O que são KPIs e por que eles aumentam lucro e qualidade
KPIs (Indicadores-Chave de Desempenho) são métricas simples que mostram, com números, se a operação está melhorando ou piorando. Em impressão 3D para pequenos negócios, o objetivo não é “medir tudo”, e sim medir o suficiente para tomar decisões rápidas: reduzir falhas, encurtar prazos, diminuir retrabalho e proteger margem.
Um bom KPI tem três características: (1) é fácil de coletar, (2) é comparável ao longo do tempo (semana a semana/mês a mês) e (3) leva a uma ação concreta (ajuste de perfil, padronização, troca de material, revisão de preço, mudança de promessa de prazo).
Coleta de dados sem burocracia: o mínimo que funciona
O princípio do “registro no momento do fato”
O erro mais comum é tentar preencher planilhas grandes no fim do dia. Em vez disso, registre eventos no momento em que acontecem, em um formato curto (30–60 segundos). Exemplo de registro por job: início, fim, resultado (OK/Falha), motivo da falha (se houver), tempo de pós-processo, material usado, e se houve retrabalho.
Estrutura mínima de dados (uma linha por job)
Você pode manter isso em uma planilha simples ou formulário. O importante é padronizar campos e opções (listas) para evitar textos longos e inconsistentes.
| Campo | Exemplo | Observação |
|---|---|---|
| Data | 2026-01-28 | Use padrão ISO para ordenar |
| ID do job | J-2401-118 | Sequencial ajuda a rastrear |
| SKU/Produto | SUP-01 | Mesmo para custom, crie um “SKU temporário” |
| Cliente/Canal | Loja / B2B | Ajuda a ver perfil de demanda |
| Impressora | P1 | Para comparar máquinas |
| Material | PETG Preto | Padronize nomes |
| Início | 10:20 | Hora real |
| Fim | 15:05 | Hora real |
| Status | OK | OK / Falha / OK com retrabalho |
| Motivo falha | Descolamento | Lista curta: descolamento, entupimento, layer shift, etc. |
| Retrabalho (min) | 25 | Tempo adicional por correção |
| Entrega prometida | 2026-01-30 | Data |
| Entrega realizada | 2026-01-29 | Data |
Listas curtas para padronizar motivos
Para transformar métricas em ações, você precisa de categorias repetíveis. Exemplo de lista de motivos de falha/retrabalho (adaptável ao seu processo):
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- Adesão/primeira camada
- Entupimento/extrusão irregular
- Layer shift/vibração
- Warping/empenamento
- Suporte mal removido/acabamento
- Dimensional/tolerância
- Erro de arquivo/versão
- Erro de operação (setup)
- Material úmido/contaminado
KPIs práticos: definição, fórmula e como usar
1) Taxa de falha
O que mede: proporção de jobs que não resultaram em peça utilizável sem refazer impressão.
Fórmula (simples):
Taxa de falha (%) = (Jobs com status = Falha / Total de jobs) * 100Como coletar: um campo “Status” por job (OK/Falha).
Como transformar em ação:
- Se falhas se concentram em uma impressora: revisar manutenção, nivelamento, correias, bico, ventilação, e comparar perfis.
- Se falhas se concentram em um material: revisar armazenamento (umidade), temperatura, velocidade e retração; considerar mudança de fornecedor/lote.
- Se falhas se concentram em um SKU: padronizar orientação, suportes, brim/raft, e criar um perfil “aprovado” específico do SKU.
2) Custo por hora de máquina
O que mede: quanto custa manter a impressora rodando por hora (para comparar eficiência e embasar decisões de preço e capacidade).
Fórmula (operacional):
Custo/h máquina = (Custos fixos mensais alocados à máquina + Custos variáveis mensais da máquina) / Horas produtivas no mêsColeta sem burocracia: registre horas de impressão por job (Fim - Início) e some no mês. Se você não tiver custos detalhados por máquina, comece com um valor único por “grupo de impressoras” e refine depois.
Como transformar em ação:
- Se custo/h sobe porque horas produtivas caíram: atacar ociosidade (fila, agendamento, padronização de setups) e reduzir paradas por falha.
- Se custo/h é alto em uma máquina específica: reavaliar se ela deve ficar em SKUs mais simples, ou se precisa de manutenção/upgrade.
3) Tempo de atravessamento (Lead time)
O que mede: tempo total do pedido até estar pronto para envio/retirada. É diferente de “tempo de impressão”.
Fórmula (por pedido):
Lead time = Data/hora de pronto - Data/hora de confirmação do pedidoColeta sem burocracia: dois timestamps por pedido: “confirmado” e “pronto”. Se preferir, use datas (dia) em vez de horas no início.
Como transformar em ação:
- Se lead time aumenta por fila: ajustar promessa de prazo por capacidade real e/ou padronizar lotes de produção.
- Se lead time aumenta por pós-processo: criar padrões de acabamento por SKU e reduzir variação (menos “capricho variável”).
