Imobilização de membros superiores: punho, antebraço, cotovelo, ombro e clavícula

Capítulo 9

Tempo estimado de leitura: 10 minutos

+ Exercício

Objetivo da imobilização em membros superiores

A imobilização do membro superior busca reduzir movimento na área lesionada, diminuir dor, proteger vasos e nervos e evitar piora até o atendimento. Em punho, antebraço e cotovelo, o foco é estabilizar as articulações acima e abaixo da suspeita de lesão. Em ombro e clavícula, o foco é manter o braço junto ao corpo e apoiar o peso do membro, sem tentar reposicionar qualquer estrutura.

Posição de conforto: mão, punho e cotovelo

Como posicionar para reduzir dor

  • Mão: mantenha os dedos levemente dobrados, como se segurasse uma bola pequena. Se disponível, coloque um rolinho macio (gaze, pano) na palma para manter essa posição.
  • Punho: deixe o punho em posição neutra ou com leve extensão (sem forçar). Evite dobrar muito para cima/baixo.
  • Cotovelo: geralmente é mais confortável em flexão aproximada de 90°, mas respeite a posição em que a pessoa sente menos dor. Se o cotovelo não tolerar 90°, imobilize como estiver.
  • Ombro/clavícula: mantenha o braço apoiado e junto ao tronco, com o cotovelo próximo ao corpo. Não tente “alinhar” o ombro.

Acolchoamento: onde costuma doer mais

Antes de prender, acolchoe pontos de pressão para evitar dor e lesões de pele:

  • Entre a tala e a pele (principalmente em antebraço e punho).
  • Região do cotovelo (olecrano) e bordas ósseas do antebraço.
  • Pescoço onde a tipoia encosta (use pano dobrado).
  • Entre o braço e o tronco (axila e lateral do tórax) quando for fixar o braço ao corpo.

Tipoia acessível para punho e antebraço

Quando usar

Use tipoia quando a dor estiver em punho/antebraço e não houver necessidade imediata de uma tala rígida, ou como complemento após colocar uma tala. A tipoia apoia o peso do membro e reduz tração dolorosa.

Materiais

  • Lenço triangular, echarpe, camiseta, toalha dobrada ou faixa longa.
  • Alfinete de segurança, nó simples ou fita para amarrar.
  • Pano macio para acolchoar o pescoço.

Passo a passo

  1. Prepare o apoio: peça para a pessoa segurar o antebraço junto ao corpo, com o cotovelo dobrado no ângulo mais confortável (frequentemente ~90°).
  2. Posicione o tecido: passe o tecido por baixo do antebraço, formando uma “rede” que sustente do cotovelo até a mão.
  3. Ajuste a altura: a mão deve ficar ligeiramente acima do nível do cotovelo (isso ajuda a reduzir inchaço e desconforto). Evite deixar a mão “caída” para baixo.
  4. Amarre atrás do pescoço: una as pontas do tecido e amarre atrás do pescoço, sem apertar. Coloque acolchoamento sob o nó e sob a faixa no pescoço.
  5. Fixe a ponta perto do cotovelo: prenda a parte solta do tecido (se houver) para não balançar.
  6. Cheque dedos: observe cor, temperatura e sensibilidade dos dedos e peça para mexer suavemente (se tolerável). Se piorar após a tipoia, afrouxe e reajuste.

Erros comuns e como corrigir

  • Tipoia muito baixa: aumenta dor e inchaço. Corrija encurtando o laço no pescoço.
  • Pressão no pescoço: acolchoe e distribua melhor o peso; use tecido mais largo.
  • Punho “quebrado” para baixo: reposicione a mão com apoio na palma (rolinho) e ajuste a rede para sustentar a mão, não só o antebraço.

Tala rígida para antebraço (com materiais do dia a dia)

Quando preferir tala rígida

Prefira tala rígida quando houver suspeita de fratura, dor importante ao movimento, deformidade, instabilidade ou quando a pessoa não consegue manter o antebraço parado apenas com tipoia. A tala deve reduzir movimento do punho e do cotovelo sempre que possível.

