Levantamento técnico do local para instalação de placas solares

Capítulo 5

Tempo estimado de leitura: 12 minutos

+ Exercício

O que é o levantamento técnico (vistoria) e por que ele define o sucesso da instalação

Levantamento técnico é a vistoria detalhada do local onde o sistema fotovoltaico será instalado, com foco em confirmar viabilidade física, estrutural e operacional. O objetivo é transformar “o que parece caber” em “o que pode ser instalado com segurança e manutenção adequada”, registrando medidas, rotas e interferências para que o projeto executivo e a instalação ocorram sem improvisos.

Na prática, a vistoria responde a perguntas como: onde os módulos cabem com afastamentos corretos, onde fixar com segurança, por onde passar cabos com menor risco, onde posicionar o inversor com ventilação, qual a distância até o quadro, quais sombras existem ao longo do dia/ano e quais obstáculos (antenas, caixas d’água, árvores) podem reduzir geração ou dificultar montagem.

Preparação: o que levar e como organizar a visita

Ferramentas e itens recomendados

  • Trena (5–10 m) e/ou trena a laser
  • Inclinômetro (ou app confiável) para inclinação do plano
  • Bússola (ou app) para azimute; ideal confirmar com referência local (evitar interferência metálica)
  • Câmera/celular com boa lente e armazenamento
  • Prancheta ou formulário digital (checklist + campos de medidas)
  • Marcador/fita para identificar pontos (quando permitido)
  • Lanterna (sótão/forro/shafts)

Informações para solicitar antes de ir

  • Endereço completo e ponto de contato no local
  • Fotos prévias do telhado/área externa e do quadro elétrico (se possível)
  • Indicação de onde fica o medidor, quadro principal e possíveis locais do inversor
  • Restrições de acesso (condomínio, horários, necessidade de autorização)

Passo a passo prático da vistoria

1) Reconhecimento geral do imóvel e do entorno

Comece com uma visão ampla para entender limitações e oportunidades:

  • Tipo de edificação (casa, galpão, comércio) e altura
  • Áreas candidatas: telhado, laje, solo, carport
  • Obstáculos e interferências: antenas, chaminés, caixas d’água, claraboias, exaustores, para-raios, dutos, árvores, prédios vizinhos
  • Possíveis rotas de cabos: internas (forro/eletrodutos) e externas (fachada/shafts)

Registro fotográfico inicial: faça fotos panorâmicas de cada face do telhado/área e do entorno (incluindo árvores e construções próximas). Essas imagens ajudam a reconstituir o cenário na etapa de projeto.

2) Inspeção do telhado (ou superfície de instalação)

2.1 Identificar o tipo de cobertura e seu estado

Classifique a cobertura e observe condições que impactam fixação e durabilidade:

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  • Cerâmica/concreto: verificar telhas quebradas, empenos, cumeeira, necessidade de substituição local
  • Metálica (trapezoidal/sanduíche): avaliar corrosão, espessura aparente, tipo de fixação existente, presença de vazamentos
  • Fibrocimento: checar integridade, trincas e fragilidade; atenção a limitações de fixação e circulação
  • Laje impermeabilizada: verificar manta, ralos, caimentos, pontos de infiltração e restrições de perfuração

Registre: idade aproximada do telhado (se o cliente souber), sinais de infiltração, áreas com manutenção recente e qualquer risco de quebra ao caminhar.

2.2 Verificar condições estruturais e pontos de ancoragem

O objetivo é localizar onde a estrutura “aceita” fixação e como distribuir cargas:

  • Identifique a estrutura de suporte: caibros/ripas/terças, perfis metálicos, vigas, laje
  • Procure acesso ao forro/sótão para ver espaçamentos e estado da madeira/metal (umidade, apodrecimento, corrosão)
  • Mapeie onde é possível ancorar: alinhamento das terças, vigas, pontos próximos a cumeeira e beirais (conforme solução)
  • Observe limitações: telhas frágeis, áreas com claraboias, recortes, calhas e rufos

Dica prática: quando não houver acesso visual à estrutura, use referências externas (parafusos aparentes em telha metálica, linhas de apoio, padrão de ripamento) e registre incertezas no relatório para validação posterior.

