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Microcopy que Converte: Textos Curtos para UX, Onboarding e Erros

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18 páginas

Fundamentos de microcopy orientado à ação

Capítulo 1

Tempo estimado de leitura: 12 minutos

+ Exercício

Microcopy orientado à ação é o conjunto de textos curtos em interfaces (botões, links, dicas, mensagens de validação, rótulos e instruções) escritos para reduzir a dúvida e aumentar a probabilidade de a pessoa executar o próximo passo correto. “Orientado à ação” não significa “agressivo” ou “vendedor”; significa que cada frase existe para destravar uma decisão específica: clicar, preencher, confirmar, escolher, continuar, corrigir um erro ou entender uma consequência.

Na prática, esse tipo de microcopy funciona como um “guia de navegação” embutido na interface. Ele antecipa perguntas (“o que acontece se eu clicar?”), remove fricções (“preciso mesmo disso?”), e torna o caminho mais óbvio (“qual é o próximo passo?”). Quando bem feito, o usuário sente que a interface é clara e previsível, não que está sendo empurrado.

O que caracteriza um microcopy orientado à ação

Um microcopy orientado à ação tem três características centrais: (1) aponta um próximo passo, (2) reduz ambiguidade e (3) deixa a consequência explícita quando isso ajuda a decidir. Ele é curto, mas não “mínimo” a qualquer custo; ele é tão curto quanto possível e tão informativo quanto necessário.

1) Foco no próximo passo (não no recurso)

Textos centrados em recurso descrevem o que a interface é (“Ferramenta de relatórios”, “Configurações avançadas”). Textos centrados em ação descrevem o que a pessoa faz (“Ver relatórios”, “Ajustar preferências”). O usuário não quer “um recurso”; ele quer completar uma tarefa.

  • Menos orientado à ação: “Relatórios”

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  • Mais orientado à ação: “Ver relatórios” ou “Gerar relatório” (depende do objetivo)

2) Clareza sobre o que acontece depois

Um clique pode significar muitas coisas: salvar, enviar, avançar, pagar, excluir, publicar. Microcopy orientado à ação reduz esse “risco percebido” deixando claro o resultado.

  • Ambíguo: “OK”

  • Orientado à ação: “Salvar alterações”

  • Quando há impacto maior: “Excluir conta” (e não “Confirmar”)

3) Linguagem do usuário (verbo + objeto concreto)

Uma estrutura simples costuma funcionar bem: verbo no imperativo + objeto específico. O verbo indica ação; o objeto remove dúvida.

  • “Baixar PDF”

  • “Adicionar endereço”

  • “Enviar mensagem”

  • “Agendar visita”

Quando o objeto é genérico (“enviar”, “continuar”, “avançar”), o usuário precisa adivinhar. Às vezes isso é aceitável (fluxos lineares simples), mas em decisões sensíveis é melhor especificar.

Fundamentos: intenção, contexto e fricção

Para escrever microcopy orientado à ação, você precisa enxergar a interface como uma sequência de microdecisões. Em cada ponto, o usuário pode: seguir, hesitar, errar ou desistir. O texto curto atua principalmente em três frentes: intenção (o que a pessoa quer), contexto (o que ela sabe naquele momento) e fricção (o que a impede de agir).

Intenção: qual tarefa está sendo feita agora

O mesmo componente pode ter microcopy diferente dependendo da intenção. Um botão em um carrinho pode ser “Finalizar compra”; em um orçamento, pode ser “Solicitar orçamento”. A intenção muda o verbo e muda a expectativa do resultado.

Contexto: o que a pessoa vê e o que ela já fez

Microcopy não existe isolado. Um “Continuar” pode ser claro se o passo atual estiver explicitado (“Etapa 2 de 3: Endereço”). Sem essa pista, “Continuar” vira uma aposta. Contexto também inclui: estado do sistema (carregando, salvo, pendente), restrições (limites, formatos), e consequências (o que será enviado, para quem, quando).

