Grupos de processos PMI: como organizar o trabalho do projeto do início ao fechamento

Capítulo 4

Tempo estimado de leitura: 12 minutos

+ Exercício

O que são grupos de processos e por que eles ajudam a organizar o trabalho

Os grupos de processos do PMI são uma forma prática de estruturar o fluxo de trabalho do projeto do início ao fechamento. Eles organizam o que precisa acontecer para o projeto avançar com clareza, mesmo quando o trabalho muda ao longo do caminho.

Os cinco grupos são:

  • Iniciar: autorizar e alinhar o projeto (ou uma etapa importante) para começar com direção.
  • Planejar: definir como o trabalho será feito, com quais recursos, prazos, custos, riscos e critérios de sucesso.
  • Executar: realizar o trabalho planejado e produzir entregas.
  • Monitorar e Controlar: acompanhar desempenho, comparar com o plano, tratar desvios e aprovar mudanças.
  • Encerrar: formalizar aceite, finalizar pendências e registrar aprendizados.

Um ponto essencial: grupos de processos não são fases rígidas. Em projetos reais, você volta ao planejamento quando surge uma mudança, executa em ciclos, monitora o tempo todo e pode encerrar “pedaços” do projeto (entregas) antes do encerramento final.

Como pensar em ciclos (e não em uma linha reta)

Em vez de imaginar “Iniciar → Planejar → Executar → Encerrar”, pense em um movimento mais parecido com:

  • Você inicia o projeto (ou uma entrega).
  • Você planeja o suficiente para começar com segurança.
  • Você executa e, ao mesmo tempo, monitora e controla.
  • Quando aparece uma nova informação (mudança de escopo, atraso, restrição), você volta a planejar (replanejamento).
  • Você encerra a entrega (ou o projeto inteiro) quando os critérios de aceite forem atendidos.

Na prática, muitos projetos operam em “ondas”: planeja-se mais detalhado o que está próximo e mantém-se mais alto nível o que está distante. Isso reduz retrabalho e aumenta a capacidade de adaptação.

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Roteiro operacional: decisões, reuniões, saídas e validação em cada grupo

1) Iniciar: decidir se faz sentido começar e com qual direção

Objetivo do grupo: dar autorização e clareza inicial para que o trabalho comece com alinhamento mínimo.

Decisões típicas:

  • Qual problema/oportunidade o projeto resolve?
  • Qual é o objetivo mensurável (o que será considerado “sucesso”)?
  • Quais entregas principais são esperadas (em alto nível)?
  • Quem precisa aprovar e quem será impactado?
  • Quais restrições já existem (prazo fixo, orçamento máximo, tecnologia obrigatória)?

Reuniões que fazem sentido:

  • Reunião de kick-off inicial (ou reunião de alinhamento): confirmar objetivo, escopo alto nível, premissas e restrições.
  • Entrevistas rápidas com partes interessadas-chave: entender expectativas e critérios de aceite.

Saídas esperadas (artefatos práticos):

  • Termo de abertura simplificado (pode ser uma página): objetivo, entregas principais, responsáveis por aprovar, restrições e riscos óbvios.
  • Lista inicial de partes interessadas (quem precisa ser informado, consultado e aprovar).

Como validar progresso (checkpoints):

  • Existe um “sim” explícito para começar (aprovação formal ou e-mail)?
  • Objetivo e entregas principais estão claros para quem executa e para quem aprova?

2) Planejar: transformar intenção em um caminho executável

Objetivo do grupo: definir como o projeto será executado e controlado, com nível de detalhe suficiente para reduzir incerteza.

Decisões típicas:

  • O que entra e o que não entra (limites do escopo)?
  • Qual abordagem de entrega (entregas únicas, entregas incrementais, pilotos)?
  • Quais atividades precisam acontecer e em que ordem?
  • Qual cronograma realista e quais marcos?
  • Quais recursos são necessários (pessoas, fornecedores, ferramentas)?
  • Quais riscos são mais prováveis e o que fazer se ocorrerem?
  • Como mudanças serão solicitadas e aprovadas?

