Imobilização básica com materiais do dia a dia: princípios de uma tala segura

Capítulo 8

Tempo estimado de leitura: 7 minutos

+ Exercício

Princípios de uma tala segura (imobilização básica)

Uma tala é um suporte rígido ou semirrígido usado para reduzir o movimento de um membro dolorido após uma queda, entorse ou suspeita de fratura. O objetivo é proteger a área, diminuir o risco de piorar a lesão e permitir transporte mais seguro até avaliação profissional.

Regras de ouro

  • Imobilize a área dolorida e as articulações acima e abaixo: por exemplo, dor no antebraço pede imobilizar punho e cotovelo.
  • Não force alinhamento: imobilize na posição encontrada, desde que seja possível sem aumentar dor ou resistência. Se houver deformidade importante, não tente “endireitar”.
  • Acolchoe sempre: o acolchoamento protege pele e nervos, reduz pontos de pressão e aumenta conforto.
  • Fixe sem apertar: a tala deve ficar firme, mas sem estrangular. Edema pode aumentar com o tempo.
  • Cheque circulação e sensibilidade após fixar: observe cor e temperatura da extremidade, compare com o outro lado e pergunte sobre formigamento/dormência. Se piorar após a tala, afrouxe e reacomode.

Materiais do dia a dia que viram tala

Você precisa de dois elementos: estrutura (algo que dê forma) e fixação (algo para amarrar), além de acolchoamento.

Estruturas possíveis

  • Papelão (caixa): bom para antebraço, punho, tornozelo.
  • Revista ou jornal grosso: enrolado vira uma tala firme para punho/antebraço.
  • Madeira (ripa, tábua pequena): útil para perna/antebraço, exige bom acolchoamento.
  • Guarda-chuva (fechado): pode servir como haste rígida para antebraço ou perna, com acolchoamento.
  • Toalhas, manta, roupa dobrada: podem ser tala “moldável” (especialmente em tornozelo) e também acolchoamento.

Fixação

  • Lenços, faixas, gravatas, tiras de tecido (camiseta cortada em tiras).
  • Fita adesiva (esparadrapo/fita larga): use sobre tecido/acolchoamento, evitando contato direto com pele sensível.
  • Cinto: pode ajudar em perna, com cuidado para não apertar.

Acolchoamento

  • Toalha pequena, pano macio, meia, algodão, roupa dobrada.
  • Evite material que “corte” (bordas duras) encostando na pele.

Passo a passo universal: como montar uma tala improvisada

1) Prepare o tamanho e o formato

  • Meça a estrutura para que ela cubra a região dolorida e alcance além das articulações acima e abaixo.
  • Se usar papelão, dobre para formar um “U” ou “calha”, aumentando a rigidez.
  • Se usar revista/jornal, enrole bem apertado e prenda a ponta com fita/lenço para não abrir.

2) Acolchoe as áreas de contato

  • Envolva a estrutura com toalha/pano ou coloque acolchoamento entre a estrutura e o membro.
  • Proteja pontas rígidas (quinas do papelão, extremidades de madeira/guarda-chuva) com dobra extra de tecido.
  • Crie “almofadas” em pontos de pressão: tornozelo, punho, cotovelo, calcanhar.

3) Posicione sem forçar

  • Coloque a tala por baixo do membro quando possível, para evitar levantar e manipular demais.
  • Mantenha a posição mais confortável encontrada. Se a pessoa resistir por dor, não insista.

4) Fixe em pontos estratégicos

  • Amarre com tiras/lenços em 2 a 4 pontos, distribuindo a pressão.
  • Regra prática: não amarre diretamente sobre a área mais dolorida.
  • Faça nós laterais (não sobre a pele em contato com o chão/apoio).
  • Deixe dedos (mão/pé) visíveis quando possível para monitorar cor e inchaço.

5) Ajuste a firmeza e reavalie

  • A tala deve impedir movimentos grandes, mas permitir conforto.
  • Se houver aumento de dor, formigamento, palidez, frio, ou dedos “roxos”, afrouxe e reacomode acolchoamento.
  • Recheque periodicamente, pois o inchaço pode aumentar.

Talas improvisadas: modelos práticos por material

Tala com papelão (calha)

Indicação comum: punho, antebraço, tornozelo.

  1. Corte um retângulo de papelão que ultrapasse as articulações acima e abaixo.

  2. Dobre no sentido do comprimento para formar uma calha (formato de “U” ou “V” aberto).

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  3. Acolchoe toda a parte interna e as bordas.

