Por que medir o funil por etapa (e não “no geral”)
Quando você mede o funil inteiro como um único número (por exemplo, “vendas do mês”), fica difícil descobrir onde o resultado está travando: falta gente chegando, falta engajamento, ou falta conversão. Métricas por etapa transformam o funil em um sistema diagnosticável: você identifica gargalos, prioriza ajustes e evita “otimizar” o que não é o problema.
Uma boa métrica de funil tem três características: é acionável (indica o que fazer), tem contexto (comparação com histórico/segmentos) e está ligada a custo e resultado (eficiência e retorno).
Como organizar as métricas: 3 camadas por etapa
Para cada etapa (atração, relacionamento, conversão), organize as métricas em três camadas. Isso facilita a leitura e evita conclusões precipitadas.
- Volume: quanto entrou/aconteceu (alcance, visitas, leads, oportunidades).
- Eficiência: taxas e custos (CTR, CPC, taxa de abertura, taxa de conversão, CPA).
- Valor: receita, ROAS, taxa de fechamento (quando aplicável) e qualidade do resultado.
Métricas de Atração: medir chegada e custo de trazer tráfego/lead
1) Alcance
O que é: número de pessoas únicas expostas ao conteúdo/anúncio.
Para que serve: entender escala e potencial de topo. Alcance alto com baixa eficiência pode indicar mensagem fraca; alcance baixo pode indicar orçamento pequeno, segmentação restrita ou baixa distribuição.
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2) CTR (Click Through Rate)
O que é: porcentagem de pessoas que clicaram após ver o anúncio/conteúdo.
CTR = (Cliques / Impressões) x 100Como usar: CTR é um termômetro de relevância do criativo e da promessa. Se o CTR cai, teste: ângulo da mensagem, imagem/vídeo, chamada, segmentação.
3) CPC e CPM
CPC (custo por clique): quanto custa cada clique.
CPC = Gasto / CliquesCPM (custo por mil impressões): quanto custa aparecer 1.000 vezes.
CPM = (Gasto / Impressões) x 1000Como usar: CPM sobe com concorrência e segmentação; CPC sobe quando CTR cai ou quando o leilão encarece. Em geral, CTR e CPC conversam: melhorar CTR tende a reduzir CPC (nem sempre, mas frequentemente).
4) Custo por visita
O que é: custo para gerar uma visita qualificada na página (sessão/visita).
Custo por visita = Gasto / VisitasComo usar: útil quando há diferença entre cliques e visitas (carregamento lento, bloqueios, cliques acidentais). Se cliques estão ok, mas visitas baixas, investigue: velocidade, rastreamento, redirecionamentos, página fora do ar.
5) Custo por lead (CPL)
O que é: custo para gerar um lead (cadastro).
CPL = Gasto / LeadsComo usar: CPL sozinho não define sucesso. Um CPL mais alto pode ser aceitável se o lead for mais qualificado e converter melhor depois. Por isso, conecte CPL com métricas de relacionamento e conversão.
Checklist rápido de diagnóstico (Atração)
- Alcance baixo: orçamento, segmentação restrita, baixa distribuição.
- CTR baixo: promessa/ângulo fraco, criativo pouco claro, público errado.
- CPC alto: CTR baixo, concorrência alta, segmentação/posicionamento.
- Custo por visita alto: problemas de página, discrepância clique vs visita.
- CPL alto: oferta de captura pouco atrativa, formulário longo, desalinhamento anúncio-página.
Métricas de Relacionamento: medir engajamento e avanço de intenção
Relacionamento é onde você confirma interesse, aumenta confiança e prepara a conversão. Aqui, “volume” importa, mas qualidade de atenção importa mais.
1) Taxa de abertura (email)
O que é: porcentagem de pessoas que abriram o email (quando mensurável).
Taxa de abertura = (Aberturas / Emails entregues) x 100Como usar: indica força do assunto, reputação e segmentação. Quedas podem vir de: assunto fraco, lista fria, excesso de envios, problemas de entregabilidade.
