Visão geral das modalidades: o que muda na prática
Na importação para revenda, a modalidade de envio define (1) quanto você paga no frete e em taxas logísticas, (2) quanto tempo leva, (3) o quanto você consegue prever datas e custos, e (4) o nível de controle e rastreabilidade. As três modalidades mais comuns são:
- Courier expresso: envio porta a porta por transportadoras expressas, com desembaraço simplificado em muitos casos.
- Carga aérea: embarque em avião (geralmente aeroporto-aeroporto), com desembaraço e entrega local organizados por agente de cargas/transportadora.
- Marítimo: embarque em navio (porto-a-porto), com maior economia por volume, porém prazos mais longos e mais etapas.
O objetivo aqui é você escolher a modalidade que melhor equilibra prazo, custo, risco de avaria e impacto no seu fluxo de caixa, e aprender a pedir cotações comparáveis.
Comparativo direto: custo, prazo, limites, rastreabilidade e previsibilidade
| Critério | Courier expresso | Aéreo | Marítimo |
|---|---|---|---|
| Quando faz mais sentido | Pedidos pequenos/médios, alta urgência, reposição rápida, testes de lote (quando permitido) | Urgência moderada/alta, valor por kg alto, volumes médios | Volumes grandes, itens volumosos, custo por unidade precisa cair, planejamento de estoque |
| Custo típico | Mais caro por kg; pode “compensar” pela simplicidade e menor custo de oportunidade | Intermediário; depende muito do peso cubado e da rota | Mais barato por m³/ton; porém soma de taxas locais pode ser relevante |
| Prazo | Geralmente o menor | Rápido, mas com mais variáveis (voos, conexões, handling) | Maior; sujeito a janelas de navio, transbordos e filas portuárias |
| Limites/Restrições | Limites operacionais por remessa e restrições de itens (baterias, líquidos, etc.) variam por transportadora | Restrições de segurança aérea; baterias e DG exigem tratamento específico | Mais flexível para volume; DG também exige documentação e custos extras |
| Rastreabilidade | Alta e simples (tracking único) | Média/alta (AWB, eventos por etapa) | Média (BL, eventos menos frequentes; mais “marcos” do que rastreio contínuo) |
| Previsibilidade de custo | Alta quando cotação é “all-in”; atenção a impostos/taxas variáveis | Média; variação por combustível, pico sazonal, cubagem | Média/baixa; muitas taxas locais e variações de armazenagem/demurrage se houver atraso |
| Risco de avaria | Baixo a médio (muitas movimentações, mas ciclo curto) | Médio (múltiplos manuseios; vibração/empilhamento) | Médio a alto (tempo longo, umidade, empilhamento, mais transbordos) |
Conceitos essenciais (sem complicar)
Peso real vs. peso cubado (volumétrico)
Frete não é cobrado apenas pelo peso na balança. Se a carga ocupa muito espaço, o transportador cobra pelo peso cubado (volume convertido em “peso”). Na prática, você paga o maior entre:
- Peso real: kg medidos na balança.
- Peso cubado: volume (m³) convertido em kg por um fator.
Exemplo prático: uma caixa com 60×50×40 cm tem volume de 0,12 m³. Se o fator de cubagem do modal for, por exemplo, 167 kg/m³ (comum em aéreo/courier), o peso cubado seria 0,12×167 ≈ 20 kg. Se a caixa pesa 8 kg reais, você pagará como 20 kg.
Como usar isso na decisão: produtos leves e volumosos “sofrem” no aéreo/courier; produtos densos (pesados e compactos) tendem a ser mais viáveis no aéreo.
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Consolidação
Consolidação é juntar cargas de vários importadores em um mesmo embarque para reduzir custo. Você compra “um pedaço” do espaço do avião/navio.
- No aéreo, é comum consolidar por peso/volume.
- No marítimo, a consolidação aparece principalmente no LCL.
Ponto de atenção: consolidação adiciona etapas (coleta, recebimento em armazém, conferência, consolidação), o que pode aumentar o prazo e o risco de atrasos se a documentação não estiver perfeita.
LCL e FCL (marítimo)
- LCL (Less than Container Load): você não fecha um contêiner; paga por m³/ton e divide o contêiner com outros. Bom para volumes menores, mas com mais manuseio e taxas de consolidação/desconsolidação.
- FCL (Full Container Load): você fecha um contêiner (20’, 40’, etc.). Melhor previsibilidade operacional e menor manuseio, geralmente menor custo por unidade em volumes altos.
Regra prática: LCL é ótimo para começar no marítimo com volumes menores; FCL faz sentido quando o volume já “enche” uma parte relevante do contêiner e as taxas fixas diluem.
Cut-off
Cut-off é a data/horário limite para a carga e documentos estarem prontos para embarcar em um voo/navio específico. Perdeu o cut-off, sua carga vai para o próximo embarque, o que pode adicionar dias ou semanas (no marítimo).
