Conceito de montagem em gabarito (mesa plana) e por que isso muda o resultado
Montar portões e grades em uma mesa plana ou em um gabarito é um método para controlar geometria (esquadro, paralelismo e medidas finais) enquanto as peças são fixadas e ponteadas. O gabarito funciona como uma “régua física” que limita deslocamentos durante o aperto dos sargentos e durante a soldagem, aumentando a repetibilidade quando você precisa produzir mais de uma unidade igual.
Na prática, a montagem em gabarito combina três elementos: referências fixas (batentes/pinos), fixação temporária (sargentos, cantoneiras, grampos) e controle dimensional por etapas (medições rápidas e registradas). O objetivo é que o conjunto “nasça certo” antes do ponteamento, reduzindo correções com calor e retrabalho.
Preparação da mesa e do gabarito: plano, limpo e com referências
1) Conferir planicidade e pontos de apoio
- Use uma régua longa (ou perfil reto) e calços para eliminar “barrigas” na área de montagem. Se a mesa não for perfeitamente plana, defina quatro pontos de apoio (como se fosse um “pé de mesa”) e calce até estabilizar.
- Limpe respingos e rebarbas na área onde as peças vão encostar. Um respingo sob o tubo pode virar erro de esquadro.
2) Criar referências fixas (batentes) para repetibilidade
As referências são o que permite montar várias unidades com o mesmo padrão sem “medir tudo do zero”. Você pode usar:
- Cantoneiras fixas para encostar os lados do quadro.
- Pinos/batentes (parafusos, tarugos, pinos soldados) para travar posição de cantos e travessas.
- Réguas de encosto (barra reta) para alinhar uma face do quadro e garantir paralelismo.
Posicione as referências para que o quadro encoste sempre nos mesmos pontos. Evite referências que obriguem a “forçar” a peça para entrar; o ideal é encostar e travar, não tensionar.
3) Marcar um sistema de coordenadas do gabarito
Para registrar um padrão e repetir, defina um “zero” e duas direções:
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- Origem (0,0): um canto fixo do gabarito (ex.: canto inferior esquerdo).
- Eixo X: largura (esquerda → direita).
- Eixo Y: altura (baixo → cima).
Marque discretamente na mesa (punção leve, risco com marcador resistente) e anote em uma ficha do gabarito as distâncias dos batentes até a origem.
Fixação das peças no gabarito: como travar sem deformar
Ferramentas de fixação mais usadas
- Sargentos tipo C/F: para pressionar perfis contra batentes e manter contato.
- Cantoneiras magnéticas: úteis para segurar provisoriamente, mas não substituem travamento rígido (podem “ceder” com vibração e calor).
- Cantoneiras metálicas + sargento: combinação forte para manter 90°.
- Grampos de esquadro: aceleram montagem de cantos.
Regras práticas de fixação
- Encoste primeiro, aperte depois: garanta contato do perfil com o batente antes de aplicar força do sargento.
- Aperto alternado: aperte um pouco em um ponto, depois no oposto, para não “arrastar” o quadro.
- Evite torção: se um sargento estiver puxando o perfil para baixo e outro para cima, você cria torção. Prefira apertos no mesmo plano.
- Use calços iguais quando precisar levantar uma peça: calço irregular vira erro dimensional.
Sequência de montagem para minimizar empeno
A ordem de montagem influencia diretamente o quanto o conjunto se move quando você começa a ponteá-lo. A sequência abaixo prioriza: esquadrar → travar → preencher → conferir → pontear.
Passo a passo prático (quadro, travessas e diagonais)
Etapa 1 — Posicionar e esquadrar o quadro (sem ponteamento)
- Posicione as quatro peças do quadro (montantes e travessas) no gabarito, encostando nos batentes.
- Trave os cantos com cantoneiras/grampos e sargentos, mantendo as faces alinhadas.
- Confirme largura e altura com trena (medida externa ou interna conforme seu padrão de fabricação).
- Meça as diagonais do quadro (canto a canto). Ajuste até as diagonais ficarem iguais.
Etapa 2 — Travar o esquadro (ainda sem ponteamento)
- Com diagonais iguais, aumente a rigidez temporária: adicione sargentos cruzados ou uma barra de travamento provisória (pode ser um perfil reto preso com sargentos).
- Reconfira diagonais após apertar: o aperto pode “puxar” o quadro.
Etapa 3 — Inserir travessas e diagonais estruturais
- Coloque as travessas internas encostando em batentes/pinos do gabarito (se existirem) ou usando marcações de referência na mesa.
- Para diagonais, posicione e prenda com sargentos, garantindo contato firme nas extremidades (sem “vão” que depois fecha no calor).
- Antes de qualquer ponteamento, confira se a inserção das peças internas não alterou o esquadro do quadro.
Etapa 4 — Inserir preenchimento (barras, chapas, elementos) e alinhar
- Distribua o preenchimento do centro para as extremidades quando possível, para não “empurrar” o quadro para fora.
