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Figma para Design Systems na Prática: Componentes, Tokens e Handoff sem Ruído

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Fluxo de handoff sem ruído entre UX/UI e desenvolvimento com specs confiáveis

Capítulo 15

Tempo estimado de leitura: 15 minutos

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O que é “handoff sem ruído” e por que specs confiáveis importam

Handoff sem ruído é o processo em que o time de desenvolvimento consegue implementar uma tela ou componente com alta fidelidade e poucas idas e vindas, porque as informações necessárias estão completas, consistentes e fáceis de verificar. “Ruído” aparece quando existem ambiguidades (qual é o espaçamento correto?), divergências (o protótipo mostra uma coisa, o componente publicado mostra outra) ou lacunas (não há regra para estado vazio, erro, loading, responsividade). Specs confiáveis são as especificações que o desenvolvimento consegue usar como referência objetiva: medidas, comportamentos, estados, regras de layout e critérios de aceite que batem com o que está no arquivo e com o que foi combinado como fonte de verdade.

Ilustração editorial em estilo flat moderno mostrando designer e desenvolvedor alinhando uma interface com uma folha de specs: medidas, estados (loading/erro/vazio), grid e checklist de aceite; ambiente de trabalho digital, cores suaves, sem texto legível, composição limpa

Na prática, um handoff sem ruído não significa “zero perguntas”. Significa que as perguntas são sobre decisões de produto (o que fazer) e não sobre interpretação de UI (como fazer). Para isso, o arquivo precisa permitir que qualquer pessoa valide rapidamente: (1) qual componente usar, (2) como ele se comporta em cada estado, (3) quais regras de layout e espaçamento se aplicam, (4) quais dados e conteúdos são esperados, (5) como testar e aceitar a entrega.

Princípios para specs confiáveis (o que não pode falhar)

1) Uma fonte de verdade por tipo de informação

Para reduzir contradições, defina uma “fonte de verdade” por categoria. Exemplo: o componente publicado é a referência para estrutura e estados; o frame de tela é a referência para composição e regras de layout; anotações são a referência para regras de negócio e casos de borda. Evite duplicar a mesma informação em lugares diferentes (por exemplo, escrever medidas em texto e também desenhar retângulos “medidores” que podem ficar desatualizados).

2) Especificar o que muda, não o que é óbvio

O que gera ruído geralmente são variações: breakpoints, estados, conteúdo longo, erro, loading, permissões, vazio, desabilitado, foco, seleção, truncamento, overflow. Specs confiáveis priorizam esses pontos. O que é estático e padronizado tende a ser inferido a partir dos componentes e estilos já existentes; o que é variável precisa estar explícito.

3) Medidas e regras devem ser verificáveis

Uma spec confiável é aquela que o dev consegue checar no arquivo sem “adivinhar”. Em vez de “padding confortável”, use “padding vertical 12 / horizontal 16”. Em vez de “alinha no centro”, descreva a regra: “conteúdo centralizado verticalmente; ícone à esquerda fixo; texto ocupa espaço restante; ação à direita não quebra linha”.

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4) Critérios de aceite orientados a comportamento

Além de medidas, inclua critérios de aceite que descrevem o comportamento esperado: quando aparece erro, quando o botão desabilita, como o layout reage a conteúdo longo, como o componente se comporta em loading. Isso reduz interpretações e facilita QA.

Estrutura recomendada para um handoff: o pacote mínimo de entrega

Para cada feature, tela ou fluxo, monte um “pacote” de handoff que o time consiga consumir rapidamente. Uma estrutura prática inclui:

  • Frames de referência: telas principais e variações (ex.: desktop e mobile, ou variações de densidade).
  • Estados e casos de borda: erro, vazio, loading, sucesso, sem permissão, conteúdo longo, lista com 0/1/N itens.
  • Mapa de componentes: quais componentes do sistema foram usados e onde há exceções.
  • Anotações de comportamento: regras de interação, validações, máscaras, limites, mensagens.
  • Critérios de aceite: checklist objetivo para implementação e QA.
  • Links e referências: apontar para documentação do componente quando necessário (sem duplicar conteúdo).

Passo a passo prático: preparando o arquivo para handoff

Passo 1 — Defina o “escopo de specs” antes de desenhar variações

Antes de criar dezenas de frames, alinhe com dev e QA quais variações são obrigatórias para aquela entrega. Um escopo típico:

  • Responsividade: quais larguras mínimas/máximas importam para o produto.
  • Estados de rede: loading inicial, loading incremental, erro de API, retry.
  • Estados de formulário: default, foco, preenchido, erro, desabilitado, sucesso.
  • Conteúdo: curto, médio, longo; nomes com caracteres especiais; números grandes; múltiplas linhas.

Esse alinhamento reduz o risco de “spec infinita” e garante que o esforço de documentação vai para o que realmente quebra na implementação.

