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Figma para Design Systems na Prática: Componentes, Tokens e Handoff sem Ruído

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Checklists de qualidade para reduzir retrabalho em design, componentes e handoff

Capítulo 16

Tempo estimado de leitura: 17 minutos

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Por que checklists reduzem retrabalho (e onde eles mais falham)

Checklists de qualidade são listas curtas e objetivas de verificações que precisam ser feitas antes de considerar um artefato “pronto” para seguir adiante: um frame para revisão, um componente para publicação, uma atualização de biblioteca, ou um handoff para desenvolvimento. O objetivo não é burocratizar, e sim tornar explícito o que normalmente fica implícito na cabeça de quem está trabalhando. Retrabalho em design systems costuma acontecer por três motivos recorrentes: (1) inconsistências pequenas que passam despercebidas e viram “dívida” (ex.: padding diferente em um componente), (2) lacunas de informação no handoff (ex.: estado de erro não especificado), e (3) decisões tomadas localmente que quebram padrões globais (ex.: criar uma variação nova quando já existia uma propriedade equivalente).

Um checklist funciona bem quando atende a três critérios: é acionável (cada item pode ser verificado), é contextual (há checklists diferentes para tipos diferentes de entrega) e é curto o suficiente para ser usado de verdade. Ele falha quando vira uma lista genérica, longa e repetitiva, ou quando mistura “o que checar” com “como fazer” de forma confusa. Neste capítulo, você vai estruturar checklists por etapa (design, componentes e handoff), com critérios de aceitação claros e um passo a passo para aplicar sem travar o fluxo.

Ilustração editorial minimalista mostrando um designer e um desenvolvedor usando um checklist curto em uma prancheta ao lado de uma tela com componentes UI, estilo flat moderno, cores neutras com destaque azul, ambiente de escritório, composição limpa

Como estruturar um checklist de qualidade (modelo prático)

1) Defina o “objeto” do checklist

Antes de escrever itens, defina o que está sendo validado. Exemplos comuns em design systems no Figma: uma tela (UI), um componente (biblioteca), uma atualização (release), um fluxo (protótipo) ou um pacote de handoff (specs + assets + regras). Cada objeto tem riscos diferentes; por isso, checklists diferentes.

2) Separe em camadas: visual, comportamento, conteúdo e integração

Uma forma prática de evitar listas caóticas é agrupar itens em quatro camadas:

  • Visual: alinhamento, espaçamento, densidade, consistência de estilos, estados visuais.
  • Comportamento: estados, interações, regras de habilitar/desabilitar, validações.
  • Conteúdo: textos, placeholders, mensagens, formatos (datas, moeda), tom.
  • Integração: como isso vira código, dependências, responsividade, assets, tokens/estilos aplicados corretamente.

Essa separação ajuda a identificar rapidamente “o que está faltando” sem depender de memória.

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3) Transforme itens em critérios verificáveis

Evite itens vagos como “está consistente” ou “está pronto”. Prefira frases que possam ser confirmadas com sim/não. Exemplo: em vez de “ícones ok”, use “ícones usam o mesmo grid/tamanho e estão alinhados ao baseline do texto quando aplicável”.

4) Defina o nível de rigor (rápido vs. completo)

Na prática, você precisa de dois níveis: um checklist rápido (para revisões frequentes) e um checklist completo (para publicar biblioteca, fazer release ou handoff final). O rápido deve caber em 2–3 minutos; o completo pode levar 10–20 minutos dependendo do escopo.

5) Estabeleça “gate” de qualidade

Gate é a regra de passagem: o que precisa estar 100% para avançar. Exemplo: “Sem itens críticos pendentes” e “Itens médios podem virar tarefa com prazo”. Isso evita que o checklist vire “tudo ou nada” e paralise entregas.

Checklist de qualidade para telas e fluxos (UI) antes de revisão

Este checklist é para reduzir retrabalho ainda na fase de design, antes de envolver mais pessoas. Use como auto-revisão e também como base para revisão por pares.

Visual

  • Espaçamentos seguem a grade definida (sem valores “quebrados” fora do padrão).
  • Alinhamentos estão consistentes (bordas, colunas, baseline de texto quando necessário).
  • Hierarquia visual está clara: títulos, subtítulos, corpo e ações têm contraste e peso coerentes.
  • Componentes repetidos são instâncias (não cópias soltas), evitando divergência.
  • Ícones têm tamanho consistente e alinhamento correto com texto e botões.
  • Estados visuais relevantes aparecem no design (ex.: hover/focus/disabled quando aplicável ao contexto).

