Instalação de grades fixas e grades com abertura: chumbamento, parafusamento e alinhamento

Capítulo 16

Tempo estimado de leitura: 10 minutos

+ Exercício

O que muda na instalação: grade fixa x grade com abertura

Na prática, a instalação de grades se divide em dois cenários: grades fixas (sem partes móveis) e grades com abertura (uma ou duas folhas). A diferença principal está no tipo de esforço que a fixação precisa suportar. A grade fixa trabalha quase toda em carga estática (peso próprio e eventuais empurrões). Já a grade com abertura adiciona cargas dinâmicas (batidas, alavancas, torção ao abrir/fechar), exigindo atenção redobrada em pontos como dobradiças, batentes e folgas.

Métodos de fixação: alvenaria e metal

1) Fixação em alvenaria com chumbadores mecânicos

Chumbadores mecânicos (parabolt, wedge anchor, âncora de expansão) fixam por expansão dentro do furo. São rápidos e eficientes quando a base é resistente (concreto, bloco estrutural bem grauteado).

  • Quando usar: concreto, pilares, vergas e regiões sem risco de esfarelar; quando se deseja montagem rápida.
  • Cuidados: evitar proximidade excessiva de bordas e cantos; respeitar profundidade e diâmetro do fabricante; não “forçar” em alvenaria fraca.
  • Vantagem: instalação imediata (aperto e pronto).
  • Limitação: em tijolo furado ou reboco espesso, pode perder resistência ou trincar.

2) Fixação em alvenaria com chumbadores químicos

Chumbadores químicos usam resina (epóxi, viniléster, poliéster) para colar uma barra roscada ou vergalhão no furo. É uma solução muito usada quando a alvenaria é irregular, quando se precisa de alta resistência ou quando não se quer expansão que possa trincar a base.

  • Quando usar: tijolo maciço, bloco, concreto com borda próxima, situações com vibração, e quando se quer maior controle de posicionamento.
  • Cuidados: limpeza do furo é crítica; respeitar tempo de cura; usar peneira (manga) em alvenaria vazada quando recomendado.
  • Vantagem: alta resistência e menor risco de fissura por expansão.
  • Limitação: depende de cura e de execução correta (furo limpo e seco conforme resina).

3) Fixação com parafusos e buchas adequadas

Parafusos com buchas (nylon, poliamida, bucha química com tela, bucha metálica) são comuns em grades leves e em pontos de acabamento. O segredo é escolher a bucha conforme o material base e o esforço.

  • Quando usar: grades leves, fixações auxiliares, travas de acabamento, ou quando o projeto prevê múltiplos pontos distribuindo carga.
  • Cuidados: bucha errada em tijolo furado “gira” e não trava; reboco não é base estrutural; preferir fixar em concreto/estrutura sempre que possível.

4) Fixação em estrutura metálica: solda em chapas de base e parafusamento

Quando a grade é instalada em pilares metálicos, vigas ou caixilhos de aço, é comum usar chapas de base (placas) soldadas na grade e depois fixadas ao metal por solda ou parafusos.

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  • Solda em chapas de base: indicada quando se quer rigidez máxima e não há necessidade de desmontagem. Exige controle de calor para não empenar e proteção anticorrosiva completa depois.
  • Parafusamento em metal: pode ser feito com porca e parafuso passante, porca rebitável (rivnut) ou parafuso autobrocante (para chapas finas). É útil quando se deseja manutenção/desmontagem.

Passo a passo: instalação de grade fixa em alvenaria (chumbamento/parafusamento)

Etapa 1 — Marcação dos pontos de fixação

  • Posicione a grade no vão com calços provisórios para manter afastamento do piso e centralização.
  • Marque os pontos de furação pelas chapas de fixação ou pelos olhais/orelhas de ancoragem.
  • Distribua os pontos priorizando regiões rígidas da grade (montantes e travessas), evitando fixar apenas em barras finas.

Etapa 2 — Furação correta (base e peça)

  • Fure a alvenaria no diâmetro e profundidade compatíveis com o chumbador/bucha.
  • Se houver chapa de base, confira se os furos permitem pequena regulagem (ex.: furo oblongo) para compensar variações do vão.

