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Microcopy que Converte: Textos Curtos para UX, Onboarding e Erros

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18 páginas

Princípios de clareza, concisão e legibilidade em interfaces

Capítulo 2

Tempo estimado de leitura: 11 minutos

+ Exercício

Clareza, concisão e legibilidade são três princípios que sustentam microcopies eficientes em interfaces. Eles reduzem esforço cognitivo, diminuem erros, aceleram decisões e aumentam a sensação de controle do usuário. Na prática, esses princípios se traduzem em escolhas de palavras, estrutura de frases, organização visual do texto e consistência de termos ao longo de fluxos como cadastro, checkout, configurações e mensagens de erro.

Clareza: o usuário entende de primeira

Clareza é a capacidade do texto de ser entendido rapidamente, sem releitura e sem exigir inferências. Em interface, clareza depende de: vocabulário familiar ao público, contexto explícito, instruções completas (sem excesso) e ausência de ambiguidade. Um texto claro responde, no mínimo, a uma destas perguntas: o que é isto, o que acontece se eu fizer isso, o que eu preciso fazer agora, e o que muda depois.

Características de um texto claro

  • Especificidade: evita termos genéricos como “processar”, “executar”, “realizar” quando o usuário precisa saber o que de fato ocorrerá.
  • Contexto: menciona o objeto correto (pedido, conta, cartão, arquivo) e o estado (enviado, pendente, salvo).
  • Sem jargão desnecessário: troca termos internos por linguagem do usuário (por exemplo, “código de verificação” em vez de “token”).
  • Sem ambiguidade temporal: deixa claro se algo é imediato, agendado, reversível, ou se depende de aprovação.
  • Consistência: usa o mesmo termo para a mesma coisa em toda a interface.

Exemplos práticos de clareza (antes/depois)

Botão

  • Antes: “Confirmar”
  • Depois: “Confirmar pagamento”

Mensagem de sistema

  • Antes: “Operação realizada com sucesso.”
  • Depois: “Pagamento aprovado. Enviamos o recibo para seu e-mail.”

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  • Antes (label): “Documento”
  • Depois (label): “CPF”
  • Complemento (helper): “Somente números.”

Ambiguidade de ação

  • Antes: “Salvar e sair” (sem dizer de onde)
  • Depois: “Salvar rascunho e voltar para a lista”

Clareza em estados e consequências

Em interfaces, muitas dúvidas surgem quando o texto não explicita consequência. Isso é crítico em ações irreversíveis, mudanças de plano, exclusões e cancelamentos. Clareza aqui significa declarar o que muda e o que não muda.

  • Exemplo de ação sensível (modal): “Excluir projeto” + texto: “O projeto e seus arquivos serão removidos. Você não poderá recuperar depois.”
  • Exemplo de cancelamento: “Cancelar assinatura” + texto: “Você mantém acesso até 12/03. Depois disso, sua conta volta para o plano gratuito.”

Concisão: dizer o necessário, sem cortar o essencial

Concisão é reduzir palavras sem perder significado. Em microcopy, concisão não é “texto curto a qualquer custo”; é “texto eficiente”. Um texto conciso elimina redundâncias, evita explicações longas dentro do fluxo e prioriza a informação que destrava a próxima decisão do usuário.

O que geralmente torna um texto longo (e como encurtar)

  • Redundância: “Por favor, clique no botão abaixo para continuar” vira “Continuar”.
  • Formalidade excessiva: “Informamos que não foi possível” vira “Não foi possível”.
  • Frases com duas ideias: separar em duas frases curtas pode reduzir releitura e manter concisão funcional.
  • Detalhes fora de hora: mover para tooltip, link “Saiba mais” ou página de ajuda quando não é necessário para completar a tarefa.

Técnicas de concisão aplicáveis em interface

  • Comece pelo verbo e pelo objeto: “Enviar comprovante” em vez de “Você pode enviar o comprovante agora”.
  • Remova “enchimentos”: “agora”, “aqui”, “por favor”, “gentileza” (use quando tiver função de tom, não por hábito).
  • Troque locuções por palavras diretas: “devido ao fato de” → “porque”; “no momento” → “agora” (se for relevante).
  • Evite duplicar informação do layout: se o título já diz “Endereço de entrega”, o texto abaixo não precisa repetir “Informe seu endereço de entrega”.

Exemplos práticos de concisão (antes/depois)

Helper text

  • Antes: “A sua senha deve conter no mínimo 8 caracteres para que seja considerada válida.”
  • Depois: “Use 8+ caracteres.”

