Fundo de Troco e suprimento de caixa: conferência, registro e responsabilidade

Capítulo 2

Tempo estimado de leitura: 7 minutos

+ Exercício

Conceito: o que é Fundo de Troco e o que é Suprimento de Caixa

Fundo de troco é o valor inicial disponibilizado no caixa para garantir a devolução de troco ao cliente ao longo do turno. Ele não é “receita” e não deve ser misturado com valores de vendas; é um montante controlado, com composição planejada (cédulas e moedas) e responsabilidade definida.

Suprimento de caixa é a entrada adicional de numerário no caixa durante a operação, feita para recompor o troco (por exemplo, quando há excesso de notas altas e falta de moedas). Todo suprimento precisa ser autorizado e registrado para manter a rastreabilidade do dinheiro.

Responsabilidade e guarda: quem responde e como proteger o fundo

Identificação do responsável

  • O fundo deve ser entregue a um responsável identificado (operador(a) do caixa, fiscal de caixa ou líder), com registro de nome, matrícula/ID, data e horário.
  • Quando houver troca de operador no mesmo caixa, deve existir transferência formal de responsabilidade (com conferência e assinatura/validação no sistema).

Guarda adequada

  • Mantenha o fundo de troco em compartimento próprio (gaveta/porta-cédulas), separado por denominação.
  • Evite deixar valores soltos sobre o balcão; quando a contagem for necessária, faça em local visível e controlado.
  • Não misture pertences pessoais (carteira, celular) com o numerário.
  • Em caso de afastamento do posto (intervalo, apoio), siga o padrão interno de guarda (ex.: travar gaveta, recolher valores excedentes, acionar supervisão).

Padrões para composição do troco

A composição do fundo de troco deve ser definida por padrão (por loja, por tipo de operação e por volume de vendas). O objetivo é reduzir pedidos de troca e minimizar risco de falta de troco.

Como definir uma composição prática

  • Priorize denominações que mais saem no troco (moedas e notas baixas).
  • Evite excesso de notas altas no fundo; elas dificultam o troco e aumentam risco.
  • Considere o ticket médio e a forma de pagamento predominante (dinheiro vs. cartão).

Exemplo de composição padrão (ilustrativo)

Exemplo de fundo total de R$ 200,00 com foco em troco:

  • Notas: R$ 10, R$ 5, R$ 2
  • Moedas: R$ 1, R$ 0,50, R$ 0,25, R$ 0,10, R$ 0,05

O padrão deve ser documentado (procedimento interno) para que a conferência compare o real com o esperado.

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Tolerâncias permitidas: como tratar diferenças pequenas

Algumas operações adotam tolerância para diferenças muito pequenas (principalmente por arredondamentos, moedas danificadas, falhas de contagem). Se houver tolerância:

  • Ela deve ser formal (valor máximo e regras claras).
  • Diferença dentro da tolerância ainda deve ser registrada (para análise de recorrência).
  • Diferença fora da tolerância exige tratativa imediata (recontagem, verificação de registros, comunicação ao responsável).

Importante: tolerância não é “perdão” automático; é um limite operacional para evitar retrabalho, mantendo controle e rastreabilidade.

Passo a passo: como receber e conferir o fundo de troco

1) Recebimento do fundo

  • Receba o fundo em envelope/porta-valores identificado, quando aplicável.
  • Confirme o valor total esperado e a composição padrão (lista de denominações).
  • Verifique se há orientação de dupla conferência (ex.: valores acima de um limite, troca de turno, auditoria interna).

2) Preparação para contagem (redução de erros)

  • Conte em local visível e com espaço limpo.
  • Evite interrupções: se alguém chamar, pause, proteja o numerário e retome do ponto de controle.
  • Separe por denominação antes de somar.
  • Use sempre o mesmo método: separar → contar → registrar → somar → validar.

3) Contagem por denominação

  • Separe cédulas por valor (R$ 2, R$ 5, R$ 10, etc.) e alinhe em maços pequenos.
  • Separe moedas por valor (R$ 1, R$ 0,50, etc.). Se houver porta-moedas, confira compartimento por compartimento.
  • Registre a quantidade de cada denominação e calcule o subtotal.

4) Dupla conferência (quando aplicável)

  • Uma segunda pessoa repete a contagem sem usar o resultado da primeira (contagem cega).
  • Se houver divergência, faça recontagem por denominação até coincidir.
  • Registre quem conferiu e o horário da conferência.

5) Registro em formulário/relatório e no sistema

  • Preencha o formulário/relatório de fundo de troco com: valor total, composição por denominação, data/hora, caixa/PDV, responsável e conferente (se houver).
  • Lance no sistema o evento correspondente (ex.: “Entrada de fundo de troco” ou “Abertura de fundo”), conforme o padrão interno.
  • Anexe/guarde evidências conforme política (ex.: número do envelope, protocolo, assinatura digital).