2) CTR de email
O que é: porcentagem de pessoas que clicaram em links do email.
CTR email = (Cliques / Emails entregues) x 100Como usar: mede alinhamento entre mensagem e ação. Se abre bem e clica pouco, ajuste: estrutura do email, clareza do CTA, oferta/benefício, excesso de links.
3) Tempo de permanência
O que é: quanto tempo, em média, o usuário fica na página/conteúdo.
Como usar: sinal de consumo real. Tempo baixo pode indicar promessa não cumprida, conteúdo confuso, página lenta ou público desalinhado.
4) Consumo de conteúdo
O que é: profundidade de consumo (ex.: % de vídeo assistido, scroll, páginas por sessão, downloads, cliques em “próximo”).
Como usar: ajuda a entender se o relacionamento está “andando”. Exemplo: muita visita e pouco consumo sugere que o conteúdo não está resolvendo a dor prometida ou está difícil de consumir.
5) Taxa de resposta
O que é: porcentagem de pessoas que respondem (email, direct, WhatsApp, formulário de diagnóstico).
Taxa de resposta = (Respostas / Mensagens entregues ou enviadas) x 100Como usar: métrica forte de intenção. Se a taxa de resposta sobe, geralmente a qualidade do lead melhora. Se cai, revise: pergunta feita, clareza do pedido, fricção do canal, tempo de resposta da equipe.
Checklist rápido de diagnóstico (Relacionamento)
- Abertura baixa: assunto, segmentação, frequência, entregabilidade.
- CTR de email baixo: CTA fraco, texto longo sem direção, oferta pouco clara.
- Tempo/consumo baixos: conteúdo desalinhado com promessa, UX ruim, público errado.
- Resposta baixa: pergunta pouco específica, canal inadequado, demora no atendimento.
Métricas de Conversão: medir decisão, custo de aquisição e retorno
1) Taxa de conversão da página
O que é: porcentagem de visitantes que realizam a ação final da página (comprar, solicitar proposta, agendar, etc.).
Taxa de conversão = (Conversões / Visitas) x 100Como usar: é a métrica central de eficiência do fundo. Se a taxa cai, investigue: tráfego menos qualificado, oferta, prova, fricção no checkout/formulário, preço/condições.
2) Custo por aquisição (CPA)
O que é: custo para gerar uma compra/cliente.
CPA = Gasto / AquisiçõesComo usar: compare CPA com margem e ticket. Se CPA sobe, pode ser: tráfego pior, conversão da página caiu, concorrência aumentou, ou a etapa de relacionamento não está aquecendo.
3) Receita
O que é: valor total gerado pelas conversões no período.
Como usar: receita sobe por volume (mais vendas) ou por valor (ticket maior). Sempre olhe junto com CPA e taxa de conversão para entender se o crescimento foi eficiente.
4) ROAS (quando aplicável)
O que é: retorno sobre gasto em anúncios (receita atribuída / gasto).
ROAS = Receita atribuída / GastoComo usar: ROAS é útil quando há atribuição razoável de receita ao investimento em mídia. Se você vende serviços com ciclo longo, ROAS pode ficar distorcido no curto prazo; nesse caso, use também métricas de pipeline (oportunidades, propostas) e taxa de fechamento.
5) Taxa de fechamento (serviços)
O que é: porcentagem de oportunidades que viram clientes.
Taxa de fechamento = (Clientes fechados / Oportunidades) x 100Como usar: separa problema de marketing (geração de oportunidades) de problema comercial (condução, proposta, follow-up). Se há muitas oportunidades e pouco fechamento, revise qualificação, oferta, processo de vendas e tempo de resposta.
Checklist rápido de diagnóstico (Conversão)
- Taxa de conversão baixa: oferta/página, fricção, tráfego desalinhado, prova insuficiente.