Comportamento

  • Fluxo cobre o “caminho feliz” e pelo menos os principais desvios (erro, vazio, carregando).
  • Regras de habilitar/desabilitar ações estão explícitas (ex.: botão “Salvar” desabilitado até campos válidos).
  • Se houver tabela/lista, paginação, ordenação e filtros têm comportamento definido.
  • Se houver formulário, validações e mensagens de erro estão especificadas (quando aparece, onde aparece, texto).

Conteúdo

  • Textos não são genéricos demais (evitar “Lorem ipsum” em telas finais de handoff).
  • Mensagens de erro e vazio são específicas e orientam ação do usuário.
  • Rótulos de campos e botões são consistentes (verbo no imperativo, termos do domínio).
  • Formatação de dados está definida (datas, moeda, unidades, pluralização).

Integração

  • Responsividade foi considerada: o que quebra primeiro e como reflow acontece.
  • Imagens/ilustrações têm proporção e comportamento definidos (crop, fit, fallback).
  • Quando houver dependência de dados, estão listados os campos necessários (ex.: nome, status, data, id).

Passo a passo de aplicação (3–7 minutos)

  • Faça um “scan” rápido: afaste o zoom e verifique hierarquia e alinhamentos gerais.
  • Entre em 2–3 áreas críticas (formulário, tabela, header) e valide espaçamentos e instâncias.
  • Simule mentalmente o fluxo: o que acontece se der erro? se estiver vazio? se estiver carregando?
  • Revise textos: títulos, CTAs e mensagens de erro/vazio.
  • Marque pendências diretamente no arquivo com anotações curtas e acionáveis (ex.: “definir estado vazio da lista”).

Checklist de qualidade para componentes antes de publicar/atualizar

Retrabalho em componentes costuma ser caro porque se propaga: um detalhe errado vira dezenas de telas inconsistentes. Este checklist foca em evitar regressões e garantir que o componente seja previsível para quem usa e para quem implementa.

Cena editorial mostrando um pequeno erro em um componente UI se multiplicando em várias telas em um mural, estilo infográfico minimalista, linhas limpas, cores neutras com destaque vermelho, sensação de efeito cascata

Visual

  • O componente mantém consistência de espaçamentos internos e externos em todos os estados.
  • Tipografia e ícones estão coerentes entre variantes (ex.: tamanho do ícone não muda sem motivo).
  • Bordas, raios e divisores seguem o padrão do sistema (sem “ajustes manuais” por variante).
  • O componente não “pula” de tamanho entre estados sem justificativa (ex.: erro não deve alterar altura inesperadamente).

Comportamento

  • Estados essenciais existem e estão completos (ex.: default, hover, pressed, focus, disabled; ou os que fizerem sentido).
  • Se houver validação/erro, a regra de disparo está definida (on blur, on submit, em tempo real).
  • Se houver loading, está definido se bloqueia interação e como afeta o layout.
  • Se houver seleção (checkbox/radio/toggle), estados intermediários (indeterminate) são considerados quando aplicável.

Conteúdo

  • Textos de exemplo e placeholders são realistas e testam limites (curto, médio, longo).
  • O componente suporta variações de conteúdo sem quebrar (ex.: botão com texto longo, chip com label grande).
  • Mensagens (erro/ajuda) têm tom consistente e não conflitam com outras mensagens do sistema.

Integração

  • Propriedades expostas são suficientes e não redundantes (evitar duas propriedades que fazem a mesma coisa).
  • O componente se comporta bem em diferentes larguras (min/max) e em contextos comuns (dentro de cards, em listas, em modais).
  • Dependências estão claras: ícones, estilos, subcomponentes necessários.
  • Assets exportáveis (quando existirem) estão corretos: tamanho, escala, formato, naming e alinhamento.

Checklist de regressão (antes de publicar uma mudança)

  • O que mudou está descrito em termos de impacto (visual, comportamento, API de propriedades).
  • Variantes antigas continuam funcionando ou há orientação clara de migração.
  • Casos extremos foram testados: texto longo, ausência de ícone, múltiplas linhas, densidade.
  • Não houve quebra de alinhamento/padding em nenhuma variante principal.