Reuniões que fazem sentido:

  • Workshop de planejamento: decompor entregas em atividades, estimar esforço, mapear dependências.
  • Reunião de validação do plano com aprovadores: confirmar marcos, orçamento e critérios de aceite.

Saídas esperadas (artefatos práticos):

  • Plano do projeto (pode ser enxuto): escopo, cronograma, custos, comunicação, riscos, qualidade/aceite.
  • Lista de entregas e critérios de aceite (o que precisa estar verdadeiro para considerar “aprovado”).
  • Linha de base (baseline) do que será controlado: versão aprovada de escopo + cronograma + custo (mesmo que seja uma planilha).
  • Plano de comunicação simples: quem recebe o quê, com qual frequência e por qual canal.

Como validar progresso (checkpoints):

  • O plano permite que alguém execute sem “adivinhar”?
  • As pessoas que aprovam concordaram com marcos e critérios de aceite?
  • Riscos críticos têm resposta definida (evitar, mitigar, transferir, aceitar)?

3) Executar: produzir entregas e coordenar o trabalho

Objetivo do grupo: realizar o trabalho planejado, coordenar pessoas e recursos e gerar entregas.

Decisões típicas:

  • O que será priorizado primeiro (sequência de execução)?
  • Como lidar com impedimentos e dependências?
  • Quando envolver aprovadores para evitar retrabalho?
  • Quando acionar fornecedor/contratação (se aplicável)?

Reuniões que fazem sentido:

  • Reuniões rápidas de acompanhamento (diárias ou 2–3x por semana): status, impedimentos, próximos passos.
  • Reuniões de alinhamento técnico/operacional quando há dependências entre áreas.
  • Reuniões de demonstração/validação parcial: mostrar entregas em progresso para colher feedback cedo.

Saídas esperadas (artefatos práticos):

  • Entregas produzidas (documentos, produto, serviço, configuração, treinamento etc.).
  • Registro de issues/impedimentos com responsável e prazo.
  • Solicitações de mudança quando algo foge do combinado (escopo, prazo, custo, qualidade).

Como validar progresso (checkpoints):

  • Entregas estão sendo produzidas conforme critérios de aceite?
  • Impedimentos têm dono e data para resolução?
  • As mudanças estão sendo registradas (não “no boca a boca”)?

4) Monitorar e Controlar: comparar com o plano e ajustar o rumo

Objetivo do grupo: acompanhar desempenho, identificar desvios e tomar ações corretivas/preventivas, mantendo o projeto sob controle.

Decisões típicas:

  • Estamos adiantados/atrasados em relação ao cronograma? Por quê?
  • O custo está dentro do esperado? O que está pressionando o orçamento?
  • Qualidade está adequada ou há retrabalho?
  • Uma mudança é necessária? Vale a pena? Quem aprova?
  • Quais riscos se materializaram e quais novos riscos surgiram?

Reuniões que fazem sentido:

  • Reunião de status (semanal/quinzenal): progresso vs. plano, riscos, decisões pendentes.
  • Reunião de controle de mudanças (quando necessário): avaliar impacto e aprovar/rejeitar.
  • Revisões de marco: validação formal ao atingir etapas importantes.

Saídas esperadas (artefatos práticos):

  • Relatório de status simples: feito, em andamento, próximos passos, riscos, decisões.
  • Ações corretivas (ex.: reforçar equipe, reordenar atividades, reduzir escopo não essencial).
  • Atualização do plano (replanejamento) quando aprovado.
  • Registro de mudanças com impacto em prazo/custo/escopo e decisão.

Como validar progresso (checkpoints):

  • Existe comparação objetiva com a baseline (mesmo que em planilha)?
  • Desvios têm plano de resposta (não apenas “estamos atrasados”)?
  • Decisões e aprovações estão registradas para evitar conflito depois?

5) Encerrar: formalizar aceite e finalizar pendências

Objetivo do grupo: concluir formalmente o projeto (ou uma entrega), garantindo aceite, encerrando contratos/pendências e registrando aprendizados.

Decisões típicas:

  • As entregas atendem aos critérios de aceite?
  • Há pendências que precisam ser resolvidas antes do aceite final?
  • Quem assina/autoriza o encerramento?
  • O que precisa ser transferido para operação/suporte?