Passo 2 — Garanta que cada frame seja “implementável”

Um frame implementável é aquele que não depende de suposições. Checklist prático:

  • Sem camadas soltas: evite elementos fora de Auto Layout quando deveriam estar dentro (isso gera medidas enganosas).
  • Sem sobreposições acidentais: elementos sobrepostos podem mascarar espaçamentos reais.
  • Conteúdo realista: use textos e números plausíveis; inclua exemplos de conteúdo longo para validar truncamento/overflow.
  • Componentes reais: use instâncias dos componentes do sistema; se algo for “custom”, marque como exceção e explique.

Quando o dev inspeciona o frame, ele precisa enxergar regras claras: o que estica, o que é fixo, o que quebra linha, o que tem limite.

Passo 3 — Especifique layout com regras, não com prints

Em vez de depender de “olhar o print”, descreva regras de layout em texto curto, próximo ao frame. Exemplos de regras úteis:

  • Grid e alinhamento: “conteúdo alinhado ao grid; cards ocupam 4 colunas no desktop e 12 no mobile”.
  • Alturas: “header é sticky; altura mínima 56; cresce com duas linhas de título”.
  • Listas: “se houver mais de 10 itens, paginação; se 0 itens, estado vazio”.
  • Overflow: “título com mais de 2 linhas trunca com ellipsis; tooltip mostra texto completo”.

Essas regras evitam que o dev replique exatamente um cenário estático e falhe em cenários reais.

Passo 4 — Documente interações com foco em eventos e resultados

Interação não é só animação; é o que acontece quando o usuário age. Para cada interação relevante, descreva:

Diagrama simples em estilo UI/UX mostrando fluxo de interação: evento -> condição -> resultado -> fallback, com caixas conectadas; visual clean, cores neutras, sem texto legível, aparência de documentação de produto
  • Evento: clique, hover, foco, submit, scroll, seleção.
  • Condição: quando é permitido (ex.: botão só habilita se formulário válido).
  • Resultado: navegação, abertura de modal, chamada de API, exibição de feedback.
  • Fallback: o que acontece em erro, timeout, sem conexão.

Exemplo de anotação objetiva:

Ao clicar em “Salvar” (habilitado apenas com campos válidos): exibir loading no botão; chamar endpoint POST /profile; em sucesso, toast “Alterações salvas” e manter usuário na tela; em erro 4xx, exibir mensagem inline no topo do formulário; em erro 5xx, toast “Tente novamente”.

Passo 5 — Inclua specs de conteúdo: limites, formatos e mensagens

Grande parte do ruído vem de conteúdo: textos que quebram layout, mensagens inconsistentes, máscaras diferentes. Para cada campo ou área de conteúdo, especifique:

  • Limites: mínimo/máximo de caracteres, número máximo de itens, tamanho máximo de arquivo.
  • Formato: moeda, data, telefone, CPF/CNPJ, separadores, casas decimais.
  • Mensagens: texto exato de erro/ajuda/sucesso (quando necessário), com regras de exibição.
  • Tradução: se houver i18n, indique que strings devem vir de arquivo de tradução e como lidar com expansão de texto.

Quando o conteúdo é parte do contrato com backend, registre também o que é obrigatório e o que é opcional.

Passo 6 — Faça o “mapa de componentes” para reduzir retrabalho

Mesmo usando componentes do sistema, o dev pode se perder em qual variante/propriedade usar. Crie um bloco simples “Componentes usados nesta tela” com:

  • Nome do componente
  • Variante/propriedades relevantes (ex.: tamanho, estado, ícone)
  • Observações de uso (ex.: “usar versão com ícone à esquerda; label pode quebrar em 2 linhas”)

Exemplo:

Componentes na tela “Editar perfil”:
- TextField: size=md; helperText=on; validation=on; maxLength=60 (Nome)
- Button: variant=primary; size=md; loading=on durante request
- Alert: type=error; dismissible=false (erro geral)

Isso acelera implementação e reduz divergências por escolha errada de variante.

Passo 7 — Especifique estados e casos de borda em uma matriz

Para evitar dezenas de frames soltos, use uma matriz de estados por componente/área. Exemplo para uma lista com busca:

  • Default: lista com resultados; paginação se necessário.
  • Loading: skeleton na lista; busca desabilitada ou com estado de carregamento.
  • Vazio: sem resultados para o filtro; mostrar mensagem e ação “Limpar filtros”.
  • Erro: falha ao carregar; mostrar erro e botão “Tentar novamente”.
  • Sem permissão: mensagem e ação para solicitar acesso (se aplicável).

Para cada estado, inclua: gatilho, UI exibida e ações disponíveis. Isso é o que mais reduz ruído em implementação.

Passo 8 — Defina critérios de aceite (QA-ready) dentro do arquivo

Critérios de aceite transformam specs em testes. Escreva como checklist verificável. Exemplo:

Critérios de aceite — “Editar perfil”
1. Botão “Salvar” inicia desabilitado e habilita apenas quando todos os campos obrigatórios estão válidos.
2. Ao salvar, o botão exibe loading e impede múltiplos envios.
3. Em erro de validação do backend (400), exibir mensagem inline no campo correspondente e manter valores preenchidos.
4. Em erro genérico (5xx), exibir alerta no topo com ação “Tentar novamente”.
5. Em telas estreitas, o layout mantém espaçamentos e não corta ações; textos longos truncam conforme regra.