Uso prático: ao planejar reposição de estoque, trabalhe com “margem” antes do cut-off e confirme com o agente de cargas quais são os cut-offs de entrega no armazém e de documentação.
Transit time
Transit time é o tempo de deslocamento entre origem e destino (voo/navio). Importante: transit time não é o prazo total porta a porta. O prazo total inclui coleta, consolidação, espera de embarque, desembaraço, entrega local e possíveis filas.
Como comparar propostas: sempre peça o prazo porta a porta estimado e o transit time separadamente.
Quando usar cada modalidade (com critérios objetivos)
Courier expresso: quando a velocidade e a simplicidade valem o custo
Use courier quando:
- Você precisa de reposição rápida para não perder vendas.
- O pedido tem baixo volume e alto valor por unidade.
- Você quer reduzir complexidade operacional (um tracking, menos etapas).
- O risco de ficar sem estoque custa mais do que pagar frete caro.
Pontos de atenção:
- Itens com restrições (baterias, líquidos, aerossóis) podem ser recusados ou encarecer muito.
- O custo por kg pode inviabilizar produtos de baixa margem.
Aéreo: equilíbrio entre prazo e custo para volumes médios
Use aéreo quando:
- O produto é relativamente denso (peso real próximo do cubado) e tem boa margem.
- Você precisa de prazo curto, mas o courier ficou caro demais.
- O volume já é grande para courier, mas ainda não “puxa” marítimo.
Pontos de atenção:
- O peso cubado pode surpreender; confirme dimensões finais embaladas.
- Há mais itens “fora do frete” (handling, armazenagem, entrega local) se a cotação não for bem especificada.
Marítimo: custo por unidade menor, com planejamento e caixa
Use marítimo quando:
- O volume é grande ou o produto é volumoso (cubagem alta).
- Você consegue planejar estoque com antecedência.
- Seu objetivo é reduzir custo logístico por unidade para ganhar competitividade.
Pontos de atenção:
- Mais etapas e taxas locais: se você não padronizar a cotação, a comparação fica injusta.
- Maior exposição a avarias por umidade/tempo: embalagem e proteção são decisivas.
Como solicitar cotações padronizadas (modelo pronto)
Para comparar propostas, você precisa pedir o mesmo escopo para todos. Use um pedido de cotação (RFQ) com campos fixos.
Checklist de informações que você deve enviar
- Origem: cidade e país (endereço ou CEP/zip se possível).
- Destino: cidade e estado no Brasil (e se é entrega em endereço ou retirada em terminal).
- Modal desejado: courier / aéreo / marítimo (ou “cotem as três opções”).
- Incoterm: informe qual base você quer cotar (ex.: EXW ou FOB), para não misturar responsabilidades.
- Descrição da mercadoria: nome comercial, material, uso, se tem bateria, líquido, ímã, etc.
- Quantidade de volumes: nº de caixas/pallets.
- Dimensões e peso: por volume e total (já embalado).
- Valor da mercadoria: para estimar seguro (se aplicável).
- Prontidão: data em que a carga estará pronta para coleta/entrega no armazém.
- Necessidades: seguro, coleta na fábrica, embalagem extra, paletização, inspeção, etc.
Modelo de mensagem (copiar e colar)
Olá! Quero cotação de frete internacional para importação (revenda). Seguem dados para cotar de forma padronizada: 1) Origem (coleta): [cidade/país] 2) Destino (entrega): [cidade/UF - Brasil] 3) Modalidades: cotar courier, aéreo e marítimo (LCL e, se fizer sentido, FCL) 4) Base/Incoterm para cotação: [EXW/FOB/etc.] 5) Mercadoria: [descrição], HS/NCM (se tiver): [ ] 6) Restrições: [bateria/líquido/ímã/nenhuma] 7) Volumes: [nº caixas/pallets] 8) Dimensões e peso por volume: [CxLxA cm] / [kg] 9) Peso e volume totais: [kg] / [m³] 10) Valor da mercadoria: [USD] 11) Data de prontidão (ready date): [data] Peço que a proposta venha com: prazo estimado porta a porta, transit time, cut-off, e detalhamento do que está incluso e do que não está incluso (taxas na origem, frete internacional, taxas no destino, desembaraço, entrega local, armazenagem, seguro). Obrigado!Como comparar propostas sem cair em “frete barato” que vira caro
1) Compare o escopo: porta a porta vs. terminal a terminal
Uma proposta pode parecer mais barata porque inclui só o trecho internacional. Para comparar, padronize:
- Porta a porta: coleta + internacional + desembaraço + entrega final.
- Terminal a terminal: você paga separadamente coleta, desembaraço e entrega.
Se você receber propostas diferentes, transforme todas em um custo total estimado somando os itens faltantes.
2) Itens que precisam estar explicitamente “inclusos” ou “exclusos”
- Origem: coleta, taxa de recebimento/handling, armazenagem na origem, documentação de exportação (quando aplicável).
- Internacional: frete principal, adicional de combustível, taxa de segurança.
