Métricas do Funil de Vendas: como medir atração, relacionamento e conversão por etapa

Capítulo 14

Tempo estimado de leitura: 11 minutos

+ Exercício

Por que medir o funil por etapa (e não “no geral”)

Quando você mede o funil inteiro como um único número (por exemplo, “vendas do mês”), fica difícil descobrir onde o resultado está travando: falta gente chegando, falta engajamento, ou falta conversão. Métricas por etapa transformam o funil em um sistema diagnosticável: você identifica gargalos, prioriza ajustes e evita “otimizar” o que não é o problema.

Uma boa métrica de funil tem três características: é acionável (indica o que fazer), tem contexto (comparação com histórico/segmentos) e está ligada a custo e resultado (eficiência e retorno).

Como organizar as métricas: 3 camadas por etapa

Para cada etapa (atração, relacionamento, conversão), organize as métricas em três camadas. Isso facilita a leitura e evita conclusões precipitadas.

  • Volume: quanto entrou/aconteceu (alcance, visitas, leads, oportunidades).
  • Eficiência: taxas e custos (CTR, CPC, taxa de abertura, taxa de conversão, CPA).
  • Valor: receita, ROAS, taxa de fechamento (quando aplicável) e qualidade do resultado.

Métricas de Atração: medir chegada e custo de trazer tráfego/lead

1) Alcance

O que é: número de pessoas únicas expostas ao conteúdo/anúncio.

Para que serve: entender escala e potencial de topo. Alcance alto com baixa eficiência pode indicar mensagem fraca; alcance baixo pode indicar orçamento pequeno, segmentação restrita ou baixa distribuição.

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2) CTR (Click Through Rate)

O que é: porcentagem de pessoas que clicaram após ver o anúncio/conteúdo.

CTR = (Cliques / Impressões) x 100

Como usar: CTR é um termômetro de relevância do criativo e da promessa. Se o CTR cai, teste: ângulo da mensagem, imagem/vídeo, chamada, segmentação.

3) CPC e CPM

CPC (custo por clique): quanto custa cada clique.

CPC = Gasto / Cliques

CPM (custo por mil impressões): quanto custa aparecer 1.000 vezes.

CPM = (Gasto / Impressões) x 1000

Como usar: CPM sobe com concorrência e segmentação; CPC sobe quando CTR cai ou quando o leilão encarece. Em geral, CTR e CPC conversam: melhorar CTR tende a reduzir CPC (nem sempre, mas frequentemente).

4) Custo por visita

O que é: custo para gerar uma visita qualificada na página (sessão/visita).

Custo por visita = Gasto / Visitas

Como usar: útil quando há diferença entre cliques e visitas (carregamento lento, bloqueios, cliques acidentais). Se cliques estão ok, mas visitas baixas, investigue: velocidade, rastreamento, redirecionamentos, página fora do ar.

5) Custo por lead (CPL)

O que é: custo para gerar um lead (cadastro).

CPL = Gasto / Leads

Como usar: CPL sozinho não define sucesso. Um CPL mais alto pode ser aceitável se o lead for mais qualificado e converter melhor depois. Por isso, conecte CPL com métricas de relacionamento e conversão.

Checklist rápido de diagnóstico (Atração)

  • Alcance baixo: orçamento, segmentação restrita, baixa distribuição.
  • CTR baixo: promessa/ângulo fraco, criativo pouco claro, público errado.
  • CPC alto: CTR baixo, concorrência alta, segmentação/posicionamento.
  • Custo por visita alto: problemas de página, discrepância clique vs visita.
  • CPL alto: oferta de captura pouco atrativa, formulário longo, desalinhamento anúncio-página.

Métricas de Relacionamento: medir engajamento e avanço de intenção

Relacionamento é onde você confirma interesse, aumenta confiança e prepara a conversão. Aqui, “volume” importa, mas qualidade de atenção importa mais.

1) Taxa de abertura (email)

O que é: porcentagem de pessoas que abriram o email (quando mensurável).

