Funções Matemáticas na Prática: leitura e construção de gráficos no plano cartesiano

Capítulo 4

Tempo estimado de leitura: 10 minutos

+ Exercício

Plano cartesiano e escala: o “mapa” do gráfico

Um gráfico de função é uma forma visual de relacionar entradas x e saídas y. No plano cartesiano, o eixo horizontal representa x e o eixo vertical representa y. Para que a leitura seja correta, o primeiro cuidado é entender a escala (quanto vale cada quadradinho ou marca) em cada eixo.

Como interpretar a escala dos eixos

  • Escala uniforme: as marcas estão igualmente espaçadas e representam incrementos constantes (por exemplo, de 1 em 1, de 2 em 2, de 10 em 10).
  • Escalas diferentes em cada eixo: é comum que no eixo x cada quadrado valha 1 unidade, e no eixo y cada quadrado valha 5 unidades. Isso muda a “inclinação visual” e a percepção de crescimento/decrescimento.
  • Escala não iniciando em zero: alguns gráficos começam em x=50 ou y=100. Sempre localize os valores marcados antes de tirar conclusões.
  • Marcas intermediárias: se entre 0 e 10 há 5 intervalos iguais, cada intervalo vale 2. Se há 4 intervalos, cada um vale 2,5.

Regra prática: antes de ler qualquer ponto, responda mentalmente: “quanto vale um quadrado no eixo x?” e “quanto vale um quadrado no eixo y?”.

Construção de gráficos a partir de pontos (passo a passo)

Quando você tem uma lista de pontos (ou uma tabela já convertida em pares ordenados), o gráfico é construído marcando esses pontos e decidindo como conectá-los de acordo com o contexto (função contínua, dados discretos, medições etc.).

Passo a passo com grade quadriculada

  1. Desenhe os eixos e escolha a escala para caberem todos os valores de x e y que você vai plotar. Marque valores principais (por exemplo, -4, -2, 0, 2, 4).
  2. Rotule os eixos com x e y (ou com as grandezas do problema, como tempo e distância). Não é necessário escrever unidades se não houver no enunciado, mas se houver, inclua.
  3. Marque cada ponto seguindo a ordem: caminhe no eixo x até o valor desejado, depois suba/desça no eixo y até o valor correspondente. Faça um ponto bem visível.
  4. Verifique se há repetição de x: se dois pontos têm o mesmo x e y diferentes, isso indica que a relação não é uma função (para o mesmo x haveria duas saídas). Em atividades de função, isso costuma sinalizar erro de dados ou de plotagem.
  5. Conecte os pontos de forma apropriada:
    • Se o fenômeno é contínuo (ex.: posição ao longo do tempo), conecte com uma linha suave ou segmentos, respeitando o comportamento esperado.
    • Se os dados são discretos (ex.: número de itens vendidos em dias específicos), mantenha apenas os pontos (ou use barras), sem “inventar” valores entre eles.
  6. Faça checagens rápidas: escolha 2 ou 3 pontos e confirme se estão no quadrante correto e na escala correta. Um erro comum é trocar o valor de x com o de y.

Exemplo guiado (plotagem por pontos)

Suponha que você recebeu os pontos: (-2, 3), (0, 1), (2, 3), (4, 7).

  • Escolha uma escala que inclua x de -2 a 4 e y de 1 a 7.
  • Marque (-2,3): vá até -2 no eixo x, suba até 3 no eixo y.
  • Repita para os demais pontos.
  • Se o enunciado indicar que a relação é contínua, conecte os pontos com uma curva suave; se for uma lista de medições isoladas, deixe apenas os pontos.

Leitura de informações essenciais no gráfico

Depois de construído (ou ao analisar um gráfico pronto), você pode extrair informações importantes visualmente. As leituras abaixo dependem diretamente da escala e da precisão do desenho.

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Interceptos: onde o gráfico cruza os eixos

  • Intercepto em y: é o valor de y quando x=0. No gráfico, é o ponto onde a curva cruza o eixo vertical. Se o gráfico passa pelo ponto (0,1), então o intercepto em y é 1.
  • Interceptos em x (raízes): são os valores de x onde y=0. No gráfico, são os pontos onde a curva cruza (ou toca) o eixo horizontal.

