Conceito: o que é Fundo de Troco e o que é Suprimento de Caixa
Fundo de troco é o valor inicial disponibilizado no caixa para garantir a devolução de troco ao cliente ao longo do turno. Ele não é “receita” e não deve ser misturado com valores de vendas; é um montante controlado, com composição planejada (cédulas e moedas) e responsabilidade definida.
Suprimento de caixa é a entrada adicional de numerário no caixa durante a operação, feita para recompor o troco (por exemplo, quando há excesso de notas altas e falta de moedas). Todo suprimento precisa ser autorizado e registrado para manter a rastreabilidade do dinheiro.
Responsabilidade e guarda: quem responde e como proteger o fundo
Identificação do responsável
- O fundo deve ser entregue a um responsável identificado (operador(a) do caixa, fiscal de caixa ou líder), com registro de nome, matrícula/ID, data e horário.
- Quando houver troca de operador no mesmo caixa, deve existir transferência formal de responsabilidade (com conferência e assinatura/validação no sistema).
Guarda adequada
- Mantenha o fundo de troco em compartimento próprio (gaveta/porta-cédulas), separado por denominação.
- Evite deixar valores soltos sobre o balcão; quando a contagem for necessária, faça em local visível e controlado.
- Não misture pertences pessoais (carteira, celular) com o numerário.
- Em caso de afastamento do posto (intervalo, apoio), siga o padrão interno de guarda (ex.: travar gaveta, recolher valores excedentes, acionar supervisão).
Padrões para composição do troco
A composição do fundo de troco deve ser definida por padrão (por loja, por tipo de operação e por volume de vendas). O objetivo é reduzir pedidos de troca e minimizar risco de falta de troco.
Como definir uma composição prática
- Priorize denominações que mais saem no troco (moedas e notas baixas).
- Evite excesso de notas altas no fundo; elas dificultam o troco e aumentam risco.
- Considere o ticket médio e a forma de pagamento predominante (dinheiro vs. cartão).
Exemplo de composição padrão (ilustrativo)
Exemplo de fundo total de R$ 200,00 com foco em troco:
- Notas: R$ 10, R$ 5, R$ 2
- Moedas: R$ 1, R$ 0,50, R$ 0,25, R$ 0,10, R$ 0,05
O padrão deve ser documentado (procedimento interno) para que a conferência compare o real com o esperado.
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Tolerâncias permitidas: como tratar diferenças pequenas
Algumas operações adotam tolerância para diferenças muito pequenas (principalmente por arredondamentos, moedas danificadas, falhas de contagem). Se houver tolerância:
- Ela deve ser formal (valor máximo e regras claras).
- Diferença dentro da tolerância ainda deve ser registrada (para análise de recorrência).
- Diferença fora da tolerância exige tratativa imediata (recontagem, verificação de registros, comunicação ao responsável).
Importante: tolerância não é “perdão” automático; é um limite operacional para evitar retrabalho, mantendo controle e rastreabilidade.
Passo a passo: como receber e conferir o fundo de troco
1) Recebimento do fundo
- Receba o fundo em envelope/porta-valores identificado, quando aplicável.
- Confirme o valor total esperado e a composição padrão (lista de denominações).
- Verifique se há orientação de dupla conferência (ex.: valores acima de um limite, troca de turno, auditoria interna).
2) Preparação para contagem (redução de erros)
- Conte em local visível e com espaço limpo.
- Evite interrupções: se alguém chamar, pause, proteja o numerário e retome do ponto de controle.
- Separe por denominação antes de somar.
- Use sempre o mesmo método: separar → contar → registrar → somar → validar.
3) Contagem por denominação
- Separe cédulas por valor (R$ 2, R$ 5, R$ 10, etc.) e alinhe em maços pequenos.
- Separe moedas por valor (R$ 1, R$ 0,50, etc.). Se houver porta-moedas, confira compartimento por compartimento.
- Registre a quantidade de cada denominação e calcule o subtotal.
4) Dupla conferência (quando aplicável)
- Uma segunda pessoa repete a contagem sem usar o resultado da primeira (contagem cega).
- Se houver divergência, faça recontagem por denominação até coincidir.
- Registre quem conferiu e o horário da conferência.
5) Registro em formulário/relatório e no sistema
- Preencha o formulário/relatório de fundo de troco com: valor total, composição por denominação, data/hora, caixa/PDV, responsável e conferente (se houver).
- Lance no sistema o evento correspondente (ex.: “Entrada de fundo de troco” ou “Abertura de fundo”), conforme o padrão interno.
- Anexe/guarde evidências conforme política (ex.: número do envelope, protocolo, assinatura digital).