Erro de validação

  • Antes: “Ocorreu um erro porque o e-mail informado não está em um formato válido.”
  • Depois: “E-mail inválido. Ex.: nome@dominio.com”

Confirmação

  • Antes: “Tem certeza de que deseja prosseguir com esta ação?”
  • Depois: “Confirmar envio?” (quando o contexto já deixa claro o que será enviado)

Concisão com preservação de segurança

Em ações críticas, concisão não deve remover avisos essenciais. O objetivo é ser curto e explícito. Compare:

  • Ruim (curto demais): “Excluir?”
  • Bom (curto e seguro): “Excluir arquivo? Isso não pode ser desfeito.”

Legibilidade: facilitar a leitura na tela

Legibilidade é o quão fácil é ler e escanear o texto em uma interface. Ela depende de fatores linguísticos (frases curtas, palavras comuns, estrutura) e também de como o texto é apresentado (hierarquia, espaçamento, listas). Mesmo com palavras claras e concisas, a legibilidade pode falhar se a informação estiver “empacotada” em blocos densos ou se a hierarquia não guiar o olhar.

Princípios linguísticos de legibilidade

  • Frases curtas: preferir uma ideia por frase.
  • Voz ativa: “Enviamos o código” tende a ser mais direto do que “O código foi enviado”.
  • Palavras frequentes: “usar”, “entrar”, “sair”, “pagar” em vez de sinônimos raros.
  • Evitar negações duplas: “Não foi possível não concluir” confunde; reescreva para positivo.

Princípios de escaneabilidade (scan)

Usuários raramente leem palavra por palavra; eles escaneiam. Para apoiar isso, o texto deve ter pontos de ancoragem visuais e semânticos.

  • Use listas para requisitos, passos e opções.
  • Use rótulos (labels) informativos em campos e seções.
  • Coloque a informação mais importante primeiro (o usuário decide rápido se continua lendo).
  • Evite parágrafos longos: quebre em blocos de 1–3 frases quando possível.

Exemplos de reescrita para legibilidade

Requisitos de senha em bloco vs. lista

Antes:

Sua senha precisa ter no mínimo 8 caracteres, conter uma letra maiúscula, uma letra minúscula e um número para ser aceita.

Depois:

  • 8+ caracteres
  • 1 letra maiúscula
  • 1 letra minúscula
  • 1 número

Instrução com ordem confusa

  • Antes: “Para continuar, depois de preencher seus dados, clique em avançar.”
  • Depois: “Preencha seus dados e clique em Avançar.”

Como equilibrar clareza, concisão e legibilidade

Os três princípios se reforçam, mas às vezes entram em tensão. Um texto pode ficar conciso demais e perder clareza; ou ficar claro, porém longo e difícil de escanear. O equilíbrio geralmente vem de: escolher a informação mínima que evita erro, organizar em camadas (título, frase curta, detalhes sob demanda) e usar estrutura visual (listas, rótulos) para manter legibilidade sem aumentar muito o volume.

Estratégia de camadas (layering) para não entupir a tela

  • Camada 1 (essencial): título/label + frase curta que destrava a ação.
  • Camada 2 (orientação): helper text com exemplo, formato ou restrição.
  • Camada 3 (detalhe): link “Saiba mais”, tooltip, FAQ, ou texto expandível.

Exemplo em campo de telefone:

  • Label: “Celular”
  • Helper: “Com DDD. Ex.: (11) 91234-5678”
  • Detalhe (tooltip): “Usamos para enviar atualizações do pedido. Você pode mudar depois.”

Passo a passo prático: revisão de microcopy com foco em clareza, concisão e legibilidade

Use este processo para revisar telas existentes (formulários, modais, mensagens de erro, confirmações e estados vazios). O objetivo é identificar pontos de confusão, cortar excesso e reorganizar para leitura rápida.

Passo 1: Liste os pontos de texto da tela

Copie para um documento todos os trechos: títulos, labels, placeholders, helper texts, botões, mensagens de erro, confirmações e avisos. Ver o texto “fora do layout” ajuda a perceber redundâncias e inconsistências.

Passo 2: Defina a intenção de cada trecho

Para cada item, responda: qual decisão ele ajuda o usuário a tomar? Qual ação ele destrava? Se você não consegue responder, o texto provavelmente está decorativo ou genérico.

  • Exemplo: um helper “Preencha corretamente” não destrava nada; substitua por formato, exemplo ou restrição real.

Passo 3: Teste de clareza em 5 segundos

Leia o trecho uma vez e verifique se dá para responder imediatamente:

  • O que é?
  • O que acontece se eu clicar?
  • O que falta para concluir?
  • O que deu errado (se for erro) e como corrigir?

Se a resposta exigir suposições, reescreva para explicitar objeto, estado e consequência.

Passo 4: Corte redundâncias e formalidades

Faça uma rodada apenas de concisão. Remova palavras que não mudam o entendimento. Troque estruturas longas por termos diretos.

  • “Por favor, insira” → “Digite”
  • “No campo abaixo” → remover (o campo já está abaixo)
  • “A fim de” → “para”

Passo 5: Reorganize para escaneabilidade

Transforme blocos densos em listas, quebre frases longas e coloque a informação mais importante no início. Se houver múltiplas condições, prefira bullets.

