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Marketing Digital para Hotéis e Pousadas

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Atribuição e entendimento de fontes de tráfego

Capítulo 63

Tempo estimado de leitura: 0 minutos

+ Exercício

O que é atribuição e por que ela muda suas decisões de marketing

Atribuição é o processo de identificar quais fontes de tráfego e quais interações (cliques, visitas, anúncios, e-mails, mensagens) contribuíram para uma conversão, como uma reserva, um pedido de orçamento, um clique no WhatsApp ou uma ligação. Em hotelaria e pousadas, atribuição não é apenas “de onde veio a reserva”, mas “qual caminho levou até a reserva”. Isso importa porque o hóspede raramente decide na primeira visita: ele pesquisa no celular, compara no desktop, volta dias depois por um anúncio, pergunta no WhatsApp e só então reserva. Sem atribuição, você tende a supervalorizar o último clique e subestimar canais que iniciam ou sustentam a decisão.

Na prática, atribuição serve para responder perguntas como: quais campanhas realmente trazem hóspedes com maior valor? quais canais geram demanda nova e quais apenas capturam quem já estava decidido? onde o orçamento deve crescer e onde deve ser reduzido? quais mensagens e ofertas aceleram a decisão? Ao entender as fontes, você melhora o mix de investimento e reduz dependência de um único canal.

Fontes de tráfego: como “origem” e “mídia” se traduzem no dia a dia

Para interpretar relatórios, é útil separar “origem” (source) e “mídia” (medium). Origem é quem enviou o tráfego (por exemplo, google, instagram, newsletter, parceiro-local). Mídia é o tipo de tráfego (por exemplo, organic, cpc, referral, email, social). A combinação origem/mídia cria uma etiqueta de leitura: google/organic (busca orgânica), google/cpc (anúncio), instagram/social (rede social), parceiro/referral (site parceiro), newsletter/email (e-mail).

Em hospedagem, as fontes mais comuns aparecem assim: busca orgânica (pessoas pesquisando por “pousada em…”), anúncios de busca (quem já tem intenção e clica em anúncio), social (descoberta e inspiração), referral (parcerias e guias locais), e-mail (retorno e reativação), direct (acesso direto) e campanhas com UTM (qualquer canal que você etiquetar corretamente). O ponto central é: sem padronização de nomes e UTMs, relatórios ficam confusos e decisões ficam frágeis.

O que cada canal costuma “fazer” no funil de decisão do hóspede

Nem todo canal tem o mesmo papel. Em geral, busca (orgânica e paga) captura alta intenção: pessoas que já querem reservar ou estão perto disso. Social tende a gerar descoberta e consideração: o hóspede vê fotos, salva, manda para alguém e volta depois. E-mail costuma atuar como retorno: quem já teve contato, pediu orçamento, abandonou o motor de reservas ou já se hospedou. Referrals (parcerias) podem gerar tráfego qualificado se o contexto for coerente (um guia de trilhas apontando para uma pousada de ecoturismo, por exemplo). Direct muitas vezes é “tráfego sem etiqueta”: pessoas que voltam digitando o endereço, clicam em favoritos, ou chegam por apps que não passam referência corretamente.

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Entender esse papel evita erros comuns, como pausar social porque “não dá reserva no último clique”, quando na verdade ele alimenta o topo do funil e aumenta a demanda que depois converte em busca de marca ou acesso direto.

Modelos de atribuição: do último clique ao caminho completo

Um modelo de atribuição define como o crédito da conversão é distribuído entre os pontos de contato. Os modelos mais usados são: último clique (100% do crédito para o último canal antes da conversão), primeiro clique (100% para o canal que iniciou), linear (divide igualmente), decaimento no tempo (dá mais peso aos contatos mais próximos da conversão) e baseado em posição (mais peso para primeiro e último, e o restante dividido no meio). Em hotelaria, o último clique costuma favorecer busca de marca e tráfego direto, porque o hóspede volta quando já decidiu. Já o primeiro clique costuma favorecer social e conteúdo, que iniciam a jornada.

Um jeito prático de usar modelos sem complicar: mantenha o último clique para decisões operacionais rápidas (por exemplo, qual campanha está fechando reservas hoje) e use uma visão de caminho (assistências) para decisões estratégicas (por exemplo, quais canais estão criando demanda e reduzindo dependência de intermediários). O objetivo não é achar “o modelo perfeito”, mas reduzir cegueira de análise.