Taxa de abertura = (Aberturas / Emails entregues) x 100

Como usar: indica força do assunto, reputação e segmentação. Quedas podem vir de: assunto fraco, lista fria, excesso de envios, problemas de entregabilidade.

2) CTR de email

O que é: porcentagem de pessoas que clicaram em links do email.

CTR email = (Cliques / Emails entregues) x 100

Como usar: mede alinhamento entre mensagem e ação. Se abre bem e clica pouco, ajuste: estrutura do email, clareza do CTA, oferta/benefício, excesso de links.

3) Tempo de permanência

O que é: quanto tempo, em média, o usuário fica na página/conteúdo.

Como usar: sinal de consumo real. Tempo baixo pode indicar promessa não cumprida, conteúdo confuso, página lenta ou público desalinhado.

4) Consumo de conteúdo

O que é: profundidade de consumo (ex.: % de vídeo assistido, scroll, páginas por sessão, downloads, cliques em “próximo”).

Como usar: ajuda a entender se o relacionamento está “andando”. Exemplo: muita visita e pouco consumo sugere que o conteúdo não está resolvendo a dor prometida ou está difícil de consumir.

5) Taxa de resposta

O que é: porcentagem de pessoas que respondem (email, direct, WhatsApp, formulário de diagnóstico).

Taxa de resposta = (Respostas / Mensagens entregues ou enviadas) x 100

Como usar: métrica forte de intenção. Se a taxa de resposta sobe, geralmente a qualidade do lead melhora. Se cai, revise: pergunta feita, clareza do pedido, fricção do canal, tempo de resposta da equipe.

Checklist rápido de diagnóstico (Relacionamento)

  • Abertura baixa: assunto, segmentação, frequência, entregabilidade.
  • CTR de email baixo: CTA fraco, texto longo sem direção, oferta pouco clara.
  • Tempo/consumo baixos: conteúdo desalinhado com promessa, UX ruim, público errado.
  • Resposta baixa: pergunta pouco específica, canal inadequado, demora no atendimento.

Métricas de Conversão: medir decisão, custo de aquisição e retorno

1) Taxa de conversão da página

O que é: porcentagem de visitantes que realizam a ação final da página (comprar, solicitar proposta, agendar, etc.).

Taxa de conversão = (Conversões / Visitas) x 100

Como usar: é a métrica central de eficiência do fundo. Se a taxa cai, investigue: tráfego menos qualificado, oferta, prova, fricção no checkout/formulário, preço/condições.

2) Custo por aquisição (CPA)

O que é: custo para gerar uma compra/cliente.

CPA = Gasto / Aquisições

Como usar: compare CPA com margem e ticket. Se CPA sobe, pode ser: tráfego pior, conversão da página caiu, concorrência aumentou, ou a etapa de relacionamento não está aquecendo.

3) Receita

O que é: valor total gerado pelas conversões no período.

Como usar: receita sobe por volume (mais vendas) ou por valor (ticket maior). Sempre olhe junto com CPA e taxa de conversão para entender se o crescimento foi eficiente.

4) ROAS (quando aplicável)

O que é: retorno sobre gasto em anúncios (receita atribuída / gasto).

ROAS = Receita atribuída / Gasto

Como usar: ROAS é útil quando há atribuição razoável de receita ao investimento em mídia. Se você vende serviços com ciclo longo, ROAS pode ficar distorcido no curto prazo; nesse caso, use também métricas de pipeline (oportunidades, propostas) e taxa de fechamento.

5) Taxa de fechamento (serviços)

O que é: porcentagem de oportunidades que viram clientes.

Taxa de fechamento = (Clientes fechados / Oportunidades) x 100

Como usar: separa problema de marketing (geração de oportunidades) de problema comercial (condução, proposta, follow-up). Se há muitas oportunidades e pouco fechamento, revise qualificação, oferta, processo de vendas e tempo de resposta.