2.3 Medir área útil (não apenas área total)

Área útil é a área realmente disponível para módulos após descontar afastamentos e obstáculos. Meça:

  • Comprimento e largura do pano de telhado (ou laje/solo)
  • Recuos necessários de bordas, cumeeira, calhas e obstáculos (antenas, caixas d’água, claraboias)
  • Corredores de acesso para manutenção (quando aplicável)

Exemplo de cálculo rápido:

Área útil aproximada = (Largura do pano - recuos laterais) x (Comprimento - recuos superior/inferior) - áreas de obstáculos

Registre as medidas com unidade e referência (ex.: “pano 1: 8,20 m x 4,10 m; recuo beiral 0,30 m; recuo cumeeira 0,30 m; obstáculo: caixa 1,20 m x 1,20 m”).

2.4 Medir inclinação e azimute

Inclinação e azimute influenciam a produção e a escolha do arranjo. Faça medições por pano:

  • Inclinação: medir no plano do telhado (ou estimar por triângulo: altura/avanço) e registrar em graus
  • Azimute: medir a direção para a qual o pano “aponta” (em graus) e registrar o método usado (bússola/app)

Boas práticas: evite medir azimute próximo a grandes massas metálicas (telhas metálicas, estruturas) que podem desviar a bússola; se usar app, registre a leitura e o local exato onde foi feita.

2.5 Medir alturas e desníveis relevantes

Alturas ajudam a planejar acesso, içamento e rotas:

  • Altura do beiral em relação ao solo
  • Altura até o ponto provável de passagem de cabos (ex.: entrada no forro)
  • Desníveis em lajes e áreas de solo (para bases e nivelamento)

3) Avaliação de sombreamento e interferências

Sombras podem reduzir significativamente a geração e causar desbalanceamentos no arranjo. Avalie:

  • Sombras fixas: caixas d’água, platibandas, chaminés, antenas, postes, edificações vizinhas
  • Sombras variáveis: árvores (crescimento e poda), estruturas móveis, futuras construções (quando houver indício)
  • Variação diária e sazonal: observe manhã/tarde e considere que no inverno o sol fica mais baixo (sombras mais longas)

Procedimento prático: marque no croqui as direções de sombra observadas e fotografe cada obstáculo com referência de distância aproximada e altura relativa. Quando possível, registre horários (ex.: “sombra da árvore atinge metade do pano às 16h”).

4) Definir rotas de cabos (CC e CA) e pontos de passagem

Planeje o caminho mais curto e protegido, evitando improvisos e exposição desnecessária:

  • Identifique onde os cabos sairão do campo de módulos (ponto de descida)
  • Verifique possibilidade de passagem interna (forro, shafts, eletrodutos existentes) versus externa (fachada)
  • Mapeie obstáculos: vigas, paredes estruturais, áreas molhadas, locais de difícil acesso
  • Defina pontos de perfuração/vedação (quando aplicável) e registre o tipo de superfície

Registre a distância aproximada: do campo de módulos até o local do inversor e do inversor até o quadro/medição. Essas distâncias impactam dimensionamento de cabos e perdas.

5) Avaliar o quadro elétrico e a distância até o ponto de conexão

Sem entrar em normas, a vistoria deve levantar informações físicas e de espaço:

  • Localização do quadro principal e do medidor
  • Espaço físico disponível para acomodar novos componentes (área livre no quadro, possibilidade de caixa adicional)
  • Condição aparente: organização, aquecimento, sinais de oxidação, identificação de circuitos
  • Distância e rota provável entre inversor e quadro

Fotos obrigatórias: quadro aberto (com cuidado e autorização), etiqueta/identificação do medidor, e visão geral do local do quadro (para avaliar ventilação e acesso).

