O que significa ter uma meta financeira de quitar dívidas
Uma meta de quitar dívidas é um objetivo com foco em eliminar obrigações financeiras existentes por meio de um plano de pagamento que define: quais dívidas serão atacadas primeiro, quanto será pago por mês, em que datas, e quais ações serão tomadas para reduzir juros e risco (como renegociação). Diferente de “pagar o que der”, aqui você transforma dívidas em um projeto com ordem, estratégia e cronograma.
O ponto central é simples: você precisa pagar todas as dívidas, mas não precisa pagar todas do mesmo jeito. A priorização correta reduz o custo total (juros), diminui o risco de consequências graves (perda de bem, corte de serviço, ação judicial) e libera fluxo de caixa mais rápido.
Passo 1 — Inventário completo das dívidas (lista que vira plano)
Antes de escolher estratégia, monte uma lista única com todas as dívidas. Evite “de cabeça”. Use fatura, contrato, app do banco e extratos.
Checklist do que registrar para cada dívida
- Credor (banco, financeira, loja, pessoa, condomínio etc.).
- Tipo (cartão rotativo, parcelamento do cartão, empréstimo pessoal, consignado, cheque especial, financiamento, carnê, contas em atraso).
- Saldo atual (quanto falta pagar hoje).
- Taxa de juros (ao mês e/ou ao ano). Se não souber, anote “desconhecida” e busque no contrato/fatura.
- Parcela mínima e data de vencimento.
- Prazo restante (quantas parcelas faltam).
- Garantia (há bem em garantia? imóvel/veículo? desconto em folha?).
- Consequências do atraso (multa, juros, negativação, corte de serviço, busca e apreensão, execução judicial).
- Possibilidade de desconto (dívida em atraso costuma ter margem de negociação maior; financiamento com garantia costuma ter menos).
Modelo de tabela (copie e preencha)
| Dívida | Saldo | Juros (a.m.) | Parcela mín. | Venc. | Prazo | Garantia | Risco do atraso |
|---|---|---|---|---|---|---|---|
| Cartão X (rotativo) | R$ 3.200 | 12% | R$ 320 | Dia 10 | — | Não | Negativação rápida |
| Empréstimo pessoal | R$ 8.000 | 3,5% | R$ 520 | Dia 20 | 18x | Não | Negativação |
| Financiamento veículo | R$ 24.000 | 1,6% | R$ 980 | Dia 05 | 30x | Sim (veículo) | Busca e apreensão |
Passo 2 — Defina o “orçamento de ataque” (quanto sobra para acelerar)
Para quitar dívidas com método, separe mentalmente os pagamentos em duas partes:
- Pagamentos mínimos obrigatórios: o que você precisa pagar para não entrar em atraso (ou para manter o contrato em dia).
- Valor extra de ataque: o dinheiro adicional que você direciona para acelerar a quitação de uma dívida por vez.
Seu plano depende do valor extra de ataque. Mesmo que seja pequeno, ele cria progresso mensurável.
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Regra prática de montagem
- Pague mínimo de todas as dívidas em dia.
- Escolha uma dívida-alvo para receber todo o valor extra de ataque.
- Quando a dívida-alvo acabar, redirecione o valor liberado (parcela + extra) para a próxima dívida (efeito “bola de neve” no fluxo de caixa, independentemente da estratégia).
Passo 3 — Critérios de priorização: custo, risco e fluxo de caixa
Existem três critérios principais para decidir a ordem. Você pode usar um só ou combinar.
1) Custo efetivo (juros e encargos)
Priorize a dívida com maior custo (juros mais altos e que crescem rápido). Em geral, cartão rotativo e cheque especial ficam no topo. Mesmo sem saber a taxa exata, você pode identificar pelo tipo: rotativo/cheque especial quase sempre são os mais caros.
2) Risco (consequências do atraso)
Algumas dívidas têm consequências mais graves do que “pagar mais juros”. Exemplos: financiamento com garantia (risco de perder o bem), contas essenciais (risco de corte), condomínio (pode gerar ação), tributos (multas e restrições). Se o risco for alto, pode valer priorizar mesmo com juros menores.
3) Impacto no fluxo de caixa (liberar parcela)
Quitar uma dívida que consome uma parcela grande pode liberar caixa e reduzir estresse. Esse critério é útil quando seu orçamento está apertado e você precisa “respirar” rápido.
