O que são fontes históricas (de um jeito simples)
Fontes históricas são pistas do passado que ajudam a entender como as pessoas viviam, pensavam, trabalhavam, brincavam e se organizavam. Elas podem estar dentro de casa, na escola, no bairro e na cidade. Uma fonte não “conta tudo sozinha”: ela oferece informações que precisam ser observadas, comparadas e registradas.
No Fundamental, trabalhar com fontes históricas significa ensinar o aluno a investigar: olhar com atenção, fazer perguntas, levantar hipóteses e justificar ideias com base no que a fonte mostra.
Tipos de fontes históricas próximas do aluno
1) Fontes materiais (objetos)
São coisas que podemos tocar. Elas mostram hábitos, tecnologias, gostos e necessidades de uma época.
- Brinquedos antigos (pião, boneca de pano, carrinho de lata): materiais usados, forma de brincar, segurança, custo.
- Embalagens (caixa de leite, lata de biscoito, rótulos): mudanças de design, informações ao consumidor, hábitos alimentares.
- Objetos escolares (cadernos antigos, cartilhas, estojos): modos de estudar, regras, materiais disponíveis.
- Ferramentas e utensílios (ferro de passar antigo, máquina de escrever): como as tarefas eram feitas antes.
Exemplo prático: comparar um telefone fixo antigo com um smartphone: o que cada um permite fazer? O que isso sugere sobre comunicação em diferentes momentos?
2) Fontes iconográficas (imagens)
São representações visuais. Podem ser fotografias, desenhos, pinturas, mapas, cartazes, placas e até imagens de jornais.
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- Fotografias de família: roupas, festas, lugares, quem aparece e quem não aparece.
- Fotos do bairro (antigas e atuais): mudanças em ruas, praças, comércios, transporte.
- Cartazes e anúncios: produtos, linguagem usada, valores e hábitos de consumo.
Cuidado importante: imagens não são “a realidade inteira”. Elas mostram um recorte: alguém escolheu o ângulo, o momento e o que aparece.
3) Fontes orais (relatos)
São informações contadas por pessoas: memórias, entrevistas, histórias de vida, depoimentos. A fonte oral é muito útil para conhecer experiências do cotidiano.
- Entrevistas com moradores antigos do bairro: brincadeiras, trabalho, transporte, festas.
- Relatos de familiares: como era a escola, como se comunicavam, como faziam compras.
- Histórias de trabalhadores (porteiro, feirante, costureira, motorista): rotinas e mudanças no trabalho.
Observação didática: memórias podem ter esquecimentos e opiniões. Por isso, é importante comparar relatos e cruzar com outras fontes (foto, objeto, documento).
4) Fontes escritas (documentos e textos)
São registros em palavras. Podem ser formais (documentos) ou do dia a dia.
- Bilhetes e recados: linguagem, relações, rotina.
- Cartas e cartões: formas de comunicação e afetos.
- Receitas e listas de compras: hábitos alimentares e preços (quando aparecem).
- Boletins, comunicados da escola, regras antigas: normas e expectativas.
- Jornais locais (impresso ou recorte): acontecimentos e pontos de vista.
Exemplo prático: comparar um bilhete de caderno com uma mensagem de aplicativo: o que muda na forma de escrever e no tempo de resposta?
Sequência didática de investigação com fontes (passo a passo)
A seguir, uma sequência simples, repetível e adequada ao Fundamental. Pode ser feita com uma única fonte ou com um conjunto (objeto + foto + relato + bilhete).
Passo 1 — Observar com atenção
- Olhar em silêncio por alguns segundos antes de falar.
- Identificar detalhes: cor, tamanho, material, estado de conservação, marcas, símbolos, palavras.
- Se for imagem: observar pessoas, roupas, cenário, objetos ao fundo, expressões.
- Se for relato oral: ouvir sem interromper, anotar palavras-chave.
Perguntas-guia: O que eu vejo/escuto? O que chama mais atenção? O que parece “diferente” do que existe hoje?
Passo 2 — Descrever (sem interpretar ainda)
Ensinar o aluno a separar descrição de opinião. Uma boa estratégia é usar duas colunas no caderno.
| Descrição (o que aparece) | Ideias (o que isso pode significar) |
|---|---|
| “A foto mostra três pessoas em frente a uma casa.” | “Pode ser uma comemoração em família.” |
| “O brinquedo é de madeira e tem marcas de uso.” | “Talvez tenha sido usado por muito tempo.” |
Passo 3 — Levantar hipóteses
Hipóteses são explicações possíveis, não certezas. O aluno pode formular hipóteses a partir de pistas.
- Quem usou/produziu isso?
- Para que servia?
- Onde foi usado?
- Por que foi guardado?
- O que essa fonte não mostra?
Exemplo: ao ver uma embalagem antiga com poucas informações nutricionais, o aluno pode levantar a hipótese de que as regras de rotulagem eram diferentes.