- CPA alto: conversão caiu, CPC subiu, relacionamento fraco, segmentação errada.
- Receita baixa com tráfego alto: conversão ou ticket baixo; verifique mix de ofertas.
- ROAS baixo: CPA alto, ticket baixo, atribuição incompleta, janela curta.
- Fechamento baixo (serviços): qualificação, proposta, follow-up, objeções não tratadas.
Passo a passo: como medir e montar um painel simples (planilha conceitual)
Passo 1 — Defina o período e a unidade de análise
- Período: diário (para volume), semanal (para tendência), mensal (para decisão).
- Unidade: por campanha, por canal, por público, por oferta, por etapa.
Passo 2 — Padronize eventos e nomes
Antes de comparar números, garanta que “visita”, “lead” e “aquisição” significam a mesma coisa em todos os relatórios. Padronize nomes de campanhas e use uma convenção simples.
Exemplo de padrão:
[ETAPA]_[CANAL]_[OFERTA]_[PUBLICO]_[MES-ANO]Passo 3 — Colete volume, eficiência e valor por etapa
Para cada etapa, registre: (1) volume, (2) taxa/custo, (3) valor. Isso evita olhar só para “taxas bonitas” sem escala, ou só para “volume” sem eficiência.
Passo 4 — Defina metas iniciais (baseline) e faixas
Metas iniciais não precisam ser “perfeitas”; elas precisam ser comparáveis. Comece com um baseline (média das últimas 2 a 4 semanas) e crie faixas de alerta.
- Meta inicial: valor-alvo realista para o próximo ciclo.
- Faixa verde: dentro de ±10% do baseline.
- Faixa amarela: variação de 10% a 25% (investigar).
- Faixa vermelha: acima de 25% (agir).
Passo 5 — Leia o painel em ordem (de cima para baixo)
Uma leitura prática: primeiro atração (chegou gente?), depois relacionamento (engajou?), depois conversão (comprou/fechou?). Assim você evita culpar a página de vendas quando o problema é tráfego frio, ou culpar anúncios quando o problema é follow-up.
Modelo de painel (planilha conceitual) com colunas por etapa e metas iniciais
Use a tabela abaixo como estrutura. Você pode duplicar por canal/campanha.
| Etapa | Métrica | Como calcular | Fonte (exemplo) | Baseline (2–4 sem.) | Meta inicial | Atual | Variação vs baseline | Diagnóstico provável | Próxima ação (teste) |
|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|
| Atração | Alcance | Valor do relatório | Relatório de mídia | — | +15% | — | — | Distribuição/segmentação | Ajustar público/orçamento |
| Atração | CTR | (Cliques/Impressões) x 100 | Relatório de mídia | — | Manter ou +10% | — | — | Criativo/mensagem | Testar 2 variações de criativo |
| Atração | CPC / CPM | Gasto/Cliques; (Gasto/Imp.)x1000 | Relatório de mídia | — | Reduzir 5–10% | — | — | Leilão/CTR/segmentação | Refinar segmentação e criativos |
| Atração | Custo por visita | Gasto/Visitas | Analytics + mídia | — | Manter | — | — | Queda de visitas reais | Checar velocidade e tags |
| Atração | CPL | Gasto/Leads | CRM/form + mídia | — | Manter | — | — | Oferta/formulário | Reduzir campos, reforçar benefício |
| Relacionamento | Taxa de abertura | (Aberturas/Entregues) x 100 | — | Manter | — | — | Assunto/entregabilidade | Testar assunto e segmentação | |
| Relacionamento | CTR de email | (Cliques/Entregues) x 100 | — | +10% | — | — | CTA/oferta | 1 CTA principal, link acima da dobra | |
| Relacionamento | Tempo de permanência | Valor do relatório | Analytics | — | +10% | — | — | Conteúdo/UX | Melhorar introdução e escaneabilidade |
| Relacionamento | Consumo de conteúdo | % vídeo / scroll / páginas por sessão | Analytics/Player | — | +10% | — | — | Formato e clareza | Inserir sumário, exemplos, cortes no vídeo |