Método simples de pontuação (para decidir sem travar)
Dê notas de 1 a 5 para cada dívida em três colunas: Custo, Risco, Fluxo de caixa. Some e ordene do maior para o menor.
| Dívida | Custo (1-5) | Risco (1-5) | Fluxo (1-5) | Total |
|---|---|---|---|---|
| Cartão rotativo | 5 | 4 | 3 | 12 |
| Financiamento veículo | 2 | 5 | 5 | 12 |
| Empréstimo pessoal | 3 | 3 | 3 | 9 |
Empate é comum. Em empate, desempate por: (1) maior risco, depois (2) maior custo.
Passo 4 — Estratégias de pagamento: avalanche e bola de neve
Estratégia 1: Avalanche (maior juros primeiro)
Você paga o mínimo de todas e direciona o valor extra para a dívida com maior taxa de juros. Quando quitar, passa para a próxima maior taxa.
- Vantagem: tende a minimizar o custo total de juros.
- Desafio: pode demorar mais para ver dívidas “sumirem” se as mais caras forem grandes.
Estratégia 2: Bola de neve (menor saldo primeiro)
Você paga o mínimo de todas e direciona o valor extra para a dívida com menor saldo. Ao quitar, passa para a próxima menor.
- Vantagem: gera vitórias rápidas e motivação (reduz o número de boletos).
- Desafio: pode custar mais juros se dívidas caras ficarem para depois.
Como escolher entre as duas (critério prático)
- Se você tem disciplina e quer reduzir juros ao máximo: avalanche.
- Se você está desmotivado, ansioso, ou precisa de progresso visível rápido: bola de neve.
- Se existe dívida com risco alto (garantia/corte/ação): trate como prioridade de risco antes da estratégia.
Simulações: como montar o cronograma na prática
As simulações abaixo mostram como o mesmo “valor extra de ataque” muda o tempo e o custo. Os números são aproximados e servem para você entender a lógica.
Cenário base (exemplo)
- Você consegue pagar mínimos e tem R$ 600/mês de valor extra de ataque.
- Dívidas:
| Dívida | Saldo | Juros a.m. | Parcela mínima |
|---|---|---|---|
| A) Cartão rotativo | R$ 3.200 | 12% | R$ 320 |
| B) Empréstimo pessoal | R$ 8.000 | 3,5% | R$ 520 |
| C) Loja/carnê | R$ 1.200 | 4% | R$ 120 |
Regra do plano: pagar mínimos (320 + 520 + 120) e direcionar os R$ 600 extras para a dívida-alvo.
Simulação 1 — Avalanche (juros maior primeiro)
Ordem: A (12%) → C (4%) → B (3,5%).
- Fase 1: Dívida A recebe R$ 600 extra + mínimo (na prática, você paga acima do mínimo; o importante é que o extra vai para A). A tende a cair rápido porque o pagamento total fica alto.
- Fase 2: Ao quitar A, o valor que você pagava nela (mínimo + extra) é redirecionado para C.
- Fase 3: Depois C, tudo vai para B.
Resultado típico: menos juros totais, e o cronograma fica mais eficiente financeiramente.
Simulação 2 — Bola de neve (menor saldo primeiro)
Ordem: C (R$ 1.200) → A (R$ 3.200) → B (R$ 8.000).
- Fase 1: Dívida C some rápido, reduzindo o número de contas e liberando o mínimo de R$ 120 para somar ao ataque.
- Fase 2: O ataque aumenta (R$ 600 + R$ 120) e vai para A.
- Fase 3: Depois A, o ataque cresce novamente e vai para B.
Resultado típico: mais motivação e sensação de progresso, com possível custo extra de juros se a dívida mais cara não for atacada logo.
Como transformar a simulação em cronograma mensal (modelo)
Crie um cronograma com “fases” e datas fixas de pagamento. Exemplo de estrutura:
| Mês | Dívida-alvo | Pagamento mínimo (todas) | Extra de ataque | Observação |
|---|---|---|---|---|
| Mês 1 | A | R$ 960 | R$ 600 | Revisar juros/encargos na fatura |
| Mês 2 | A | R$ 960 | R$ 600 | Se entrar dinheiro extra, reforçar ataque |
| Mês 3 | C | R$ 840 | R$ 920 | Após quitar A, redirecionar valor |
Note que o “mínimo (todas)” muda quando uma dívida é quitada. Isso é o que acelera o plano ao longo do tempo.