Atribuição em cenários reais de hotéis e pousadas (exemplos práticos)

Exemplo 1: um casal vê um Reels sobre “fim de semana romântico”, salva o post e, dias depois, pesquisa no Google pelo nome do hotel e reserva. No último clique, a reserva aparece como google/organic ou google/cpc (se você anuncia a marca). No caminho completo, social foi o gatilho. Se você cortar social, a busca de marca pode cair nas semanas seguintes.

Exemplo 2: uma família clica em um anúncio de busca genérica “hotel com piscina aquecida”, visita o site, não reserva, e volta por acesso direto no desktop para finalizar. No último clique, vira direct. Se você olhar só direct, parece que “o site sozinho vende”, mas na verdade o anúncio abriu a porta.

Exemplo 3: um parceiro local (empresa de passeios) indica sua pousada em uma página de “onde ficar”. O hóspede clica, entra, e depois retorna por e-mail de orçamento para fechar. Se o referral não estiver bem identificado, você perde a chance de medir o valor da parceria e de negociar mais indicações.

Por que “Direct” não é um canal e como reduzir esse balde de tráfego

Direct significa “sem referência identificável”. Pode ser alguém digitando o endereço, mas também pode ser: clique em link de aplicativo, link sem UTM, QR code sem parâmetro, PDF, link em bio mal configurado, ou até redirecionamentos que perdem informação. Quanto mais “direct” você tem, mais difícil é atribuir corretamente e otimizar investimentos.

Para reduzir direct, a regra é simples: todo link que você controla deve ter identificação consistente. Isso inclui: link da bio, links em stories, links em e-mails, links em WhatsApp (quando possível), QR codes impressos, links em assinaturas, links em parcerias e links em anúncios. A cada ponto onde você não etiqueta, você cria um buraco de atribuição.

Padronização de UTMs para hotelaria: um esquema simples que funciona

UTM é um conjunto de parâmetros adicionados ao final de uma URL para identificar campanha. O valor está menos em “ter UTM” e mais em “ter padrão”. Um padrão simples para hotéis e pousadas: source (origem), medium (mídia), campaign (campanha), content (criativo/variação) e term (termo, quando aplicável). O importante é manter nomes consistentes, em minúsculas, sem acentos, sem espaços (use hífen).

Exemplo de padrão recomendado

  • utm_source: instagram, facebook, google, newsletter, parceiro-x, whatsapp
  • utm_medium: social, cpc, email, referral, qr, message
  • utm_campaign: feriado-carnaval-2026, baixa-temporada-mar, pacote-romantico, eventos-cidade
  • utm_content: reels-quarto-master, carrossel-piscina, banner-1, link-bio

Exemplo de URL: https://seudominio.com/pacote-romantico?utm_source=instagram&utm_medium=social&utm_campaign=pacote-romantico&utm_content=reels-quarto-master

Com isso, você consegue comparar criativos, formatos e parcerias com clareza, sem depender de “achismos” ou de memória da equipe.

Passo a passo: criando um “mapa de fontes” para não se perder nos relatórios

Um mapa de fontes é uma tabela interna que define como sua operação vai nomear e interpretar cada origem/mídia. Ele evita que “Instagram” apareça como instagram, Insta, ig, linkbio, social-instagram, tudo misturado. Também evita que campanhas sazonais virem uma bagunça de nomes.

Passo 1: liste todos os pontos onde você divulga links

Inclua redes sociais, anúncios, e-mail, parceiros, QR codes, assinatura de e-mail, WhatsApp, materiais impressos, guias do destino e qualquer outro lugar que leve ao site ou motor de reservas.

Passo 2: defina um dicionário de nomes

Escolha uma lista fixa de utm_source e utm_medium. Exemplo: instagram, facebook, tiktok, google, bing, newsletter, parceiro-x, qr, whatsapp. Para medium: social, cpc, email, referral, qr, message. Evite inventar variações.

Passo 3: defina regras para utm_campaign

Use um padrão com objetivo + contexto + período. Exemplo: feriado-pascoa-2026, baixa-temporada-abril-2026, evento-festival-inverno-2026. Assim você consegue filtrar por temporada e comparar ano contra ano.