Passo 4 — Comparar versões e cruzar fontes
Comparar ajuda a perceber mudanças e também diferentes pontos de vista.
- Comparar tempos: foto antiga do bairro x foto atual do mesmo lugar.
- Comparar relatos: duas pessoas contando como era a escola (o que coincide? o que diverge?).
- Comparar tipos de fonte: um relato sobre uma festa x uma fotografia da festa x um convite escrito.
Atividade rápida: montar um “triângulo de evidências” com três fontes sobre o mesmo tema e listar o que cada uma confirma, amplia ou contradiz.
Passo 5 — Registrar conclusões (com base em evidências)
O registro final deve mostrar o que foi aprendido e quais pistas sustentam a ideia. Pode ser feito em texto curto, áudio, cartaz ou ficha.
- O que descobrimos?
- Quais evidências da fonte apoiam isso?
- Quais dúvidas ficaram?
- Que outra fonte ajudaria a responder?
Modelo de frase para o aluno: “A partir de (fonte), percebemos que… porque observamos…”
Orientações essenciais: cuidado, autoria, data e propósito (sem tecnicismo)
Como cuidar e preservar as fontes
- Objetos: manusear com mãos limpas; evitar quedas; guardar em caixa; não desmontar.
- Papéis: não dobrar demais; evitar fita adesiva; guardar em envelope; manter longe de água e sol.
- Fotos: segurar pelas bordas; evitar escrever em cima; se possível, digitalizar.
- Relatos orais: pedir permissão para gravar; respeitar o entrevistado; não expor informações pessoais sem autorização.
Autoria: quem fez ou contou?
Trabalhar autoria é ajudar o aluno a perceber que toda fonte tem alguém por trás.
- Quem tirou a foto? Quem escreveu o bilhete? Quem fabricou o objeto?
- Quem está falando no relato? Qual a relação dessa pessoa com o assunto?
- Essa pessoa pode ter um ponto de vista específico?
Exemplo: um anúncio publicitário tem um autor (empresa) e um objetivo (vender), então pode destacar qualidades e esconder problemas.
Datação: quando isso foi feito?
Nem sempre a fonte vem com data. O aluno pode buscar pistas simples.
- Há data escrita? (no verso da foto, no bilhete, no jornal)
- Há pistas no conteúdo? (modelo do carro, tipo de uniforme, preço, estilo da embalagem)
- Alguém da família lembra aproximadamente?
Estratégia didática: usar “data aproximada” quando não houver certeza, registrando como “por volta de…”.
Propósito: para que foi feita?
O propósito ajuda a entender por que a fonte existe e o que ela destaca.
- Foi feita para lembrar? (foto de aniversário)
- Foi feita para informar? (comunicado da escola)
- Foi feita para convencer? (propaganda)
- Foi feita para organizar? (lista de compras)
Pergunta-chave: o que essa fonte quer que a gente perceba? E o que ela deixa de fora?
Propostas de atividades investigativas (com materiais do cotidiano)
Atividade 1 — “Museu da sala” (fontes materiais)
- Materiais: 1 objeto antigo por aluno (ou por grupo), etiqueta de papel, celular para foto (opcional).
- Passos: observar; descrever; levantar hipóteses; escrever etiqueta com: nome do objeto, para que servia, quem usou, quando (aprox.), como sabemos.
- Registro: ficha do objeto com duas colunas (descrição x ideias).
Atividade 2 — “Foto do mesmo lugar” (fontes iconográficas)
- Materiais: foto antiga do bairro/escola (ou impressa) e foto atual tirada pelos alunos.
- Passos: comparar elementos (rua, árvores, prédios, placas, pessoas); listar mudanças e permanências; levantar hipóteses sobre por que mudou.
- Registro: tabela “antes/agora” com evidências visuais.
Atividade 3 — “Entrevista com morador” (fontes orais + cruzamento)
- Preparação: construir 6 a 8 perguntas curtas em sala.
- Durante: pedir permissão para gravar; anotar frases importantes; perguntar por exemplos concretos (“como era o caminho para a escola?”).
- Depois: comparar entrevistas entre grupos; buscar uma fonte material ou imagem que confirme/complete um ponto do relato.
Roteiro simples de perguntas:
1) Como era a escola quando você estudava? 2) Do que você brincava? 3) Como as pessoas se comunicavam? 4) Como eram as compras? 5) O que mudou no bairro? 6) O que continua parecido?Atividade 4 — “Caixa de documentos do cotidiano” (fontes escritas)
- Materiais: bilhetes, convites, receitas, comunicados (sem dados sensíveis), embalagens com texto.
- Passos: identificar autor, data (se houver), propósito; destacar palavras que mostram a época (gírias, formas de tratamento, preços); comparar com um documento atual semelhante.
- Registro: ficha com campos: “quem fez”, “quando”, “para quê”, “o que aprendemos”.