- Destino: handling/terminal, armazenagem (franquia e diária), entrega local.
- Desembaraço: honorários do despachante, taxas administrativas, eventuais exigências de órgãos anuentes (quando aplicável).
- Seguro: percentual, base de cálculo e cobertura (porta a porta ou apenas trecho).
3) Verifique a base de cobrança: kg, kg cubado, m³, W/M
Peça para o agente informar:
- Peso taxável (chargeable weight) no aéreo/courier.
- No marítimo LCL, a regra comum é W/M (weight/measure): cobra-se o maior entre tonelada (1.000 kg) e metro cúbico (1 m³). Ex.: 0,8 m³ e 300 kg → cobra 0,8 W/M; 0,8 m³ e 1.200 kg → cobra 1,2 W/M.
4) Compare prazo com “marcos” (não só dias)
Peça o prazo dividido:
- Coleta/recebimento
- Consolidação e cut-off
- Transit time
- Desconsolidação/terminal
- Desembaraço
- Entrega final
Isso aumenta a previsibilidade e ajuda a identificar onde o risco de atraso é maior.
5) Faça uma planilha simples de comparação
| Item | Proposta A | Proposta B | Proposta C |
|---|---|---|---|
| Modal | |||
| Escopo (porta a porta?) | |||
| Peso real (kg) | |||
| Peso cubado/taxável | |||
| Volume (m³) | |||
| Frete internacional | |||
| Taxas origem | |||
| Taxas destino | |||
| Desembaraço | |||
| Seguro | |||
| Armazenagem (franquia/diária) | |||
| Prazo porta a porta | |||
| Transit time | |||
| Cut-off | |||
| Observações (restrições/risco) |
Passo a passo prático: do pedido de cotação à escolha do modal
Passo 1 — Feche as medidas “embalado para embarque”
Antes de cotar, peça ao fornecedor as dimensões e pesos da caixa final (master carton) e quantas unidades por caixa. Se houver paletização, peça também dimensões do pallet.
Passo 2 — Calcule uma estimativa de cubagem e peso taxável
- Some o volume total (m³) e o peso total (kg).
- Estime o peso cubado para ter noção se aéreo/courier vão “explodir”.
Dica: se o produto é leve e grande, simule redução de volume (mais unidades por caixa, embalagem mais compacta) e recote.
Passo 3 — Peça cotações nas três modalidades com o mesmo escopo
Envie o RFQ padronizado e exija que cada proposta venha com itens inclusos/exclusos e prazo por etapas.
Passo 4 — Transforme cada proposta em “custo total estimado”
Some frete + taxas de origem + taxas de destino + desembaraço + entrega local + seguro (se usar). Se algum item estiver “a confirmar”, marque como risco e peça estimativa.
Passo 5 — Avalie risco de avaria e necessidade de proteção
- Produtos frágeis: considere reforço de embalagem, cantoneiras, pallet, filme stretch, dessecantes (marítimo).
- Produtos sensíveis à umidade: marítimo exige atenção extra (dessecantes e embalagem adequada).
Passo 6 — Escolha com base no roteiro de decisão (abaixo)
Decida pelo modal que atende prazo e caixa com menor risco total, não apenas o menor frete.
Roteiro de decisão (pronto para usar)
1) Valor do pedido e valor por kg
- Alto valor por kg (produto caro e compacto): tende a aceitar melhor aéreo ou courier.
- Baixo valor por kg (produto barato e pesado/volumoso): tende a exigir marítimo para manter margem.
2) Urgência (impacto em vendas)
- Ruptura de estoque custa caro: priorize courier ou aéreo.
- Reposição planejada: marítimo reduz custo e melhora competitividade.
3) Volume (m³) e densidade (kg/m³)
- Leve e volumoso: marítimo (LCL/FCL) costuma ganhar.
- Denso: aéreo pode ser viável, especialmente em volumes médios.
4) Risco de avaria e sensibilidade do produto
- Frágil e de alto custo: prefira rotas com menos manuseio e melhor controle; avalie courier/aéreo e embalagem reforçada.
- Resistente: marítimo pode ser ótimo, desde que bem embalado e protegido contra umidade.
5) Impacto no fluxo de caixa
- Se o caixa está apertado: cuidado com marítimo muito longo (capital parado em trânsito). Às vezes pagar mais no aéreo reduz o ciclo e melhora o giro.
- Se você tem fôlego e quer baixar custo unitário: marítimo tende a maximizar margem no longo prazo.
Árvore de decisão rápida (heurística)
- Precisa em poucos dias e o volume é pequeno? → Courier.
- Precisa rápido, mas courier ficou caro e a carga é densa? → Aéreo.
- Volume alto ou carga volumosa e você consegue planejar? → Marítimo (LCL se volume menor; FCL se volume grande).
- Produto frágil e caro → priorize menor manuseio + melhor embalagem; compare courier vs aéreo com seguro e embalagem reforçada.
- Produto barato e volumoso → marítimo quase sempre, com atenção às taxas locais e prazos.