FPS, bitrate e VBR/CBR no CFTV: balanceando fluidez e armazenamento

Capítulo 5

Tempo estimado de leitura: 8 minutos

+ Exercício

Taxa de quadros (FPS): o que é e como afeta a fluidez

FPS (frames per second) é a quantidade de quadros exibidos/gravados por segundo. Quanto maior o FPS, mais “suave” fica o movimento e maior a chance de capturar detalhes em ações rápidas (mãos, placas em movimento, corrida, empurrões).

Ponto-chave: FPS não “cria” detalhe por si só; ele distribui o tempo em mais amostras. Para que isso vire qualidade real, o sistema precisa de bitrate suficiente. Aumentar FPS sem aumentar bitrate costuma gerar mais compressão por quadro (macroblocos, borrões e perda de detalhe).

Referências práticas de FPS

  • 10–12 fps: monitoramento geral, ambientes bem estáticos, economia de armazenamento.
  • 15 fps: equilíbrio comum para áreas internas com algum movimento.
  • 20 fps: áreas com movimento frequente (corredores, recepção, estoque).
  • 25/30 fps: eventos rápidos (caixa, catraca, entrada/saída, portões, vias internas).

GOP, I-frame e intervalo de I-frame: por que isso muda a “resposta” do vídeo

Em codecs como H.264/H.265, o vídeo é comprimido em uma sequência de quadros com funções diferentes:

  • I-frame (Intra): quadro “completo”, referência. É maior (consome mais bitrate) e serve de base para os próximos.
  • P-frame/B-frame: quadros “previstos”, guardam principalmente diferenças em relação a outros quadros. São menores, mas dependem de referências.

GOP (Group of Pictures) é o “bloco” entre I-frames. O intervalo de I-frame (às vezes chamado de “I-frame interval” ou “Keyframe interval”) define a cada quantos quadros/segundos aparece um I-frame.

Impactos práticos do intervalo de I-frame

  • Busca e reprodução: quanto mais espaçados os I-frames, mais “pesada” pode ficar a navegação (avançar/retroceder) e maior a chance de artefatos ao pular no tempo.
  • Cenas com muito movimento: GOP longo pode piorar borrões e “fantasmas” porque muitos quadros dependem de previsões em um cenário que muda demais.
  • Bitrate/armazenamento: mais I-frames (intervalo menor) tende a aumentar o bitrate, pois I-frames são maiores.

Regra prática para configurar I-frame interval

Uma referência comum é ajustar o intervalo de I-frame para cerca de 1 a 2 segundos.

Continue em nosso aplicativo e ...
  • Ouça o áudio com a tela desligada
  • Ganhe Certificado após a conclusão
  • + de 5000 cursos para você explorar!
ou continue lendo abaixo...
Download App

Baixar o aplicativo

  • Ambiente estático: 2 s costuma funcionar bem (menos I-frames, economiza bitrate).
  • Ambiente movimentado: 1 s (ou até 0,5 s em casos críticos) melhora resposta e reduz artefatos em movimento, com custo de bitrate.
FPS configuradoI-frame a cada 1 sI-frame a cada 2 sUso típico
10 fps1020Áreas estáticas, economia
15 fps1530Equilíbrio geral
20 fps2040Movimento moderado
30 fps3060Movimento rápido

Observação: alguns equipamentos pedem o intervalo em “quadros” (ex.: 30) e outros em “segundos” (ex.: 1 s). Se o campo for em quadros, use: I-frame interval (quadros) = FPS × segundos.

Bitrate: relação direta com qualidade e com armazenamento

Bitrate é a taxa de dados do vídeo (ex.: kbps ou Mbps). Em geral:

  • Mais bitrate = mais informação por segundo = menos compressão e melhor preservação de detalhes (rostos, textos, padrões finos).
  • Menos bitrate = mais compressão = maior risco de blocos, “pintura” em áreas escuras e perda de detalhe em movimento.

Como o bitrate conversa com FPS e movimento

  • Se você aumenta FPS e mantém o mesmo bitrate, cada quadro recebe menos “orçamento” de bits → tende a piorar a qualidade por quadro.
  • Se a cena tem muito movimento (pessoas, folhas, chuva, faróis, telas), o codec precisa de mais bits para manter a qualidade. Com bitrate baixo, o primeiro sintoma costuma ser borrão e macroblocos no movimento.