6) Escolher o local do inversor: critérios práticos

O local do inversor deve equilibrar ventilação, proteção e facilidade de manutenção:

  • Ventilação: evitar locais confinados e quentes; prever circulação de ar ao redor
  • Proteção: evitar sol direto e chuva; preferir área coberta e seca
  • Acesso: permitir leitura de indicadores, operação e manutenção sem desmontagens
  • Proximidade: reduzir distâncias de cabos (principalmente entre módulos e inversor, e inversor e quadro)
  • Ruído: evitar proximidade de dormitórios/ambientes sensíveis quando houver possibilidade de ruído operacional

Checklist rápido no local do inversor: parede firme, espaço lateral e superior, rota de cabos definida, ponto de fixação acessível, ausência de goteiras e fontes de calor.

7) Acesso para instalação e manutenção

Registre como a equipe chegará ao local e como fará manutenção futura:

  • Ponto de acesso ao telhado (escada, alçapão, acesso interno)
  • Espaço para movimentação e armazenamento temporário de materiais
  • Condições do piso/solo (escorregadio, inclinação, fragilidade)
  • Necessidade de içamento (guincho, cordas) e local seguro para isso

Medições essenciais: como medir e como registrar

Lista mínima de medições por área candidata

  • Área útil (m²): dimensões do pano e recuos/obstáculos
  • Inclinação (graus): por pano
  • Azimute (graus): por pano
  • Alturas (m): beiral/platibanda e pontos de passagem
  • Distâncias de cabos (m): módulos → inversor; inversor → quadro
  • Distância a obstáculos (m): árvore/prédio/antena até o campo de módulos (quando relevante)

Como fazer um croqui simples (suficiente para projeto)

Desenhe um croqui em planta e, se necessário, um corte lateral:

  • Planta: contorno do telhado/laje/solo, obstáculos, setas de norte, indicação dos panos
  • Corte: inclinação, alturas, platibandas e sombreamentos principais
  • Numere panos e obstáculos para relacionar com fotos (ex.: “Foto 07 – Obstáculo O2: caixa d’água”)

Padrão de registro fotográfico (roteiro)

  • Foto 1–2: fachada e visão geral do imóvel
  • Foto 3–6: cada pano do telhado (uma foto frontal e uma em ângulo)
  • Foto 7–10: obstáculos e interferências (antenas, caixas d’água, árvores, claraboias)
  • Foto 11–12: local sugerido do inversor (visão geral + detalhe da parede)
  • Foto 13–15: rota de cabos (pontos de descida, passagens, eletrodutos)
  • Foto 16–18: quadro elétrico (visão geral + interno + identificação do medidor)

Dica prática: fotografe sempre com um ponto de referência (trena aparecendo, canto de parede, beiral) para facilitar estimativas posteriores.

Critérios para decidir entre telhado, laje, solo ou carport

OpçãoQuando tende a ser a melhor escolhaPontos de atenção na vistoria
TelhadoHá área útil suficiente, baixa interferência de sombras e boa condição de fixação; menor ocupação de espaço no terrenoTipo/estado da cobertura, pontos de ancoragem, acesso, obstáculos (caixas/antenas), rotas de cabos e distância até inversor/quadro
LajeSuperfície plana com boa área e acesso; permite ajuste de inclinação com estruturas; facilita manutençãoImpermeabilização (restrição de perfuração), caimento e drenagem, necessidade de lastro, ventos, platibandas gerando sombras
SoloTerreno disponível, fácil acesso e manutenção; permite orientação/inclinação ideais e expansão futuraSombras de árvores/edificações, nivelamento, drenagem, proteção contra vandalismo/impacto, distância maior até quadro/inversor
CarportNecessidade de cobertura para veículos + geração; solução estética e funcionalEstrutura (nova ou existente), altura livre, sombreamento por edificações, rotas de cabos, drenagem e acesso para manutenção

Regra prática de decisão (checklist de viabilidade)

  • Viável se: área útil comporta o arranjo, sombreamento é baixo/gerenciável, há pontos de fixação confiáveis, rota de cabos é clara e o inversor tem local adequado
  • Requer ajustes se: há sombras parciais em horários específicos, obstáculos removíveis (antena reposicionável), necessidade de pequenas adequações (troca de telhas, criação de eletroduto)
  • Não recomendado se: cobertura deteriorada/sem ancoragem confiável, sombreamento severo e constante, acesso muito restrito, ou rota de cabos inviável sem obras significativas

Modelo de relatório de vistoria (campos obrigatórios)

Use o modelo abaixo como formulário. Ele pode ser impresso ou preenchido em aplicativo, mas deve manter os campos essenciais para rastreabilidade.

