O que significa “solicitar avaliações no momento certo”
Solicitar avaliações no momento certo é um processo operacional (não apenas uma ação de marketing) para pedir feedback público quando o hóspede está mais propenso a responder, com memória fresca da experiência e com menor atrito para escrever. O “momento certo” não é igual para todos: varia conforme tipo de estadia (lazer, trabalho, evento), duração, canal de reserva, perfil do hóspede e pontos de contato que geraram satisfação (check-in ágil, quarto impecável, café da manhã, solução de um problema, atendimento no WhatsApp). O objetivo é aumentar a taxa de resposta e a qualidade das avaliações, reduzindo pedidos em momentos inadequados (hóspede com pressa, insatisfeito sem ter sido acolhido, ou ainda durante a estadia quando não viveu a experiência completa).
Na prática, “momento certo” combina três fatores: (1) prontidão emocional (o hóspede está satisfeito e receptivo), (2) prontidão logística (ele tem tempo e acesso fácil ao link), e (3) contexto de lembrança (a experiência ainda está recente). Um processo bem desenhado cria gatilhos claros para a equipe: quando pedir, por qual canal, com qual mensagem e como registrar o status para evitar duplicidade ou insistência.
Princípios para aumentar respostas sem gerar incômodo
1) Peça uma vez, com clareza e facilidade
O pedido deve ser simples: uma frase objetiva, um link direto e uma orientação do tipo “leva menos de 1 minuto”. Evite textos longos e múltiplos links. Se for usar QR Code, ele precisa abrir diretamente a tela de avaliação (não uma página intermediária).
2) Personalize o contexto, não a bajulação
Em vez de “sua opinião é muito importante”, use um contexto real: “Se o check-in e o quarto atenderam suas expectativas, sua avaliação ajuda outros viajantes a decidir”. Isso aumenta a percepção de utilidade e reduz a sensação de pedido genérico.
3) Não peça avaliação enquanto há pendência
Se houve reclamação, atraso, ruído, problema de limpeza ou qualquer atrito não resolvido, o pedido deve ser adiado. O processo precisa de um “bloqueio” operacional: só solicitar após a confirmação de que a pendência foi resolvida e o hóspede reconheceu a solução.
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4) Distribua pedidos ao longo do tempo para evitar picos artificiais
Quando a equipe pede avaliações apenas em alguns dias, o volume oscila e pode parecer pouco natural. O ideal é um fluxo contínuo, com regras claras por tipo de reserva e por janela de tempo após o check-out.
Mapeando os melhores momentos ao longo da jornada do hóspede
Durante a estadia: use para “temperatura”, não para avaliação pública
Durante a hospedagem, o melhor uso do contato é checar satisfação e corrigir rota. Exemplo de mensagem no segundo dia: “Está tudo certo com o quarto e o café da manhã? Se precisar de algo, me avise por aqui.” Esse tipo de abordagem reduz avaliações negativas posteriores porque dá chance de resolver problemas antes do check-out. Evite pedir avaliação pública nesse momento, pois o hóspede ainda não viveu a experiência completa e pode avaliar com base em um detalhe pontual.
No check-out: janela de alta lembrança, mas risco de pressa
O check-out é um momento forte para pedir avaliação porque a experiência está fresca. Porém, muitos hóspedes estão com mala, transporte chegando e pouca paciência. A melhor prática é pedir de forma “leve” e oferecer o caminho mais rápido: um cartão com QR Code entregue junto da nota/recibo, ou uma mensagem curta enviada logo após o check-out (quando ele já saiu).
Até 2 horas após o check-out: melhor equilíbrio entre lembrança e tempo
Para muitos meios de hospedagem, a janela de 30 minutos a 2 horas após o check-out é a mais eficiente: o hóspede já encerrou a logística de saída e ainda lembra detalhes. É um bom momento para mensagem por WhatsApp/SMS/e-mail (conforme consentimento e canal usado no relacionamento).
24 horas após o check-out: bom para hóspedes que viajam
Quem viaja de carro/avião pode estar indisponível no dia do check-out. Enviar em 24 horas pega o hóspede em um momento mais calmo, ainda com memória recente. Essa janela costuma funcionar bem para estadias de lazer e finais de semana.
3 a 5 dias após o check-out: use como segunda tentativa (com cuidado)
Uma segunda tentativa pode existir, mas deve ser opcional e bem dosada. Se a pessoa não respondeu no primeiro pedido, um lembrete curto pode funcionar, especialmente se o primeiro envio caiu em um momento ruim. Evite mais de duas tentativas no total.
Processo operacional: passo a passo para solicitar avaliações no momento certo
Passo 1: defina o “gatilho de elegibilidade”
Crie critérios objetivos para decidir quem entra no fluxo de solicitação. Exemplos de gatilhos:
- Check-out concluído + pagamento finalizado.
- Sem registro de reclamação aberta nas últimas 24 horas.