  4. Posicione a calha sob o membro (ex.: antebraço apoiado na calha).

  5. Fixe com 3 amarrações: uma perto da articulação de cima, outra perto da de baixo e uma intermediária, evitando a área mais dolorida.

Tala com revista/jornal enrolado

Indicação comum: punho e antebraço.

  1. Enrole a revista bem firme formando um cilindro grosso.

  2. Prenda com fita/lenço para não desenrolar.

  3. Acolchoe com pano ao redor do cilindro (principalmente nas extremidades).

  4. Posicione ao lado do antebraço (como uma haste) ou sob ele, conforme conforto.

  5. Amarre em 2–3 pontos, sem apertar.

Tala com madeira (ripa/tábua pequena)

Indicação comum: antebraço ou perna (quando houver material suficiente e acolchoamento adequado).

  1. Escolha uma peça sem farpas e sem quinas expostas; se houver, cubra com tecido dobrado.

  2. Acolchoe generosamente toda a madeira.

  3. Posicione ao longo do membro, preferindo colocar uma tala de cada lado quando possível (ex.: lado interno e externo da perna), para maior estabilidade.

  4. Fixe com amarrações largas (tecido dobrado) em vários pontos, evitando a região mais dolorida.

Tala com guarda-chuva fechado

Indicação comum: antebraço ou perna em situações de improviso.

  1. Feche e trave o guarda-chuva; evite partes pontiagudas expostas.

  2. Acolchoe bem as extremidades e a área de contato.

  3. Posicione como haste lateral ao membro.

  4. Fixe com lenços/faixas em 3–4 pontos, sem compressão excessiva.

Tala “moldável” com toalhas (especialmente para tornozelo)

Indicação comum: tornozelo e pé doloridos, quando não há estrutura rígida.

  1. Dobre uma toalha grossa em faixa longa.

  2. Envolva o tornozelo e a parte inferior da perna, criando camadas firmes.

  3. Modele para limitar movimentos laterais (como um “colar” ao redor do tornozelo).

  4. Fixe com lenços/fita por cima da toalha, sem apertar.

Posicionamento e suporte adicional (para conforto e estabilidade)

Tipoia improvisada para membro superior

Uma tipoia reduz o balanço do braço e ajuda a manter a tala no lugar.

  1. Use um lenço grande, camiseta ou pano.

  2. Apoie o antebraço na altura do peito, com o cotovelo bem sustentado.

  3. Amarre atrás do pescoço, ajustando para não tracionar o ombro.

  4. Se necessário, faça uma segunda faixa ao redor do tronco para prender o braço junto ao corpo (imobilização adicional), sem comprimir o tórax.

Erros comuns (e como evitar)

  • Amarrar sobre a área lesionada: aumenta dor e pode piorar inchaço. Prefira amarrações acima e abaixo do ponto mais dolorido.
  • Apertar demais: pode comprometer circulação e causar dormência. Use tiras largas, dê nós laterais e reavalie após alguns minutos.
  • Deixar pontas rígidas sem proteção: quinas de papelão/madeira podem ferir a pele. Sempre acolchoe bordas e extremidades.
  • Tala curta demais: não estabiliza. Garanta que inclua as articulações acima e abaixo.
  • Fixação com material fino (corda/barbante): cria efeito “torniquete”. Prefira tecido dobrado, lenços ou faixas largas.
  • Deixar dedos escondidos: dificulta monitorar cor e inchaço. Quando possível, mantenha dedos visíveis.

Checklist rápido de segurança antes do transporte

ItemO que verificar
EstabilidadeA tala limita movimentos grandes e não escorrega.
ConfortoDor não aumentou após colocar e amarrar.
AcolchoamentoSem quinas/pontas rígidas encostando na pele.
FixaçãoAmarrações firmes, largas, sem “estrangular”.
Extremidade visívelDedos (mão/pé) observáveis para monitoramento.
Sinais de alertaFormigamento, dormência, palidez, frio ou piora progressiva: afrouxar e reacomodar.

Agora responda o exercício sobre o conteúdo:

Ao improvisar uma tala para um antebraço dolorido, qual conduta melhor reduz o risco de piorar a lesão e permite monitorar a segurança após a fixação?

Você acertou! Parabéns, agora siga para a próxima página

Você errou! Tente novamente.

A tala deve estabilizar a área dolorida e as articulações acima e abaixo, com acolchoamento e fixação firme sem estrangular. Após prender, é essencial checar circulação e sensibilidade (cor, temperatura, formigamento/dormência) e ajustar se houver piora.

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Imobilização de membros superiores: punho, antebraço, cotovelo, ombro e clavícula

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