Objetivo da inspeção pré-limpeza
A inspeção visual e funcional antes da limpeza é um diagnóstico rápido, feito com o equipamento montado e em operação, para identificar sinais evidentes de sujeira e também sintomas que podem indicar falhas técnicas. Essa etapa evita “limpar e torcer para resolver” e ajuda a decidir se a limpeza simples é suficiente ou se é necessário encaminhar para avaliação técnica (ex.: refrigeração, elétrica, ventilação, drenagem).
O que observar (conceito prático)
O roteiro se baseia em três pilares: estado físico (fixação, carenagem, vazamentos), comportamento em funcionamento (ruídos, vibração, ciclos) e desempenho térmico percebido (fluxo de ar e diferença de temperatura entre retorno e insuflação). Com isso, você diferencia sintomas típicos de sujeira (restrição de ar, odor, queda gradual de desempenho) de sinais de falha (gelo, pingamento persistente, ciclos anormais, baixa capacidade mesmo com bom fluxo).
Checklist de inspeção visual (equipamento desligado)
1) Estado geral e carenagem
- Carenagem e tampas: verifique trincas, folgas, encaixes soltos e deformações. Folgas podem gerar ruído e vibração.
- Aletas e grelhas: observe se há acúmulo visível de poeira na entrada de ar (retorno) e na saída (insuflação). Poeira concentrada na entrada costuma indicar filtro saturado ou ambiente com alta carga de partículas.
- Persianas (defletores): confira se estão íntegras e se movimentam livremente (sem forçar).
2) Fixação e nível aparente
- Evaporadora na parede: observe se está “torta” ou com afastamento irregular da parede. Desnível pode favorecer transbordo de água pela bandeja.
- Condensadora (unidade externa): verifique se há sinais de base frouxa, suportes com corrosão, parafusos faltando e borrachas/coxims danificados (quando visíveis). Fixação ruim aumenta vibração e ruído.
3) Indícios de água e umidade
- Pingos, manchas ou marcas: procure marcas de escorrimento na parede, na carenagem e abaixo da evaporadora.
- Umidade persistente: pode sugerir dreno parcialmente obstruído, bandeja suja com biofilme ou isolamento térmico comprometido em algum trecho acessível.
4) Indícios de gelo
- Gelo visível na evaporadora: se houver gelo aparecendo na saída de ar, na região interna visível ou em tubulação aparente, trate como sinal de anomalia (não é “normal de sujeira” quando é intenso ou recorrente).
Teste funcional rápido (equipamento ligado)
Faça o teste com portas e janelas fechadas, modo resfriar (cool), ventilação em médio/alto e setpoint baixo (ex.: 18–20 °C) por alguns minutos para estabilizar. Evite mudar configurações durante a medição para não confundir o comportamento do controle.
Passo a passo prático
1) Ruídos e vibração
- Ouça no início e após estabilizar: estalos ocasionais podem ocorrer por dilatação, mas ruído metálico contínuo, “ronco” forte ou vibração que aumenta com a rotação do ventilador merece atenção.
- Teste simples: alterne a velocidade do ventilador (baixo → alto). Se o ruído acompanha a velocidade, tende a ser ventilação (sujeira no rotor, desbalanceamento, carenagem solta). Se independe da velocidade e aparece com o compressor, pode estar relacionado à unidade externa ou ao circuito frigorígeno.
2) Odor
- Cheiro de mofo/“guardado”: frequentemente associado a umidade e sujeira (biofilme) na evaporadora/bandeja e filtros saturados.
- Cheiro de queimado ou plástico aquecendo: não trate como sujeira; interrompa o uso e encaminhe para avaliação técnica.
3) Fluxo de ar (sensação e observação)
- Percepção na mão: fluxo fraco mesmo com ventilador em alto sugere restrição (filtro/serpentina sujos) ou problema de ventilação (turbina, motor, capacitor/controle).
- Comparação rápida: se o ruído do ventilador aumenta, mas o fluxo não acompanha, é um indício de obstrução ou perda de eficiência do conjunto de ventilação.
4) Temperatura percebida e conforto
- Ar “não gela”: pode ser sujeira (troca térmica prejudicada) ou falha técnica (carga de fluido, compressor, válvula, sensores). A diferença fica mais clara com medições simples (próxima seção).
- Ar muito frio com formação de gelo: pode indicar baixa vazão de ar (sujeira/filtro) ou problema no circuito (ex.: restrição, carga inadequada). Gelo recorrente é sinal de alerta.
5) Água pingando
- Pingo pela frente/laterais: comum em dreno obstruído, bandeja suja, desnível da evaporadora ou isolamento comprometido.
- Condensação externa: em dias muito úmidos pode haver suor em partes frias, mas não deve haver gotejamento constante pela carenagem.
6) Observação de ciclos (liga/desliga)
- Ciclos muito curtos: pode ser sensor mal posicionado, carga térmica baixa, dimensionamento, ou falha. Se ocorre junto de fluxo fraco e troca térmica ruim, pode haver sujeira ou ventilação deficiente.
- Não atinge setpoint e fica “direto”: pode ser ambiente com carga alta, sujeira (troca térmica reduzida) ou falha técnica (capacidade reduzida por fluido/compressores/ventilação).