Fricção: o que gera hesitação

Fricção pode ser cognitiva (não entendi), emocional (medo de errar), ou prática (não tenho a informação agora). Microcopy orientado à ação reduz fricção com: instruções curtas, exemplos, reforço de segurança (“você pode editar depois”), e transparência (“leva 2 minutos”).

Princípios práticos para escrever microcopy orientado à ação

Use verbos específicos e evite “palavras-coringa”

Palavras-coringa como “OK”, “Enviar”, “Pronto”, “Continuar” podem funcionar em alguns contextos, mas frequentemente escondem o que realmente vai acontecer. Troque por verbos que descrevem o resultado.

  • “OK” → “Entendi” (quando é apenas uma confirmação de leitura)

  • “Enviar” → “Enviar pedido” / “Enviar mensagem” / “Enviar convite”

  • “Continuar” → “Ir para pagamento” / “Escolher plano” / “Revisar dados”

Mostre consequência quando houver risco ou irreversibilidade

Quanto maior o risco percebido, mais o usuário precisa de certeza. Em ações destrutivas ou com custo, o microcopy deve ser explícito.

  • “Remover” → “Remover do carrinho” (reversível)

  • “Excluir” → “Excluir arquivo permanentemente” (irreversível)

  • “Confirmar” → “Confirmar pagamento” (custo)

Reduza carga mental com instruções no ponto de uso

Em vez de explicar em um texto longo, coloque uma instrução curta exatamente onde a pessoa precisa dela: no label, no placeholder (com cuidado), em uma dica abaixo do campo, ou em um texto auxiliar.

  • Campo: “CPF”

  • Texto auxiliar: “Somente números, 11 dígitos.”

Antecipe objeções comuns com microcopy de segurança

Se você sabe que uma etapa gera medo (“vou ser cobrado?”, “vai dar trabalho?”, “posso mudar depois?”), responda com uma frase curta.

  • “Você pode cancelar a qualquer momento.”

  • “Você poderá editar essas informações depois.”

  • “Não compartilhamos seu e-mail.”

Essas frases devem ser verdadeiras e verificáveis. Microcopy orientado à ação não promete o que o produto não entrega.

Evite jargão e termos internos

Jargão é inimigo de ação porque obriga o usuário a interpretar. Troque termos internos por linguagem de tarefa.

  • “Sincronizar credenciais” → “Conectar conta”

  • “Provisionar acesso” → “Liberar acesso”

  • “Submeter solicitação” → “Enviar solicitação”

Passo a passo prático para criar microcopy orientado à ação

O objetivo deste passo a passo é sair de “texto genérico” para “texto que guia a decisão”. Use como checklist em botões, links, labels e instruções.

Passo 1: Defina a ação-alvo e o sucesso do usuário

Escreva em uma frase: “O usuário precisa fazer X para obter Y”. Isso evita microcopy que só descreve a interface.

  • Exemplo: “O usuário precisa adicionar um endereço para receber o pedido.”

  • Exemplo: “O usuário precisa confirmar o e-mail para ativar a conta.”

Passo 2: Liste as dúvidas prováveis naquele ponto

Faça uma lista curta de perguntas que alguém faria antes de agir. Normalmente são 3 a 5.

  • “Isso é obrigatório?”

  • “Quanto tempo leva?”

  • “O que acontece se eu clicar?”

  • “Posso desfazer?”

  • “Para onde isso vai?”

Essas dúvidas guiam o que precisa estar explícito no microcopy.

Passo 3: Escolha o tipo de componente e o espaço disponível

O mesmo conteúdo pode ser distribuído em lugares diferentes. Um botão deve ser curto; uma linha de texto auxiliar pode carregar detalhes; um modal pode explicar consequência.

  • Botão: verbo + objeto (“Salvar endereço”)

  • Texto auxiliar: restrição/segurança (“Você pode editar depois.”)

  • Modal: consequência e confirmação (“Isso removerá o acesso de todos os membros.”)