| Relacionamento | Taxa de resposta | (Respostas/Entregues) x 100 | Email/CRM | — | Manter | — | — | Intenção e fricção | Pergunta específica + prazo + canal fácil |
| Conversão | Taxa de conversão da página | (Conversões/Visitas) x 100 | Analytics/Checkout | — | +10% | — | — | Oferta/página/tráfego | Testar headline, prova, checkout |
| Conversão | CPA | Gasto/Aquisições | Mídia + vendas | — | Reduzir 5–10% | — | — | Eficiência do fundo | Otimizar conversão e qualificação |
| Conversão | Receita | Soma das vendas | Pagamentos/ERP | — | +15% | — | — | Volume vs ticket | Rever mix de ofertas e upsell |
| Conversão | ROAS | Receita atribuída/Gasto | Mídia + pagamentos | — | Definir mínimo viável | — | — | Retorno da mídia | Rebalancear orçamento por campanha |
| Conversão | Taxa de fechamento (serviços) | (Clientes/Oportunidades) x 100 | CRM | — | +10% | — | — | Processo comercial | Melhorar qualificação e follow-up |
Como interpretar variações sem conclusões precipitadas
1) Separe “mudança real” de “ruído” (tamanho de amostra)
Variações grandes com poucos dados enganam. Exemplo: se você teve 2 vendas em um dia e 4 no outro, parece “dobrou”, mas pode ser só oscilação normal. Antes de agir, verifique se o volume é suficiente (mais dias, mais tráfego, mais envios).
2) Compare sempre com o mesmo recorte
Compare “segunda com segunda”, “semana com semana”, “campanha com campanha”. Misturar períodos com sazonalidade diferente distorce leitura.
3) Use a lógica de encadeamento (causa provável)
Uma queda em conversão pode ser consequência de atração ou relacionamento. Faça perguntas em cadeia:
- O tráfego mudou? (origem, público, dispositivo)
- O comportamento mudou? (tempo, consumo, respostas)
- A página mudou? (preço, prova, layout, velocidade)
4) Procure “métricas pares” para confirmar hipóteses
- CTR caiu + CPC subiu: provável problema de criativo/mensagem.
- Cliques ok + visitas caíram: provável problema técnico (página/tag/velocidade).
- Abertura ok + CTR email caiu: assunto bom, conteúdo/CTA fraco.
- Leads subiram + taxa de conversão caiu: qualidade do lead piorou (segmentação/oferta de captura).
- Taxa de conversão estável + CPA subiu: custo de tráfego aumentou (CPC/CPM).
5) Evite otimizar duas coisas ao mesmo tempo
Se você muda criativo, segmentação e página no mesmo dia, fica impossível saber o que funcionou. Regra prática: um teste principal por vez, com registro no painel (coluna “Próxima ação”).
6) Diferencie “queda de taxa” de “queda de volume”
Às vezes a taxa melhora, mas o volume cai (menos alcance, menos envios), e o resultado final piora. Por isso, acompanhe sempre volume e eficiência juntos.
Mini-rotina semanal de acompanhamento (prática)
Rotina de 30 minutos
- 10 min: preencher o painel com números da semana e variação vs baseline.
- 10 min: identificar 1 gargalo principal (a etapa com maior impacto no resultado final).
- 10 min: definir 1 teste e 1 ajuste operacional (ex.: melhorar tempo de resposta, revisar segmentação, simplificar formulário).
Exemplo de leitura rápida (cenário)
Sintoma: CPL caiu (bom), mas CPA subiu (ruim).
- Hipótese 1: leads mais baratos, porém menos qualificados.
- Checagens: taxa de resposta caiu? consumo de conteúdo caiu? taxa de conversão da página caiu?
- Ação: ajustar segmentação/qualificação na captura e reforçar etapa de relacionamento para filtrar intenção.