Etapa 3 — Limpeza do furo (essencial para chumbador químico)

Para chumbador químico, a aderência depende da limpeza. Um procedimento prático:

1) Soprar o furo (bomba de ar ou compressor) 2 a 3 vezes 2) Escovar com escova de aço do diâmetro correto 3) Soprar novamente 2 a 3 vezes

Em alvenaria vazada, usar tela/manga quando indicado pelo fabricante da resina.

Etapa 4 — Instalação do fixador

  • Chumbador mecânico: inserir, assentar e apertar com torque progressivo. Evite apertar “até esmagar” a chapa.
  • Chumbador químico: injetar resina (descartar o primeiro jato até homogeneizar), inserir barra roscada girando, respeitar tempo de cura antes de apertar porcas.
  • Parafuso com bucha: inserir bucha, posicionar a grade e apertar sem espanar. Se a bucha “rodar”, o furo está grande ou a base é inadequada.

Etapa 5 — Ajuste com calços e compensação de irregularidades

Vãos reais raramente são perfeitos. Para manter a grade alinhada e com acabamento limpo:

  • Calços rígidos: use calços metálicos (chapinhas) ou plásticos estruturais entre chapa de base e parede para corrigir barriga/torção do vão.
  • Evite calço “mole”: madeira crua e materiais compressíveis podem ceder com o tempo.
  • Acabamento de frestas: quando houver folgas visuais, planeje arremates com cantoneiras, guarnições ou selante apropriado (ver seção de vedação).

Etapa 6 — Aperto final e conferência de alinhamento visual

  • Faça o aperto final alternando os pontos para não puxar a grade para um lado.
  • Confira o alinhamento em três leituras: prumo (vertical), nível (horizontal) e plano (se a grade não está “torcida”).

Como manter prumo, nível e “linha” (alinhamento visual)

Além de estar tecnicamente no prumo e nível, a grade precisa “bater linha” com referências do ambiente (pilares, esquadrias, quinas). Algumas práticas ajudam:

  • Prumo: use nível de bolha longo ou prumo de face em montantes principais. Em peças altas, confira em dois pontos (alto e baixo).
  • Nível: confira travessas superiores e inferiores. Se o piso for caído, decida se a referência é o piso ou a linha da fachada (normalmente a fachada).
  • Linha/planeza: estique uma linha de pedreiro ou use régua longa encostada em pontos estratégicos para ver se há “barriga”.
  • Controle por diagonais visuais: observe a repetição dos vãos entre barras; desalinhamentos pequenos ficam evidentes em grades com barras paralelas.

Passo a passo: grade com abertura (folha móvel) — dobradiças, trinco e batentes

Grades com abertura exigem que o conjunto fixe bem e, ao mesmo tempo, permita movimento sem interferência. A instalação deve ser pensada como um sistema: pivôs/dobradiças + batente + trava (trinco/fecho).

Etapa 1 — Fixação do marco/batente (quando existir)

  • Se a grade possui marco, instale e fixe o marco primeiro (em alvenaria ou metal), mantendo prumo e esquadro do conjunto.
  • Use calços entre marco e parede para corrigir irregularidades e evitar que o aperto “entorte” o marco.

Etapa 2 — Posicionamento e fixação das dobradiças

  • Com a folha apoiada em calços na altura final, alinhe a folha ao marco/batente.
  • Garanta que o eixo das dobradiças fique alinhado (mesma linha vertical). Desalinhamento de eixo causa travamento e desgaste.
  • Em fixação por parafuso, prefira pontos estruturais (chapas reforçadas) e use fixadores compatíveis com o esforço de abertura.

Etapa 3 — Definição de folgas funcionais (sem repetir dimensionamentos)

Mesmo com folgas já definidas em projeto, na instalação você precisa validar na prática:

  • Folga lateral: deve permitir abrir/fechar sem raspar, mesmo se houver pequena dilatação ou assentamento.
  • Folga inferior: deve considerar irregularidade do piso e sujeira (areia/pedrinhas) que pode entrar.
  • Folga superior: evita encostar em verga torta e facilita pintura/manutenção.

Etapa 4 — Instalação do batente (ponto de parada) e ajuste de fechamento

  • O batente deve receber o impacto do fechamento, não a fechadura/trinco sozinho.
  • Posicione o batente com a folha fechada, garantindo que a folha encoste de forma uniforme e sem “empurrar” para fora do prumo.
  • Se houver duas folhas, ajuste o encontro central para não haver interferência entre elas durante o movimento.