1) Identificação

  • Cliente/Responsável:
  • Endereço:
  • Data e horário da vistoria:
  • Técnico responsável:
  • Tipo de imóvel (residencial/comercial/industrial):
  • Contato no local:

2) Áreas candidatas avaliadas

  • ( ) Telhado ( ) Laje ( ) Solo ( ) Carport
  • Observações gerais do entorno (árvores, prédios, antenas, caixas d’água):

3) Telhado/Laje/Solo — dados por área (replicar para cada pano/área)

CampoPreenchimento
Identificação da áreaEx.: Pano T1 / Laje L1 / Solo S1
Tipo de cobertura/superfícieEx.: cerâmica, metálica, laje impermeabilizada, solo compactado
Estado de conservaçãoEx.: bom / regular / ruim + descrição
Dimensões (m)Largura x Comprimento
Área útil estimada (m²)Com recuos e obstáculos
Inclinação (°)Valor e método
Azimute (°)Valor e método
Altura relevante (m)Beiral/platibanda/nível do solo
Obstáculos na áreaLista + dimensões + posição no croqui
Pontos de ancoragemDescrição de onde fixar e limitações
AcessoComo acessar e circular
SombreamentoFontes, horários, meses críticos (se estimado)

4) Rotas de cabos e distâncias

  • Ponto de saída do campo de módulos (descrição + foto):
  • Rota proposta (interna/externa) e pontos de passagem:
  • Distância estimada módulos → inversor (m):
  • Distância estimada inversor → quadro (m):
  • Necessidade de eletroduto/canaleta adicional (sim/não) + onde:

5) Local do inversor (proposta)

  • Local sugerido:
  • Motivo (ventilação, proteção, acesso, proximidade):
  • Condições do ambiente (calor, umidade, poeira):
  • Fixação (parede/estrutura) e espaço disponível:

6) Quadro elétrico e ponto de conexão (levantamento físico)

  • Localização do quadro principal:
  • Condição aparente e organização:
  • Espaço físico disponível (observação):
  • Fotos anexadas (sim/não):

7) Registro fotográfico (obrigatório)

  • Lista de fotos anexadas (numeradas) + descrição curta de cada uma:
  • Croqui anexado (sim/não):

8) Decisão recomendada (com critérios)

AlternativaStatusCritérios observados
TelhadoAprovado / Ajustes / ReprovadoÁrea útil, ancoragem, sombras, acesso, rota de cabos
LajeAprovado / Ajustes / ReprovadoImpermeabilização, lastro, sombras, acesso
SoloAprovado / Ajustes / ReprovadoSombras, nivelamento, segurança, distância
CarportAprovado / Ajustes / ReprovadoEstrutura, altura livre, sombras, drenagem

9) Pendências para validação

  • Itens que precisam de confirmação (ex.: acesso ao forro, condição estrutural não visível, necessidade de poda, autorização do condomínio):
  • Responsável e prazo para retorno:

Agora responda o exercício sobre o conteúdo:

Qual é o objetivo principal do levantamento técnico (vistoria) antes de instalar um sistema fotovoltaico?

Você acertou! Parabéns, agora siga para a próxima página

Você errou! Tente novamente.

A vistoria detalha condições do local (área útil, estrutura, sombras, rotas de cabos e local do inversor) para garantir instalação segura e planejada, orientando o projeto executivo e reduzindo improvisos.

Próximo capitúlo

Dimensionamento de sistemas fotovoltaicos para residências, comércios e pequenas indústrias

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