Materiais na Impressão 3D FDM: PLA, PETG, ABS e alternativas para iniciantes

Capítulo 9

Tempo estimado de leitura: 10 minutos

+ Exercício

O que muda quando você troca de filamento

Em impressão 3D FDM, “material” significa principalmente o tipo de filamento (PLA, PETG, ABS etc.). Cada filamento tem uma combinação própria de: temperatura de extrusão, temperatura de mesa, necessidade de ventilação, aderência, contração e sensibilidade à umidade. Na prática, trocar o material muda o quanto a peça deforma, o acabamento, a resistência ao calor e o quão fácil é imprimir sem falhas.

Para iniciantes, a regra geral é: comece com PLA (mais previsível), avance para PETG (mais resistente e “técnico”), e só depois encare ABS/ASA (mais exigentes por causa de empenamento). TPU entra como alternativa flexível, mas pede ajustes específicos.

Panorama prático dos filamentos mais comuns

MaterialFacilidadeTemperatura bico (faixa típica)Mesa (faixa típica)VentilaçãoAplicações típicasPontos de atenção
PLAAlta190–220 °C0–60 °CAlta (geralmente 80–100%)Peças decorativas, protótipos, gabaritos levesAmolece com calor; pode ficar quebradiço em peças finas
PETGMédia225–250 °C70–90 °CMédia/baixa (0–50%)Peças funcionais, suportes, caixas, peças com impacto moderadoStringing, “gruda” muito na mesa, sensível à umidade
ABSBaixa230–260 °C90–110 °CBaixa (0–20%)Peças resistentes ao calor, carcaças, componentes técnicosEmpenamento e trincas; ideal com ambiente controlado
ASABaixa240–265 °C90–110 °CBaixa (0–20%)Uso externo (UV), peças técnicas expostasSemelhante ao ABS; também exige controle térmico
TPU (flexível)Média/baixa210–240 °C30–60 °CMédia (30–70%)Peças flexíveis, amortecedores, capas, pés antiderrapantesAlimentação difícil; precisa de velocidade baixa e retração cuidadosa

Importante: as faixas acima são “ponto de partida”. Sempre confira a etiqueta do fabricante do filamento e ajuste conforme seu hotend, sua mesa e sua superfície de impressão.

PLA: o material base para aprender (e produzir muito)

Propriedades e quando usar

  • Vantagens: imprime fácil, boa definição de detalhes, pouca contração, ótimo para aprender e para peças visuais.
  • Limitações: menor resistência térmica (pode deformar em carro fechado ao sol), pode ser mais frágil em impactos dependendo do modelo e da orientação das camadas.

Configuração prática (ponto de partida)

  • Bico: 200–210 °C (suba se houver falhas de extrusão; desça se houver excesso de “meleca”).
  • Mesa: 50–60 °C (ou 0 °C se sua superfície aderir bem).
  • Ventilação: alta (80–100%) após as primeiras camadas para melhorar pontes e acabamento.
  • Velocidade: moderada; PLA costuma tolerar mais velocidade do que PETG/TPU.

Aplicações típicas

  • Protótipos dimensionais, maquetes, suportes leves, organizadores, peças decorativas.
  • Gabaritos simples e ferramentas de uso leve (desde que não aqueçam).

PETG: o “próximo passo” para peças funcionais

Propriedades e quando usar

  • Vantagens: mais resistente e menos quebradiço que PLA, boa resistência química, melhor tolerância ao calor.
  • Limitações: tende a fazer stringing (fios), pode deixar acabamento mais “brilhante”, e pode aderir demais à mesa.

Configuração prática (ponto de partida)

  • Bico: 235–245 °C.
  • Mesa: 75–85 °C.
  • Ventilação: baixa a média (0–50%). Ventilação alta pode reduzir adesão entre camadas e aumentar empenamento em cantos.
  • Retratação: use com cuidado; PETG costuma preferir retrações menores do que PLA para evitar entupimentos e “bolhas” no bico.

Cuidados típicos do PETG

  • Stringing: reduza temperatura em passos de 5 °C, aumente levemente a velocidade de deslocamento (travel) e ajuste retração com moderação.
  • Aderência excessiva: se a peça “solda” na mesa, use uma camada separadora (ex.: cola bastão como barreira) e evite esmagar demais a primeira camada.
  • Umidade: PETG absorve água com facilidade; filamento úmido aumenta stringing e estalos.

