivesse “soco reto”.
- Posição da barra/pegador: no supino, a barra deve ficar mais próxima da base da palma (não nos dedos), mantendo o punho alinhado.
- Ajuste a largura da pegada: pegada muito aberta pode piorar o ângulo do punho; teste levemente mais fechada.
- Reduza carga e recupere controle: punho quebrando costuma ser falta de estabilidade sob carga.
Checklists por região (use durante a execução)
Ombros e escápulas
- Pescoço longo: queixo neutro, sem “encolher”.
- Ombros longe das orelhas: depressão escapular quando houver carga puxando você para cima.
- Escápula acompanha o movimento: não prenda as escápulas para trás em movimentos acima da cabeça; permita rotação para cima com controle.
- Cotovelos coerentes com o objetivo: em empurrar horizontal (supino), cotovelos nem totalmente abertos nem colados; busque um ângulo confortável em que o ombro não pinça.
Quadril e pelve
- Pelve neutra: evite empinar (hiperlordose) e evite “enrolar” (retroversão exagerada) sob carga.
- Quadril recua quando necessário: em padrões de “dobradiça” (ex.: terra/romeno), o quadril vai para trás mantendo a coluna neutra.
- Amplitude com controle: pare onde você mantém tronco e pelve estáveis.
Joelhos e pés
- Tripé do pé: não deixe o arco colapsar; mantenha contato firme com o chão/plataforma.
- Joelho no trilho: acompanha 2º/3º dedo do pé.
- Distribuição de pressão: evite jogar tudo na ponta do pé; mantenha calcanhar ativo (quando o exercício permite).
Coluna e core
- Costelas empilhadas: sem “abrir o peito” às custas da lombar.
- Abdômen ativo: firmeza moderada contínua (não relaxe no meio da repetição).
- Movimento vem das articulações certas: quadril e ombro se movem; coluna estabiliza (na maioria dos exercícios com carga).
Ajustes simples que mudam tudo (pés, pegada, cotovelos)
Posicionamento de pés
Objetivo: criar base estável e permitir que joelhos e quadril se movam sem compensações.
- Largura: comece com pés na largura do quadril/ombros e ajuste: se o joelho colapsa, teste base um pouco mais aberta; se o quadril “prende”, teste base um pouco mais fechada.
- Ângulo dos pés: leve rotação externa costuma ajudar a alinhar joelho e permitir profundidade; evite exageros que forcem o joelho a “torcer”.
- Pressão no pé: mantenha o tripé; se sentir a ponta do pé dominando, leve o peso para o meio do pé e calcanhar.
Largura e tipo de pegada
Objetivo: alinhar punho, cotovelo e ombro para transmitir força sem dor.
- Punho neutro: ajuste a pegada para que o punho não quebre; pense em “empilhar” carga sobre o antebraço.
- Antebraço mais vertical (quando possível): em empurrar/puxar com barra/halteres, busque um caminho em que o antebraço não fique muito inclinado, reduzindo estresse articular.
- Se o ombro pinça: teste reduzir amplitude, ajustar a pegada (um pouco mais fechada ou mais aberta) e reposicionar cotovelos.
Orientação dos cotovelos
Objetivo: controlar a linha de força e proteger ombros e punhos.
- Empurrar horizontal (ex.: supino/máquina): cotovelos em ângulo confortável, evitando abrir 90° total; mantenha escápulas estáveis e ombros “para baixo”.
- Puxar (ex.: remadas/puxadas): inicie puxando com as costas (escápulas controladas) e deixe os cotovelos seguirem a linha do pegador; evite “puxar com o bíceps” elevando ombros.
- Acima da cabeça (ex.: desenvolvimento): cotovelos levemente à frente do tronco costuma ser mais confortável; permita escápulas girarem para cima.
Guias práticos por padrão de movimento (aplicação em vários exercícios)
Padrão: agachar (agachamento, leg press, hack, smith)
Passo a passo:
- Base: pés na largura confortável, tripé ativo; ponta do pé levemente para fora se necessário.
- Tronco: costelas para baixo, core firme; olhar neutro.
- Descida: joelhos seguem os dedos; desça com controle até onde mantém coluna neutra e pé firme.
- Subida: empurre o chão/plataforma mantendo joelhos no trilho; evite “jogar o quadril” e arquear a lombar no final.
