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Analista Judiciário - Área Administrativa: Preparação para Gestão no Serviço Público

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Licitações e Contratos no Judiciário: planejamento da contratação e gestão contratual

Capítulo 8

Tempo estimado de leitura: 17 minutos

+ Exercício

1. Visão prática do ciclo de contratação no Judiciário

Licitações e contratos no Judiciário envolvem um ciclo integrado para transformar uma necessidade institucional (ex.: manutenção predial, serviços de TI, limpeza, vigilância, aquisição de equipamentos) em uma entrega efetiva, com qualidade, prazo e custo controlados. O foco do Analista Judiciário na área administrativa é garantir que cada etapa produza evidências documentais, critérios objetivos e mecanismos de controle, reduzindo riscos de falhas, retrabalho, sobrepreço e responsabilização.

O ciclo, em termos operacionais, pode ser organizado em: (1) identificação da necessidade, (2) Estudo Técnico Preliminar (ETP), (3) Termo de Referência (TR) ou Projeto Básico (PB), (4) pesquisa de preços e estimativa do valor, (5) seleção do fornecedor, (6) formalização do contrato/ata/instrumento equivalente, (7) gestão e fiscalização contratual (execução, pagamentos, alterações, encerramento).

2. Identificação da necessidade: do problema ao objeto

2.1 Conceito e objetivo

A necessidade é o ponto de partida: descreve o problema a ser resolvido e o resultado esperado, sem “pular” diretamente para uma solução pré-definida. No Judiciário, isso evita direcionamento e ajuda a escolher a melhor estratégia (comprar, contratar serviço, locar, aderir a ata, usar solução corporativa, etc.).

2.2 Passo a passo prático

  • Mapear a demanda: qual unidade solicita, qual impacto na atividade-fim/atividade-meio, urgência e criticidade.
  • Definir o resultado: o que deve melhorar/ser entregue (ex.: disponibilidade de sistema, limpeza por padrão de qualidade, manutenção preventiva).
  • Delimitar escopo inicial: o que está dentro e fora (ex.: manutenção de ar-condicionado inclui peças? inclui limpeza de dutos?).
  • Verificar restrições: prazos, orçamento disponível, dependências (infraestrutura, autorizações, compatibilidade com padrões internos).
  • Registrar a demanda: documento de abertura (solicitação formal), com justificativa e indicação de responsável na área demandante.

2.3 Exemplo prático

Demanda: “Aumentar a disponibilidade do sistema de audiências virtuais”. Em vez de contratar “mais links de internet” diretamente, a área demandante descreve o problema (quedas em horários de pico), o impacto (audiências canceladas) e o resultado (disponibilidade mínima e redundância), permitindo que o ETP avalie alternativas (otimização de rede, redundância, monitoramento, upgrade de equipamentos, contratação de serviço gerenciado).

3. Estudo Técnico Preliminar (ETP): alternativas e viabilidade

3.1 Conceito e entregáveis

O ETP é a análise estruturada que justifica a contratação e orienta o desenho do objeto. Ele compara alternativas, identifica riscos, define premissas e demonstra viabilidade técnica e econômica. No Judiciário, o ETP é essencial para sustentar decisões perante auditorias e controles internos.

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3.2 Passo a passo prático do ETP

  • Caracterizar o problema e as causas prováveis (dados, ocorrências, chamados, indicadores).
  • Levantar alternativas (contratar serviço, adquirir bens, solução interna, compartilhamento com outro órgão, padronização).
  • Analisar requisitos: desempenho, segurança, continuidade, acessibilidade, sustentabilidade, compatibilidade com padrões internos.
  • Estimar custos e benefícios por alternativa (inclusive custos indiretos: treinamento, manutenção, licenças, suporte).
  • Identificar riscos e propor tratamentos (insumos para matriz de riscos).
  • Recomendar a alternativa e justificar a escolha com critérios objetivos.
  • Definir estratégia de contratação: lote único ou por itens, parcelamento, vigência, necessidade de amostras/provas de conceito, critérios de medição.

3.3 Exemplo de decisão no ETP

Para serviço de limpeza, o ETP pode comparar: (a) contratação por postos de trabalho (número de profissionais) versus (b) contratação por resultados/áreas e níveis de serviço (m², frequência, padrões). A recomendação pode apontar que a contratação por resultados melhora controle e reduz o risco de pagar por “presença” sem qualidade, desde que haja critérios de medição e checklist de fiscalização bem definidos.