Passo 5 — Negociação: reduzir taxa, alongar prazo (com cuidado) e obter desconto
Negociar pode reduzir drasticamente o custo e encurtar o cronograma. O objetivo é um acordo que você consiga cumprir sem voltar ao atraso.
Antes de negociar: prepare três números
- Valor à vista possível (mesmo que pequeno).
- Parcela máxima sustentável (o teto que cabe no seu mês).
- Prazo máximo aceitável (para não “eternizar” a dívida).
O que pedir (em ordem de impacto)
- Redução de juros (principalmente em cartão/cheque especial/parcelamentos caros).
- Desconto no saldo (mais comum em dívidas já em atraso/negativadas).
- Troca por linha mais barata (ex.: substituir rotativo por parcelamento com juros menores, ou consolidar em um empréstimo mais barato).
- Isenção de multa/encargos mediante pagamento imediato ou entrada.
Cuidados para não piorar
- Alongar prazo reduz parcela, mas pode aumentar juros totais. Use alongamento como ferramenta de “estabilização” quando necessário, e depois antecipe.
- Evite “soluções” que criem nova dívida sem reduzir custo (trocar por outra com juros iguais/maiores).
- Peça para ver o CET (Custo Efetivo Total) quando for trocar/contratar algo novo.
Roteiro curto de negociação (exemplo)
“Quero regularizar essa dívida. Consigo pagar R$ X de entrada hoje e manter parcelas de até R$ Y. Para fechar, preciso de redução de juros/encargos e o valor final total do acordo por escrito. Qual a melhor condição que você consegue?”Se a primeira proposta vier alta, repita o teto de parcela e peça alternativa: “Com esse valor eu não consigo manter. Qual condição cabe em R$ Y?”
Passo 6 — Organização dos pagamentos: evitar atraso e reduzir fricção
1) Calendário único de vencimentos
Coloque todos os vencimentos em um calendário (digital ou papel). Se possível, alinhe datas para poucos dias do mês (quando o credor permite). Menos datas = menos chance de esquecer.
2) Pagamentos automáticos (com regras de segurança)
- Ative débito automático para dívidas que você sempre consegue cobrir (ou configure lembretes + pagamento agendado).
- Mantenha uma margem na conta para evitar devolução por saldo insuficiente.
- Para cartão, prefira pagar valor fixo planejado (acima do mínimo) em vez de deixar “o sistema decidir”.
3) “Dia do dinheiro” e “dia da dívida”
Crie dois momentos no mês:
- Dia do dinheiro: quando entra renda, você separa imediatamente mínimos + extra de ataque.
- Dia da dívida: dia de executar pagamentos e registrar o saldo atualizado.
Passo 7 — Marcos de motivação mensuráveis (sem depender de força de vontade)
Quitar dívidas pode levar meses. Marcos bem definidos evitam desistência e ajudam a manter o ritmo.
Marcos recomendados (escolha 3 a 5)
- Marco 1: “Zero atrasos por 30 dias” (foco em estabilizar).
- Marco 2: “Primeira dívida quitada” (independente do valor).
- Marco 3: “Reduzir o total de parcelas mensais em R$ X” (fluxo de caixa).
- Marco 4: “Cair abaixo de R$ Y de saldo total” (linha no gráfico).
- Marco 5: “Quitar dívidas de juros altos” (ex.: cartão/cheque especial zerados).
Como acompanhar sem complicar
- Tenha um número principal: saldo total das dívidas (soma de todos os saldos).
- Tenha um número de execução: valor extra de ataque do mês (planejado vs. realizado).
- Tenha um número de risco: quantidade de contas em atraso (meta: zero).
Plano pronto em 10 passos (resumo operacional)
- Liste todas as dívidas em uma tabela (saldo, juros, vencimento, garantia, risco).
- Confirme taxas/encargos nos documentos (marque “desconhecida” e busque).
- Some os mínimos para saber o “custo de manter tudo em dia”.
- Defina o valor extra de ataque mensal (mesmo que pequeno).
- Classifique cada dívida por custo, risco e impacto no fluxo de caixa.
- Escolha a ordem: avalanche, bola de neve ou prioridade por risco.
- Monte o cronograma por fases (uma dívida-alvo por vez).
- Negocie onde houver juros altos ou chance de desconto (com teto de parcela).
- Automatize pagamentos e centralize vencimentos.
- Defina marcos mensuráveis e registre saldos mensalmente.