ABS e ASA: materiais técnicos que exigem controle térmico

Por que ABS/ASA empenam mais

ABS e ASA contraem mais ao esfriar. Se a peça esfria de forma desigual (corrente de ar, ventilação alta, ambiente frio), surgem tensões que puxam cantos para cima (warping) e podem causar trincas entre camadas (cracking).

Quando vale a pena usar

  • ABS: peças com maior resistência térmica e mecânica, carcaças, suportes próximos a fontes de calor moderado.
  • ASA: semelhante ao ABS, mas com melhor resistência a UV (mais indicado para uso externo).

Requisitos práticos (ponto de partida)

  • Bico: 240–260 °C.
  • Mesa: 95–110 °C.
  • Ventilação: baixa (0–20%).
  • Ambiente controlado: ideal usar gabinete/fechamento para manter temperatura estável ao redor da peça e reduzir correntes de ar.

Sinais de que ABS/ASA estão “brigando” com o ambiente

  • Cantos levantando nas primeiras camadas (warping).
  • Trincas horizontais no meio/alto da peça (cracking por resfriamento rápido).
  • Camadas com baixa adesão (muitas vezes por ventilação/ambiente frio ou temperatura insuficiente).

TPU: flexível, útil e mais sensível a ajustes

O que esperar do TPU

TPU é um filamento flexível (existem durezas diferentes, como 95A, 98A etc.). Ele permite peças que dobram, amortecem e aderem melhor ao contato. Em troca, é mais difícil de empurrar com precisão pelo extrusor, especialmente em sistemas Bowden.

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Configuração prática (ponto de partida)

  • Velocidade: baixa (ex.: 15–30 mm/s) para reduzir falhas de alimentação.
  • Retratação: pequena e lenta; retração alta pode causar enrosco e subextrusão.
  • Bico: 220–235 °C (varia muito por marca/dureza).
  • Mesa: 40–60 °C (ou conforme aderência da sua superfície).
  • Ventilação: média (30–70%) dependendo do acabamento e das pontes.

Cuidados típicos do TPU

  • Prefira trajetos de filamento bem guiados (menos “folga” entre engrenagem e entrada do hotend).
  • Evite muitas retrações (modelos com muitos detalhes pequenos podem ser mais chatos em TPU).
  • TPU também sofre com umidade: estalos e superfície áspera são comuns quando está úmido.

Diâmetro, tolerância e qualidade do filamento (o que realmente importa)

Diâmetro: 1,75 mm vs 2,85 mm

A maioria das impressoras domésticas usa 1,75 mm. Algumas usam 2,85 mm. Você deve comprar exatamente o diâmetro compatível com sua impressora; não é intercambiável.

Tolerância dimensional e ovalização

Além do “diâmetro nominal”, importa a tolerância (ex.: ±0,02 mm, ±0,05 mm). Filamento com variação grande ou ovalizado alimenta de forma irregular, causando:

  • Subextrusão em trechos (camadas falhadas, paredes fracas).
  • Superextrusão em outros (rebarbas, perda de detalhe).
  • Maior chance de entupimentos e inconsistência de acabamento.

Enrolamento (spool) e consistência

Um bom filamento vem com enrolamento uniforme. Enrolamento cruzado e “nós” podem travar o carretel e causar falhas de impressão longas. Ao comprar, procure avaliações que mencionem consistência entre lotes e bom enrolamento.

Armazenamento e umidade: como evitar a maioria dos problemas “misteriosos”

Como a umidade afeta o filamento

Filamentos absorvem água do ar em diferentes níveis. Quando úmidos, a água vira vapor no hotend e causa microexplosões, resultando em:

  • Estalos durante a impressão.
  • Stringing aumentado e “bolhas” na superfície.
  • Acabamento áspero e perda de transparência (em filamentos translúcidos).
  • Peças mais fracas (pior adesão entre camadas).

Em geral, PETG e TPU são mais sensíveis; ABS/ASA também sofrem; PLA pode aguentar mais tempo, mas também degrada com umidade.

Passo a passo: armazenamento correto no dia a dia

  1. Assim que terminar de usar, guarde o carretel em um saco vedado (zip) ou caixa hermética.
  2. Adicione dessecante (sílica gel). Se possível, use um indicador de umidade.
  3. Evite deixar na impressora exposto por dias, principalmente em locais úmidos.
  4. Identifique o carretel com data de abertura e material (ajuda a rastrear problemas).