Estimativa rápida de consumo de armazenamento

Use esta conta para estimar o quanto um canal grava:

GB por dia ≈ (bitrate em Mbps × 10,8)

Exemplos:

  • 2 Mbps → ~21,6 GB/dia por câmera
  • 4 Mbps → ~43,2 GB/dia por câmera
  • 8 Mbps → ~86,4 GB/dia por câmera

Para várias câmeras, multiplique pelo número de canais e pelos dias de retenção. (Na prática pode variar por VBR, complexidade da cena e áudio.)

CBR vs VBR: diferenças e quando usar

CBR (Constant Bitrate)

No CBR, o equipamento tenta manter o bitrate próximo de um valor fixo.

  • Vantagens: previsibilidade de armazenamento e de banda; útil quando o link é limitado e você precisa “garantir” teto de tráfego.
  • Desvantagens: em cenas complexas, o codec pode não ter bits suficientes → degradação visível (macroblocos) justamente quando acontece algo importante (correria, briga, veículo passando).

VBR (Variable Bitrate)

No VBR, o bitrate varia conforme a complexidade da cena, dentro de limites (dependendo do equipamento: qualidade alvo, máximo, etc.).

  • Vantagens: melhor qualidade média; economiza bits em cenas paradas e “gasta” mais quando há movimento.
  • Desvantagens: consumo de armazenamento e banda menos previsível; se o “máximo” estiver baixo, o VBR vira “quase CBR” e ainda pode degradar em movimento.

Quando escolher cada um (regra prática)

CenárioPreferênciaPor quê
Gravação local com folga de discoVBRMelhor qualidade quando a cena “complica”
Link de internet limitado para acesso remotoCBR (no substream)Controle de banda para visualização remota
Cena muito movimentada (pátio, rua interna, portão)VBR com máximo adequadoEvita colapso de qualidade no movimento
Ambiente muito estático (corredor vazio à noite)VBREconomiza bitrate sem perder qualidade

Como evitar configurações que degradam cenas com muito movimento

Os “erros clássicos” que derrubam a qualidade em movimento são:

  • Bitrate baixo demais para a resolução/cena.
  • FPS alto sem aumentar bitrate.
  • GOP longo (I-frame muito espaçado) em cena dinâmica.
  • VBR com máximo baixo (não deixa o codec “respirar”).

Sintomas e correções rápidas

SintomaCausa provávelAjuste recomendado
Macroblocos quando alguém correBitrate insuficienteAumentar bitrate; se possível usar VBR com máximo maior
Movimento “suave”, mas sem detalhe (borrado)FPS alto com bitrate baixoOu aumenta bitrate, ou reduz FPS para “dar bits” por quadro
Ao avançar no playback, imagem “quebra” até estabilizarI-frame interval alto (GOP longo)Reduzir intervalo de I-frame para 1 s (ou menos)
Qualidade boa parado e ruim em movimentoCBR baixo ou VBR com teto baixoTrocar para VBR e elevar máximo; ou elevar CBR

Tabelas orientativas (ponto de partida) de FPS, I-frame e bitrate

Os valores abaixo são pontos de partida. Ajuste conforme a cena (movimento, iluminação, ruído) e o objetivo (identificação vs monitoramento).

Perfil sugerido para ambiente estático (ex.: depósito pouco movimentado)

ParâmetroSugestão
FPS10–15
I-frame interval2 s
Controle de bitrateVBR
Bitrate (faixa inicial)2–4 Mbps por câmera (ajustar conforme resolução e ruído)

Perfil sugerido para ambiente movimentado (ex.: recepção, corredor com fluxo)

ParâmetroSugestão
FPS15–20
I-frame interval1 s
Controle de bitrateVBR (com máximo confortável)
Bitrate (faixa inicial)4–8 Mbps por câmera (subir se houver muito detalhe/movimento)

Perfil sugerido para evento rápido (ex.: caixa, catraca, portão, veículos)

ParâmetroSugestão
FPS25/30
I-frame interval1 s (ou 0,5 s se necessário)
Controle de bitrateVBR com máximo alto ou CBR alto
Bitrate (faixa inicial)8–12+ Mbps por câmera (dependendo da cena)

Dica operacional: se o equipamento tiver main stream (gravação) e substream (visualização remota), é comum usar VBR no main stream para preservar evidências e CBR no substream para controlar banda.