6) Identificação e guarda após conferência

  • Organize o troco nos compartimentos corretos para facilitar o uso e reduzir erros de entrega.
  • Se houver excedente ou denominações fora do padrão, trate antes de iniciar a operação (ajuste via troca/suprimento, conforme regras).

Exemplo prático: tabela de contagem de cédulas e moedas

Modelo de tabela para conferência (preencha quantidades e subtotais):

DenominaçãoQuantidadeSubtotal (R$)
R$ 10000,00
R$ 5000,00
R$ 20240,00
R$ 10660,00
R$ 5840,00
R$ 21020,00
R$ 1 (moeda)2020,00
R$ 0,502010,00
R$ 0,25205,00
R$ 0,10202,00
R$ 0,05603,00
Total200,00

Boas práticas ao preencher: registre a quantidade imediatamente após contar cada denominação; evite “guardar na cabeça” para lançar depois.

Troca de cédulas: como proceder sem perder rastreabilidade

Troca de cédulas é a substituição de denominações dentro do caixa (ex.: trocar notas de R$ 50 por notas menores/moedas) para recompor a capacidade de dar troco. Para reduzir risco:

Regras práticas

  • Faça troca apenas com pessoa autorizada (fiscal/supervisor/tesouraria) e em local controlado.
  • Troque valor por valor (ex.: R$ 100 sai, R$ 100 entra), evitando “trocas parciais” sem registro.
  • Conte as duas partes (o que sai e o que entra) por denominação.
  • Registre a troca quando o procedimento interno exigir (principalmente se envolver tesouraria/cofre).

Exemplo rápido de troca

Necessidade: falta de moedas e notas de R$ 2. Solução: enviar R$ 100 em notas altas e receber R$ 100 em notas baixas/moedas.

  • Sai do caixa: 2× R$ 50 = R$ 100
  • Entra no caixa: 10× R$ 5 (R$ 50) + 25× R$ 2 (R$ 50) = R$ 100

Se a troca for registrada, descreva: data/hora, responsável, motivo (recomposição de troco), valores e denominações.

Suprimento de caixa: quando usar e como registrar ajustes

O suprimento é indicado quando o caixa precisa de mais numerário para operar (por exemplo, início de pico de movimento, falta de moedas) e a simples troca de cédulas não resolve.

Quando solicitar suprimento

  • Quando a composição do troco ficar abaixo do mínimo operacional (ex.: sem moedas para trocos fracionados).
  • Quando houver previsão de aumento de fluxo e risco de parar vendas por falta de troco.
  • Quando o padrão interno definir gatilhos (ex.: “moedas de R$ 0,50 abaixo de X unidades”).

Como registrar o suprimento (passo a passo)

  • 1. Solicitação: informe valor e motivo (ex.: “recomposição de moedas”).
  • 2. Recebimento: receba o numerário do responsável autorizado.
  • 3. Conferência: conte por denominação, preferencialmente com dupla conferência quando exigido.
  • 4. Registro documental: preencha o comprovante de suprimento com valor, denominações, data/hora, caixa/PDV, solicitante e entregador.
  • 5. Registro no sistema: lance como Suprimento/Entrada de numerário (ou evento equivalente), vinculando ao caixa correto.
  • 6. Arquivo/guarda: guarde o comprovante conforme política (físico ou digital).

Exemplo de registro de suprimento

Suprimento de R$ 50,00 para recompor moedas:

  • R$ 1: 20 unidades = R$ 20,00
  • R$ 0,50: 40 unidades = R$ 20,00
  • R$ 0,25: 40 unidades = R$ 10,00

No sistema: lançar Entrada/Suprimento de R$ 50,00 com observação “recomposição de moedas”. No formulário: coletar identificação de quem entregou e quem recebeu.

Orientações para reduzir erros e divergências na conferência

  • Contagem em local visível e controlado: reduz risco de extravio e questionamentos.
  • Sem interrupções: se interromper, retome pela última denominação registrada (evite recomeçar “de cabeça”).
  • Recontagem por divergência: divergência não se “ajusta”; primeiro reconta por denominação e valida registros.
  • Separação física por denominação: evita misturar notas parecidas e errar subtotal.
  • Registro imediato: conte e registre na hora; não acumule para lançar depois.
  • Conferência cruzada: quando houver dupla conferência, a segunda pessoa deve contar sem ver o resultado da primeira.
  • Padronização de formulário: use sempre o mesmo modelo de tabela e campos obrigatórios (responsável, conferente, horário).

Agora responda o exercício sobre o conteúdo:

Ao identificar falta de moedas para dar troco durante o turno, qual procedimento garante rastreabilidade ao colocar mais numerário no caixa?

Você acertou! Parabéns, agora siga para a próxima página

Você errou! Tente novamente.

O suprimento é uma entrada adicional de numerário e deve ser autorizado e registrado. Para manter rastreabilidade, é necessário conferir por denominação e formalizar em comprovante e no sistema, vinculando ao caixa/PDV.

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Operação diária do Caixa: boas práticas para registrar vendas e recebimentos

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