Dica: se o gráfico apenas “encosta” no eixo x e volta (tangencia), ainda assim há intercepto em x, mas o comportamento ao redor é diferente de quando ele atravessa.

Leitura de valores: encontrar f(a) no gráfico

Para encontrar f(a) visualmente:

  1. Localize a no eixo x.
  2. Suba (ou desça) verticalmente até encontrar o gráfico.
  3. Do ponto de encontro, vá horizontalmente até o eixo y e leia o valor.

Se o gráfico estiver entre duas marcas, estime usando a fração do intervalo (por exemplo, metade do caminho entre 2 e 3 significa aproximadamente 2,5).

Resolver f(x)=b visualmente

Resolver f(x)=b significa encontrar os x para os quais o gráfico tem altura y=b.

  1. Marque o valor b no eixo y.
  2. Trace mentalmente (ou com régua, em atividade) uma linha horizontal y=b.
  3. Os pontos de interseção com o gráfico indicam as soluções. Projete cada interseção para o eixo x para ler os valores.

Observação: pode haver 0, 1, 2 ou mais soluções, dependendo do formato do gráfico e do intervalo considerado.

Máximos e mínimos locais (quando aplicável)

Em gráficos suaves, um máximo local é um “topo” onde a função deixa de crescer e passa a decrescer. Um mínimo local é um “vale” onde deixa de decrescer e passa a crescer.

  • Para identificar, procure pontos de mudança de tendência (de subida para descida, ou de descida para subida).
  • Leia aproximadamente as coordenadas do ponto (valor de x onde ocorre e valor de y correspondente).
  • Em gráficos com segmentos de reta, máximos/mínimos podem ocorrer em “quinas” (vértices) ou nas extremidades do intervalo desenhado.

Comportamento global: crescimento, decrescimento e tendências

O comportamento global descreve como o gráfico se comporta ao longo do eixo x (no intervalo mostrado):

  • Cresce em um trecho quando, ao aumentar x, o y tende a aumentar.
  • Decresce em um trecho quando, ao aumentar x, o y tende a diminuir.
  • Constante em um trecho quando o gráfico é horizontal (mesmo y para vários x).
  • Variação rápida vs. lenta: trechos mais “íngremes” indicam mudança maior em y por unidade de x, mas cuidado: isso depende da escala escolhida.

Erros comuns de plotagem e como detectar

1) Escala inconsistente

Erro: marcar 0, 1, 2, 4 com espaçamentos iguais, como se os incrementos fossem constantes. Como detectar: confira se as diferenças numéricas entre marcas são iguais; se não forem, os espaçamentos não podem ser iguais.

2) Troca de coordenadas (x,y) → (y,x)

Erro: plotar (2,5) como se fosse (5,2). Como detectar: escolha um ponto “marcante” e verifique se ele está mais à direita (x grande) ou mais acima (y grande) conforme esperado.

3) Conectar pontos indevidamente

Erro: ligar pontos de dados discretos com uma curva contínua, sugerindo valores intermediários que não existem. Como detectar: pergunte se faz sentido haver valores entre as medições (ex.: número de alunos em uma sala em dias específicos pode variar, mas não necessariamente de forma contínua entre os dias).

4) Ponto fora da grade por leitura errada de subdivisões

Erro: se cada quadrado vale 2 unidades e você marca como se valesse 1. Como detectar: refaça a leitura usando as marcas numeradas e conte quantos intervalos há entre elas.

5) Gráfico “bonito”, mas incoerente com os pontos

Erro: desenhar uma curva suave que não passa pelos pontos plotados. Como detectar: use uma régua ou observe se o traço cruza exatamente os pontos; em atividades de função por pontos, o gráfico deve respeitar os pares fornecidos.

Atividades: leitura de gráficos prontos

Atividade 1 — Encontrar f(a) em um gráfico

Em um gráfico fornecido pelo professor/material:

  • Encontre f(1), f(3) e f(-2).
  • Para cada valor, descreva o procedimento: localizar x, subir até o gráfico, projetar para y.
  • Indique se o valor é exato (cai em uma marca) ou aproximado (entre marcas).

