Conceito: instalar sem “forçar” o portão
Na instalação de um portão de abrir, o objetivo é fazer a folha girar livremente no próprio peso, sem torção e sem necessidade de empurrar para “achar” o fechamento. Isso depende de três controles simultâneos: (1) eixo das dobradiças perfeitamente alinhado (mesma linha), (2) folha em prumo (vertical) e (3) folgas uniformes ao redor do vão. Quando qualquer um desses pontos falha, surgem sintomas típicos: travamento no meio do curso, retorno/“mola” ao soltar, raspagem no piso, fechamento duro e desgaste prematuro de dobradiças e fechadura.
Ferramentas e itens de apoio (para o passo a passo)
- Nível de bolha e/ou nível a laser; prumo de centro.
- Trena, esquadro, linha de nylon e marcador.
- Calços rígidos (madeira dura, nylon, aço) em várias espessuras.
- Sargentos/grampos, cunhas, escoras.
- Furadeira/parafusadeira e brocas (se fixação parafusada); máquina de solda (se fixação soldada).
- Placas/chapas de fixação e reforços (quando aplicável).
Posicionamento correto das dobradiças (altura, alinhamento e reforços)
Altura recomendada e lógica de posicionamento
Use como referência prática: dobradiça superior próxima ao topo para controlar torção e dobradiça inferior próxima à base para suportar carga. Em portões altos ou pesados, considere uma terceira dobradiça intermediária para reduzir flexão do montante e distribuir esforço.
- Dobradiça superior: posicionada próxima ao travessão superior (ou reforço superior), para “segurar” a folha contra empeno durante a abertura.
- Dobradiça inferior: posicionada próxima ao travessão inferior (ou reforço inferior), onde a carga é transferida ao pilar.
- Terceira dobradiça (se houver): centralizada entre as duas, ou deslocada para a região onde há maior solicitação (ex.: portão com fechadura pesada ou com travessas concentradas).
Alinhamento entre eixos: o ponto que mais evita travamento
As duas (ou três) dobradiças precisam ter seus eixos na mesma linha. Se um eixo ficar “para dentro” ou “para fora” em relação ao outro, a folha tenta torcer durante a rotação e começa a travar. Uma forma prática de controlar isso é usar uma régua reta/linha de referência encostada nos pontos de eixo, ou ainda montar com um pino/haste guia passando pelos eixos (quando o modelo permite) para garantir coaxialidade.
Reforços e chapas: quando e como usar
Para evitar que o ponto de solda ou parafuso “arranque” ou deforme o perfil, aplique reforços onde a dobradiça se fixa:
- No portão (folha): chapas internas/externas ou “orelhas” de reforço soldadas ao montante, aumentando a área de contato.
- No pilar: chapas de base para distribuir carga, especialmente em pilares metálicos finos ou em alvenaria com chumbadores.
- Regra prática: o reforço deve amarrar a dobradiça ao montante e, se possível, a um travessão próximo (superior/inferior), reduzindo a chance de o montante “abrir” com o tempo.
Passo a passo de instalação no local
1) Marcação no local (referências e pontos de fixação)
Com o vão já conferido, marque no pilar as alturas das dobradiças conforme o projeto/folhas. Transfira as alturas usando trena e nível (ou laser) para que a dobradiça superior e inferior fiquem exatamente nas cotas definidas. Marque também a linha do eixo das dobradiças (a “linha de giro”) para manter todas no mesmo alinhamento.
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Dica prática: marque uma linha vertical de referência no pilar (com nível/laser). Essa linha ajuda a manter as chapas/suportes no mesmo plano e evita que uma dobradiça fique mais “para fora” que a outra.
2) Fixação de suportes/chapas no pilar (pré-fixação controlada)
Fixe primeiro as chapas/suportes do lado do pilar, mas sem finalizar totalmente (no caso de parafusos, aperto parcial; no caso de solda, apenas pontos/ponteamento). O objetivo é permitir microajustes antes do travamento definitivo.
- Fixação parafusada: fure e instale chumbadores/parafusos; deixe folga mínima para ajuste (sem “dançar”). Se houver rasgos oblongos, use-os para ajuste fino.
- Fixação soldada: faça ponteamentos curtos e alternados, mantendo a peça encostada e alinhada à marcação. Evite soldar tudo antes de pendurar a folha.
3) Posicionamento do portão com calços (altura e folgas)
Com o pilar pronto para receber as dobradiças, posicione a folha no vão usando calços no piso e, se necessário, calços laterais. Ajuste a altura final e mantenha a folha estável com escoras/grampos.
- Coloque calços sob a folha para definir a altura em relação ao piso e evitar que o peso fique “pendurado” durante o ajuste.
- Use calços laterais para centralizar a folha e manter folgas uniformes.
- Garanta que a folha esteja no plano correto (sem “barriga” para dentro/fora do vão).
4) Acoplamento das dobradiças na folha (alinhamento do eixo e conferências)
Encoste as partes das dobradiças na folha (montante do lado das dobradiças) e faça a pré-fixação (ponteamento ou parafusos ainda sem torque final). Antes de fixar definitivamente, faça estas conferências:
- Coaxialidade: confira se o eixo superior e inferior estão na mesma linha. Se necessário, ajuste a posição das chapas no pilar antes de travar.