Passo 4: defina regras para utm_content

Use para identificar criativo, formato e posicionamento: reels-roteiro-3dias, story-link-1, link-bio, banner-home, parceiro-pagina-onde-ficar. Isso facilita descobrir o que realmente gera cliques qualificados.

Passo 5: centralize em uma planilha e treine a equipe

Crie uma planilha com colunas: canal, link de destino, utm_source, utm_medium, utm_campaign, utm_content, responsável, data. A equipe deve copiar e colar links prontos, não “inventar” UTMs na hora.

Entendendo “qualidade do tráfego” além da reserva

Mesmo quando a reserva é o objetivo final, analisar apenas conversões pode esconder problemas. Uma fonte pode gerar muitas reservas, mas com cancelamento alto ou com baixa diária média. Outra pode gerar menos reservas, mas com maior valor e menor custo de atendimento. Por isso, avalie qualidade do tráfego com indicadores intermediários: tempo no site, páginas por sessão, cliques em “ver disponibilidade”, início de reserva, envio de formulário, clique no WhatsApp, ligações, e taxa de retorno.

Exemplo prático: se instagram/social gera muito clique no WhatsApp, mas poucas reservas diretas, pode ser sinal de que o público precisa de mais clareza de preço, políticas e benefícios antes de chamar. Nesse caso, o problema não é a fonte, e sim a etapa seguinte do caminho.

Como interpretar relatórios de fontes sem cair em armadilhas comuns

Armadilha 1: comparar canais com janelas de tempo diferentes. Campanhas de feriado têm comportamento distinto de baixa temporada. Sempre compare períodos equivalentes e considere antecedência de reserva.

Armadilha 2: olhar só volume e ignorar eficiência. Um canal pode trazer muito tráfego, mas com baixa intenção. Outro traz menos visitas, mas mais inícios de reserva. Use taxas (por exemplo, inícios de reserva por sessão) para comparar.

Armadilha 3: misturar tráfego de conteúdo e tráfego de oferta. Páginas de blog e páginas de pacotes têm objetivos diferentes. Ao analisar fontes, segmente por landing page: tráfego que cai em páginas de oferta deve ter comportamento mais próximo de conversão; tráfego que cai em conteúdo pode precisar de mais nutrição.

Armadilha 4: atribuir mérito ao canal “mais perto do fim” e punir o canal “que começa a conversa”. Use relatórios de caminhos (quando disponíveis) e, na falta deles, observe correlações: quando você aumenta investimento em topo, a busca de marca e o direct sobem depois?

Passo a passo: auditoria mensal de fontes de tráfego para hotéis e pousadas

Passo 1: verifique a consistência de nomes

Liste as origens/mídias do mês e procure variações. Exemplo: instagram/social e Instagram/social. Padronize e corrija links futuros. Se possível, crie regras internas para evitar duplicidade.

Passo 2: separe por grandes grupos de canal

Agrupe em: orgânico, pago, social, e-mail, referral, direct. Isso ajuda a enxergar o mix e a dependência de cada grupo.

Passo 3: avalie intenção por tipo de página de entrada

Crie uma visão simples: quais fontes entram em páginas de oferta (quartos, pacotes, disponibilidade) e quais entram em páginas informativas. Se uma fonte de alta intenção está entrando em páginas erradas, você pode estar desperdiçando tráfego qualificado.

Passo 4: compare “caminhos curtos” e “caminhos longos”

Mesmo sem ferramentas avançadas, você pode usar sinais: fontes com alta taxa de retorno e maior tempo até converter tendem a ser topo/meio. Fontes com conversão rápida tendem a ser fundo. Ajuste expectativas e metas por canal.

Passo 5: cruze fonte com dispositivo

Em hotelaria, é comum descoberta no mobile e fechamento no desktop. Se mobile tem muito tráfego e baixa conversão, não conclua que “mobile não vende” sem verificar se desktop está recebendo direct ou busca de marca em seguida. Use isso para melhorar a experiência mobile e também para calibrar atribuição.