6) Identificação e guarda após conferência
- Organize o troco nos compartimentos corretos para facilitar o uso e reduzir erros de entrega.
- Se houver excedente ou denominações fora do padrão, trate antes de iniciar a operação (ajuste via troca/suprimento, conforme regras).
Exemplo prático: tabela de contagem de cédulas e moedas
Modelo de tabela para conferência (preencha quantidades e subtotais):
| Denominação | Quantidade | Subtotal (R$) |
|---|---|---|
| R$ 100 | 0 | 0,00 |
| R$ 50 | 0 | 0,00 |
| R$ 20 | 2 | 40,00 |
| R$ 10 | 6 | 60,00 |
| R$ 5 | 8 | 40,00 |
| R$ 2 | 10 | 20,00 |
| R$ 1 (moeda) | 20 | 20,00 |
| R$ 0,50 | 20 | 10,00 |
| R$ 0,25 | 20 | 5,00 |
| R$ 0,10 | 20 | 2,00 |
| R$ 0,05 | 60 | 3,00 |
| Total | 200,00 |
Boas práticas ao preencher: registre a quantidade imediatamente após contar cada denominação; evite “guardar na cabeça” para lançar depois.
Troca de cédulas: como proceder sem perder rastreabilidade
Troca de cédulas é a substituição de denominações dentro do caixa (ex.: trocar notas de R$ 50 por notas menores/moedas) para recompor a capacidade de dar troco. Para reduzir risco:
Regras práticas
- Faça troca apenas com pessoa autorizada (fiscal/supervisor/tesouraria) e em local controlado.
- Troque valor por valor (ex.: R$ 100 sai, R$ 100 entra), evitando “trocas parciais” sem registro.
- Conte as duas partes (o que sai e o que entra) por denominação.
- Registre a troca quando o procedimento interno exigir (principalmente se envolver tesouraria/cofre).
Exemplo rápido de troca
Necessidade: falta de moedas e notas de R$ 2. Solução: enviar R$ 100 em notas altas e receber R$ 100 em notas baixas/moedas.
- Sai do caixa: 2× R$ 50 = R$ 100
- Entra no caixa: 10× R$ 5 (R$ 50) + 25× R$ 2 (R$ 50) = R$ 100
Se a troca for registrada, descreva: data/hora, responsável, motivo (recomposição de troco), valores e denominações.
Suprimento de caixa: quando usar e como registrar ajustes
O suprimento é indicado quando o caixa precisa de mais numerário para operar (por exemplo, início de pico de movimento, falta de moedas) e a simples troca de cédulas não resolve.
Quando solicitar suprimento
- Quando a composição do troco ficar abaixo do mínimo operacional (ex.: sem moedas para trocos fracionados).
- Quando houver previsão de aumento de fluxo e risco de parar vendas por falta de troco.
- Quando o padrão interno definir gatilhos (ex.: “moedas de R$ 0,50 abaixo de X unidades”).
Como registrar o suprimento (passo a passo)
- 1. Solicitação: informe valor e motivo (ex.: “recomposição de moedas”).
- 2. Recebimento: receba o numerário do responsável autorizado.
- 3. Conferência: conte por denominação, preferencialmente com dupla conferência quando exigido.
- 4. Registro documental: preencha o comprovante de suprimento com valor, denominações, data/hora, caixa/PDV, solicitante e entregador.
- 5. Registro no sistema: lance como
Suprimento/Entrada de numerário(ou evento equivalente), vinculando ao caixa correto. - 6. Arquivo/guarda: guarde o comprovante conforme política (físico ou digital).
Exemplo de registro de suprimento
Suprimento de R$ 50,00 para recompor moedas:
- R$ 1: 20 unidades = R$ 20,00
- R$ 0,50: 40 unidades = R$ 20,00
- R$ 0,25: 40 unidades = R$ 10,00
No sistema: lançar Entrada/Suprimento de R$ 50,00 com observação “recomposição de moedas”. No formulário: coletar identificação de quem entregou e quem recebeu.
Orientações para reduzir erros e divergências na conferência
- Contagem em local visível e controlado: reduz risco de extravio e questionamentos.
- Sem interrupções: se interromper, retome pela última denominação registrada (evite recomeçar “de cabeça”).
- Recontagem por divergência: divergência não se “ajusta”; primeiro reconta por denominação e valida registros.
- Separação física por denominação: evita misturar notas parecidas e errar subtotal.
- Registro imediato: conte e registre na hora; não acumule para lançar depois.
- Conferência cruzada: quando houver dupla conferência, a segunda pessoa deve contar sem ver o resultado da primeira.
- Padronização de formulário: use sempre o mesmo modelo de tabela e campos obrigatórios (responsável, conferente, horário).