Roteiro de ajustes por tipo de cena (passo a passo)

Passo 1 — Defina o objetivo e o “pior momento” da cena

  • Objetivo: identificar rosto/ação? Ler detalhe? Apenas acompanhar fluxo?
  • Pior momento: horário de pico, muita gente, portão abrindo, faróis à noite, chuva, árvores ao vento.

Passo 2 — Comece pelo FPS (não exagere)

  • Estático: comece em 10–12 fps.
  • Movimentado: comece em 15–20 fps.
  • Rápido: comece em 25/30 fps.

Se o armazenamento/banda estiver apertado, prefira reduzir FPS antes de “estrangular” demais o bitrate, porque bitrate baixo em movimento costuma destruir evidências.

Passo 3 — Ajuste o I-frame interval (GOP) para a cena

  • Estático: 2 s.
  • Movimentado: 1 s.
  • Rápido/crítico: 1 s ou 0,5 s.

Se o playback ficar ruim para navegar ou a imagem “demorar a firmar” após pular no tempo, reduza o intervalo de I-frame.

Passo 4 — Escolha VBR/CBR e configure limites

  • Para gravação (main stream): use VBR quando possível. Se houver campo de máximo, não deixe baixo demais.
  • Para links limitados (substream): use CBR com um valor que a rede aguente.

Passo 5 — Ajuste o bitrate olhando o movimento

Faça um teste no “pior momento”:

  • Se aparecerem macroblocos ou “borrão” em pessoas/veículos: aumente bitrate (ou reduza FPS).
  • Se a cena estiver boa parada e ruim em movimento: aumente o máximo do VBR (ou eleve CBR) e reduza o I-frame interval para 1 s.
  • Se o vídeo estiver “pesado” para armazenar, mas a cena é estática: reduza FPS e/ou aumente o I-frame interval para 2 s antes de cortar bitrate agressivamente.

Passo 6 — Valide com uma checagem objetiva

  • Reproduza um trecho com movimento e pause em quadros críticos (mão, rosto, objeto).
  • Verifique se há “quadrados” (macroblocos) e se o contorno de pessoas/objetos se mantém.
  • Compare 2 configurações: (A) FPS maior com bitrate igual vs (B) FPS moderado com bitrate maior. Em CFTV, (B) frequentemente entrega evidência melhor.

Exemplo prático de ajuste: estático vs movimentado

Ambiente estático (ex.: corredor vazio à noite)

  • FPS: 10–12
  • I-frame interval: 2 s
  • Modo: VBR
  • Bitrate: comece em 2–4 Mbps e reduza se a imagem permanecer limpa (sem ruído excessivo e sem artefatos)

Ambiente movimentado (ex.: recepção com fluxo)

  • FPS: 15–20
  • I-frame interval: 1 s
  • Modo: VBR com máximo mais alto
  • Bitrate: comece em 4–8 Mbps; se houver borrão em pessoas andando rápido, suba o máximo do VBR e/ou aumente bitrate

Agora responda o exercício sobre o conteúdo:

Ao aumentar o FPS de uma câmera mantendo o mesmo bitrate, qual tende a ser o efeito mais provável na qualidade do vídeo?

Você acertou! Parabéns, agora siga para a próxima página

Você errou! Tente novamente.

FPS maior divide o mesmo bitrate entre mais quadros. Sem aumentar o bitrate, cada quadro recebe menos dados, elevando a compressão e aumentando a chance de borrões e macroblocos, especialmente em movimento.

Próximo capitúlo

Codecs de CFTV: H.264, H.265/HEVC e considerações de compatibilidade

Arrow Right Icon
Capa do Ebook gratuito CFTV do Zero: Entendendo Analógico, IP, PoE e Armazenamento
29%

CFTV do Zero: Entendendo Analógico, IP, PoE e Armazenamento

Novo curso

17 páginas

Baixe o app para ganhar Certificação grátis e ouvir os cursos em background, mesmo com a tela desligada.