Passo a passo de aplicação (10–20 minutos)

  • Abra uma página de “playground” do componente e coloque lado a lado todas as variantes e estados.
  • Teste conteúdo: duplique instâncias e force textos longos, números grandes, labels curtas.
  • Teste layout: coloque o componente dentro de containers com larguras diferentes e observe reflow.
  • Revise propriedades: remova o que não é necessário, renomeie o que gera ambiguidade e garanta defaults sensatos.
  • Faça uma checagem de regressão visual: compare com a versão anterior (captura/print ou frame de referência).
  • Registre a mudança de forma objetiva (o que mudou, por quê, impacto, como migrar se necessário).

Checklist de qualidade para handoff (specs, comportamento e assets)

Mesmo com um fluxo de handoff bem definido, o retrabalho aparece quando faltam detalhes que o time de desenvolvimento precisa decidir sozinho. O checklist abaixo reduz “ping-pong” de perguntas e evita implementações divergentes.

Visual

  • Há referência clara do layout final (frames nomeados e organizados por breakpoint/estado quando aplicável).
  • Espaçamentos críticos estão verificáveis (principalmente em áreas densas: headers, listas, formulários).
  • Estados visuais que impactam implementação estão presentes (disabled, focus, erro, vazio, loading).
  • Ícones e imagens têm fonte definida (biblioteca, arquivo, componente) e não são “prints” soltos.

Comportamento

  • Interações estão descritas com clareza: o que acontece ao clicar, ao passar o mouse, ao focar, ao digitar.
  • Regras de validação estão completas: condição, mensagem, momento de exibição, prioridade entre erros.
  • Regras de dados dinâmicos estão descritas: ordenação, paginação, limites, truncamento, tooltips.
  • Estados de rede estão cobertos: carregando, erro de API, sem conexão (quando relevante).

Conteúdo

  • Textos finais estão definidos (títulos, botões, mensagens), com variações quando necessário (singular/plural).
  • Há exemplos de conteúdo real para testar (ex.: nomes longos, e-mails, códigos, endereços).
  • Regras de truncamento/quebra de linha estão explícitas (quantas linhas, ellipsis, tooltip).

Integração

  • Lista de componentes usados na tela está clara (para evitar recriação em código).
  • Tokens/estilos aplicados estão consistentes (evitar valores “custom” que não existem no sistema).
  • Assets exportáveis (se necessários) estão prontos e com especificação de uso (tamanho, formato, escala).
  • Há notas sobre dependências técnicas: bibliotecas, comportamento em plataformas (web/mobile), limitações conhecidas.
  • Critérios de aceite (QA) estão definidos: o que precisa ser igual ao design e o que pode variar.

Passo a passo de aplicação (antes de entregar para desenvolvimento)

  • Faça uma revisão “como dev”: percorra a tela perguntando “o que eu preciso saber para implementar isso sem perguntar nada?”.
  • Liste decisões que não estão no design: regras de erro, truncamento, loading, empty state, responsividade.
  • Converta decisões em notas objetivas e testáveis (ex.: “mensagem de erro aparece abaixo do campo após blur”).
  • Garanta que cada estado relevante tenha uma referência visual (frame/variante) e uma descrição curta.
  • Defina critérios de QA: 5–10 itens que o dev e o QA podem validar rapidamente.

Checklists “anti-bugs” comuns em Design Systems

Abaixo estão itens que frequentemente geram retrabalho por serem pequenos, mas com alto impacto. Use como um “radar” para complementar seus checklists.

1) Espaçamentos inconsistentes em componentes semelhantes

  • Botões com padding diferente entre tamanhos sem regra clara.
  • Inputs com altura diferente entre estados (erro adiciona borda e muda o tamanho total).
  • List items com alinhamento de ícone variando por tipo de conteúdo.

2) Estados incompletos

  • Existe “disabled” mas não existe “loading”.
  • Existe “erro” mas não existe “ajuda” (helper) e a hierarquia entre mensagens não está definida.
  • Existe “hover” mas não existe “focus” (especialmente crítico para navegação por teclado).