4. Termo de Referência (TR) / Projeto Básico (PB): transformar a necessidade em especificação controlável

4.1 Conceito

O TR (comum em bens e serviços) e o PB (frequente em obras e serviços de engenharia) descrevem o objeto, as condições de execução, os critérios de aceitação, a forma de medição e pagamento, as obrigações das partes e os mecanismos de fiscalização. Um bom TR/PB reduz aditivos, disputas e falhas de entrega.

4.2 Estrutura prática recomendada (itens essenciais)

  • Objeto: descrição clara, sem marcas, com especificações funcionais e desempenho quando possível.
  • Justificativa: vínculo com a necessidade e com o ETP.
  • Escopo: o que inclui e o que não inclui.
  • Requisitos técnicos: padrões, normas, compatibilidade, segurança, acessibilidade, sustentabilidade.
  • Modelo de execução: prazos, locais, cronograma, mobilização, transição, treinamento.
  • Modelo de medição e pagamento: unidade de medida, evidências, periodicidade, critérios de aceite.
  • Níveis de serviço (quando aplicável): indicadores, metas, tolerâncias, penalidades.
  • Critérios de recebimento: provisório/definitivo, testes, inspeções, documentação.
  • Obrigações: contratada e Administração (acessos, infraestrutura, janelas de manutenção).
  • Sanções e glosas: hipóteses objetivas, forma de cálculo e registro.
  • Matriz de riscos: alocação de riscos e respostas.
  • Gestão e fiscalização: papéis, rotinas, relatórios e registros.

4.3 Passo a passo para escrever um TR “auditável”

  • Comece pelo resultado: descreva o que será considerado “entregue com qualidade”.
  • Defina como medir: evidência mínima (relatório, laudo, checklist, logs, fotos, medições).
  • Antecipe exceções: como tratar indisponibilidade por culpa do órgão, acesso negado, eventos extraordinários.
  • Amarre pagamento ao aceite: sem aceite, não há pagamento; com aceite parcial, pagamento proporcional.
  • Inclua regras de transição: início do contrato, troca de fornecedor, transferência de conhecimento.

4.4 Exemplo de cláusula operacional (medição)

Serviço de manutenção preventiva: “A medição mensal corresponderá ao percentual de execução do plano preventivo aprovado, comprovado por ordens de serviço, checklist assinado pela fiscalização e relatório fotográfico antes/depois. Itens não executados ou executados sem evidência serão glosados proporcionalmente.”

5. Pesquisa de preços e estimativa do valor: referência para julgamento e controle

5.1 Conceito

A pesquisa de preços sustenta a estimativa do valor da contratação, servindo como parâmetro para análise de propostas, prevenção de sobrepreço e planejamento orçamentário. No Judiciário, a rastreabilidade da pesquisa (fontes, datas, critérios) é tão importante quanto o número final.

5.2 Passo a passo prático

  • Definir o que será precificado: unidade de medida, escopo, condições (prazo, local, garantia, frete, tributos).
  • Selecionar fontes: contratações similares, painéis/portais oficiais, atas vigentes, cotações com fornecedores, tabelas referenciais (quando aplicável).
  • Coletar e registrar evidências: prints, links, propostas, atas, contratos, memória de cálculo.
  • Tratar dados: excluir outliers justificados, padronizar condições, atualizar valores quando necessário.
  • Definir estimativa: média/mediana/menor preço válido, conforme critério adotado e justificado.
  • Elaborar relatório: metodologia, fontes, data, responsável, conclusão e anexos.

5.3 Exemplo de cuidado comum

Se a pesquisa usa preços de contratos de outros órgãos, é preciso verificar se o escopo é equivalente (mesma unidade de medida, mesma frequência, mesma exigência de materiais/equipamentos). Diferenças não tratadas geram estimativa distorcida e risco de contratação inviável.

6. Seleção do fornecedor: do edital ao julgamento

6.1 Conceito operacional

A seleção do fornecedor materializa a competição e a escolha da proposta mais adequada, conforme critérios definidos no TR/PB e no instrumento convocatório. Para a área administrativa, o ponto crítico é garantir coerência entre: (a) o que foi planejado (ETP/TR), (b) o que se exige no edital, e (c) o que será fiscalizado na execução.