Erros e correções rápidas:
- Joelho entra: reative tripé + base um pouco mais aberta + cue “joelho no trilho”.
- Calcanhar levanta: reduza amplitude e ajuste base; foque em distribuir pressão no meio do pé.
- Lombar perde neutralidade no fundo: reduza profundidade e reforce “costelas para baixo”.
Padrão: dobradiça de quadril (terra romeno, levantamento terra, good morning)
Passo a passo:
- Base: pés firmes, tripé ativo.
- Tronco: coluna neutra; core firme; ombros longe das orelhas.
- Movimento: quadril vai para trás como se encostasse em uma parede; joelhos destravam levemente.
- Barra/halteres: mantenha a carga próxima ao corpo para reduzir alavanca na lombar.
- Retorno: empurre o chão e traga o quadril para frente sem hiperextender a lombar no final.
Erros e correções rápidas:
- Arredondar lombar: reduza carga e amplitude; mantenha a carga mais próxima; reforce core.
- Hiperlordose no topo: finalize “alto” sem empinar; costelas para baixo.
- Ombros sobem: depressão escapular e controle da descida.
Padrão: empurrar (supino, chest press, desenvolvimento, paralelas assistidas)
Passo a passo:
- Contato e base: estabilize o corpo (pés firmes no chão quando aplicável) e mantenha tronco empilhado.
- Escápulas: em empurrar horizontal, estabilize com leve retração/depressão; em empurrar acima da cabeça, permita rotação para cima sem elevar ombros em excesso.
- Punhos: neutros, alinhados ao antebraço.
- Cotovelos: em ângulo confortável; evite abrir demais se houver desconforto no ombro.
- Respiração: inspire na descida, expire na subida mantendo o core.
Erros e correções rápidas:
- Punho quebrado: ajuste a barra/pegador na palma e alinhe punho.
- Ombro pinçando: reduza amplitude, ajuste cotovelos e pegada; mantenha ombros “para baixo”.
- Lombar arqueando para ajudar: costelas para baixo e reduza carga.
Padrão: puxar (puxada na frente, remadas, puxada neutra, remada baixa)
Passo a passo:
- Postura: tronco firme, coluna neutra; evite “jogar o peito” para cima criando hiperlordose.
- Início do movimento: pense em “colocar as escápulas no lugar” (depressão e/ou retração leve) antes de dobrar muito o cotovelo.
- Cotovelos: puxam na direção coerente com o pegador (não para trás aleatoriamente).
- Final: pare antes de perder postura ou elevar ombros.
Erros e correções rápidas:
- Ombros sobem: reduza carga e reforce depressão escapular.
- “Roubar” com lombar: diminua carga, estabilize core e controle a excêntrica.
- Punho desconfortável: use pegada neutra quando possível e alinhe punho.
Autoavaliação rápida: sinais de que a técnica está saindo do trilho
| Sinal | O que costuma significar | Ajuste imediato |
|---|---|---|
| Dor aguda/articular | Alinhamento ou amplitude inadequada | Reduza amplitude/carga e ajuste base/pegada |
| Perda de coluna neutra | Core insuficiente ou carga alta | Costelas para baixo + reduza carga + encurte amplitude |
| Ombros “encolhendo” | Trapézio superior compensando | Depressão escapular + reduza carga |
| Joelhos entrando | Pé instável e/ou controle de quadril insuficiente | Tripé do pé + ajuste base + joelho no trilho |
| Punho dobrando | Pegada/alinhamento ruim | Empilhe punho e ajuste pegada |
Mini-checklists de execução (para usar entre séries)
Antes de começar
- Consigo manter costelas para baixo sem prender a respiração?
- Meus ombros estão longe das orelhas?
- Meus punhos estão neutros?
- Meus pés estão firmes (tripé) e joelhos no trilho?
Durante as repetições
- Estou sentindo o músculo-alvo mais do que articulações?
- Consigo manter controle na descida?
- Minha respiração está fluindo sem perder estabilidade?
Se algo “desmontar”
- Reduza a carga em 10–30% e repita com técnica perfeita.
- Encurte a amplitude até recuperar alinhamento.
- Ajuste um item por vez: pés (base/ângulo) → pegada (largura) → cotovelos (trajeto) → respiração/core.