3) Propriedades que geram ambiguidade

  • Propriedade “Type” mistura intenção (primary/secondary) com tamanho (sm/md/lg).
  • Propriedade “Icon” não define posição (leading/trailing) e gera combinações confusas.
  • Propriedade “State” inclui coisas que não são estado (ex.: “with icon”).

4) Conteúdo não testado

  • Labels longas quebram layout e ninguém percebe até chegar no produto.
  • Números grandes (preço, quantidade) estouram containers.
  • Tradução/idiomas não foram simulados (strings maiores).

Como operacionalizar checklists sem virar burocracia

Crie checklists por momento (não um checklist único)

Em vez de uma lista gigante, crie três checklists curtos: (1) UI antes de revisão, (2) componente antes de publicar, (3) handoff antes de desenvolver. Cada um deve caber em uma página e ser fácil de copiar/colar em uma tarefa.

Use severidade: Crítico, Médio, Baixo

Classifique itens para decidir o que bloqueia. Exemplo: “Crítico” bloqueia publicação/handoff (ex.: falta estado de erro), “Médio” pode virar tarefa com prazo (ex.: melhorar exemplos), “Baixo” é melhoria (ex.: refinar microcopy).

Transforme o checklist em template de revisão

Para revisão por pares, use um template de comentários com seções fixas. Exemplo de estrutura:

Revisão de qualidade (UI/Componente/Handoff)  Visual: [itens OK / pendências]  Comportamento: [itens OK / pendências]  Conteúdo: [itens OK / pendências]  Integração: [itens OK / pendências]  Severidade: Crítico / Médio / Baixo  Próximos passos: [ação + responsável + prazo]

Isso padroniza feedback e reduz discussões subjetivas.

Defina “Definition of Done” por tipo de entrega

Além do checklist, escreva uma definição curta do que significa “pronto”. Exemplo para componente: “Pronto para publicar quando: variantes essenciais existem, propriedades estão coerentes, casos extremos testados, regressão checada, e notas de mudança registradas”. A definição evita que o checklist seja interpretado de forma diferente por cada pessoa.

Audite o checklist com base em bugs reais

O melhor checklist nasce de falhas recorrentes. Sempre que surgir retrabalho, transforme o motivo em um item novo (ou ajuste um item existente). Exemplo: se houve retrabalho porque “o truncamento não estava definido”, adicione um item explícito em handoff: “regras de truncamento/quebra de linha definidas”.

Exemplo prático: checklist aplicado a um componente de campo de texto

Imagine que você vai atualizar um componente de campo de texto para incluir suporte a ícone e mensagem de ajuda. Em vez de confiar na memória, aplique o checklist completo:

Mockup ilustrativo de um componente de campo de texto com ícone e mensagens de ajuda e erro, mostrando diferentes estados lado a lado (default, focus, error, disabled), estilo design system, fundo claro, tipografia limpa, aparência de Figma, composição organizada
  • Visual: verifique se o ícone não altera a altura; padding interno permanece consistente; alinhamento do ícone com o texto está correto; o espaço para mensagem de ajuda/erro não “empurra” o layout de forma inesperada.
  • Comportamento: defina quando a mensagem aparece; se erro e ajuda podem coexistir; como fica em disabled; como fica em loading (se existir); como o foco é representado.
  • Conteúdo: teste placeholder curto e longo; teste mensagem de erro longa; teste label com duas palavras e com termos do domínio.
  • Integração: garanta que as propriedades expostas não criem combinações inválidas (ex.: ícone sem posição definida); documente dependências (ícones); defina critérios de QA (altura não muda entre estados; erro aparece após blur; truncamento em 1 linha para helper se necessário).

Ao final, registre a mudança com impacto e instruções de migração se alguém já usava o componente antigo sem ícone. O ganho aqui é evitar que cada squad descubra problemas diferentes em momentos diferentes.

Agora responda o exercício sobre o conteúdo:

Qual abordagem torna um checklist de qualidade mais eficaz para reduzir retrabalho em design systems?

Você acertou! Parabéns, agora siga para a próxima página

Você errou! Tente novamente.

Checklists funcionam melhor quando sao acionaveis, contextuais (por tipo de entrega) e curtos. Separar por camadas (visual, comportamento, conteudo e integracao) evita listas caoticas e facilita identificar lacunas.

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Estratégias de alinhamento com desenvolvimento: tokens, nomenclatura e paridade com código

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