Reuniões que fazem sentido:

  • Reunião de aceite: validação final das entregas com aprovadores.
  • Reunião de lições aprendidas: o que funcionou, o que não funcionou, recomendações práticas.
  • Reunião de transição (quando existe operação): repasse para quem vai manter/usar.

Saídas esperadas (artefatos práticos):

  • Termo de aceite/encerramento (ou e-mail formal): confirmação de entrega e encerramento.
  • Checklist de encerramento: pendências resolvidas, acessos, documentação, treinamento, contratos.
  • Registro de lições aprendidas objetivo e acionável.

Como validar progresso (checkpoints):

  • Existe aceite formal (não apenas “parece ok”)?
  • Documentação e transição foram concluídas?
  • Lições aprendidas foram registradas de forma reutilizável?

Passo a passo prático: como rodar um projeto usando os grupos de processos

A seguir, um roteiro operacional enxuto para aplicar no dia a dia, mesmo em projetos pequenos.

Passo 1 — Iniciar (1 a 2 horas)

  • Escreva o objetivo em uma frase (ex.: “reduzir tempo de atendimento em 20% até data X”).
  • Liste 3 a 7 entregas principais.
  • Defina quem aprova e quem precisa ser consultado.
  • Registre 3 riscos óbvios e 3 restrições.
  • Peça aprovação para começar (mensagem formal já serve).

Passo 2 — Planejar (meio dia a 2 dias, dependendo do tamanho)

  • Quebre entregas em atividades (lista de tarefas).
  • Estime duração e esforço; identifique dependências.
  • Monte um cronograma com marcos e datas.
  • Defina critérios de aceite por entrega.
  • Combine cadência de comunicação (status semanal, canal, formato).
  • Defina como mudanças serão tratadas: registrar, avaliar impacto, aprovar.

Passo 3 — Executar + Monitorar e Controlar (ciclo contínuo)

  • Execute as tarefas priorizadas.
  • Faça acompanhamento curto e frequente (impedimentos e próximos passos).
  • Atualize status vs. plano semanalmente.
  • Quando houver desvio, escolha uma ação: corrigir, replanejar, negociar escopo/prazo, ou aceitar o impacto.
  • Quando houver mudança, registre e submeta para aprovação antes de assumir compromisso.

Passo 4 — Encerrar (1 a 3 horas, ou mais se houver transição)

  • Faça checklist de aceite e pendências.
  • Formalize o aceite com aprovadores.
  • Transfira entregas para quem vai operar/usar (documentos, acessos, treinamento).
  • Registre lições aprendidas em tópicos curtos (o que repetir e o que evitar).

Modelo de validação de progresso (simples e objetivo)

Para não depender de “sensação”, use perguntas fixas em toda reunião de status:

  • Escopo: o que foi entregue e aceito desde o último status?
  • Prazo: estamos no ritmo para cumprir o próximo marco? Se não, qual é o desvio?
  • Custo/esforço: estamos gastando mais horas/dinheiro do que o previsto? Por quê?
  • Riscos e impedimentos: o que pode nos parar nas próximas 2 semanas?
  • Decisões: o que precisa de aprovação para não travar?

Se quiser padronizar, um status de uma página pode ser estruturado assim:

Status do Projeto (data)  - Progresso: X%  - Próximo marco: (data)  - Semáforo: Verde/Amarelo/Vermelho  Entregas concluídas (aceitas):  - ...  Em andamento (próximos 7 dias):  - ...  Riscos/Impedimentos:  - (item) | impacto | responsável | prazo  Mudanças pendentes:  - (item) | impacto em prazo/custo/escopo | decisão necessária  Decisões necessárias até:  - ...

Exemplo completo (linguagem do dia a dia): projeto simples do início ao fechamento

Cenário: uma pequena empresa quer implantar um formulário online para pedidos de orçamento e integrar com uma planilha/CRM, para reduzir mensagens soltas e acelerar resposta ao cliente.