Passo 4: Escreva 3 variações com níveis diferentes de especificidade

Crie três opções: uma curta, uma média e uma mais explícita. Depois escolha a menor que ainda elimina a dúvida principal.

  • Curta: “Salvar”

  • Média: “Salvar alterações”

  • Explícita: “Salvar alterações e voltar ao painel”

Se o “voltar ao painel” for importante para a decisão, use a versão explícita. Se não for, a média costuma bastar.

Passo 5: Verifique alinhamento com o estado do sistema

Microcopy orientado à ação precisa combinar com o que o sistema realmente faz. Se o botão diz “Salvar”, mas na verdade “Envia para aprovação”, há quebra de confiança.

Checklist rápido:

  • O texto descreve a ação real?

  • O tempo verbal faz sentido (agora vs depois)?

  • Há etapas intermediárias não mencionadas?

Passo 6: Remova palavras que não mudam a decisão

Enxugue sem perder clareza. Palavras como “clique aqui”, “por favor”, “agora” às vezes são dispensáveis. Mantenha apenas o que orienta a ação.

  • “Clique aqui para baixar o arquivo” → “Baixar arquivo”

  • “Por favor, insira seu e-mail” → “Digite seu e-mail”

Passo 7: Teste com leitura em voz alta e com varredura visual

Microcopy é lido rápido. Leia em voz alta para detectar frases travadas. Depois faça um teste de varredura: olhe por 2 segundos para a tela e veja se o próximo passo fica óbvio.

Padrões de escrita orientada à ação (com exemplos)

Botões: verbo + resultado

Botões são o lugar mais direto para microcopy orientado à ação. Priorize o resultado que o usuário quer, não o mecanismo interno.

  • “Criar” → “Criar projeto”

  • “Adicionar” → “Adicionar membro”

  • “Aplicar” → “Aplicar desconto”

  • “Confirmar” → “Confirmar agendamento”

Quando houver duas ações próximas (primária e secundária), diferencie claramente:

  • Primária: “Salvar e continuar”

  • Secundária: “Salvar como rascunho”

Links: ações leves e específicas

Links geralmente indicam ações secundárias ou navegação. Evite “Saiba mais” sem contexto; prefira “Ver detalhes do plano”, “Entender taxas”, “Ver exemplos”.

  • “Saiba mais” → “Ver o que está incluso”

  • “Ajuda” → “Como escolher o tamanho”

Labels e campos: peça uma coisa por vez

Microcopy orientado à ação em formulários reduz erros e acelera preenchimento. Labels devem ser claros e específicos; textos auxiliares devem antecipar formato e uso.

  • Label: “Telefone”

  • Auxiliar: “Inclua DDD. Ex.: 11 91234-5678”

  • Evite: “Contato” (pode ser e-mail? telefone? nome?)

Microinstruções: diga o mínimo para destravar

Instruções longas viram ruído. Prefira frases curtas, com verbo, e com exemplo quando necessário.

  • “Escolha uma data e um horário disponíveis.”

  • “Descreva o problema em uma frase.”

  • “Adicione pelo menos 1 item para continuar.”

Como lidar com ações sensíveis: pagamento, exclusão e permissões

Pagamentos: explicite cobrança e recorrência

Para orientar a ação em pagamento, o microcopy deve reduzir medo e aumentar previsibilidade. O botão e o texto de apoio precisam deixar claro se há cobrança imediata, valor e recorrência (quando aplicável).

  • Botão: “Pagar R$ 49,90” (quando o valor é fixo e conhecido)

  • Texto auxiliar: “Cobrança única. Você receberá o recibo por e-mail.”

  • Assinatura: “Assinar por R$ 29/mês” + “Renova automaticamente. Cancele quando quiser.”

Exclusão: nomeie o que será perdido e se há recuperação

Em exclusão, “orientado à ação” significa “orientado à decisão consciente”. Diga exatamente o que será excluído e se existe restauração.