Checklist rápido de diagnóstico (Conversão)

  • Taxa de conversão baixa: oferta/página, fricção, tráfego desalinhado, prova insuficiente.
  • CPA alto: conversão caiu, CPC subiu, relacionamento fraco, segmentação errada.
  • Receita baixa com tráfego alto: conversão ou ticket baixo; verifique mix de ofertas.
  • ROAS baixo: CPA alto, ticket baixo, atribuição incompleta, janela curta.
  • Fechamento baixo (serviços): qualificação, proposta, follow-up, objeções não tratadas.

Passo a passo: como medir e montar um painel simples (planilha conceitual)

Passo 1 — Defina o período e a unidade de análise

  • Período: diário (para volume), semanal (para tendência), mensal (para decisão).
  • Unidade: por campanha, por canal, por público, por oferta, por etapa.

Passo 2 — Padronize eventos e nomes

Antes de comparar números, garanta que “visita”, “lead” e “aquisição” significam a mesma coisa em todos os relatórios. Padronize nomes de campanhas e use uma convenção simples.

Exemplo de padrão:

[ETAPA]_[CANAL]_[OFERTA]_[PUBLICO]_[MES-ANO]

Passo 3 — Colete volume, eficiência e valor por etapa

Para cada etapa, registre: (1) volume, (2) taxa/custo, (3) valor. Isso evita olhar só para “taxas bonitas” sem escala, ou só para “volume” sem eficiência.

Passo 4 — Defina metas iniciais (baseline) e faixas

Metas iniciais não precisam ser “perfeitas”; elas precisam ser comparáveis. Comece com um baseline (média das últimas 2 a 4 semanas) e crie faixas de alerta.

  • Meta inicial: valor-alvo realista para o próximo ciclo.
  • Faixa verde: dentro de ±10% do baseline.
  • Faixa amarela: variação de 10% a 25% (investigar).
  • Faixa vermelha: acima de 25% (agir).

Passo 5 — Leia o painel em ordem (de cima para baixo)

Uma leitura prática: primeiro atração (chegou gente?), depois relacionamento (engajou?), depois conversão (comprou/fechou?). Assim você evita culpar a página de vendas quando o problema é tráfego frio, ou culpar anúncios quando o problema é follow-up.

Modelo de painel (planilha conceitual) com colunas por etapa e metas iniciais

Use a tabela abaixo como estrutura. Você pode duplicar por canal/campanha.

EtapaMétricaComo calcularFonte (exemplo)Baseline (2–4 sem.)Meta inicialAtualVariação vs baselineDiagnóstico provávelPróxima ação (teste)
AtraçãoAlcanceValor do relatórioRelatório de mídia+15%Distribuição/segmentaçãoAjustar público/orçamento
AtraçãoCTR(Cliques/Impressões) x 100Relatório de mídiaManter ou +10%Criativo/mensagemTestar 2 variações de criativo
AtraçãoCPC / CPMGasto/Cliques; (Gasto/Imp.)x1000Relatório de mídiaReduzir 5–10%Leilão/CTR/segmentaçãoRefinar segmentação e criativos
AtraçãoCusto por visitaGasto/VisitasAnalytics + mídiaManterQueda de visitas reaisChecar velocidade e tags
AtraçãoCPLGasto/LeadsCRM/form + mídiaManterOferta/formulárioReduzir campos, reforçar benefício
RelacionamentoTaxa de abertura(Aberturas/Entregues) x 100EmailManterAssunto/entregabilidadeTestar assunto e segmentação
RelacionamentoCTR de email(Cliques/Entregues) x 100Email+10%CTA/oferta1 CTA principal, link acima da dobra
RelacionamentoTempo de permanênciaValor do relatórioAnalytics+10%Conteúdo/UXMelhorar introdução e escaneabilidade
RelacionamentoConsumo de conteúdo% vídeo / scroll / páginas por sessãoAnalytics/Player+10%Formato e clarezaInserir sumário, exemplos, cortes no vídeo
RelacionamentoTaxa de resposta(Respostas/Entregues) x 100Email/CRMManterIntenção e fricçãoPergunta específica + prazo + canal fácil
ConversãoTaxa de conversão da página(Conversões/Visitas) x 100Analytics/Checkout+10%Oferta/página/tráfegoTestar headline, prova, checkout
ConversãoCPAGasto/AquisiçõesMídia + vendasReduzir 5–10%Eficiência do fundoOtimizar conversão e qualificação
ConversãoReceitaSoma das vendasPagamentos/ERP+15%Volume vs ticketRever mix de ofertas e upsell
ConversãoROASReceita atribuída/GastoMídia + pagamentosDefinir mínimo viávelRetorno da mídiaRebalancear orçamento por campanha
ConversãoTaxa de fechamento (serviços)(Clientes/Oportunidades) x 100CRM+10%Processo comercialMelhorar qualificação e follow-up