- Use espaçadores (calços iguais) para manter repetição de vãos entre barras.
- Trave o preenchimento com grampos leves; evite apertos excessivos que arqueiem barras finas.
Etapa 5 — Conferência completa antes do ponteamento
Esta é a etapa que evita que você “solda o erro”. Faça um checklist dimensional rápido (ver tabela adiante) e só avance se estiver dentro da tolerância definida no seu padrão.
Etapa 6 — Ponteamento em sequência controlada
O ponteamento deve “congelar” a geometria sem concentrar calor em um lado só. Uma sequência típica:
- Cantos do quadro: 1 ponto em cada canto, alternando cantos opostos (ex.: canto 1 → canto 3 → canto 2 → canto 4).
- Travessas internas: ponteie primeiro as extremidades, alternando lados (esquerda/direita), depois pontos intermediários.
- Diagonais: ponteie uma extremidade, depois a oposta, e só então complete pontos adicionais.
- Preenchimento: ponteie alternando peças e posições (não ponteie todas as barras de um lado e depois do outro).
Após o ponteamento inicial, solte parcialmente alguns sargentos e verifique se o conjunto “abre” ou “fecha”. Se mover, é sinal de tensão interna: reaperte, corrija e reponteie antes de avançar.
Pontos de referência no gabarito e como registrar um padrão para unidades iguais
Referências que valem a pena padronizar
- Batente do canto de origem: define o “encaixe” do quadro sempre no mesmo lugar.
- Batentes de largura e altura: limitam as dimensões externas (ou internas) do quadro.
- Pinos de travessas: definem posição fixa das travessas (ex.: a X mm do topo).
- Régua de face: garante que todos os quadros fiquem com a mesma face “para cima” (evita inversão).
Ficha do gabarito (modelo simples)
Crie uma ficha (papel plastificado ou arquivo) com:
- Código do modelo (ex.: PG-01).
- Medidas de referência (largura/altura padrão do quadro).
- Distâncias dos pinos de travessas a partir do (0,0).
- Lista de calços/espaçadores usados (espessura e quantidade).
- Observações de montagem (ex.: “pontear cantos alternados”, “travessa superior primeiro”).
Isso permite montar a próxima unidade apenas encostando peças nos batentes e repetindo a sequência, com mínima medição.
Método de verificação dimensional a cada etapa
Use um método curto, repetível e registrado. A ideia é medir pouco, mas medir sempre as mesmas coisas nos mesmos momentos.
| Etapa | O que medir | Como medir | O que observar |
|---|---|---|---|
| Após posicionar o quadro | Largura e altura | Trena no mesmo ponto de referência (ex.: face externa) | Se variar, revise encosto nos batentes e calços |
| Após esquadrar | Diagonais | Trena canto a canto (duas diagonais) | Diagonais iguais = quadro em esquadro |
| Após travar com sargentos | Diagonais novamente | Repetir medição | Aperto pode ter puxado; ajuste antes de seguir |
| Após inserir travessas/diagonais | Paralelismo e esquadro | Trena (larguras em dois níveis) + diagonais | Largura em cima e embaixo deve bater; diagonais não podem “fugir” |
| Após inserir preenchimento | Alinhamento e repetição de vãos | Régua + espaçadores + trena | Vãos iguais e peças sem arqueamento por aperto |
| Após ponteamento inicial | Largura, altura, diagonais | Trena e checagem cruzada | Se mudou, corrija agora (antes de solda definitiva) |
Rotina rápida de checagem (em 60–90 segundos)
1) Largura (topo) e largura (base) → compara para paralelismo do quadro 2) Altura (esquerda) e altura (direita) → compara para paralelismo vertical 3) Diagonal A e Diagonal B → confirma esquadro 4) Conferir se travessas encostam totalmente (sem folgas nas pontas) 5) Conferir alinhamento do preenchimento com régua (sem barriga)Dicas para evitar erro acumulado
- Meça sempre pelos mesmos lados (mesma face e mesmos pontos). Alternar referência cria variação falsa.
- Registre a primeira peça “mestre”: a primeira unidade aprovada vira padrão. Ajuste o gabarito com base nela, não no “olhômetro”.
- Controle de paralelismo com duas medidas: medir só uma largura não garante que o quadro não esteja “em losango”.
- Não compense erro com força: se para “bater medida” você precisa forçar com sargento, o conjunto está tensionado e tende a mover após solda.
Exemplo prático de montagem repetitiva (produção em série)
Quando você precisa produzir várias grades iguais, o fluxo mais eficiente é:
- Montar o gabarito com batentes de quadro e pinos de travessas.
- Separar espaçadores do preenchimento em um kit (ex.: 10 calços iguais).
- Montar sempre na mesma ordem: quadro → esquadro/diagonais → travessas → preenchimento → checagem → ponteamento alternado.
- Usar a ficha do gabarito para repetir posições sem redesenhar ou remarcar a cada unidade.