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Papiloscopista da Polícia Civil: Identificação Humana e Preparação para Concursos

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14 páginas

Laudos, Relatórios e Cadeia de Custódia na Papiloscopia Policial

Capítulo 9

Tempo estimado de leitura: 12 minutos

+ Exercício

Na papiloscopia policial, laudos e relatórios são documentos técnicos que registram, de forma rastreável e verificável, o que foi solicitado, o que foi recebido, como foi processado, quais resultados foram obtidos e quais limitações existem. Além de comunicar o achado, o documento precisa sustentar a cadeia de custódia e permitir auditoria: outra pessoa, com acesso aos mesmos materiais e registros, deve conseguir entender o caminho percorrido e reproduzir a lógica do trabalho.

Tipos de documentos e quando usar

Laudo papiloscópico (técnico-pericial)

Documento formal, com estrutura padronizada, que responde a quesitos ou a uma solicitação oficial, descreve metodologia aplicada, resultados e interpretação técnica. Deve ser objetivo, impessoal e sustentado por registros (imagens, formulários, logs de sistema, anexos).

Relatório técnico-operacional

Documento mais descritivo, comum em rotinas administrativas e operacionais (por exemplo, relatório de atendimento, de diligência, de processamento interno, de triagem). Pode registrar etapas e decisões sem necessariamente emitir uma conclusão pericial formal.

Termo/Registro de cadeia de custódia

Conjunto de formulários e registros que documentam a trajetória do vestígio/material: identificação, coleta, acondicionamento, transporte, recebimento, processamento, armazenamento e descarte. Pode existir como formulário físico, sistema eletrônico ou ambos.

Estrutura recomendada de laudos e relatórios

A estrutura abaixo é uma referência prática. Adapte ao padrão institucional, mas mantenha a lógica: o leitor precisa localizar rapidamente o objeto, o método, o resultado e os anexos de suporte.

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1) Objeto (o que foi solicitado e o que foi recebido)

  • Identificação do procedimento: número do caso/processo, unidade requisitante, data/hora de entrada, responsável pelo recebimento.
  • Finalidade: o que se pretende esclarecer (ex.: “verificar correspondência entre impressão latente e padrões fornecidos”).
  • Itens recebidos: descrição individualizada (quantidade, tipo, embalagem, lacres, condições, numeração).
  • Quesitos: transcrever ou resumir fielmente, sem reinterpretar.

2) Metodologia (como foi feito)

  • Procedimentos: etapas executadas (ex.: triagem, digitalização, comparação, revisão).
  • Critérios e parâmetros: resolução mínima de imagens, padrões de qualidade, critérios de exclusão, regras de nomenclatura de arquivos.
  • Ferramentas e materiais: equipamentos, softwares, kits, consumíveis e seus identificadores (marca/modelo, número de série quando aplicável, versão do software).
  • Controles: checagens, dupla verificação, revisão por par, validações internas.

3) Resultados (o que foi encontrado)

  • Achados objetivos: o que foi observado/extraído (ex.: “foram obtidas imagens com qualidade suficiente para comparação em X áreas”).
  • Produtos gerados: mapas de minúcias, pranchas fotográficas, arquivos digitais, logs de consulta.
  • Limitações: fatores que impactaram (ex.: baixa qualidade, fragmentação, sobreposição, distorção, contaminação).

4) Discussão (interpretação técnica e coerência)

  • Relação entre método e resultado: por que o método escolhido é adequado ao material.
  • Consistência: compatibilidades e incompatibilidades relevantes, sem extrapolar além do que os dados suportam.
  • Hipóteses alternativas: quando aplicável, explicar por que foram descartadas (ex.: artefatos, ruído, compressão de imagem).

5) Conclusão (resposta objetiva aos quesitos)

Responder de forma direta, numerando as respostas conforme os quesitos. Evitar linguagem ambígua. Se não for possível concluir, declarar a impossibilidade e o motivo técnico (ex.: insuficiência de qualidade, ausência de material comparativo adequado).

6) Anexos (evidências de suporte)

  • Registro fotográfico (pranchas com identificação do item, escala quando aplicável, orientação, data/hora, autor).
  • Mapas de minúcias (marcação padronizada, legenda, referência cruzada com a imagem original).
  • Formulários de cadeia de custódia (cópias/IDs).
  • Listagem de arquivos (nomes, hashes quando aplicável, local de armazenamento, permissões).

