Instalação de portões de abrir: posicionamento de dobradiças, prumo e alinhamento

Capítulo 14

Tempo estimado de leitura: 9 minutos

+ Exercício

Conceito: instalar sem “forçar” o portão

Na instalação de um portão de abrir, o objetivo é fazer a folha girar livremente no próprio peso, sem torção e sem necessidade de empurrar para “achar” o fechamento. Isso depende de três controles simultâneos: (1) eixo das dobradiças perfeitamente alinhado (mesma linha), (2) folha em prumo (vertical) e (3) folgas uniformes ao redor do vão. Quando qualquer um desses pontos falha, surgem sintomas típicos: travamento no meio do curso, retorno/“mola” ao soltar, raspagem no piso, fechamento duro e desgaste prematuro de dobradiças e fechadura.

Ferramentas e itens de apoio (para o passo a passo)

  • Nível de bolha e/ou nível a laser; prumo de centro.
  • Trena, esquadro, linha de nylon e marcador.
  • Calços rígidos (madeira dura, nylon, aço) em várias espessuras.
  • Sargentos/grampos, cunhas, escoras.
  • Furadeira/parafusadeira e brocas (se fixação parafusada); máquina de solda (se fixação soldada).
  • Placas/chapas de fixação e reforços (quando aplicável).

Posicionamento correto das dobradiças (altura, alinhamento e reforços)

Altura recomendada e lógica de posicionamento

Use como referência prática: dobradiça superior próxima ao topo para controlar torção e dobradiça inferior próxima à base para suportar carga. Em portões altos ou pesados, considere uma terceira dobradiça intermediária para reduzir flexão do montante e distribuir esforço.

  • Dobradiça superior: posicionada próxima ao travessão superior (ou reforço superior), para “segurar” a folha contra empeno durante a abertura.
  • Dobradiça inferior: posicionada próxima ao travessão inferior (ou reforço inferior), onde a carga é transferida ao pilar.
  • Terceira dobradiça (se houver): centralizada entre as duas, ou deslocada para a região onde há maior solicitação (ex.: portão com fechadura pesada ou com travessas concentradas).

Alinhamento entre eixos: o ponto que mais evita travamento

As duas (ou três) dobradiças precisam ter seus eixos na mesma linha. Se um eixo ficar “para dentro” ou “para fora” em relação ao outro, a folha tenta torcer durante a rotação e começa a travar. Uma forma prática de controlar isso é usar uma régua reta/linha de referência encostada nos pontos de eixo, ou ainda montar com um pino/haste guia passando pelos eixos (quando o modelo permite) para garantir coaxialidade.

Reforços e chapas: quando e como usar

Para evitar que o ponto de solda ou parafuso “arranque” ou deforme o perfil, aplique reforços onde a dobradiça se fixa:

  • No portão (folha): chapas internas/externas ou “orelhas” de reforço soldadas ao montante, aumentando a área de contato.
  • No pilar: chapas de base para distribuir carga, especialmente em pilares metálicos finos ou em alvenaria com chumbadores.
  • Regra prática: o reforço deve amarrar a dobradiça ao montante e, se possível, a um travessão próximo (superior/inferior), reduzindo a chance de o montante “abrir” com o tempo.

Passo a passo de instalação no local

1) Marcação no local (referências e pontos de fixação)

Com o vão já conferido, marque no pilar as alturas das dobradiças conforme o projeto/folhas. Transfira as alturas usando trena e nível (ou laser) para que a dobradiça superior e inferior fiquem exatamente nas cotas definidas. Marque também a linha do eixo das dobradiças (a “linha de giro”) para manter todas no mesmo alinhamento.

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Dica prática: marque uma linha vertical de referência no pilar (com nível/laser). Essa linha ajuda a manter as chapas/suportes no mesmo plano e evita que uma dobradiça fique mais “para fora” que a outra.

2) Fixação de suportes/chapas no pilar (pré-fixação controlada)

Fixe primeiro as chapas/suportes do lado do pilar, mas sem finalizar totalmente (no caso de parafusos, aperto parcial; no caso de solda, apenas pontos/ponteamento). O objetivo é permitir microajustes antes do travamento definitivo.

  • Fixação parafusada: fure e instale chumbadores/parafusos; deixe folga mínima para ajuste (sem “dançar”). Se houver rasgos oblongos, use-os para ajuste fino.
  • Fixação soldada: faça ponteamentos curtos e alternados, mantendo a peça encostada e alinhada à marcação. Evite soldar tudo antes de pendurar a folha.

3) Posicionamento do portão com calços (altura e folgas)

Com o pilar pronto para receber as dobradiças, posicione a folha no vão usando calços no piso e, se necessário, calços laterais. Ajuste a altura final e mantenha a folha estável com escoras/grampos.

  • Coloque calços sob a folha para definir a altura em relação ao piso e evitar que o peso fique “pendurado” durante o ajuste.
  • Use calços laterais para centralizar a folha e manter folgas uniformes.
  • Garanta que a folha esteja no plano correto (sem “barriga” para dentro/fora do vão).

4) Acoplamento das dobradiças na folha (alinhamento do eixo e conferências)

Encoste as partes das dobradiças na folha (montante do lado das dobradiças) e faça a pré-fixação (ponteamento ou parafusos ainda sem torque final). Antes de fixar definitivamente, faça estas conferências:

  • Coaxialidade: confira se o eixo superior e inferior estão na mesma linha. Se necessário, ajuste a posição das chapas no pilar antes de travar.
  • Plano da folha: verifique se a folha não está “torcida” em relação ao pilar (use régua longa ou linha de nylon).
  • Folgas: confira se as folgas laterais e superior estão uniformes e se a folga inferior atende ao previsto para o piso.

