Objetivo da imobilização em membros superiores
A imobilização do membro superior busca reduzir movimento na área lesionada, diminuir dor, proteger vasos e nervos e evitar piora até o atendimento. Em punho, antebraço e cotovelo, o foco é estabilizar as articulações acima e abaixo da suspeita de lesão. Em ombro e clavícula, o foco é manter o braço junto ao corpo e apoiar o peso do membro, sem tentar reposicionar qualquer estrutura.
Posição de conforto: mão, punho e cotovelo
Como posicionar para reduzir dor
- Mão: mantenha os dedos levemente dobrados, como se segurasse uma bola pequena. Se disponível, coloque um rolinho macio (gaze, pano) na palma para manter essa posição.
- Punho: deixe o punho em posição neutra ou com leve extensão (sem forçar). Evite dobrar muito para cima/baixo.
- Cotovelo: geralmente é mais confortável em flexão aproximada de 90°, mas respeite a posição em que a pessoa sente menos dor. Se o cotovelo não tolerar 90°, imobilize como estiver.
- Ombro/clavícula: mantenha o braço apoiado e junto ao tronco, com o cotovelo próximo ao corpo. Não tente “alinhar” o ombro.
Acolchoamento: onde costuma doer mais
Antes de prender, acolchoe pontos de pressão para evitar dor e lesões de pele:
- Entre a tala e a pele (principalmente em antebraço e punho).
- Região do cotovelo (olecrano) e bordas ósseas do antebraço.
- Pescoço onde a tipoia encosta (use pano dobrado).
- Entre o braço e o tronco (axila e lateral do tórax) quando for fixar o braço ao corpo.
Tipoia acessível para punho e antebraço
Quando usar
Use tipoia quando a dor estiver em punho/antebraço e não houver necessidade imediata de uma tala rígida, ou como complemento após colocar uma tala. A tipoia apoia o peso do membro e reduz tração dolorosa.
Materiais
- Lenço triangular, echarpe, camiseta, toalha dobrada ou faixa longa.
- Alfinete de segurança, nó simples ou fita para amarrar.
- Pano macio para acolchoar o pescoço.
Passo a passo
- Prepare o apoio: peça para a pessoa segurar o antebraço junto ao corpo, com o cotovelo dobrado no ângulo mais confortável (frequentemente ~90°).
- Posicione o tecido: passe o tecido por baixo do antebraço, formando uma “rede” que sustente do cotovelo até a mão.
- Ajuste a altura: a mão deve ficar ligeiramente acima do nível do cotovelo (isso ajuda a reduzir inchaço e desconforto). Evite deixar a mão “caída” para baixo.
- Amarre atrás do pescoço: una as pontas do tecido e amarre atrás do pescoço, sem apertar. Coloque acolchoamento sob o nó e sob a faixa no pescoço.
- Fixe a ponta perto do cotovelo: prenda a parte solta do tecido (se houver) para não balançar.
- Cheque dedos: observe cor, temperatura e sensibilidade dos dedos e peça para mexer suavemente (se tolerável). Se piorar após a tipoia, afrouxe e reajuste.
Erros comuns e como corrigir
- Tipoia muito baixa: aumenta dor e inchaço. Corrija encurtando o laço no pescoço.
- Pressão no pescoço: acolchoe e distribua melhor o peso; use tecido mais largo.
- Punho “quebrado” para baixo: reposicione a mão com apoio na palma (rolinho) e ajuste a rede para sustentar a mão, não só o antebraço.
Tala rígida para antebraço (com materiais do dia a dia)
Quando preferir tala rígida
Prefira tala rígida quando houver suspeita de fratura, dor importante ao movimento, deformidade, instabilidade ou quando a pessoa não consegue manter o antebraço parado apenas com tipoia. A tala deve reduzir movimento do punho e do cotovelo sempre que possível.
Materiais
- Objeto rígido e reto: revista grossa enrolada, papelão firme, régua grande, tábua fina, talas prontas.
- Acolchoamento: toalha, roupa, gaze, espuma.
- Fixação: ataduras, faixas de pano, lenços, fita (evite fita diretamente na pele).
- Tipoia para suporte final (opcional, mas recomendado).
Passo a passo
- Mantenha a posição de conforto: antebraço junto ao corpo, cotovelo dobrado no ângulo tolerado, mão em posição de “segurar uma bola”.
- Meça e prepare a tala: a tala deve ir do meio da mão (ou base dos dedos, sem cobrir as pontas) até próximo ao cotovelo, ou o suficiente para limitar o movimento do punho e do cotovelo conforme a dor permitir.
- Acolchoe bem: coloque acolchoamento entre a tala e a pele, reforçando punho, bordas do antebraço e região próxima ao cotovelo.
- Posicione a tala: coloque a tala ao longo do antebraço (pode ser na face palmar ou dorsal, conforme melhor encaixe e conforto), sem forçar alinhamento.
- Prenda em pontos estratégicos: amarre/faixe com firmeza sem estrangular, em 3 a 4 pontos: perto do punho, meio do antebraço e abaixo do cotovelo. Evite nós diretamente sobre áreas doloridas.
- Deixe os dedos visíveis: não cubra as pontas dos dedos; isso facilita observar circulação.
- Finalize com tipoia: apoie o antebraço na tipoia para reduzir o peso e o balanço durante o transporte.
- Reavalie: após prender, verifique novamente perfusão e sensibilidade nos dedos e compare com o lado não lesionado.
Ajuste fino para conforto
- Se houver formigamento ou dedos frios/pálidos: afrouxe as amarrações, eleve levemente a mão e reacomode o acolchoamento.