Linguagem, padronização e clareza

Princípios de escrita técnica

  • Impessoalidade: “foi realizado”, “observou-se”, evitando “eu fiz”.
  • Precisão: substituir termos vagos por medidas/condições (ex.: “imagem com 1000 ppi”, “iluminação oblíqua a 45°”).
  • Rastreabilidade: tudo que sustenta a conclusão deve apontar para um anexo, arquivo, formulário ou log.
  • Separação entre fato e interpretação: fato em “Resultados”; interpretação em “Discussão”.

Padronização recomendada

  • Vocabulário controlado: usar sempre os mesmos termos para itens (ex.: “Item 01”, “Padrão A”, “Imagem L1”).
  • Numeração consistente: itens, fotos, anexos e páginas com referências cruzadas.
  • Datas e horas: padrão único (ex.: DD/MM/AAAA HH:MM) e fuso quando relevante.
  • Unidades e escalas: sempre indicar unidade (mm, cm, ppi, dpi) e método de medição.

Erros comuns de linguagem (e como corrigir)

  • Ambiguidade: “a impressão estava ruim” → “a impressão apresentava baixa nitidez, com cristas interrompidas e contraste insuficiente, inviabilizando a marcação confiável de pontos característicos”.
  • Excesso de adjetivos: “muito semelhante” → descrever quais elementos são compatíveis e onde.
  • Conclusão sem suporte: afirmar correspondência sem indicar anexos (mapa, prancha, referência do arquivo).

Referência a materiais, equipamentos e softwares

O documento deve permitir identificar quais recursos foram usados e em que condições, especialmente quando isso pode afetar o resultado (qualidade de imagem, compressão, calibração, versão de algoritmo).

  • Equipamentos: scanner/câmera (marca, modelo, número de série), lentes, iluminação, tripé/suporte, estação de trabalho.
  • Configurações: resolução, formato de arquivo (TIFF/PNG/JPEG), compressão, perfil de cor, modo de captura.
  • Softwares: nome, versão, módulos utilizados, parâmetros relevantes (ex.: realce, equalização, filtros), e registro de usuário quando houver trilha de auditoria.
  • Consumíveis: cartões, etiquetas, lacres, envelopes, mídias, com lote quando aplicável.

Registro fotográfico e mapas de minúcias

Registro fotográfico: checklist prático

  • Identificação: cada foto deve estar vinculada a um item (Item 01), local/etapa (recebimento, processamento, resultado) e data/hora.
  • Orientação e escala: indicar orientação (seta norte/“topo”) e escala quando aplicável; evitar escalas que encubram detalhes.
  • Integridade: manter arquivo original preservado; edições apenas em cópias, com registro do que foi feito.
  • Qualidade: foco, contraste, ausência de reflexos; repetir captura se houver dúvida.

Mapa de minúcias: como apresentar

O mapa de minúcias é um produto de comunicação: ele não substitui a imagem original, mas facilita a leitura do raciocínio técnico. Deve ser legível, padronizado e referenciado.

  • Base: inserir a imagem original (ou recorte) sem distorção.
  • Marcação: numerar marcações e usar símbolos consistentes (ex.: círculos para pontos, setas para direção).
  • Legenda: explicar o que cada símbolo significa e, se necessário, indicar coordenadas/grade.
  • Referência cruzada: “Mapa M1 refere-se à Imagem L1 (Anexo II)”.

Exemplo de legenda padronizada (modelo)

Legenda do Mapa M1: (1) bifurcação; (2) terminação; (3) ilha; (4) ponto; setas indicam direção de fluxo; grade 5x5 mm para referência visual.

Controle de versões, assinaturas e trilha de auditoria

Controle de versões (documento e anexos)

  • Identificador: código do documento + versão (ex.: LAU-2026-001 v1.0).
  • Histórico: tabela com data, autor, motivo da alteração, itens alterados.
  • Bloqueio de edição: após assinatura, gerar PDF/A ou formato institucional imutável; anexos originais preservados.
  • Vinculação: anexos devem citar a versão do laudo/relatório a que pertencem.

Assinaturas e responsabilidades

  • Assinatura do responsável técnico: preferencialmente digital com certificado, conforme norma institucional.
  • Revisão: quando houver revisão por par, registrar nome, matrícula/ID e data/hora.
  • Carimbo de tempo: quando disponível, registrar timestamp do sistema para reforçar integridade.