- Sem pendência de manutenção/limpeza reportada no quarto.
- Hóspede confirmou satisfação em contato de “temperatura” (quando aplicável).
Se você não tem um sistema formal, use uma planilha simples com colunas: Nome, Data check-out, Canal de contato, Ocorrências (sim/não), Status do pedido (não enviado/enviado/respondeu), Link usado.
Passo 2: segmente por tipo de estadia e canal de relacionamento
Crie 3 a 5 segmentos práticos (sem complicar). Exemplo:
- Lazer curta (1–2 noites).
- Lazer longa (3+ noites).
- Corporativo (check-out cedo, rotina corrida).
- Evento/casamento/grupo (múltiplos decisores e expectativas específicas).
- Repetentes/VIPs (maior chance de avaliar, mas não gostam de insistência).
Para cada segmento, defina uma janela preferencial (ex.: corporativo = 24h após check-out; lazer curta = 1–2h após check-out) e um canal principal (WhatsApp, e-mail, SMS). O canal deve respeitar o que o hóspede já usou para falar com você; isso reduz atrito e aumenta resposta.
Passo 3: escolha o ponto de contato “humano” que antecede o pedido
O pedido funciona melhor quando vem após um contato de cuidado, não como uma cobrança. Exemplos de microcontatos:
- No check-out: “Foi tudo certo com a estadia? Algo que poderíamos melhorar?”
- Mensagem pós check-out: “Obrigado por se hospedar com a gente. Chegou bem?”
Se o hóspede responder positivamente, você tem um sinal claro para enviar o link de avaliação em seguida (no mesmo canal), mantendo o timing natural.
Passo 4: padronize roteiros de mensagem por canal (curtos e objetivos)
Crie modelos prontos para a equipe, com campos variáveis (nome, data, unidade, link). Exemplos:
WhatsApp (1–2h após check-out): “Oi, {Nome}! Obrigado por se hospedar conosco. Se sua experiência foi positiva, você pode deixar uma avaliação rápida aqui? {Link}. Leva menos de 1 minuto e ajuda outros viajantes.”
E-mail (24h após check-out): “Assunto: Como foi sua estadia? | Olá, {Nome}. Se puder, deixe sua avaliação neste link: {Link}. Seu comentário ajuda a manter o padrão de atendimento e orientar futuros hóspedes.”
Cartão/QR no check-out: “Gostou da estadia? Aponte a câmera e avalie em 1 minuto.”
Evite: pedir “5 estrelas”, oferecer recompensa, ou pressionar com frases como “precisamos muito”. O foco é facilitar e contextualizar.
Passo 5: defina regras de timing (com janelas e exceções)
Crie uma tabela simples de regras. Exemplo prático:
- Lazer curta: enviar 1ª solicitação em até 2h após check-out; lembrete em 48h se não respondeu.
- Lazer longa: enviar 1ª solicitação em 24h; sem lembrete se houve qualquer ocorrência.
- Corporativo: enviar 1ª solicitação em 24h (fim do dia); lembrete em 72h.
- Evento/grupo: enviar ao responsável pela reserva em 24–48h; para participantes, apenas se houve contato individual e consentimento.
- Repetentes: enviar apenas 1 vez a cada X estadias (ex.: a cada 3 estadias) para não saturar.
Inclua exceções claras: se houve reclamação, se o hóspede pediu “não me contate”, se o contato é corporativo e não permite mensagens fora do horário, ou se o canal não foi autorizado.
Passo 6: crie um “check de satisfação” para casos de risco
Quando há sinais de risco (pedido de troca de quarto, barulho, falha no ar-condicionado, atraso na arrumação), não dispare o pedido automaticamente. Em vez disso, faça um check de satisfação após a solução:
- “Conseguiu descansar melhor após a troca de quarto?”
- “O ar-condicionado ficou ok depois do ajuste?”
Se a resposta for positiva, espere a janela padrão (ex.: 24h após check-out) e então solicite a avaliação. Se a resposta for neutra/negativa, priorize atendimento e registro interno; não peça avaliação pública.
Passo 7: implemente controle de frequência e deduplicação
Um erro comum é o hóspede receber pedido do recepcionista, depois do gerente, depois por e-mail automático. Defina um “dono do processo” e um registro único. Regras práticas:
- Um único canal principal por reserva.
- No máximo 2 tentativas (pedido + lembrete).
- Se o hóspede avaliou, marque como “concluído” e pare qualquer automação.
- Se o hóspede respondeu pedindo suporte, converta para atendimento e pause o pedido.
Passo 8: treine a equipe para pedir no tom certo (sem parecer script)
Treinamento aqui é mais sobre postura do que sobre decorar texto. Oriente a equipe a:
- Pedir apenas após confirmar que “foi tudo certo”.
- Usar frases curtas e oferecer o QR/link.
- Não discutir nota, não sugerir estrelas, não rebater críticas.
- Agradecer mesmo quando o hóspede não quiser avaliar.