Materiais

  • Objeto rígido e reto: revista grossa enrolada, papelão firme, régua grande, tábua fina, talas prontas.
  • Acolchoamento: toalha, roupa, gaze, espuma.
  • Fixação: ataduras, faixas de pano, lenços, fita (evite fita diretamente na pele).
  • Tipoia para suporte final (opcional, mas recomendado).

Passo a passo

  1. Mantenha a posição de conforto: antebraço junto ao corpo, cotovelo dobrado no ângulo tolerado, mão em posição de “segurar uma bola”.
  2. Meça e prepare a tala: a tala deve ir do meio da mão (ou base dos dedos, sem cobrir as pontas) até próximo ao cotovelo, ou o suficiente para limitar o movimento do punho e do cotovelo conforme a dor permitir.
  3. Acolchoe bem: coloque acolchoamento entre a tala e a pele, reforçando punho, bordas do antebraço e região próxima ao cotovelo.
  4. Posicione a tala: coloque a tala ao longo do antebraço (pode ser na face palmar ou dorsal, conforme melhor encaixe e conforto), sem forçar alinhamento.
  5. Prenda em pontos estratégicos: amarre/faixe com firmeza sem estrangular, em 3 a 4 pontos: perto do punho, meio do antebraço e abaixo do cotovelo. Evite nós diretamente sobre áreas doloridas.
  6. Deixe os dedos visíveis: não cubra as pontas dos dedos; isso facilita observar circulação.
  7. Finalize com tipoia: apoie o antebraço na tipoia para reduzir o peso e o balanço durante o transporte.
  8. Reavalie: após prender, verifique novamente perfusão e sensibilidade nos dedos e compare com o lado não lesionado.

Ajuste fino para conforto

  • Se houver formigamento ou dedos frios/pálidos: afrouxe as amarrações, eleve levemente a mão e reacomode o acolchoamento.
  • Se a tala “morde” o osso: aumente acolchoamento e distribua a pressão com uma superfície rígida mais larga.
  • Se o cotovelo dói ao dobrar: imobilize com o cotovelo no ângulo que a pessoa tolera, mesmo que não seja 90°.

Imobilização do cotovelo: apoio e estabilização sem forçar

Lesões no cotovelo podem piorar com tentativas de esticar ou dobrar. A regra prática é imobilizar na posição encontrada (ou na posição de maior conforto), apoiando o antebraço e limitando movimentos.

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Passo a passo (abordagem acessível)

  1. Não force extensão/flexão: mantenha o cotovelo como está ou como a pessoa consegue sustentar com menos dor.
  2. Use acolchoamento ao redor: coloque panos ao redor do cotovelo para preencher espaços e reduzir balanço.
  3. Estabilize com tala longa: se possível, use uma tala que pegue antebraço e braço (acima do cotovelo) para reduzir movimento da articulação.
  4. Prenda sem apertar: faixas acima e abaixo do cotovelo, evitando compressão direta na dobra do cotovelo.
  5. Use tipoia e, se necessário, faixa ao tronco: a tipoia sustenta; uma faixa adicional prendendo o antebraço ao tronco reduz oscilação durante o transporte.

Suspeita de lesão no ombro e na clavícula: fixar ao tronco sem reposicionar

O que você está tentando evitar

Em suspeita de lesão no ombro ou clavícula, movimentos do braço podem aumentar dor e agravar lesões associadas. O objetivo é apoiar o braço e fixá-lo ao tronco, mantendo a pessoa na postura mais confortável, sem tentar “colocar no lugar”.

Materiais

  • Tipoia (lenço, camiseta, toalha).
  • Faixa larga para prender o braço ao tronco (pano, atadura, cinto largo).
  • Acolchoamento para axila e pescoço.