Atividade 2 — Resolver f(x)=b visualmente

No mesmo gráfico:

  • Resolva f(x)=2 e f(x)=5 visualmente.
  • Registre quantas soluções existem em cada caso e estime os valores de x.
  • Explique por que pode haver mais de uma solução (o gráfico pode cruzar a linha horizontal várias vezes).

Atividade 3 — Interceptos e significado

  • Identifique o intercepto em y (se existir) e todos os interceptos em x.
  • Escreva as coordenadas aproximadas de cada intercepto.
  • Se o gráfico representar uma situação real (ex.: lucro vs. quantidade), interprete o que significa cada intercepto no contexto.

Atividade 4 — Máximos/mínimos locais e intervalos de crescimento

  • Marque no gráfico onde há máximos e mínimos locais (se houver).
  • Escreva os intervalos aproximados em que a função cresce e em que decresce (por exemplo: “cresce de x≈-1 até x≈2”).
  • Compare dois trechos e diga em qual a variação é mais rápida, justificando com a inclinação visual e lembrando da escala.

Atividade 5 — Comparar dois gráficos

Dados dois gráficos no mesmo plano (ou em planos com a mesma escala):

  • Para x=0, qual tem maior valor de y?
  • Existe algum x em que os dois gráficos tenham o mesmo valor (pontos de interseção)? Estime.
  • Em qual intervalo um gráfico fica acima do outro?
  • Qual apresenta maior crescimento entre x=1 e x=4?

Atividades: esboço de gráficos com grade quadriculada

Atividade 6 — Esboço a partir de pontos dados

Em uma folha quadriculada, construa o gráfico que passa pelos pontos:

(-3, 2), (-1, 0), (0, 1), (2, 5), (3, 4)
  • Escolha uma escala adequada e registre qual foi.
  • Plote os pontos com cuidado.
  • Decida se vai conectar com segmentos de reta (poligonal) ou com curva suave, conforme orientação do exercício.
  • Depois de desenhar, responda: quais são os interceptos? Qual é o valor aproximado de f(1)?

Atividade 7 — Esboço com restrição de janela (intervalo visível)

Desenhe apenas no retângulo de visualização: -2 ≤ x ≤ 6 e -1 ≤ y ≤ 7. Use os pontos:

(-2, 6), (0, 2), (2, 0), (4, 2), (6, 6)
  • Identifique se algum ponto ficaria fora da janela (neste caso, não ficaria).
  • Após o esboço, resolva visualmente f(x)=2.

Atividade 8 — Detectar e corrigir erro de plotagem

Um colega desenhou um gráfico com escala no eixo x de 1 em 1, mas no eixo y marcou 0, 10, 20, 30 com espaçamentos iguais e depois plotou o ponto (2, 15) exatamente no meio entre 10 e 20 (isso está correto). Porém, ele também plotou (4, 25) no meio entre 20 e 30 (isso também está correto), mas desenhou o ponto (1, 5) no meio entre 0 e 10 e disse que vale 5 (correto) e, em seguida, afirmou que o ponto (1, 8) fica “quase no mesmo lugar” que (1, 5).

  • Explique por que a afirmação final é incorreta.
  • Mostre onde deveria ficar (1, 8) na mesma escala.
  • Descreva um método para estimar 8 entre 0 e 10 usando subdivisões do quadrado.

Atividade 9 — Leitura fina com subdivisões

Em uma grade onde cada quadrado no eixo y vale 2 unidades, estime o valor de f(1,5) em um gráfico dado. Registre:

  • Qual é a escala em x e em y.
  • Entre quais marcas o ponto de leitura cai.
  • Qual fração do intervalo você usou para estimar (por exemplo, “cerca de 3/4 do caminho”).

Agora responda o exercício sobre o conteúdo:

Ao analisar um gráfico em que a escala do eixo x é de 1 unidade por quadrado e a do eixo y é de 5 unidades por quadrado, qual cuidado é essencial para não tirar conclusões erradas sobre o crescimento/decrescimento da função?

Você acertou! Parabéns, agora siga para a próxima página

Você errou! Tente novamente.

Quando os eixos usam escalas diferentes, a inclinação visual pode enganar. Antes de interpretar crescimento/decrescimento, confirme quanto vale cada quadrado no eixo x e no eixo y.

Próximo capitúlo

Funções Matemáticas na Prática: crescimento, decrescimento, zeros e sinais

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