Um exemplo de abordagem presencial no check-out: “{Nome}, obrigado pela estadia. Se puder, temos um QR aqui para deixar uma avaliação rápida. Ajuda bastante outros hóspedes.” E pare por aí.
Modelos de fluxo (para você copiar e adaptar)
Fluxo A: Pousada pequena com WhatsApp como canal principal
- Check-out: recepção pergunta se foi tudo certo e entrega cartão com QR.
- 1–2h após check-out: mensagem WhatsApp com link direto.
- 48h após: lembrete curto apenas para quem não respondeu.
Mensagem de lembrete: “Oi, {Nome}! Passando só para lembrar do link da avaliação, caso você tenha um minuto: {Link}. Obrigado!”
Fluxo B: Hotel com alto volume e equipe em turnos
- Check-out concluído: reserva entra em lista “elegível” (sem ocorrências).
- 24h após check-out: envio automático por e-mail/SMS com link.
- 72h após: lembrete automático para não respondentes.
- Exceções: reservas com ocorrência vão para fila manual de “verificar satisfação”.
Para evitar duplicidade, o sistema/planilha deve registrar automaticamente data/hora do envio e bloquear novos envios.
Fluxo C: Estadia corporativa com check-out muito cedo
- No check-out: não pedir avaliação (hóspede com pressa).
- No mesmo dia, 18h: mensagem curta por e-mail com link.
- 3 dias depois: lembrete único.
Esse fluxo respeita o ritmo do hóspede e reduz rejeição.
Como lidar com diferentes cenários sem perder o timing
Quando o hóspede elogia espontaneamente
Esse é um dos melhores momentos para pedir avaliação, porque o hóspede já está verbalizando satisfação. Responda agradecendo e em seguida faça o pedido com link. Exemplo: “Fico muito feliz que tenha gostado! Se puder registrar esse comentário em uma avaliação rápida, ajuda bastante: {Link}.”
Quando o hóspede não responde mensagens
Se o hóspede não responde, não aumente a frequência. Use o lembrete único e encerre. O processo deve aceitar que parte dos hóspedes não quer avaliar. Insistência aumenta bloqueios e reclamações.
Quando houve problema, mas foi resolvido
Mesmo resolvido, o timing deve ser mais conservador. Em vez de pedir logo após a solução, espere o check-out e use a janela de 24–48h. A mensagem pode ser mais neutra: “Se puder compartilhar como foi sua experiência geral, sua avaliação nos ajuda a melhorar.”
Quando a reserva é de um responsável, mas quem ficou foram outras pessoas
Defina quem é o “avaliador ideal”. Se o responsável não vivenciou a estadia, a avaliação pode ser menos precisa. Quando possível, colete contato de quem se hospedou (com consentimento) durante o check-in e direcione o pedido a essa pessoa. Se não for possível, peça ao responsável apenas se ele de fato acompanhou a experiência.
Checklist de implementação em 7 dias
Dia 1: desenhe as regras de elegibilidade e exceções
- Defina critérios de “pode pedir” e “não pode pedir”.
- Defina máximo de tentativas e canais permitidos.
Dia 2: crie modelos de mensagem (WhatsApp, e-mail e cartão/QR)
- Escreva 2 versões por canal (pedido e lembrete).
- Garanta que o link abre direto na tela de avaliação.
Dia 3: monte a planilha ou ajuste o sistema para registrar status
- Inclua colunas de data/hora de envio e resultado.
- Crie um campo “ocorrências” para bloquear envios.
Dia 4: treine a equipe com 3 roteiros de situação
- Hóspede satisfeito no check-out.
- Hóspede com pressa.
- Hóspede que teve problema resolvido.
Dia 5: rode um piloto com 10 a 20 reservas
- Aplique as janelas de timing definidas.
- Registre taxa de resposta e reações (positivas/negativas).
Dia 6: ajuste timing e mensagens com base no piloto
- Se houve baixa resposta, teste janela alternativa (2h vs 24h).
- Se houve incômodo, reduza lembretes e encurte texto.
Dia 7: padronize e transforme em rotina
- Defina responsável por acompanhar a lista diária.
- Crie um horário fixo de disparo (ex.: 11h e 18h).
- Estabeleça revisão semanal do processo (quem recebeu, quem respondeu, onde travou).
Exemplo de registro simples para controle (planilha)
Colunas sugeridas: Reserva | Nome | Check-out | Segmento | Canal | Ocorrência? | Elegível? | Envio 1 (data/hora) | Envio 2 (data/hora) | Avaliou? | ObservaçõesCom esse registro, você identifica rapidamente se o problema está no timing (envio muito cedo/tarde), no canal (hóspede não usa e-mail), ou na elegibilidade (muitos casos com ocorrência entram indevidamente no fluxo). O foco do capítulo é garantir que o pedido aconteça no momento mais provável de gerar resposta, com o mínimo de atrito e com consistência operacional.