  • “Excluir projeto” + “Isso removerá tarefas e arquivos deste projeto.”

  • “Mover para lixeira” (quando há recuperação) em vez de “Excluir”

Permissões: conecte permissão ao benefício imediato

Pedidos de permissão (localização, notificações, acesso a arquivos) geram hesitação. Microcopy orientado à ação explica o benefício direto e o momento de uso.

  • “Permitir localização” + “Para mostrar lojas próximas e prazo de entrega.”

  • “Ativar notificações” + “Para avisar quando seu pedido sair para entrega.”

Erros e validações como orientação de ação

Mensagens de validação são microcopy orientado à ação por definição: elas existem para que o usuário corrija e avance. A regra é: diga o que aconteceu, por que impede, e como resolver, com o mínimo de palavras.

  • Ruim: “Erro no campo.”

  • Bom: “Digite um e-mail válido (ex.: nome@dominio.com).”

  • Bom: “A senha precisa ter 8+ caracteres e 1 número.”

Quando o erro depende de uma regra específica, coloque a regra antes do usuário errar (texto auxiliar) e repita de forma objetiva se ele errar (mensagem de erro). Isso reduz tentativas e frustração.

Checklist rápido de microcopy orientado à ação

  • O texto deixa claro o que acontece ao clicar/enviar?

  • verbo + objeto (ação + alvo) em botões e links?

  • O microcopy responde a 1–2 dúvidas principais do momento?

  • Em ações sensíveis, a consequência está explícita?

  • O texto está alinhado ao estado real do sistema?

  • Há palavras sobrando que não mudam a decisão?

Exercício guiado: reescrevendo microcopy para ação

A seguir, um exercício prático para treinar. Pegue uma tela real do seu produto (ou um protótipo) e aplique o processo em 15 minutos.

1) Identifique 5 pontos de decisão

Procure: botões principais, botões secundários, links de ajuda, campos com alta taxa de erro, e qualquer confirmação.

  • Botão principal do fluxo

  • Botão de cancelamento/voltar

  • Campo de e-mail/telefone

  • Campo de senha

  • Confirmação final

2) Para cada ponto, responda a três perguntas

  • Ação: o que o usuário fará aqui?

  • Resultado: o que ele ganha ou muda no sistema?

  • Risco: há custo, perda, exposição de dados ou irreversibilidade?

3) Escreva microcopy em duas camadas

Camada 1 (curta): no botão/label. Camada 2 (suporte): uma linha abaixo, se necessário.

  • Camada 1: “Enviar pedido”

  • Camada 2: “Você receberá a confirmação por e-mail.”

4) Faça um teste de substituição

Troque o texto por um genérico e veja se perde clareza. Se perder, você está no caminho certo.

  • Se “Salvar alterações” virar “OK” e ficar confuso, a versão orientada à ação está cumprindo seu papel.

5) Padronize termos para consistência

Escolha um verbo para cada ação recorrente e mantenha consistente. Ex.: se você usa “Salvar” em um lugar e “Gravar” em outro, o usuário pode interpretar como ações diferentes.

Mapa de verbos (exemplo interno de padronização):
- Salvar: grava mudanças sem enviar para ninguém
- Enviar: encaminha para análise/para outra pessoa
- Publicar: torna visível para o público
- Excluir: remove permanentemente (usar com confirmação)
- Mover para lixeira: removível/restaurável

Agora responda o exercício sobre o conteúdo:

Qual alternativa melhor representa um microcopy orientado à ação para um botão, reduzindo ambiguidade e deixando claro o que acontece depois?

Você acertou! Parabéns, agora siga para a próxima página

Você errou! Tente novamente.

Microcopy orientado à ação deve indicar o próximo passo e reduzir a dúvida sobre o resultado. Salvar alterações descreve claramente o que acontecerá ao clicar, ao contrário de termos genéricos como OK ou títulos de recurso como Relatórios.

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Princípios de clareza, concisão e legibilidade em interfaces

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