Inteligência Emocional na prática: o que são emoções e para que servem

Capítulo 1

Tempo estimado de leitura: 8 minutos

+ Exercício

Emoções: respostas adaptativas (não defeitos)

Emoções são respostas rápidas do corpo e da mente a algo que foi percebido como relevante: um risco, uma oportunidade, uma perda, uma injustiça, uma conexão, uma ameaça à imagem, entre outros. Elas surgem para ajudar você a se adaptar ao ambiente, orientando atenção, energia e comportamento.

Em vez de perguntar se uma emoção é “boa” ou “ruim”, uma pergunta mais útil é: qual é a função dela aqui? Em geral, emoções cumprem funções como:

  • Proteção: reduzir danos e aumentar segurança.
  • Aproximação e vínculo: favorecer conexão, cooperação e cuidado.
  • Limites: sinalizar violação, injustiça ou necessidade de respeito.
  • Motivação e direção: mobilizar energia para agir, persistir, evitar ou mudar.

Isso não significa que toda ação motivada por emoção será útil. A emoção traz dados; a habilidade está em usar esses dados com discernimento.

Emoção, reatividade e “ser emocional”: diferenças importantes

Emoção

É a experiência interna (sensações, impulso, pensamentos associados) que aparece diante de um gatilho. Ela pode ser intensa ou leve, curta ou longa. Ter emoção é parte do funcionamento humano.

Reatividade

É quando a emoção “puxa” uma resposta automática e imediata, com pouca escolha: responder no impulso, interromper, atacar, fugir, se fechar, justificar, comprar algo para aliviar, comer sem fome, etc. Reatividade não é “ter emoção”; é agir sem espaço entre sentir e fazer.

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“Ser emocional”

Geralmente é um rótulo social para dizer que alguém “exagera” ou “não controla”. Na prática, costuma misturar três coisas diferentes: (1) sentir emoções com intensidade, (2) ter dificuldade de regular a resposta, e/ou (3) não ter linguagem para nomear o que sente e pedir o que precisa. O ponto não é “virar uma pessoa fria”, e sim ganhar precisão e escolha.

O que as emoções tentam fazer por você (funções mais comuns)

FunçãoO que a emoção fazExemplo de uso inteligente
ProteçãoAumenta vigilância, prepara para evitar riscoChecar informações antes de decidir; pedir ajuda; criar plano B
AproximaçãoFacilita vínculo, cooperação, cuidadoExpressar afeto; agradecer; propor conversa
LimitesSinaliza violação, injustiça, invasãoNegociar; dizer “não”; alinhar expectativas
MotivaçãoMobiliza energia para agir e persistirTransformar frustração em plano; usar entusiasmo para iniciar

Famílias emocionais: o que cada uma sinaliza

Abaixo estão famílias emocionais comuns. Pense nelas como “categorias de sinal”. Dentro de cada família existem variações (por exemplo: medo pode aparecer como preocupação, ansiedade, apreensão; raiva pode aparecer como irritação, indignação, frustração).

Medo

Sinaliza: possibilidade de ameaça, risco, incerteza ou falta de controle.

  • Função: proteção; preparar para evitar, se resguardar, buscar informação.
  • Exemplo no trabalho: antes de uma apresentação, o medo pode estar dizendo “isso importa” e “preciso me preparar”.
  • Exemplo na família: medo ao ver um filho adolescente chegando tarde pode sinalizar “preciso de combinados claros e segurança”.
  • Exemplo em relacionamentos: medo de ser rejeitado pode sinalizar “preciso de clareza e conexão”, não necessariamente “preciso me afastar”.

Raiva

Sinaliza: limite violado, injustiça, impedimento, desrespeito, frustração de objetivo.

  • Função: limites e ação; mobiliza energia para corrigir rota.
  • Exemplo no trabalho: irritação ao receber demandas fora do combinado pode sinalizar “preciso renegociar prazos e escopo”.
  • Exemplo na família: raiva ao ser interrompido repetidamente pode sinalizar “preciso ser ouvido e respeitado”.
  • Exemplo em relacionamentos: indignação após uma quebra de acordo pode sinalizar “preciso conversar sobre confiança e consequências”.

Atenção: raiva não obriga agressão. Ela aponta para um limite; a forma de colocar esse limite pode ser firme e respeitosa.

Tristeza

Sinaliza: perda, decepção, fim de ciclo, necessidade de recolhimento e cuidado.

  • Função: processamento e reorganização; favorece pedir apoio e desacelerar.
  • Exemplo no trabalho: tristeza após um feedback duro pode sinalizar “preciso elaborar, separar fato de interpretação e buscar aprendizado”.
  • Exemplo na família: tristeza com distanciamento de um parente pode sinalizar “preciso de reconexão ou de aceitar limites”.
  • Exemplo em relacionamentos: tristeza após uma discussão pode sinalizar “preciso de reparo, acolhimento e conversa”.

Nojo

Sinaliza: algo percebido como contaminante, invasivo, ofensivo ou incompatível com valores/limites.