Como interpretar variações sem conclusões precipitadas

1) Separe “mudança real” de “ruído” (tamanho de amostra)

Variações grandes com poucos dados enganam. Exemplo: se você teve 2 vendas em um dia e 4 no outro, parece “dobrou”, mas pode ser só oscilação normal. Antes de agir, verifique se o volume é suficiente (mais dias, mais tráfego, mais envios).

2) Compare sempre com o mesmo recorte

Compare “segunda com segunda”, “semana com semana”, “campanha com campanha”. Misturar períodos com sazonalidade diferente distorce leitura.

3) Use a lógica de encadeamento (causa provável)

Uma queda em conversão pode ser consequência de atração ou relacionamento. Faça perguntas em cadeia:

  • O tráfego mudou? (origem, público, dispositivo)
  • O comportamento mudou? (tempo, consumo, respostas)
  • A página mudou? (preço, prova, layout, velocidade)

4) Procure “métricas pares” para confirmar hipóteses

  • CTR caiu + CPC subiu: provável problema de criativo/mensagem.
  • Cliques ok + visitas caíram: provável problema técnico (página/tag/velocidade).
  • Abertura ok + CTR email caiu: assunto bom, conteúdo/CTA fraco.
  • Leads subiram + taxa de conversão caiu: qualidade do lead piorou (segmentação/oferta de captura).
  • Taxa de conversão estável + CPA subiu: custo de tráfego aumentou (CPC/CPM).

5) Evite otimizar duas coisas ao mesmo tempo

Se você muda criativo, segmentação e página no mesmo dia, fica impossível saber o que funcionou. Regra prática: um teste principal por vez, com registro no painel (coluna “Próxima ação”).

6) Diferencie “queda de taxa” de “queda de volume”

Às vezes a taxa melhora, mas o volume cai (menos alcance, menos envios), e o resultado final piora. Por isso, acompanhe sempre volume e eficiência juntos.

Mini-rotina semanal de acompanhamento (prática)

Rotina de 30 minutos

  • 10 min: preencher o painel com números da semana e variação vs baseline.
  • 10 min: identificar 1 gargalo principal (a etapa com maior impacto no resultado final).
  • 10 min: definir 1 teste e 1 ajuste operacional (ex.: melhorar tempo de resposta, revisar segmentação, simplificar formulário).

Exemplo de leitura rápida (cenário)

Sintoma: CPL caiu (bom), mas CPA subiu (ruim).

  • Hipótese 1: leads mais baratos, porém menos qualificados.
  • Checagens: taxa de resposta caiu? consumo de conteúdo caiu? taxa de conversão da página caiu?
  • Ação: ajustar segmentação/qualificação na captura e reforçar etapa de relacionamento para filtrar intenção.

Agora responda o exercício sobre o conteúdo:

Ao perceber que o CPA aumentou, mas a taxa de conversão da página permaneceu estável, qual é a causa mais provável segundo a lógica de “métricas pares”?

Você acertou! Parabéns, agora siga para a próxima página

Você errou! Tente novamente.

Se a taxa de conversão está estável e o CPA sobe, a hipótese mais provável é aumento no custo de tráfego (CPC/CPM), já que a eficiência da página não piorou.

Próximo capitúlo

Otimização do Funil de Vendas: identificar gargalos e testar melhorias com segurança

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