Cadeia de custódia aplicada à papiloscopia

Cadeia de custódia é o conjunto de procedimentos e registros que garantem a identidade, integridade e rastreabilidade do material desde a identificação no local/órgão de origem até o descarte. O foco é responder, com documentação: “este item é o mesmo?”, “permaneceu íntegro?”, “quem teve posse e quando?”, “o que foi feito com ele?”.

Etapas e passo a passo operacional

1) Identificação

  • Atribuir código único ao item (ex.: CC-2026-000123 / Item 01).
  • Descrever o item de forma individualizada (tipo, cor, dimensões, características).
  • Registrar local, data/hora e responsável pela identificação.

2) Coleta

  • Registrar técnica de coleta (sem detalhar técnicas já tratadas em capítulos anteriores), responsável e condições.
  • Evitar mistura de itens: um invólucro por item, salvo regra institucional.
  • Registrar se houve intervenção (ex.: recorte, separação, acondicionamento especial).

3) Acondicionamento

  • Selecionar embalagem compatível (proteção contra umidade, atrito, deformação).
  • Aplicar lacre inviolável e etiqueta com código do item.
  • Registrar condição do lacre e integridade da embalagem.

4) Transporte

  • Registrar origem, destino, data/hora de saída e chegada, responsável pelo transporte.
  • Garantir condições adequadas (evitar calor excessivo, compressão, umidade).
  • Manter o item sob supervisão ou em compartimento controlado, conforme protocolo.

5) Recebimento

  • Conferir lacres, etiquetas e correspondência com o formulário.
  • Registrar não conformidades imediatamente (ex.: lacre violado, divergência de descrição).
  • Gerar protocolo de entrada e atualizar sistema.

6) Processamento

  • Registrar quem acessou, quando, por quanto tempo e o que foi feito (log de bancada).
  • Separar “original” de “cópias de trabalho” (imagens, recortes, impressões).
  • Manter rastreio de subitens (ex.: Item 01-A, 01-B) quando houver desmembramento.

7) Armazenamento

  • Guardar em local controlado (acesso, temperatura/umidade quando aplicável).
  • Registrar movimentações (retirada/devolução) com data/hora e responsável.
  • Garantir que o item permaneça identificado e lacrado quando exigido.

8) Descarte/Devolução

  • Seguir norma institucional e autorização competente.
  • Registrar método (devolução, destruição, incineração, descarte biológico etc.).
  • Registrar data/hora, responsáveis e testemunhas quando exigido.

Modelos de formulários (exemplos)

1) Formulário de Cadeia de Custódia (resumo)

FORMULÁRIO CC-01 — CADEIA DE CUSTÓDIA (RESUMO)  Caso/Procedimento: __________  Órgão requisitante: __________  Data/Hora abertura: __/__/____ __:__  Responsável: __________  ITEM: ( )01 ( )02 ( )03  Código único: CC-__________  Descrição do item: __________________________________________  Condição da embalagem/lacre no recebimento: ( ) íntegro ( ) violado ( ) ausente  Nº do lacre: __________  ORIGEM (local/setor): __________________  DATA/HORA SAÍDA: __/__/____ __:__  RESPONSÁVEL: __________  DESTINO: __________________  DATA/HORA CHEGADA: __/__/____ __:__  RESPONSÁVEL RECEBIMENTO: __________  MOVIMENTAÇÕES (anexar linhas se necessário):  1) Data/Hora: __/__/____ __:__  Ação: ( ) retirada ( ) devolução ( ) processamento ( ) armazenamento  Por: __________  Setor: __________  Assinatura/ID: __________  Observações: ________________________________________________

2) Log de Processamento (bancada)

LOG-PP-02 — REGISTRO DE PROCESSAMENTO  Código do item: CC-__________ / Item __  Data/Hora início: __/__/____ __:__  Data/Hora fim: __/__/____ __:__  Responsável: __________  Atividades realizadas (objetivo): _______________________________  Arquivos gerados: ( ) Imagem L1 ( ) Imagem L2 ( ) Mapa M1 ( ) Outros: ________  Local de armazenamento: ______________________________________  Hash/ID (se aplicável): _______________________________________  Observações/ocorrências: ______________________________________

3) Registro de Não Conformidade (NC)