6.2 Rotina prática de consistência (antes de publicar)

  • Checagem de alinhamento: objeto, prazos, medição, sanções, matriz de riscos e requisitos habilitatórios coerentes.
  • Critérios de julgamento claros: menor preço/maior desconto/técnica e preço, com parâmetros objetivos.
  • Exigências proporcionais: evitar requisitos que restrinjam indevidamente a competição.
  • Minuta contratual: refletir o TR/PB (obrigações, reajuste/repactuação quando cabível, garantias, penalidades).
  • Plano de fiscalização: já prever como a Administração acompanhará (checklists, relatórios, evidências).

6.3 Exemplo de risco evitável

Exigir nível de serviço (SLA) no TR, mas não prever como medir (logs, ferramenta, relatórios, periodicidade) cria disputa na execução e dificulta glosas. A regra prática: “toda obrigação deve ter evidência verificável”.

7. Formalização: contrato, ata e instrumentos equivalentes

7.1 Conceito

A formalização consolida as condições pactuadas e define governança do contrato: quem decide, quem fiscaliza, como se mede, como se paga, como se altera e como se registra. No Judiciário, a formalização deve facilitar a gestão e a responsabilização, com designação formal de papéis e rotinas.

7.2 Checklist de formalização (mínimo operacional)

  • Instrumento assinado (contrato/ata/nota de empenho/instrumento equivalente, conforme o caso).
  • Designação formal do gestor do contrato e fiscais (técnico, administrativo e/ou setorial, quando aplicável).
  • Plano de fiscalização anexado ou referenciado (rotinas, formulários, periodicidade).
  • Regras de medição e pagamento explicitadas (documentos exigidos para ateste).
  • Garantias (se previstas) e condições de acionamento.
  • Reajuste/repactuação previstos quando aplicáveis, com marcos e documentação.
  • Matriz de riscos incorporada e conhecida pelos responsáveis.
  • Canal formal de comunicação (e-mail institucional, sistema de chamados, SEI/processo eletrônico).

8. Papéis e responsabilidades: quem faz o quê na prática

8.1 Área demandante

  • Define a necessidade e o resultado esperado.
  • Fornece informações técnicas do negócio (rotina da unidade, volumes, horários críticos).
  • Apoia a construção do ETP e do TR/PB, especialmente nos critérios de aceitação.
  • Participa do recebimento quando o aceite depende do usuário final (ex.: solução de TI, serviços continuados).

8.2 Gestor do contrato

  • Coordena a execução contratual e integra informações dos fiscais.
  • Controla prazos, vigência, saldo, reajustes/repactuações, aditivos e renovações.
  • Garante que ocorrências e decisões estejam registradas no processo.
  • Encaminha providências: notificações, aplicação de sanções, pedidos de alteração, formalização de termos.

8.3 Fiscalização (técnica e administrativa)

  • Fiscal técnico: verifica qualidade e conformidade técnica do objeto (testes, inspeções, validação de entregas).
  • Fiscal administrativo: confere documentação, regularidade, obrigações acessórias, presença de evidências para pagamento, controle de postos (quando houver), e aspectos formais.
  • Registra ocorrências, não conformidades, glosas e recomendações ao gestor.

8.4 Boas práticas de segregação

Quando possível, separe: quem solicita (demandante), quem fiscaliza (fiscal), quem coordena e decide (gestor), e quem autoriza pagamento (unidade competente). Essa segregação reduz risco de conflito de interesses e melhora a qualidade do controle.

9. Rotinas de acompanhamento: medição, recebimento, glosas e registros

9.1 Medições (como medir e documentar)

Medição é a apuração do que foi efetivamente executado no período, conforme unidade de medida definida no TR/PB. A medição deve gerar evidências suficientes para sustentar o ateste e o pagamento.

  • Definir periodicidade: mensal, por entrega, por etapa, por chamado.
  • Coletar evidências: relatórios, checklists, logs, laudos, fotos, ordens de serviço, listas de presença.
  • Validar amostras: quando o volume é grande, usar amostragem com regra definida (ex.: inspeção por andar/ala).
  • Registrar não conformidades: o que falhou, quando, impacto, responsável, prazo de correção.

9.2 Recebimento provisório e definitivo (quando aplicável)

  • Provisório: verificação inicial da entrega/serviço, com apontamento de pendências.
  • Definitivo: após testes, validações e correções, formaliza o aceite final.

Em serviços continuados, o “recebimento” costuma ocorrer por competência (mensal), com ateste condicionado ao cumprimento dos critérios e evidências.