Passo a passo: como “recuperar” filamento úmido (secagem)

  1. Confirme os sintomas: estalos, stringing fora do normal, superfície espumada/áspera.
  2. Use um secador de filamento ou forno com controle confiável de temperatura (evite temperaturas altas demais para não deformar o carretel).
  3. Referência de temperatura/tempo (ponto de partida, ajuste conforme fabricante):
    • PLA: 40–50 °C por 4–6 h
    • PETG: 55–65 °C por 4–8 h
    • ABS/ASA: 65–75 °C por 4–8 h
    • TPU: 45–55 °C por 4–8 h
  4. Após secar, armazene imediatamente em recipiente vedado com dessecante.

Dica prática: se você imprime com frequência em PETG/TPU, um “dry box” (caixa seca) alimentando a impressora reduz muito a variação de qualidade entre dias.

Recomendações de compra (sem complicação)

O que priorizar ao escolher um filamento

  • Marca com consistência (mesmo lote e entre lotes) e tolerância declarada.
  • Bobina bem enrolada e embalagem selada (idealmente com saquinho interno e dessecante).
  • Especificações claras: faixa de temperatura, recomendação de mesa e ventilação.
  • Material “puro” vs blends: para começar, prefira PLA e PETG “padrão” antes de versões com fibra, glitter, madeira, metal etc.

Escolhas seguras para iniciantes

  • PLA como primeiro carretel (cor sólida, sem aditivos) para reduzir variáveis.
  • PETG como segundo material para aprender controle de stringing e aderência.
  • Deixe ABS/ASA para quando você puder manter temperatura ambiente mais estável ao redor da peça.
  • TPU quando você já estiver confortável em ajustar velocidade e retração.

Evite no começo (por aumentar a chance de frustração)

  • Filamentos muito baratos sem tolerância informada.
  • Materiais abrasivos (com fibra de carbono, glow, metalizados) se você não tiver bico adequado; eles desgastam bicos comuns rapidamente.
  • Carretéis sem embalagem selada ou armazenados abertos por muito tempo.

Sinais de filamento degradado (e o que fazer)

Sinais físicos e durante a impressão

  • Quebra fácil ao dobrar (comum em PLA velho/ressacado): o filamento estala e parte.
  • Estalos e fumaça/vapor saindo do bico: forte indício de umidade.
  • Stringing repentino que não melhora com pequenos ajustes: pode ser umidade.
  • Superfície fosca/espumada e camadas “sujas”: umidade ou degradação térmica por temperatura alta demais.
  • Variação de diâmetro perceptível, ovalização ou pontos “achatados”: qualidade ruim ou dano por armazenamento.
  • Enroscos no carretel e travamentos: enrolamento ruim ou nó.

Passo a passo: checklist rápido antes de culpar a impressora

  1. Confira a etiqueta do filamento (faixa de temperatura e mesa).
  2. Observe o filamento: está quebradiço? tem pó? está com aspecto esbranquiçado?
  3. Teste de umidade: aqueça o bico e extrude no ar; se houver estalos/bolhas, seque o filamento.
  4. Faça um teste curto com um filamento “confiável” (ex.: PLA novo) para comparar. Se o problema some, era o material.
  5. Seque e re-teste antes de mudar dezenas de parâmetros.

Alternativas úteis para iniciantes (menção rápida)

  • PLA+ (ou “PLA Pro”): variações com aditivos para melhorar tenacidade; costuma imprimir parecido com PLA, mas pode pedir temperatura um pouco maior.
  • Silk PLA: acabamento brilhante; geralmente precisa de temperatura mais alta e pode ficar mais frágil em peças funcionais.
  • PETG translúcido: ótimo para difusores e peças visuais; é mais sensível a umidade e a marcas de fluxo.

Agora responda o exercício sobre o conteúdo:

Ao trocar de PLA para PETG em uma impressora FDM, qual ajuste tende a ser mais importante para reduzir problemas comuns do PETG sem perder qualidade?

Você acertou! Parabéns, agora siga para a próxima página

Você errou! Tente novamente.

No PETG, é comum precisar de temperaturas mais altas (bico e mesa) e ventilação menor que no PLA. Além disso, o PETG tende a preferir retrações menores para evitar entupimentos e bolhas, ajudando a controlar stringing.

Próximo capitúlo

Aderência e superfície de impressão na Impressão 3D FDM: evitando warping e descolamento

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