  • Função: proteção e afastamento; ajuda a evitar o que faz mal (físico ou moral).
  • Exemplo no trabalho: repulsa a uma prática antiética pode sinalizar “isso fere meus valores; preciso me posicionar ou me proteger”.
  • Exemplo na família: nojo ao ver falta de higiene pode sinalizar “precisamos de acordos práticos”.
  • Exemplo em relacionamentos: repulsa após mentira recorrente pode sinalizar “meu limite foi ultrapassado; preciso decidir como agir”.

Alegria

Sinaliza: segurança, conexão, conquista, alinhamento com desejos e valores.

  • Função: aproximação e expansão; reforça comportamentos que funcionam e fortalece vínculos.
  • Exemplo no trabalho: satisfação ao concluir um projeto pode sinalizar “esse tipo de tarefa me energiza; vale repetir o método”.
  • Exemplo na família: alegria em um almoço tranquilo pode sinalizar “rituais simples fortalecem nossa relação”.
  • Exemplo em relacionamentos: alegria após uma conversa honesta pode sinalizar “transparência é um pilar aqui”.

Surpresa

Sinaliza: algo inesperado; necessidade de atualizar a leitura da situação.

  • Função: redirecionar atenção; pausar para entender antes de reagir.
  • Exemplo no trabalho: surpresa com mudança de prioridade pode sinalizar “preciso confirmar expectativas e reorganizar agenda”.
  • Exemplo na família: surpresa com uma notícia pode sinalizar “preciso de tempo para processar antes de opinar”.
  • Exemplo em relacionamentos: surpresa com um comportamento diferente pode sinalizar “preciso perguntar, não supor”.

Vergonha e culpa

Vergonha sinaliza: ameaça à imagem, pertencimento ou aceitação social; sensação de “eu sou inadequado”.

Culpa sinaliza: percepção de que você feriu um valor ou causou dano; foco em “eu fiz algo inadequado”.

  • Função: ajuste social e reparo; orientar reconexão com valores e relações.
  • Exemplo no trabalho: vergonha após errar em público pode sinalizar “preciso de suporte e de separar erro de identidade”.
  • Exemplo na família: culpa por ter sido ríspido pode sinalizar “preciso reparar: reconhecer, pedir desculpas e combinar diferente”.
  • Exemplo em relacionamentos: culpa por esquecer um compromisso pode sinalizar “preciso retomar confiança com ações concretas”.

Nota prática: culpa tende a ser mais útil quando vira reparo. Vergonha tende a piorar quando vira isolamento; costuma melhorar com acolhimento, responsabilidade e conversa segura.

Emoções não são “certas” ou “erradas”: são informações

Uma emoção pode ser compreensível e ainda assim levar a uma ação pouco útil se você agir no impulso. O objetivo é tratar a emoção como um dado a ser interpretado.

  • Medo pode trazer o dado “há risco” — e você pode responder com preparo, não com paralisação.
  • Raiva pode trazer o dado “um limite foi cruzado” — e você pode responder com assertividade, não com ataque.
  • Tristeza pode trazer o dado “algo importa e foi perdido” — e você pode responder com cuidado e apoio, não com desistência total.
  • Vergonha pode trazer o dado “estou me sentindo exposto” — e você pode responder com autocuidado e correção de rota, não com autoagressão.

Passo a passo: usando a emoção como bússola no cotidiano

Use este roteiro curto quando perceber uma emoção subindo (no trabalho, em casa, em uma conversa difícil). A ideia é criar um pequeno espaço entre sentir e agir.

1) Pare por 10 segundos e localize no corpo

  • Onde isso aparece? Peito, garganta, estômago, rosto, mãos?
  • Qual a intensidade de 0 a 10?

2) Nomeie a família emocional (sem justificar)

Escolha uma categoria principal: medo, raiva, tristeza, nojo, alegria, surpresa, vergonha/culpa. Se ajudar, use um rótulo mais específico: “ansiedade”, “frustração”, “decepção”, “alívio”, “constrangimento”.

3) Identifique o gatilho observável

Descreva como câmera, sem interpretação: “recebi a mensagem”, “ouvi tal frase”, “vi tal expressão”, “o prazo mudou”, “ele não respondeu”.

4) Pergunte qual função está ativa

Isso parece mais sobre proteção, aproximação, limites ou motivação?

5) Escolha uma micro-ação útil (não perfeita)

  • Se for medo: pedir clareza, checar dados, preparar, adiar decisão impulsiva.
  • Se for raiva: pausar, escrever o que precisa, fazer um pedido assertivo, negociar.
  • Se for tristeza: buscar apoio, reduzir carga, fazer algo restaurador, conversar com calma.
  • Se for vergonha/culpa: separar “eu” de “meu comportamento”, reparar, aprender, combinar diferente.

Estrutura de observação em três perguntas

  • O que estou sentindo?
  • O que isso está tentando me dizer?
  • O que preciso agora?

Agora responda o exercício sobre o conteúdo:

Qual alternativa descreve melhor a diferença entre sentir uma emoção e agir de forma reativa?

Você acertou! Parabéns, agora siga para a próxima página

Você errou! Tente novamente.

Emoção é o que surge internamente (sensações, impulsos e pensamentos). Reatividade é agir no impulso, com pouca escolha, quando não há espaço entre sentir e fazer.

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Inteligência Emocional e o ciclo emoção–pensamento–corpo–contexto

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