9.3 Glosas (descontos por execução parcial/irregular)

Glosa é o desconto proporcional por serviço não executado, executado parcialmente ou em desacordo com o padrão. Para ser defensável, a glosa precisa estar prevista (ou derivar objetivamente do modelo de medição), ser calculável e estar documentada.

  • Passo a passo para glosar: (1) identificar a não conformidade, (2) vincular ao item/indicador do TR, (3) quantificar impacto (unidade de medida), (4) registrar evidências, (5) notificar a contratada, (6) aplicar desconto na medição, (7) registrar decisão no processo.
  • Exemplo: contrato de limpeza por áreas: se 2 de 10 áreas inspecionadas no dia não atendem ao padrão, aplica-se glosa conforme regra do TR (ex.: percentual por área reprovada), com checklist e fotos.

10. Alterações contratuais: aditivos, reajustes e repactuações

10.1 Aditivos (alteração de escopo, prazo, quantitativos)

Aditivo é instrumento para formalizar mudanças justificadas. A regra prática é: só alterar com motivação, análise de impacto (prazo, custo, risco), disponibilidade orçamentária e justificativa técnica, mantendo coerência com o interesse público e com o planejamento.

  • Rotina mínima: (1) demanda de alteração com justificativa, (2) análise técnica (necessidade e solução), (3) análise de preços (compatibilidade com mercado/planilha), (4) análise jurídica/controle interno quando cabível, (5) autorização, (6) formalização do termo aditivo, (7) atualização do plano de fiscalização e matriz de riscos.

10.2 Reajuste (correção por índice)

Reajuste é a atualização do valor por índice previsto, geralmente após período definido no contrato. Para operar bem, o gestor controla: data-base, índice aplicável, memória de cálculo e impacto no saldo contratual.

  • Checklist do reajuste: cláusula contratual, marco temporal, índice correto, cálculo conferido, apostilamento/termo conforme regra interna, registro no processo.

10.3 Repactuação (quando aplicável a serviços continuados com dedicação de mão de obra)

Repactuação é a revisão de preços para adequar custos efetivos do contrato, especialmente em serviços continuados com componentes de mão de obra, conforme regras e documentação exigidas. Exige análise detalhada de planilhas, comprovações e impacto.

  • Rotina mínima: (1) pedido formal da contratada, (2) verificação de elegibilidade (tipo de contrato e marco temporal), (3) análise de planilha e documentos (convenção/acordo coletivo, encargos, benefícios), (4) validação pela fiscalização/gestão, (5) decisão e formalização, (6) atualização do controle financeiro do contrato.

11. Matriz de riscos: exemplo prático para usar no TR/contrato

11.1 Como estruturar

A matriz de riscos distribui responsabilidades e define respostas para eventos que podem afetar prazo, custo e qualidade. Uma matriz útil tem: risco, causa, probabilidade, impacto, responsável (Administração/contratada/compartilhado), prevenção, contingência e evidência de monitoramento.

11.2 Exemplo (serviço continuado de manutenção predial)

Risco: Atraso no atendimento de chamados críticos (ex.: pane elétrica em fórum)  | Prob.: Média | Impacto: Alto | Responsável: Contratada | Prevenção: escala mínima, plantão, estoque de itens críticos | Contingência: acionamento de equipe extra em X horas | Evidência: logs de chamados, relatórios mensais de SLA, OS assinadas
Risco: Interdição de área impede execução no prazo (audiências, segurança)        | Prob.: Média | Impacto: Médio | Responsável: Administração | Prevenção: janelas de manutenção acordadas | Contingência: reprogramação com prioridade | Evidência: comunicações formais, cronograma atualizado
Risco: Peças com prazo de entrega elevado afetam cronograma                         | Prob.: Alta  | Impacto: Médio | Responsável: Compartilhado | Prevenção: lista de peças críticas, fornecedores alternativos | Contingência: solução temporária aprovada | Evidência: cotações, pedidos, justificativas técnicas
Risco: Falhas de qualidade recorrentes (retrabalho)                                 | Prob.: Média | Impacto: Médio | Responsável: Contratada | Prevenção: treinamento, supervisão, checklist | Contingência: glosa e plano de ação | Evidência: checklists, relatórios de não conformidade

12. Checklist de fiscalização: modelo adaptável

12.1 Checklist mensal (serviço continuado com medição)

1) Documentos e conformidade
- [ ] Contratada apresentou relatório mensal conforme TR
- [ ] Ordens de serviço/chamados anexados e numerados
- [ ] Evidências (fotos/logs/laudos) suficientes para ateste
- [ ] Regularidade e obrigações acessórias verificadas (quando aplicável)