Iniciar (alinhamento e autorização)

  • Objetivo: “Centralizar pedidos de orçamento em um formulário e reduzir o tempo de resposta de 48h para 24h em 30 dias.”
  • Entregas principais: formulário publicado, integração com planilha/CRM, e-mail automático de confirmação, painel simples de acompanhamento, treinamento rápido do time.
  • Aprovadores: gerente comercial (aceite), TI (viabilidade), atendimento (uso diário).
  • Restrições: usar ferramenta já contratada; não pode parar o atendimento.
  • Riscos iniciais: campos errados no formulário gerarem retrabalho; integração falhar; equipe não adotar.
  • Validação: gerente comercial responde por e-mail: “Aprovado, pode iniciar”.

Planejar (como será feito)

  • Atividades: mapear campos necessários; desenhar fluxo (cliente preenche → time recebe → registra → responde); configurar formulário; configurar automações; testar; publicar; treinar; acompanhar primeira semana.
  • Cronograma: 2 semanas para configurar e testar, 1 semana piloto, 1 semana ajustes.
  • Critérios de aceite: formulário salva dados corretamente; e-mail automático chega em até 1 minuto; time consegue localizar pedidos por data/cliente; piloto com pelo menos 20 pedidos sem falhas críticas.
  • Comunicação: status semanal de 30 minutos; canal de mensagens para dúvidas do piloto.
  • Mudanças: qualquer novo campo solicitado após o piloto vira solicitação de mudança com impacto em prazo.

Executar (fazer acontecer)

  • O time configura o formulário e a automação.
  • Cria um “rascunho” e mostra para atendimento e comercial antes de finalizar (validação parcial).
  • Executa testes com 10 envios simulados e corrige erros.
  • Publica o formulário e inicia piloto com um grupo de clientes.

Monitorar e Controlar (acompanhar e ajustar)

  • Status semanal: verifica quantos pedidos entraram, tempo médio de resposta, falhas e dúvidas.
  • Desvio encontrado: muitos clientes não preenchem um campo obrigatório e o time perde tempo pedindo complemento.
  • Ação corretiva: ajustar o formulário (campo com exemplo e validação), atualizar mensagem de confirmação.
  • Solicitação de mudança: comercial pede incluir “faixa de orçamento” no formulário. Avalia impacto: +2 dias para ajustar e retestar. Aprovador decide: incluir após o piloto para não atrasar a publicação.

Encerrar (aceite e finalização)

  • Aceite: gerente comercial confirma que o fluxo funciona e que o tempo médio caiu para 22h no piloto.
  • Transição: atendimento recebe instrução rápida (1 página) e acesso ao painel.
  • Checklist: links atualizados no site, permissões revisadas, backup da planilha, responsáveis definidos.
  • Lições aprendidas: “validar campos com atendimento antes de publicar”; “piloto reduz retrabalho”; “mudanças precisam de janela de reteste”.

Mapa rápido: o que você deve ter em mãos em cada grupo

GrupoVocê precisa terPara validar
IniciarObjetivo claro, entregas principais, aprovadores, restriçõesAprovação explícita para começar
PlanejarEntregas detalhadas, cronograma, critérios de aceite, riscos, comunicaçãoPlano aprovado (baseline) e entendimento comum
ExecutarTrabalho em andamento, issues registradas, entregas parciaisEntregas avançam e impedimentos são tratados
Monitorar e ControlarStatus vs. plano, desvios, mudanças avaliadas, ações corretivasDecisões registradas e plano atualizado quando necessário
EncerrarAceite formal, transição, documentação mínima, lições aprendidasEntrega aceita e pendências encerradas

Agora responda o exercício sobre o conteúdo:

Durante a execução do projeto, surge uma mudança de escopo que pode afetar prazo e custo. Qual abordagem está mais alinhada aos grupos de processos do PMI para lidar com isso?

Você acertou! Parabéns, agora siga para a próxima página

Você errou! Tente novamente.

Os grupos de processos funcionam em ciclos: ao surgir uma mudança, ela deve ser registrada, ter impacto analisado e ser aprovada antes de virar compromisso. Se aprovada, o plano pode ser atualizado (replanejamento) e o projeto segue sendo monitorado e controlado.

Próximo capitúlo

Integração no PMI: tomada de decisão, alinhamento e controle sem burocracia

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