- Se lead time aumenta por retrabalho: atacar causas raiz (perfil/material/setup).
4) Retrabalho
O que mede: tempo e/ou quantidade de jobs que exigiram correção extra (lixa, massa, reimpressão parcial, ajuste dimensional, reembalagem, etc.).
Duas formas úteis:
Retrabalho (% de jobs) = (Jobs com retrabalho / Total de jobs) * 100Retrabalho (min por job) = Soma de minutos de retrabalho / Total de jobsColeta sem burocracia: campo “Retrabalho (min)” e um checkbox “Teve retrabalho?”.
Como transformar em ação:
- Retrabalho alto em acabamento: padronizar parâmetros de superfície por SKU (altura de camada, paredes, orientação) e definir “níveis de acabamento” com preço diferente.
- Retrabalho alto por tolerância: criar gabaritos simples de medição e ajustar compensações no modelo/perfil; padronizar folgas por material.
- Retrabalho alto por suporte: revisar estratégia de suporte e orientação; criar presets por SKU.
5) Margem por SKU
O que mede: quanto sobra por produto após custos diretos e tempo consumido. É o KPI que impede que você venda muito e lucre pouco.
Fórmula (por SKU, no mês):
Margem bruta (R$) = Receita do SKU - Custos diretos do SKUMargem bruta (%) = Margem bruta / Receita do SKUColeta sem burocracia: some receitas por SKU e associe custos diretos usando: horas de máquina do SKU, minutos de retrabalho/pós-processo do SKU e consumo de material (mesmo que estimado por job). Se estiver começando, use estimativas consistentes e refine com o tempo.
Como transformar em ação:
- SKU com margem baixa e alta demanda: revisar preço, reduzir tempo (perfil mais rápido mantendo qualidade), ou simplificar acabamento padrão.
- SKU com margem baixa e baixa demanda: avaliar descontinuar, agrupar em kits, ou manter apenas sob encomenda com preço maior.
- SKU com margem alta e baixa demanda: melhorar oferta (fotos, variações), reduzir lead time e priorizar na produção.
6) Taxa de entrega no prazo (On-time delivery)
O que mede: confiabilidade de prazo percebida pelo cliente.
Fórmula:
Entrega no prazo (%) = (Pedidos entregues até a data prometida / Total de pedidos entregues) * 100Coleta sem burocracia: dois campos por pedido: “Entrega prometida” e “Entrega realizada”.
Como transformar em ação:
- Se cai por excesso de promessa: ajustar prazos padrão por categoria de produto e por capacidade semanal.
- Se cai por falhas: atacar taxa de falha e retrabalho (causas raiz) e adicionar buffers apenas onde necessário.
- Se cai por pós-processo/embalagem: criar janelas fixas de acabamento e expedição (rotina diária).
Como montar um painel simples (sem virar refém de planilha)
O painel de 1 página
Escolha um período (semana ou mês) e mostre apenas: taxa de falha, custo/h máquina, lead time médio, retrabalho (min/job), margem por SKU (top 10) e entrega no prazo. O painel deve caber em uma tela e ser atualizado com poucos cliques.
Metas iniciais realistas (para não desmotivar)
- Taxa de falha: reduzir 10–20% em 60 dias atacando os 2 principais motivos.
- Entrega no prazo: aumentar 5–10 pontos percentuais ajustando promessa e fila.
- Retrabalho: reduzir minutos por job com padronização de acabamento e presets por SKU.
Evite metas absolutas no início (ex.: “falha 0%”), porque o importante é tendência e controle por categoria/SKU.
Transformando métricas em ações: mapa rápido “KPI → decisão”
| Quando o KPI piora | Diagnóstico provável | Ações típicas (práticas) |
|---|---|---|
| Taxa de falha sobe | Perfil instável, material inconsistente, manutenção atrasada, setup variável | Congelar perfil “aprovado” por SKU; revisar 1ª camada; checar bico/correias; trocar lote/material; checklist de setup |
| Custo/h máquina sobe | Menos horas produtivas, mais paradas, mais reimpressões | Reduzir ociosidade (fila); agrupar jobs; reduzir falhas; priorizar SKUs de maior margem na máquina mais confiável |
| Lead time aumenta | Fila longa, gargalo no pós-processo, retrabalho | Rebalancear capacidade; criar “dias de acabamento”; limitar custom; ajustar promessa de prazo por categoria |
| Retrabalho aumenta | Acabamento inconsistente, tolerância fora, suporte ruim | Definir níveis de acabamento; gabaritos de medição; presets de suporte/orientação; mudar material para reduzir warping |
| Margem por SKU cai | Preço defasado, tempo maior que o previsto, material mais caro, mais retrabalho | Revisar preço do SKU; simplificar design; mudar parâmetros para reduzir tempo; trocar material; descontinuar variações pouco vendidas |
| Entrega no prazo cai | Promessa agressiva, falhas, gargalo de expedição | Recalibrar prazos; criar buffer por risco; rotina fixa de expedição; priorização por data prometida |
Passo a passo: implementar KPIs em 7 dias
Dia 1: Defina o “dicionário”
- Escolha os 6 KPIs do capítulo como padrão.