NC-03 — REGISTRO DE NÃO CONFORMIDADE  Nº NC: ________  Data/Hora: __/__/____ __:__  Identificação do item: CC-__________ / Item __  Tipo de NC: ( ) lacre violado ( ) divergência de descrição ( ) embalagem inadequada ( ) ausência de formulário ( ) contaminação suspeita ( ) falha de registro ( ) outro: ________  Descrição objetiva do ocorrido: _________________________________  Ação imediata: ( ) quarentena ( ) reembalagem ( ) comunicação ao requisitante ( ) registro fotográfico ( ) outra: ________  Responsável pela ação: __________  Encaminhamento/decisão: ______________________________________  Assinaturas/IDs: ______________________________________________

Não conformidades comuns e como registrar corretamente

Exemplos práticos

  • Lacre violado no recebimento: registrar foto do lacre, descrever condição (“lacre com ruptura na área X”), colocar item em quarentena, comunicar formalmente e registrar decisão (aceitar com ressalva, recusar, solicitar reenvio).
  • Divergência entre formulário e item: formulário indica “Item 02”, mas embalagem está “Item 03”. Registrar divergência, não renomear sem procedimento; solicitar esclarecimento e documentar retificação.
  • Embalagem inadequada: item suscetível a dano por atrito/umidade. Registrar, reembalar conforme protocolo, manter embalagem original como anexo quando necessário e registrar quem realizou a reembalagem.
  • Falha de rastreio digital: arquivo sem metadados/sem vínculo ao item. Registrar NC, recalcular vínculo (ID, hash), bloquear uso até correção e registrar auditoria.

Passo a passo: montando um laudo com rastreabilidade (modelo de fluxo)

  • Passo 1 — Abrir cabeçalho: inserir identificadores do caso, solicitante, datas e responsáveis.
  • Passo 2 — Descrever objeto: listar itens recebidos com códigos e condições de lacre/embalagem; citar formulário CC-01 associado.
  • Passo 3 — Metodologia: registrar procedimentos, ferramentas (com versões) e controles (revisão, validação).
  • Passo 4 — Resultados: listar imagens e mapas gerados (L1, L2, M1), com referência a anexos e local de armazenamento.
  • Passo 5 — Discussão: explicar coerência técnica e limitações, sem repetir resultados.
  • Passo 6 — Conclusão: responder quesitos, numerados, com linguagem direta.
  • Passo 7 — Anexos: incluir pranchas, mapas, logs e cadeia de custódia; conferir se todas as referências internas apontam para anexos existentes.
  • Passo 8 — Versão e assinatura: atribuir versão, registrar histórico, assinar e bloquear edição.

Exercícios de reescrita (clareza e precisão)

Reescreva os trechos abaixo para torná-los: (a) objetivos, (b) rastreáveis, (c) sem ambiguidades. Em seguida, indique qual anexo/registro sustentaria a afirmação (foto, mapa, log, formulário).

Exercício 1

Texto original: “A impressão encontrada era parecida com a do suspeito, então deu match.”

  • Tarefa: reescrever separando resultado (o que foi observado) de discussão (interpretação) e citando anexos.

Exercício 2

Texto original: “O material chegou meio aberto, mas deu para usar.”

  • Tarefa: reescrever descrevendo condição do lacre/embalagem, ação imediata, decisão e registro de NC.

Exercício 3

Texto original: “Foi usado o sistema para comparar e confirmou.”

  • Tarefa: reescrever informando qual sistema/software (nome/versão), quais entradas (IDs), quais saídas (logs/relatórios) e como a confirmação foi sustentada por anexos.

Exercício 4

Texto original: “As fotos estão anexas.”

  • Tarefa: reescrever listando anexos com numeração, identificação de cada foto e vínculo com itens (ex.: “Anexo I — Prancha Fotográfica PF-01 a PF-06, referentes ao Item 01”).

Exercício 5

Texto original: “O item ficou guardado no armário e depois foi descartado.”

  • Tarefa: reescrever com local controlado, datas/horas, responsáveis, movimentações e forma/autorização de descarte.

Agora responda o exercício sobre o conteúdo:

Em um laudo papiloscópico, qual prática melhor garante a rastreabilidade e a possibilidade de auditoria do trabalho realizado?

Você acertou! Parabéns, agora siga para a próxima página

Você errou! Tente novamente.

A rastreabilidade exige que cada etapa e achado possa ser verificado por outra pessoa, com referências a anexos, formulários e logs. Também é essencial padronizar identificações e separar fatos (Resultados) de interpretações (Discussão).

Próximo capitúlo

Legislação Aplicada ao Papiloscopista da Polícia Civil: Normas de Identificação e Procedimentos

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