Passo 6: identifique 3 ações de otimização por mês

Escolha ações diretamente ligadas a dados de fontes, por exemplo: (1) corrigir UTMs do link da bio e dos stories, (2) criar landing page específica para campanha sazonal que está recebendo tráfego pago, (3) reforçar parceria referral que trouxe tráfego com maior taxa de início de reserva.

Atribuição em WhatsApp, telefone e atendimento: como não perder a origem

Uma parte relevante das conversões em pousadas acontece fora do site: WhatsApp e telefone. Isso cria um “buraco” de atribuição se você não registrar a origem no atendimento. Uma prática simples é incluir uma pergunta padrão no primeiro atendimento: “Você encontrou a gente por onde?” e registrar em um campo fixo no CRM/planilha. Para reduzir subjetividade, ofereça opções: Google, Instagram, Indicação, Site de parceiro, Já conhecia, Outro.

Outra prática é usar links diferentes por canal para abrir conversa no WhatsApp (um link para Instagram, outro para e-mail, outro para QR code). Assim, mesmo antes de perguntar, você já tem um sinal da origem. Quando o atendimento é bem organizado, você consegue comparar “origem do contato” com “origem da reserva” e entender onde o funil está travando.

Como lidar com múltiplos domínios, motor de reservas e perda de referência

Em muitas operações, o site institucional e o motor de reservas estão em domínios diferentes. Isso pode quebrar a atribuição, fazendo a conversão parecer direct ou “desconhecida”. Para mitigar, garanta que os links do site para o motor preservem parâmetros de campanha quando existirem (por exemplo, mantendo UTMs na transição) e que o motor esteja preparado para receber e armazenar esses parâmetros. Quando isso não for possível, use pelo menos uma identificação de campanha na URL de entrada do motor (mesmo que simplificada) e crie relatórios internos que cruzem cliques no botão “reservar” com reservas confirmadas.

Se você usa páginas intermediárias (por exemplo, uma landing page de pacote que leva ao motor), padronize os botões para não remover parâmetros. Um erro comum é ter um encurtador ou redirecionamento que “limpa” a URL e apaga UTMs.

Checklist de interpretação: perguntas que você deve conseguir responder com atribuição

  • Quais fontes trazem mais tráfego qualificado (não só volume)?
  • Quais campanhas geram mais inícios de reserva por sessão?
  • Quais fontes aumentam a busca de marca e o direct nas semanas seguintes?
  • Quais parcerias referral trazem tráfego com melhor comportamento?
  • Quais canais geram mais contatos no WhatsApp e qual a taxa de fechamento por origem?
  • Quais criativos (utm_content) geram melhor taxa de clique e melhor taxa de avanço no funil?
  • Quais períodos (utm_campaign) repetem bons resultados ano a ano?

Modelo prático de planilha para controle de campanhas e fontes

Para transformar atribuição em rotina, use uma planilha simples com duas abas: “Gerador de links” e “Resumo mensal”. Na aba de links, você cria URLs com UTMs padronizadas. Na aba de resumo, você registra os principais números por origem/mídia e por campanha.

ABA: GERADOR DE LINKS (exemplo de colunas)  - destino_url  - utm_source  - utm_medium  - utm_campaign  - utm_content  - url_final  - responsavel  - data_publicacao  - observacoesABA: RESUMO MENSAL (exemplo de colunas)  - mes  - source_medium  - campaign  - sessoes  - inicios_reserva  - contatos_whatsapp  - reservas_confirmadas  - receita_estimada  - notas (ex.: feriado, evento, clima)

Mesmo que você não tenha todos os números automatizados, registrar consistentemente já melhora a leitura. O ganho vem de comparar mês a mês com o mesmo padrão, identificar tendências e corrigir rapidamente o que está gerando “direct” demais ou misturando origens.

Agora responda o exercício sobre o conteúdo:

Ao analisar relatórios de tráfego de um hotel, por que é arriscado tomar decisões olhando apenas o modelo de atribuição de último clique?

Você acertou! Parabéns, agora siga para a próxima página

Você errou! Tente novamente.

No último clique, o crédito fica com o canal imediatamente antes da conversão. Como a decisão costuma ocorrer após várias interações, isso pode supervalorizar direct ou busca de marca e levar a cortes em canais de topo/meio que geram demanda e assistem a conversão.

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