- Defina listas curtas: status do job, motivos de falha, motivos de retrabalho.
- Defina o que é “pedido confirmado” e “pedido pronto” para medir lead time sempre igual.
Dia 2: Crie o registro mínimo
- Monte uma planilha/formulário com os campos essenciais (uma linha por job e uma linha por pedido, se preferir separar).
- Garanta que “Status”, “Impressora”, “SKU”, “Início”, “Fim”, “Retrabalho (min)” existam.
Dia 3: Rode um teste com 5–10 jobs
- Registre em tempo real.
- Meça quanto tempo leva para preencher (meta: menos de 1 minuto por job).
- Ajuste campos que estão confusos ou longos.
Dia 4: Crie o painel de 1 página
- Calcule automaticamente: taxa de falha, retrabalho (% e min/job), lead time médio e entrega no prazo.
- Crie uma tabela simples de margem por SKU (receita, custos diretos estimados, margem).
Dia 5: Defina limites de alerta
- Exemplo: falha > X% na semana aciona revisão de perfil/material.
- Entrega no prazo < Y% aciona revisão de promessa de prazo e priorização.
- SKU com margem < Z% entra em “lista de revisão de preço/design”.
Dia 6: Faça a primeira micro-revisão
- Escolha 1 KPI para atacar (não todos).
- Escolha 1 causa raiz dominante (ex.: descolamento).
- Defina 1 mudança controlada (ex.: alterar temperatura da mesa e brim) e aplique em um SKU específico.
Dia 7: Padronize o que funcionou
- Se a mudança reduziu falhas/retrabalho, transforme em padrão: preset, checklist, ou regra de material.
- Se piorou, reverta e registre o aprendizado (o registro evita repetir erro).
Ciclo mensal de revisão do negócio (roteiro de 60–90 minutos)
1) Preparação (10 min)
- Feche o mês: exporte/filtre os jobs e pedidos do período.
- Atualize o painel com os 6 KPIs.
- Separe “Top 3 motivos de falha” e “Top 3 motivos de retrabalho”.
2) Diagnóstico (20 min): o que mudou e por quê
- Compare mês atual vs. mês anterior: tendência (subiu/desceu) e magnitude.
- Quebre por impressora, por material e por SKU (somente se o KPI piorou).
- Identifique 1–2 causas dominantes (regra 80/20).
3) Decisões típicas baseadas em dados (20–30 min)
Escolha decisões concretas e registráveis. Exemplos comuns:
- Ajuste de perfis: se falhas por adesão aumentaram, criar/ajustar perfil de primeira camada para um material específico e “congelar” o preset aprovado.
- Padronização: se retrabalho de acabamento subiu, definir um padrão de acabamento por SKU (ex.: “padrão” vs “premium”) e limitar variações fora do padrão.
- Mudança de material: se um material concentra falhas e retrabalho, testar alternativa por 1–2 SKUs e comparar taxa de falha e tempo total (incluindo acabamento).
- Revisão de preços: se margem por SKU caiu, aumentar preço, reduzir opções, ou ajustar o que está incluso (ex.: acabamento/embalagem) com base no tempo real medido.
- Promessa de prazo: se entrega no prazo caiu, recalibrar lead time prometido por categoria e inserir buffer apenas em SKUs de alto risco.
4) Plano de ação (10–15 min): poucas ações, dono e prazo
Transforme decisões em tarefas com responsável e data. Um formato simples:
- Ação: “Criar preset PETG-SUP-01 v2 (primeira camada + brim)”
- Responsável: “Operador A”
- Prazo: “até dia 05”
- Métrica de sucesso: “reduzir falha do SKU SUP-01 de 12% para < 6%”
5) Checagem de impacto (na semana 2 e na semana 4)
- Semana 2: ver se o KPI reagiu (mesmo que pouco).
- Semana 4: decidir se vira padrão definitivo, se precisa de ajuste, ou se deve ser revertido.
Modelos prontos (copiar e usar)
Modelo de registro rápido por job
ID do job: ________ SKU: ________ Impressora: ________ Material: ________
Início: __:__ Fim: __:__
Status: ( ) OK ( ) Falha ( ) OK com retrabalho
Motivo falha (se houver): ______________________
Retrabalho (min): ____ Motivo retrabalho: ______________________Modelo de revisão mensal (checklist)
- Taxa de falha do mês: ____% (vs mês anterior: ____)
- Custo/h máquina: R$ ____ (vs ____)
- Lead time médio: ____ dias (vs ____)
- Retrabalho: ____ min/job e ____% de jobs (vs ____)
- Entrega no prazo: ____% (vs ____)
- Top 3 SKUs por margem (R$): ____ / ____ / ____
- Top 3 SKUs por problema (falha/retrabalho): ____ / ____ / ____
- Decisões do mês (máx. 3): 1) ____ 2) ____ 3) ____