Exemplo (aviso de entrega):

Antes:

As entregas são realizadas em dias úteis, podendo ocorrer entre 8h e 18h, e em caso de ausência será realizada uma nova tentativa no próximo dia útil.

Depois:

  • Entregas em dias úteis
  • Horário: 8h–18h
  • Se não houver ninguém, tentamos novamente no próximo dia útil

Passo 6: Padronize termos e verbos

Escolha um termo por conceito e aplique em toda a interface. Exemplo: se você usa “pedido” em um lugar e “compra” em outro, o usuário pode achar que são coisas diferentes. O mesmo vale para ações: “remover”, “excluir” e “apagar” não devem alternar sem motivo.

  • Crie uma mini lista de termos: entidade (pedido/assinatura/conta), estados (pendente/aprovado/cancelado), ações (salvar/enviar/excluir).

Passo 7: Valide com cenários de erro e exceção

Textos costumam estar bons no “caminho feliz” e ruins nos erros. Revise:

  • Erros de campo (formato, obrigatório, limite)
  • Erros de rede (instabilidade, timeout)
  • Permissões (sem acesso)
  • Estados vazios (sem itens, sem resultados)

Garanta que cada mensagem tenha: o que aconteceu, por que (se souber), e o que fazer agora. Mantenha curto e acionável, mas sem depender de termos técnicos.

Checklist rápido por tipo de componente

Labels e placeholders

  • Label nomeia o dado (ex.: “E-mail”), não a instrução (“Digite seu e-mail”).
  • Placeholder complementa com exemplo ou formato, não repete o label.
  • Evite placeholders como única identificação do campo (legibilidade e acessibilidade).

Helper text

  • Responde a dúvidas previsíveis: formato, prazo, limite, uso do dado.
  • É curto e específico; se ficar longo, transforme em lista ou mova detalhes para camada extra.

Botões

  • Texto descreve o resultado (ex.: “Salvar alterações”).
  • Evite verbos genéricos quando houver risco de ambiguidade (“OK”, “Confirmar”).
  • Em pares de botões, diferencie claramente a ação principal e a secundária (ex.: “Cancelar” vs. “Salvar”).

Mensagens de erro

  • Nomeie o problema com precisão (ex.: “Senha muito curta”).
  • Explique como corrigir (ex.: “Use 8+ caracteres”).
  • Evite culpar o usuário (“Você digitou errado”).
  • Evite códigos e termos internos (“Erro 0x…”), a menos que haja suporte técnico.

Confirmações e avisos

  • Deixe explícito o que muda e se é reversível.
  • Se houver impacto em dados, tempo ou dinheiro, diga isso de forma direta.
  • Use estrutura em duas linhas: ação + consequência principal.

Exercício guiado: reescrevendo uma tela de cadastro

A seguir, um exemplo de como aplicar os três princípios em um trecho comum de interface. O objetivo é reduzir dúvidas e aumentar a leitura rápida.

Versão original (com problemas comuns)

Título: Crie sua conta agora mesmo! Para começar, preencha as informações abaixo corretamente. Botão: Confirmar Campo 1: Nome completo (placeholder: Digite seu nome completo) Campo 2: E-mail (placeholder: Digite seu e-mail) Campo 3: Senha (helper: Sua senha deve conter no mínimo 8 caracteres para que seja considerada válida) Erro: Ocorreu um erro ao processar sua solicitação.

Diagnóstico rápido

  • Clareza: “Confirmar” não diz o que confirma; erro genérico não orienta correção.
  • Concisão: frases introdutórias longas e redundantes.
  • Legibilidade: helper em frase longa; placeholders repetem labels.

Versão revisada

Título: Criar conta Botão: Criar conta Campo: Nome completo (placeholder: Ex.: Ana Souza) Campo: E-mail (placeholder: Ex.: ana@dominio.com) Campo: Senha Helper (lista): - 8+ caracteres - 1 número Erro (exemplo de rede): Não foi possível criar sua conta agora. Tente novamente. Erro (exemplo de e-mail): E-mail inválido. Ex.: nome@dominio.com

Note que a versão revisada não adiciona “texto motivacional” nem explicações longas; ela investe em exemplos e requisitos em formato escaneável, e torna o botão autoexplicativo.

Agora responda o exercício sobre o conteúdo:

Ao revisar um microcopy para uma ação crítica (ex.: exclusão), qual abordagem melhor equilibra clareza e concisão sem perder segurança?

Você acertou! Parabéns, agora siga para a próxima página

Você errou! Tente novamente.

Em ações críticas, concisão não pode remover avisos essenciais. O ideal é um texto curto e explícito que diga o que vai acontecer e se é reversível, reduzindo ambiguidade e erros.

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