Esses itens ajudam dev e QA a convergirem no que é “pronto”.

Como tornar as specs “confiáveis”: validações antes de entregar

Checklist de consistência visual e de medidas

  • Verifique espaçamentos críticos (entre seções, dentro de cards, alinhamento de ícones e textos).
  • Confirme que o frame não tem elementos duplicados ou escondidos que alterem inspeção.
  • Garanta que as variações (ex.: mobile/desktop) seguem as mesmas regras, com mudanças explícitas.

Checklist de comportamento

  • Todos os estados relevantes estão representados (erro, vazio, loading, desabilitado).
  • Interações principais têm descrição de evento/resultado/fallback.
  • Mensagens e regras de validação estão definidas (inclusive limites).

Checklist de integração (contratos)

Quando a UI depende de dados, especifique o contrato mínimo esperado, mesmo que em linguagem simples. Exemplo:

Dados necessários para renderização do card de usuário:
- name: string (obrigatório)
- avatarUrl: string (opcional; se ausente, usar iniciais)
- status: enum [active, pending, blocked] (define badge)
- lastLoginAt: datetime (opcional; se ausente, ocultar linha)

Isso reduz ruído entre design e backend/frontend, evitando “descobertas” tardias.

Rituais rápidos que eliminam ruído (sem burocracia)

Design-dev review de 15 minutos (pré-handoff)

Antes de marcar como pronto, faça uma revisão curta com alguém do desenvolvimento para validar: se as specs estão claras, se há estados faltando, se alguma regra é inviável tecnicamente, e se o “mapa de componentes” faz sentido. A meta é identificar ambiguidade, não redesenhar.

Handoff com “perguntas permitidas”

Defina um canal e um período curto para dúvidas (ex.: 48h após handoff), e registre as respostas como atualização nas anotações do arquivo. Isso evita que decisões fiquem espalhadas em chats e não retornem para a spec.

Registro de exceções

Quando algo foge do padrão do sistema (um comportamento novo, uma variação não existente), registre como exceção com três itens: motivo, impacto e plano (temporário ou candidato a componente). Isso evita que exceções virem regra silenciosamente.

Exemplo prático: handoff de uma tela com lista, filtros e detalhes

1) Frames necessários

  • Lista (default) com filtros aplicados e sem filtros
  • Lista (loading)
  • Lista (vazio por filtro)
  • Lista (erro ao carregar)
  • Detalhe (default)
  • Detalhe (loading)
  • Detalhe (erro)

2) Regras de layout (anotações)

- Barra de filtros: sticky no topo ao rolar; em mobile vira drawer.
- Cards: altura variável; título trunca em 2 linhas; descrição trunca em 3 linhas.
- Ação principal: no desktop fica à direita do título; no mobile vai para o rodapé sticky.

3) Regras de interação

- Alterar filtro dispara request; enquanto carrega, manter filtros editáveis e mostrar loading na lista.
- Ao clicar em um card, navegar para detalhe; se falhar, manter na lista e exibir erro.

4) Critérios de aceite

- Estado vazio exibe mensagem contextual + ação “Limpar filtros”.
- Em erro de rede, exibir botão “Tentar novamente” que refaz a última request.
- Em conteúdo longo, truncamento segue regras e não quebra o grid.

Erros comuns que geram ruído (e como evitar)

“Spec por screenshot”

Quando a spec é só um frame bonito, o dev implementa o cenário exato e falha nos casos reais. Evite adicionando matriz de estados e regras de conteúdo.

Medidas conflitantes entre frames

Dois frames com espaçamentos diferentes para a mesma seção geram discussão e retrabalho. Evite revisando consistência e reaproveitando estruturas de layout.

Interações sem contrato

“Ao clicar, abre modal” não diz o que acontece em erro, nem se há loading, nem se fecha ao clicar fora. Evite descrevendo evento/condição/resultado/fallback.

Exceções não registradas

Quando algo é desenhado fora do padrão sem explicação, o dev pode “corrigir” para o padrão ou criar uma variação ad hoc. Evite registrando exceções com motivo e plano.

Modelo de bloco de anotações para colar ao lado do frame

Specs — [Nome da tela/fluxo]
Objetivo: [o que o usuário consegue fazer]
Componentes: [lista curta com variantes]
Layout: [regras de grid, sticky, truncamento, overflow]
Estados: [default, loading, vazio, erro, sem permissão]
Interações: [eventos principais + resultado + fallback]
Conteúdo: [limites, formatos, mensagens]
Critérios de aceite: [checklist QA-ready]

Agora responda o exercício sobre o conteúdo:

Qual prática mais ajuda a garantir um handoff sem ruído ao preparar specs para desenvolvimento?

Você acertou! Parabéns, agora siga para a próxima página

Você errou! Tente novamente.

Specs confiáveis deixam regras e medidas verificáveis e detalham variações (erro, vazio, loading, responsividade), reduzindo ambiguidade e retrabalho. Duplicar informações ou omitir estados aumenta o ruído.

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