O que significa “escolher bem” um exercício
Escolher exercícios não é montar uma lista do que “dá mais resultado”, e sim selecionar movimentos que você consiga executar com boa consistência, progredir ao longo das semanas e recuperar bem. Para iniciantes, a melhor escolha costuma ser a que combina: segurança, facilidade de aprender, amplitude controlável, disponibilidade, compatibilidade com desconfortos individuais e coerência com o objetivo do treino.
Critérios práticos para decidir (checklist rápido)
1) Segurança e “margem de erro”
Prefira exercícios em que um erro pequeno não vire um erro grande. Em geral, máquinas e cabos oferecem mais estabilidade externa; pesos livres exigem mais controle do corpo e do caminho da carga.
- Mais margem de erro: leg press, remada baixa no cabo, chest press, puxada na polia.
- Menos margem de erro: agachamento livre, levantamento terra, desenvolvimento militar em pé, remada curvada pesada.
2) Facilidade de aprendizagem (tempo para “ficar bom”)
Um exercício é uma boa escolha para iniciantes quando você consegue repetir a execução com pouca variação entre as séries. Se você precisa “reaprender” a cada treino, talvez seja cedo para ele como principal.
- Fáceis de aprender: máquinas guiadas, halteres em banco (supino com halteres), cabos com pegadores neutros.
- Mais técnicos: barra livre em padrões complexos (agachar e dobrar quadril com barra, levantamentos do chão).
3) Amplitude controlável e ajuste ao seu corpo
Boa escolha é a que permite ajustar banco, encosto, altura do assento, pegadas e trajetória para você trabalhar em amplitude confortável e consistente.
- Se a máquina “não encaixa” (você sente articulações em vez do músculo-alvo), teste ajustes: assento, encosto, posição dos pés/mãos, amplitude menor.
- Se mesmo ajustando continuar ruim, troque o exercício (não insista só porque “é o padrão”).
4) Disponibilidade e logística na academia
O melhor exercício é o que você consegue fazer com frequência. Se o equipamento vive ocupado, tenha uma alternativa equivalente por padrão de movimento.
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| Se estiver ocupado… | Alternativa prática |
|---|---|
| Leg press | Agachamento no smith ou agachamento goblet com halter |
| Puxada na polia | Remada no cabo (varie pegada) ou puxada com elástico |
| Chest press | Supino com halteres ou flexão com mãos elevadas |
| Remada máquina | Remada unilateral com halter apoiado |
5) Desconfortos individuais (sem “forçar a barra”)
Desconforto articular recorrente é um sinal para ajustar ou substituir. Em vez de pensar “qual exercício é o melhor?”, pense “qual variação me permite treinar forte sem irritar a articulação?”.
- Ombro sensível: prefira pegada neutra (halteres/cabos), inclinação moderada, amplitude que não pinça; máquinas com pegada convergente podem ajudar.
- Joelho sensível: controle amplitude, teste variações com canela mais vertical (box squat, leg press com pés mais altos), fortaleça posterior de coxa e glúteos com dobradiça de quadril.
- Punho/cotovelo sensível: cabos com corda/pegador neutro, halteres em vez de barra reta, variações com menor torque.
6) Objetivo do treino (força, hipertrofia, condicionamento)
O objetivo muda a prioridade do tipo de exercício:
- Hipertrofia geral (iniciante): combine máquinas/cabos (para volume com técnica estável) + alguns pesos livres simples (para coordenação e transferência).
- Força: mais ênfase em pesos livres e padrões “globais”, mas com progressão conservadora e variações estáveis quando necessário.
- Condicionamento e gasto calórico: exercícios que permitam ritmo e transições rápidas com segurança (cabos, halteres moderados, máquinas).
Máquinas vs pesos livres vs cabos: como decidir na prática
Máquinas
Vantagens: estabilização externa, trajetória guiada, fácil ajustar carga, boa para aprender sensação do músculo e acumular volume com menos fadiga técnica.
Limitações: nem sempre “encaixam” em todos os corpos; trajetória fixa pode incomodar; menor exigência de estabilização.
Quando priorizar:
- Você está começando e quer consistência rápida.
- Você quer aumentar volume com menor risco de perder a forma por cansaço.
- Você tem desconfortos e precisa de mais controle do movimento.
Pesos livres (halteres e barras)
Vantagens: grande variedade, adapta-se ao seu corpo, melhora coordenação e estabilização, fácil progredir em padrões fundamentais.
Limitações: exige mais controle; a técnica pode limitar a carga; alguns exercícios têm maior custo de aprendizado.
Quando priorizar:
- Você já consegue repetir o movimento com consistência.
- Você quer desenvolver força e controle corporal.
- Você precisa de opções quando máquinas estão ocupadas.
Cabos (polias)
Vantagens: tensão mais constante, ajustes finos de altura/ângulo, ótimo para trabalhar em amplitudes confortáveis e para isolar sem “travar” a trajetória.
Limitações: pode exigir alguma coordenação (principalmente unilateral); depende de disponibilidade de torre/polia.
Quando priorizar:
- Você quer controlar melhor a amplitude e o ângulo (ombros e costas costumam se beneficiar).
- Você quer variações seguras para braços, deltoides e costas.
- Você quer complementar pesos livres com trabalho mais “limpo” e repetível.
Estrutura para montar um treino equilibrado por padrões de movimento
Em vez de escolher exercícios por músculos isolados, organize por padrões de movimento. Isso reduz lacunas (por exemplo, treinar muito empurrar e pouco puxar) e facilita montar sessões completas.