Passo a passo: tipoia + fixação do braço ao tronco

  1. Posição inicial: peça para a pessoa manter o braço junto ao corpo. O antebraço fica apoiado à frente do tronco, com o cotovelo dobrado no ângulo confortável.
  2. Acolchoe a axila: coloque um pano dobrado entre o braço e o tórax (na região da axila/lateral do tronco). Isso reduz pressão e ajuda a manter o braço estável.
  3. Coloque a tipoia: sustente o antebraço com a tipoia, ajustando a altura para que a mão fique ligeiramente mais alta que o cotovelo.
  4. Fixe o braço ao tronco: com uma faixa larga, dê voltas ao redor do tronco e do braço (na altura do braço e/ou antebraço), prendendo o membro ao corpo. A faixa deve ficar firme o suficiente para reduzir movimento, mas sem dificultar respiração.
  5. Cheque conforto e circulação: observe dedos e pergunte sobre formigamento. Ajuste se houver piora.

Cuidados específicos na clavícula

  • Evite tração do ombro para trás e não tente “abrir o peito” para alinhar a clavícula.
  • Proteja a pele se houver proeminência óssea: acolchoe ao redor, sem pressionar diretamente.
  • Observe respiração e dor torácica: dor intensa ao respirar, falta de ar ou piora rápida exigem avaliação urgente.

Checagens após imobilizar: o que monitorar e quando ajustar

Rechecagem rápida (antes de transportar e durante o caminho)

Após finalizar a imobilização, faça rechecagens periódicas, especialmente se houver aumento de inchaço.

  • Cor e temperatura dos dedos: dedos muito pálidos, arroxeados ou frios sugerem comprometimento circulatório.
  • Inchaço progressivo: pode exigir afrouxar faixas e elevar a mão.
  • Sensibilidade: dormência, formigamento ou perda de sensibilidade após imobilizar é sinal de alerta.
  • Movimento tolerável: peça para mexer suavemente os dedos; incapacidade nova após imobilizar é sinal de alerta.
  • Dor que piora muito ou sensação de “aperto” sob a tala/faixas pode indicar compressão excessiva.

Sinais de piora que exigem prioridade no atendimento

  • Dor desproporcional e crescente, especialmente com sensação de pressão intensa no antebraço.
  • Dormência progressiva, fraqueza importante dos dedos ou mão “caída”.
  • Dedos frios, pálidos ou azulados que não melhoram ao afrouxar e reposicionar.
  • Inchaço rápido que torna a tala apertada.
  • Em ombro/clavícula: falta de ar, dor no peito, tosse com sangue, tontura importante ou piora rápida do estado geral.

Orientações de transporte e postura até atendimento

Como se deslocar com segurança

  • Postura: mantenha o tronco ereto e o membro imobilizado junto ao corpo. Evite caminhar com o braço balançando.
  • Altura do membro: sempre que possível, mantenha a mão levemente elevada (tipoia ajustada) para reduzir inchaço.
  • Evite carregar peso com a mão lesionada e evite apoiar o braço em superfícies que pressionem pontos doloridos.
  • Durante transporte em veículo: sente-se de forma que o membro fique apoiado e estável (por exemplo, com uma almofada no colo). Use cinto de segurança normalmente; ajuste para não pressionar diretamente a área dolorida, sem comprometer a segurança.
  • Rechecagens no caminho: a cada 10–15 minutos, observe dedos e pergunte sobre dormência, frio ou aumento de dor. Se necessário, pare e reajuste a fixação.

Se precisar aguardar atendimento

  • Mantenha a pessoa confortável, com o membro imobilizado e apoiado.
  • Evite mexer para “testar” se melhorou.
  • Se a tipoia causar dor no pescoço, redistribua o peso com tecido mais largo e acolchoamento extra.

Agora responda o exercício sobre o conteúdo:

Ao imobilizar uma suspeita de lesão no ombro ou na clavícula, qual conduta é a mais adequada para reduzir dor e evitar piora até o atendimento?

Você acertou! Parabéns, agora siga para a próxima página

Você errou! Tente novamente.

Em ombro/clavícula, o objetivo é apoiar o peso do membro e limitar movimentos, mantendo o braço junto ao corpo. Usa-se tipoia e fixação ao tronco com acolchoamento, sem tentar reposicionar.

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Imobilização de membros inferiores: tornozelo, pé, perna, joelho e quadril

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