2) Execução e qualidade
- [ ] Itens do plano mensal executados (percentual: ____%)
- [ ] Amostragem de inspeção realizada (critério: ______)
- [ ] Não conformidades registradas (qtde: ____) com prazo de correção
- [ ] Reincidências identificadas e tratadas (plano de ação exigido)

3) Níveis de serviço (se houver)
- [ ] Indicador 1: ______ meta: ____ resultado: ____ evidência: ____
- [ ] Indicador 2: ______ meta: ____ resultado: ____ evidência: ____
- [ ] Penalidades/glosas aplicáveis calculadas e justificadas

4) Medição e pagamento
- [ ] Planilha de medição conferida (valores, quantidades, glosas)
- [ ] Ateste condicionado ao aceite e às evidências
- [ ] Registro no processo: relatório do fiscal + despacho do gestor

5) Gestão do contrato
- [ ] Controle de vigência e saldo atualizado
- [ ] Eventos relevantes do mês registrados (ocorrências, notificações)
- [ ] Necessidade de ajuste contratual avaliada (aditivo/reajuste/repactuação)

13. Registros essenciais para rastreabilidade e responsabilização

13.1 O que não pode faltar no processo

  • Documentos de planejamento: solicitação da demanda, ETP, TR/PB, pesquisa de preços, matriz de riscos.
  • Seleção do fornecedor: edital/convite, esclarecimentos/impugnações, propostas, atas, pareceres, decisões.
  • Formalização: contrato/ata, designações (gestor e fiscais), garantias, plano de fiscalização.
  • Execução: ordens de serviço/chamados, relatórios mensais, checklists, evidências (fotos/logs/laudos), comunicações formais.
  • Ocorrências e providências: notificações, respostas da contratada, planos de ação, registros de reuniões.
  • Medições e pagamentos: planilhas de medição, atestes, notas fiscais, memórias de cálculo de glosas, reajustes/repactuações.
  • Alterações: justificativas, análises, termos aditivos/apostilamentos, atualização de controles.

13.2 Boas práticas de registro

  • Numeração e padronização: usar códigos para OS/chamados e vincular cada evidência ao item medido.
  • Trilha decisória: toda decisão relevante deve ter “o que foi decidido”, “por quem”, “com base em quais evidências” e “qual efeito financeiro”.
  • Registro tempestivo: ocorrências registradas no momento em que acontecem reduzem disputas e fortalecem a fiscalização.

14. Mini-caso integrado: do planejamento à fiscalização

14.1 Cenário

Contratação de serviço de manutenção de nobreaks e estabilização elétrica em prédio do fórum.

14.2 Aplicação do ciclo

  • Necessidade: quedas de energia interrompem audiências; objetivo é reduzir indisponibilidade e prevenir falhas.
  • ETP: alternativas (manutenção corretiva sob demanda vs. preventiva + monitoramento; troca de equipamentos; contrato por chamado). Escolha: preventiva mensal + corretiva com SLA.
  • TR: define escopo (preventiva, testes, troca de componentes), SLA para chamados críticos, evidências (laudos, checklist, logs), medição mensal por plano executado + chamados atendidos.
  • Pesquisa de preços: coleta valores por equipamento e por visita técnica, padroniza condições e estima valor anual.
  • Seleção: julgamento por menor preço com requisitos técnicos mínimos e comprovação de capacidade.
  • Formalização: designa gestor e fiscais; anexa matriz de riscos e checklist.
  • Gestão: fiscal técnico valida laudos e testes; fiscal administrativo confere documentação e medição; gestor controla vigência, saldo e aplica glosas por itens sem evidência.

Agora responda o exercício sobre o conteúdo:

Ao elaborar um Termo de Referência (TR) “auditável” para um serviço no Judiciário, qual prática melhor reduz disputas na execução e fortalece a possibilidade de glosas e pagamento proporcional?

Você acertou! Parabéns, agora siga para a próxima página

Você errou! Tente novamente.

Um TR auditável descreve o resultado esperado, define como medir e quais evidências comprovam a execução, permitindo aceite (ou aceite parcial) e glosa com base objetiva. Isso reduz disputas e dá rastreabilidade ao pagamento.

Próximo capitúlo

Direito Constitucional para Analista Judiciário: organização do Estado e fundamentos aplicados à gestão

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