- Plano da folha: verifique se a folha não está “torcida” em relação ao pilar (use régua longa ou linha de nylon).
- Folgas: confira se as folgas laterais e superior estão uniformes e se a folga inferior atende ao previsto para o piso.
5) Verificação de prumo e nível (controle antes do travamento)
Com a folha apoiada nos calços, verifique:
- Prumo do montante de fechadura: aplique nível vertical no montante oposto às dobradiças. Ajuste calços até ficar em prumo.
- Prumo do montante das dobradiças: confira também o lado das dobradiças; se este lado estiver fora, a folha pode “cair” ao abrir.
- Nível do travessão superior: confira o topo da folha. Se estiver fora de nível, o fechamento tende a “subir” ou “descer” ao encostar no batente.
Teste rápido: com a folha semiaberta (aprox. 30–45°), solte com cuidado. Se ela tende a abrir sozinha ou fechar sozinha, há indício de eixo inclinado (dobradiças fora de prumo) ou folha fora de prumo.
6) Solda/parafusamento final (travamento definitivo sem induzir empeno)
Somente após as conferências, finalize a fixação:
- Solda: solde em cordões alternados e curtos, intercalando pontos entre dobradiça superior e inferior para reduzir puxamento. Evite concentrar calor em um único lado.
- Parafusos: aperte em sequência cruzada (quando houver múltiplos parafusos na chapa), conferindo prumo e folgas a cada etapa. Use arruelas adequadas e travamento (porca travante ou trava química) quando necessário.
Regulagem de folgas e fechamento suave
Ajuste fino sem “forçar” a folha
Se após a fixação a folha apresentar raspagem ou fechamento pesado, corrija pela causa (eixo, prumo, plano), não “compense” dobrando peças ou empurrando o portão para fechar. Ajustes típicos:
- Raspa no piso: revise altura nos calços (se ainda possível), ou ajuste a posição da dobradiça inferior (quando há regulagem). Em casos sem regulagem, pode exigir reposicionamento da dobradiça no pilar.
- Trava no meio do curso: sinal clássico de eixos desalinhados. Refaça o alinhamento coaxial das dobradiças (uma delas está fora do plano).
- Fecha “duro” no final: pode ser batente mal posicionado, folha fora de prumo ou folga lateral insuficiente no lado do batente.
Batentes e limitadores de abertura
Defina dois elementos: (1) batente de fechamento (onde a folha encosta ao fechar) e (2) limitador de abertura (para não ultrapassar o ângulo e sobrecarregar dobradiças/pilar).
- Batente de fechamento: posicione para receber a folha sem empurrar para fora do prumo. O contato deve ocorrer de forma progressiva, sem “bater” primeiro em cima ou embaixo.
- Limitador de abertura: instale de modo que a folha pare antes de encostar em muro/grade ou antes de a dobradiça atingir fim de curso. Pode ser no piso, no pilar ou na própria folha, conforme o projeto.
Dica prática: ao definir o batente, feche a folha lentamente e observe onde ela encosta primeiro. Se encosta apenas em um ponto (alto ou baixo), ajuste o batente ou corrija o prumo/alinhamento até o contato ficar uniforme.
Testes finais de abertura/fechamento e critérios de aceitação
Sequência de testes
- Teste de curso completo: abrir e fechar 10 vezes, em velocidade lenta e normal, observando raspagens, ruídos e pontos de travamento.
- Teste de “soltar” em meia abertura: posicionar em 30–45° e soltar com cuidado; não deve haver movimento espontâneo significativo (indicativo de eixo inclinado).
- Teste de alinhamento no fechamento: ao encostar no batente, a folha deve alinhar sem precisar levantar/empurrar lateralmente.
- Teste de folgas: conferir visualmente e com calibrador/espessímetro (ou calços padrão) se as folgas permanecem constantes ao longo da altura.
- Teste de batente e limitador: confirmar que o batente segura sem deformar e que o limitador impede abertura excessiva sem impacto forte.
Critérios de aceitação (checklist objetivo)
| Item | Aceitação | Sinal de problema |
|---|---|---|
| Giro nas dobradiças | Movimento contínuo, sem travar | Trava no meio do curso |
| Prumo da folha | Montantes em prumo | Folha “puxa” para abrir/fechar sozinha |
| Folgas | Uniformes e sem raspagem | Raspa no piso ou encosta no batente em um ponto |
| Fechamento | Fecha suave, sem necessidade de força | Precisa empurrar/levantar para trancar |
| Batente/limitador | Contato firme e controlado | Impacto, deformação ou abertura excessiva |
Correções rápidas (mapa de sintomas)
- Portão “cai” com o tempo: reforço insuficiente no ponto da dobradiça, fixação fraca no pilar ou eixo desalinhado gerando esforço lateral.
- Raspa só quando abre: folha fora do plano (torção) ou eixo das dobradiças não está perpendicular ao plano do portão.
- Fecha e “volta”: batente empurrando a folha para fora do alinhamento; reposicionar batente e revisar prumo.