Etapa 5 — Trinco/fecho: alinhamento e funcionamento

  • Marque o ponto do trinco com a folha na posição real de fechamento (sem forçar).
  • Ao instalar contra-peça (testa/recebedor), deixe margem para microajustes (furos oblongos ajudam).
  • Teste repetidas vezes: fecho deve entrar e sair sem “raspar” e sem exigir levantar/empurrar a folha.

Etapa 6 — Testes de interferência e correções finas

  • Abra e feche lentamente observando pontos de contato: piso, batente, laterais e encontro.
  • Se houver raspagem por irregularidade do vão, corrija com calços no marco ou ajuste do batente, evitando “resolver” apenas desbastando a folha (isso pode comprometer estética e proteção).

Compensando irregularidades do vão: técnicas práticas

Calçamento por pontos (chapa de base)

Quando a parede tem barriga, a chapa de base pode ficar “no ar” em parte da área. O correto é calçar para que o aperto não deforme a chapa nem puxe a grade.

  • Use calços metálicos em camadas finas até encostar.
  • Distribua calços próximos aos parafusos/chumbadores.

Furos oblongos e arruelas largas

Para pequenas correções de posição sem perder resistência:

  • Furo oblongo na chapa permite deslocamento controlado.
  • Use arruela larga para cobrir o oblongo e distribuir carga.

Arremates e guarnições

Quando a estética exige esconder frestas ou irregularidades:

  • Cantoneiras e guarnições metálicas podem cobrir folgas.
  • Selante elástico pode complementar, desde que aplicado sobre superfície limpa e preparada.

Vedação e proteção contra corrosão nos pontos de fixação

Pontos de fixação são áreas críticas: há corte de pintura, contato metal-metal, umidade retida e, às vezes, mistura de metais diferentes. Recomendações práticas:

1) Preparação antes da fixação

  • Se a grade já está pintada, proteja a pintura ao redor dos furos para evitar descascamento por ferramentas.
  • Em chapas de base, aplique primer/repintura nas bordas e furos após ajustes e antes do aperto final, quando possível.

2) Selagem contra entrada de água

  • Aplique selante (PU ou MS polímero, conforme compatibilidade com pintura) no contorno de chapas de base e em cabeças de parafuso expostas à chuva.
  • Evite “selar” de forma que crie bolsões sem drenagem. Prefira selar a parte superior e laterais, deixando caminho para escoamento inferior quando aplicável.

3) Proteção de fixadores e interfaces

  • Prefira fixadores galvanizados ou inox conforme ambiente (externo, litoral, área industrial).
  • Use arruelas adequadas para evitar danificar a pintura e reduzir frestas onde a água fica retida.
  • Após instalação, retoque com tinta/primer nos pontos onde houve risco de metal exposto (cortes, rebarbas, respingos de solda removidos).

4) Atenção à corrosão galvânica

Quando metais diferentes ficam em contato (ex.: inox com aço carbono), pode haver corrosão acelerada em presença de umidade. Se necessário:

  • Use arruelas isolantes ou uma camada de primer/selante entre as superfícies.
  • Evite contato direto prolongado em áreas externas sem proteção.

Tabela rápida: escolha do método de fixação (visão prática)

SituaçãoMétodo recomendadoPonto de atenção
Concreto/pilar estrutural, montagem rápidaChumbador mecânicoTorque correto e distância de borda
Alvenaria com risco de trinca ou borda próximaChumbador químicoLimpeza do furo e tempo de cura
Tijolo furado/bloco vazadoQuímico com tela ou solução projetadaEvitar expansão que esfarela
Estrutura metálica existenteChapa de base soldada ou parafusadaProteção anticorrosiva pós-solda
Grade leve e múltiplos pontosParafuso + bucha adequadaNão confiar em reboco como base

Agora responda o exercício sobre o conteúdo:

Ao instalar uma grade com abertura (folha móvel), qual prática é mais importante para evitar travamento e desgaste durante o uso?

Você acertou! Parabéns, agora siga para a próxima página

Você errou! Tente novamente.

Grades com abertura sofrem cargas dinâmicas. Alinhar o eixo das dobradiças evita travamento e desgaste, e conferir folgas (lateral, inferior e superior) garante abertura/fechamento sem interferências mesmo com irregularidades do vão.

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