Como registrar medições simples (sem instrumentos complexos)
Ferramentas mínimas
- Termômetro digital (idealmente com sonda) para medir temperatura do ar.
- Relógio/celular para marcar tempos.
- Bloco de notas (ou formulário) para registrar dados e observações.
1) Medição de temperatura de retorno e insuflação
O objetivo é obter uma referência do desempenho térmico antes da limpeza.
- Retorno (entrada de ar): meça próximo à grelha de entrada, sem encostar no plástico e sem pegar ar “misturado” do ambiente distante. Aguarde a leitura estabilizar.
- Insuflação (saída de ar): meça na saída, no jato de ar, a alguns centímetros da aleta, evitando encostar na serpentina.
- Registre: modo (cool), setpoint, velocidade do ventilador, temperatura externa aproximada (se possível) e as duas temperaturas.
Uma forma prática de registrar é anotar também o delta T (diferença entre retorno e insuflação):
- Ouça o áudio com a tela desligada
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Delta T = T_retorno - T_insuflacaoInterpretação básica (sem substituir diagnóstico técnico):
- Delta T baixo com fluxo de ar aparentemente bom: pode sugerir capacidade reduzida (possível falha técnica).
- Delta T baixo com fluxo fraco: pode indicar sujeira/restrição de ar ou problema de ventilação.
- Delta T alto, mas com sinais de gelo: pode haver baixa vazão de ar ou anomalia no circuito; gelo é um sinal importante.
2) Tempo para atingir setpoint (teste de resposta)
- Defina um ponto de partida: anote a temperatura ambiente (pode ser a do retorno como referência).
- Configure: setpoint fixo (ex.: 20 °C), ventilador médio/alto.
- Marque o tempo: registre quanto tempo leva para a temperatura de retorno cair, por exemplo, 1 °C, 2 °C e 3 °C (ou até se aproximar do setpoint).
- Observação: se a queda é muito lenta e o equipamento opera continuamente, isso pode ser sujeira (troca térmica/fluxo) ou falha técnica (capacidade). Combine com o delta T e com o fluxo para interpretar.
3) Observação de ciclos e estabilidade
- Registre: após estabilizar, o equipamento desliga? Quanto tempo fica desligado? Religa em seguida?
- Comportamento típico de sujeira: tende a perder desempenho gradualmente, operar por mais tempo e apresentar fluxo reduzido/odor.
- Comportamento sugestivo de falha: ciclos muito irregulares, gelo recorrente, ruídos anormais persistentes, queda de desempenho súbita.
Como diferenciar “sujeira” de “possível falha técnica” (guia de sintomas)
| Sintoma observado | Mais compatível com sujeira | Sugere falha técnica / atenção |
|---|---|---|
| Fluxo de ar fraco | Filtro/serpentina sujos; obstrução de entrada/saída | Ventilador com defeito, turbina desbalanceada, motor fraco, controle/placa |
| Odor de mofo | Biofilme na evaporadora/bandeja; dreno com sujeira | Se odor químico/queimado: suspeita elétrica/isolamento |
| Água pingando pela evaporadora | Dreno parcialmente obstruído; bandeja suja; desnível leve | Desnível acentuado, bandeja danificada, isolamento comprometido, congelamento gerando degelo e transbordo |
| Gelo na evaporadora | Baixa vazão de ar por sujeira (pode ocorrer) | Se recorrente/intenso: possível problema no circuito frigorígeno, sensor, restrição; requer avaliação |
| Não resfria (delta T baixo) | Se junto de fluxo fraco e sujeira visível | Se fluxo bom e ainda assim delta T baixo: possível falta de fluido, compressor, válvula, controle |
| Ruído/vibração | Carenagem solta; sujeira no ventilador; fixação com folga | Ruído metálico contínuo, vibração forte na condensadora, rolamentos, hélice, suportes danificados |
| Ciclos muito curtos | Menos comum como “só sujeira” | Sensor/controle, dimensionamento, ventilação, proteção térmica, falha elétrica |
Modelo de registro (para usar no local)
Use um padrão simples para comparar “antes e depois” da limpeza e para criar histórico do equipamento.
Data/Hora: ____ Ambiente: ____ Modelo/Capacidade: ____ Condição do dia (quente/úmido): ____ Portas/janelas: fechadas/abertas Pessoas no ambiente: __
Inspeção visual (OFF):
- Carenagem/encaixes: OK / folga / trinca
- Fixação/nivelamento aparente: OK / suspeito
- Marcas de água: não / sim (local: ____)
- Sujeira visível (entrada/saída): baixa / média / alta
Teste funcional (COOL):
- Setpoint: ____°C Ventilador: baixo/médio/alto
- Ruído: normal / anormal (descrição: ____)
- Vibração: normal / anormal (onde: ____)
- Odor: nenhum / mofo / outro: ____
- Fluxo de ar: forte / médio / fraco
- Pingamento: não / sim (onde: ____)
- Gelo: não / sim (onde: ____)
Medições:
- T retorno: ____°C
- T insuflação: ____°C
- Delta T: ____°C
- Tempo para reduzir 2°C no retorno: ____ min
- Ciclos (30 min): não desligou / desligou (quantas vezes: ____)