5) Verificação de prumo e nível (controle antes do travamento)

Com a folha apoiada nos calços, verifique:

  • Prumo do montante de fechadura: aplique nível vertical no montante oposto às dobradiças. Ajuste calços até ficar em prumo.
  • Prumo do montante das dobradiças: confira também o lado das dobradiças; se este lado estiver fora, a folha pode “cair” ao abrir.
  • Nível do travessão superior: confira o topo da folha. Se estiver fora de nível, o fechamento tende a “subir” ou “descer” ao encostar no batente.

Teste rápido: com a folha semiaberta (aprox. 30–45°), solte com cuidado. Se ela tende a abrir sozinha ou fechar sozinha, há indício de eixo inclinado (dobradiças fora de prumo) ou folha fora de prumo.

6) Solda/parafusamento final (travamento definitivo sem induzir empeno)

Somente após as conferências, finalize a fixação:

  • Solda: solde em cordões alternados e curtos, intercalando pontos entre dobradiça superior e inferior para reduzir puxamento. Evite concentrar calor em um único lado.
  • Parafusos: aperte em sequência cruzada (quando houver múltiplos parafusos na chapa), conferindo prumo e folgas a cada etapa. Use arruelas adequadas e travamento (porca travante ou trava química) quando necessário.

Regulagem de folgas e fechamento suave

Ajuste fino sem “forçar” a folha

Se após a fixação a folha apresentar raspagem ou fechamento pesado, corrija pela causa (eixo, prumo, plano), não “compense” dobrando peças ou empurrando o portão para fechar. Ajustes típicos:

  • Raspa no piso: revise altura nos calços (se ainda possível), ou ajuste a posição da dobradiça inferior (quando há regulagem). Em casos sem regulagem, pode exigir reposicionamento da dobradiça no pilar.
  • Trava no meio do curso: sinal clássico de eixos desalinhados. Refaça o alinhamento coaxial das dobradiças (uma delas está fora do plano).
  • Fecha “duro” no final: pode ser batente mal posicionado, folha fora de prumo ou folga lateral insuficiente no lado do batente.

Batentes e limitadores de abertura

Defina dois elementos: (1) batente de fechamento (onde a folha encosta ao fechar) e (2) limitador de abertura (para não ultrapassar o ângulo e sobrecarregar dobradiças/pilar).

  • Batente de fechamento: posicione para receber a folha sem empurrar para fora do prumo. O contato deve ocorrer de forma progressiva, sem “bater” primeiro em cima ou embaixo.
  • Limitador de abertura: instale de modo que a folha pare antes de encostar em muro/grade ou antes de a dobradiça atingir fim de curso. Pode ser no piso, no pilar ou na própria folha, conforme o projeto.

Dica prática: ao definir o batente, feche a folha lentamente e observe onde ela encosta primeiro. Se encosta apenas em um ponto (alto ou baixo), ajuste o batente ou corrija o prumo/alinhamento até o contato ficar uniforme.

Testes finais de abertura/fechamento e critérios de aceitação

Sequência de testes

  • Teste de curso completo: abrir e fechar 10 vezes, em velocidade lenta e normal, observando raspagens, ruídos e pontos de travamento.
  • Teste de “soltar” em meia abertura: posicionar em 30–45° e soltar com cuidado; não deve haver movimento espontâneo significativo (indicativo de eixo inclinado).
  • Teste de alinhamento no fechamento: ao encostar no batente, a folha deve alinhar sem precisar levantar/empurrar lateralmente.
  • Teste de folgas: conferir visualmente e com calibrador/espessímetro (ou calços padrão) se as folgas permanecem constantes ao longo da altura.
  • Teste de batente e limitador: confirmar que o batente segura sem deformar e que o limitador impede abertura excessiva sem impacto forte.

Critérios de aceitação (checklist objetivo)

ItemAceitaçãoSinal de problema
Giro nas dobradiçasMovimento contínuo, sem travarTrava no meio do curso
Prumo da folhaMontantes em prumoFolha “puxa” para abrir/fechar sozinha
FolgasUniformes e sem raspagemRaspa no piso ou encosta no batente em um ponto
FechamentoFecha suave, sem necessidade de forçaPrecisa empurrar/levantar para trancar
Batente/limitadorContato firme e controladoImpacto, deformação ou abertura excessiva

Correções rápidas (mapa de sintomas)

  • Portão “cai” com o tempo: reforço insuficiente no ponto da dobradiça, fixação fraca no pilar ou eixo desalinhado gerando esforço lateral.
  • Raspa só quando abre: folha fora do plano (torção) ou eixo das dobradiças não está perpendicular ao plano do portão.
  • Fecha e “volta”: batente empurrando a folha para fora do alinhamento; reposicionar batente e revisar prumo.

Agora responda o exercício sobre o conteúdo:

Ao instalar um portão de abrir, qual conjunto de verificações é essencial para garantir que a folha gire livremente, sem travar e sem precisar “forçar” o fechamento?

Você acertou! Parabéns, agora siga para a próxima página

Você errou! Tente novamente.

O funcionamento sem travamentos depende do controle simultâneo de coaxialidade das dobradiças, prumo da folha e folgas uniformes. Se um deles falhar, surgem sintomas como travamento, raspagem e fechamento duro.

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