- Se a tala “morde” o osso: aumente acolchoamento e distribua a pressão com uma superfície rígida mais larga.
- Se o cotovelo dói ao dobrar: imobilize com o cotovelo no ângulo que a pessoa tolera, mesmo que não seja 90°.
Imobilização do cotovelo: apoio e estabilização sem forçar
Lesões no cotovelo podem piorar com tentativas de esticar ou dobrar. A regra prática é imobilizar na posição encontrada (ou na posição de maior conforto), apoiando o antebraço e limitando movimentos.
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Passo a passo (abordagem acessível)
- Não force extensão/flexão: mantenha o cotovelo como está ou como a pessoa consegue sustentar com menos dor.
- Use acolchoamento ao redor: coloque panos ao redor do cotovelo para preencher espaços e reduzir balanço.
- Estabilize com tala longa: se possível, use uma tala que pegue antebraço e braço (acima do cotovelo) para reduzir movimento da articulação.
- Prenda sem apertar: faixas acima e abaixo do cotovelo, evitando compressão direta na dobra do cotovelo.
- Use tipoia e, se necessário, faixa ao tronco: a tipoia sustenta; uma faixa adicional prendendo o antebraço ao tronco reduz oscilação durante o transporte.
Suspeita de lesão no ombro e na clavícula: fixar ao tronco sem reposicionar
O que você está tentando evitar
Em suspeita de lesão no ombro ou clavícula, movimentos do braço podem aumentar dor e agravar lesões associadas. O objetivo é apoiar o braço e fixá-lo ao tronco, mantendo a pessoa na postura mais confortável, sem tentar “colocar no lugar”.
Materiais
- Tipoia (lenço, camiseta, toalha).
- Faixa larga para prender o braço ao tronco (pano, atadura, cinto largo).
- Acolchoamento para axila e pescoço.
Passo a passo: tipoia + fixação do braço ao tronco
- Posição inicial: peça para a pessoa manter o braço junto ao corpo. O antebraço fica apoiado à frente do tronco, com o cotovelo dobrado no ângulo confortável.
- Acolchoe a axila: coloque um pano dobrado entre o braço e o tórax (na região da axila/lateral do tronco). Isso reduz pressão e ajuda a manter o braço estável.
- Coloque a tipoia: sustente o antebraço com a tipoia, ajustando a altura para que a mão fique ligeiramente mais alta que o cotovelo.
- Fixe o braço ao tronco: com uma faixa larga, dê voltas ao redor do tronco e do braço (na altura do braço e/ou antebraço), prendendo o membro ao corpo. A faixa deve ficar firme o suficiente para reduzir movimento, mas sem dificultar respiração.
- Cheque conforto e circulação: observe dedos e pergunte sobre formigamento. Ajuste se houver piora.
Cuidados específicos na clavícula
- Evite tração do ombro para trás e não tente “abrir o peito” para alinhar a clavícula.
- Proteja a pele se houver proeminência óssea: acolchoe ao redor, sem pressionar diretamente.
- Observe respiração e dor torácica: dor intensa ao respirar, falta de ar ou piora rápida exigem avaliação urgente.
Checagens após imobilizar: o que monitorar e quando ajustar
Rechecagem rápida (antes de transportar e durante o caminho)
Após finalizar a imobilização, faça rechecagens periódicas, especialmente se houver aumento de inchaço.
- Cor e temperatura dos dedos: dedos muito pálidos, arroxeados ou frios sugerem comprometimento circulatório.
- Inchaço progressivo: pode exigir afrouxar faixas e elevar a mão.
- Sensibilidade: dormência, formigamento ou perda de sensibilidade após imobilizar é sinal de alerta.
- Movimento tolerável: peça para mexer suavemente os dedos; incapacidade nova após imobilizar é sinal de alerta.
- Dor que piora muito ou sensação de “aperto” sob a tala/faixas pode indicar compressão excessiva.
Sinais de piora que exigem prioridade no atendimento
- Dor desproporcional e crescente, especialmente com sensação de pressão intensa no antebraço.
- Dormência progressiva, fraqueza importante dos dedos ou mão “caída”.
- Dedos frios, pálidos ou azulados que não melhoram ao afrouxar e reposicionar.
- Inchaço rápido que torna a tala apertada.
- Em ombro/clavícula: falta de ar, dor no peito, tosse com sangue, tontura importante ou piora rápida do estado geral.
Orientações de transporte e postura até atendimento
Como se deslocar com segurança
- Postura: mantenha o tronco ereto e o membro imobilizado junto ao corpo. Evite caminhar com o braço balançando.
- Altura do membro: sempre que possível, mantenha a mão levemente elevada (tipoia ajustada) para reduzir inchaço.
- Evite carregar peso com a mão lesionada e evite apoiar o braço em superfícies que pressionem pontos doloridos.
- Durante transporte em veículo: sente-se de forma que o membro fique apoiado e estável (por exemplo, com uma almofada no colo). Use cinto de segurança normalmente; ajuste para não pressionar diretamente a área dolorida, sem comprometer a segurança.
- Rechecagens no caminho: a cada 10–15 minutos, observe dedos e pergunte sobre dormência, frio ou aumento de dor. Se necessário, pare e reajuste a fixação.
Se precisar aguardar atendimento
- Mantenha a pessoa confortável, com o membro imobilizado e apoiado.
- Evite mexer para “testar” se melhorou.
- Se a tipoia causar dor no pescoço, redistribua o peso com tecido mais largo e acolchoamento extra.