Os 6 padrões principais
- Empurrar (horizontal/vertical): variações de supino, chest press, desenvolvimento, elevação em máquina.
- Puxar (horizontal/vertical): remadas, puxadas na polia, barra assistida.
- Agachar (dominante de joelho): agachamentos, leg press, hack squat.
- Dobrar o quadril (dominante de quadril): levantamento terra romeno, hip hinge com halter, extensão de quadril/hip thrust.
- Carregar (locomoção com carga): farmer walk, suitcase carry, carregadas curtas com halteres.
- Estabilidade do core: anti-extensão (prancha), anti-rotação (pallof press), anti-inclinação (suitcase hold/carry).
Como selecionar 1–2 exercícios por padrão em cada sessão
Para iniciantes, uma sessão equilibrada geralmente funciona bem com 1 exercício principal (mais “composto”) e 1 exercício complementar (mais estável ou com foco em controle) para cada padrão que você for treinar no dia. Você não precisa usar os 6 padrões em toda sessão; pode alternar ao longo da semana.
Passo a passo prático (método em 7 passos)
- Escolha 4 padrões para a sessão (ex.: empurrar, puxar, agachar, dobrar o quadril). Deixe carregar e core como “extras” rápidos no final.
- Para cada padrão, selecione 1 exercício “base” que você consegue repetir bem e progredir (máquina, halter ou cabo).
- Adicione 0–1 complementar para o mesmo padrão se: (a) o equipamento estiver disponível, (b) você recuperar bem, (c) você quiser mais volume naquele padrão.
- Cheque a logística: dá para montar a sessão sem ficar 10 minutos esperando? Se não, troque por alternativa equivalente.
- Cheque desconfortos: se um exercício irrita articulação, substitua por variação com pegada/ângulo/amplitude mais confortável.
- Equilibre empurrar vs puxar: para cada empurrar, tenha pelo menos um puxar na sessão ou na semana (muitas pessoas se beneficiam de puxar igual ou um pouco mais).
- Finalize com core e/ou carregar (2–3 séries curtas) para reforçar estabilidade e postura sob fadiga.
Exemplos práticos de seleção (com alternativas)
Sessão A (ênfase em máquinas e cabos: máxima consistência)
- Agachar: leg press (base) + cadeira extensora (complementar opcional)
- Dobrar o quadril: mesa flexora (base) + hip thrust na máquina (complementar)
- Empurrar: chest press (base) + crucifixo no cabo (complementar)
- Puxar: puxada na polia (base) + remada baixa no cabo (complementar)
- Core: pallof press no cabo
Sessão B (ênfase em halteres: versátil e fácil de adaptar)
- Agachar: agachamento goblet (base) + avanço estacionário com halteres (complementar)
- Dobrar o quadril: terra romeno com halteres (base)
- Empurrar: supino com halteres (base) + desenvolvimento sentado com halteres (complementar)
- Puxar: remada unilateral com halter apoiado (base) + face pull no cabo (complementar)
- Carregar: farmer walk com halteres (curto)
Sessão C (mista com barra, mas com escolhas “amigáveis” ao iniciante)
- Agachar: agachamento no smith (base) ou agachamento com caixa
- Dobrar o quadril: terra romeno com barra (base) ou com halteres
- Empurrar: supino com barra (base) ou máquina se o banco estiver disputado
- Puxar: remada no cabo (base) (muitas vezes mais consistente do que remada curvada no início)
- Core: prancha com progressão de tempo
Regras simples para escolher entre variações do mesmo padrão
Empurrar (peito/ombros/tríceps)
- Se você perde o controle do caminho da barra: prefira halteres ou máquina.
- Se o ombro incomoda no supino reto: teste inclinação leve, pegada neutra (halteres) ou cabos.
- Se quer mais estabilidade para progredir carga: máquina chest press costuma ser ótima.
Puxar (costas/bíceps)
- Se sente mais bíceps do que costas: use cabos/máquinas para ajustar pegada e trajetória e manter o tronco estável.
- Se a lombar cansa antes das costas: evite remadas curvadas pesadas; prefira remada apoiada (máquina, banco inclinado, cabo).
Agachar (dominante de joelho)
- Se o equilíbrio limita: goblet squat ou smith antes do agachamento livre.
- Se quer controlar amplitude com segurança: leg press ou hack squat.
Dobrar o quadril (dominante de quadril)
- Se você não sente bem o padrão: comece com terra romeno com halteres (mais fácil ajustar a trajetória) ou hip thrust (mais guiado).
- Se a pegada limita: use halteres, straps (se permitido) ou escolha máquina/cabo.
Carregar e core
- Se o tempo é curto: escolha 1 (carregar ou core) e faça 2–3 séries.
- Se você quer algo simples e efetivo: suitcase carry (carregar unilateral) combina carregar + anti-inclinação do core.
Modelo rápido para montar sua sessão (preenchível)
1) Agachar (1–2 exercícios): __________________ / __________________
2) Dobrar o quadril (1–2 exercícios): __________ / __________________
3) Empurrar (1–2 exercícios): __________________ / __________________
4) Puxar (1–2 exercícios): _____________________ / __________________
5) Extra (carregar ou core): ____________________
Alternativas se estiver ocupado: ________________Use esse modelo como “mapa”: você troca o exercício, mas mantém o padrão. Assim, seu treino continua equilibrado mesmo quando a academia está cheia ou quando você precisa adaptar por conforto.