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Power BI para Pequenos Negócios: Dashboards de Vendas, Caixa e Estoque com Indicadores que Importam

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Fluxo de caixa realizado e projetado: entradas, saídas e previsibilidade

Capítulo 13

Tempo estimado de leitura: 14 minutos

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O que é fluxo de caixa realizado e projetado (e por que separar)

Fluxo de caixa é a visão do dinheiro que efetivamente entra e sai do caixa (conta bancária, caixa físico, carteiras digitais) ao longo do tempo. Para gestão diária, o ponto central não é “quanto vendi”, e sim “quanto dinheiro entrou” e “quanto dinheiro saiu”, em quais datas, por quais motivos e com qual previsibilidade.

Ao construir dashboards de caixa, é fundamental separar dois conceitos:

  • Fluxo de caixa realizado: entradas e saídas que já aconteceram (pagas/recebidas) e têm data de liquidação. É o “extrato gerencial” do que foi efetivamente movimentado.
  • Fluxo de caixa projetado: entradas e saídas esperadas no futuro, com base em compromissos e previsões (contas a pagar, parcelas futuras, assinaturas, impostos, folha, recebíveis previstos, etc.). É a visão de “o que deve acontecer” e serve para antecipar falta ou sobra de caixa.

Separar realizado e projetado evita confusões comuns, como considerar uma venda a prazo como dinheiro disponível hoje, ou ignorar despesas futuras já contratadas. Na prática, o realizado responde “como foi”, e o projetado responde “como tende a ficar”.

Entradas e saídas: o que entra no caixa (de verdade) e o que sai

Entradas (inflows)

Entradas são todos os valores que aumentam o saldo de caixa. Em pequenos negócios, as principais categorias de entradas costumam ser:

  • Recebimentos de vendas: dinheiro, PIX, cartão (quando liquidado), boleto (quando compensado), transferência.
  • Antecipações e empréstimos: entradas financeiras que aumentam o caixa, mas não são receita operacional (importante separar para análise).
  • Outras entradas: reembolsos, devoluções de fornecedores, rendimentos, aportes dos sócios.

Um cuidado importante: no cartão, a venda ocorre em uma data, mas o dinheiro entra em outra (data de liquidação). Para fluxo de caixa, a data relevante é a do recebimento (liquidação), não a da venda.

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Ilustração em estilo flat e corporativo de um pequeno comércio usando maquininhas de cartão e celular com PIX, com um calendário mostrando duas datas diferentes (data da venda e data de liquidação), setas indicando o dinheiro entrando na conta bancária; cores sóbrias, visual de dashboard financeiro ao fundo.

Saídas (outflows)

Saídas são todos os valores que reduzem o saldo de caixa. Exemplos típicos:

  • Fornecedores e compras: pagamentos de mercadorias, insumos, fretes.
  • Despesas fixas: aluguel, internet, energia, softwares, contabilidade.
  • Folha e pró-labore: salários, encargos, benefícios.
  • Impostos: guias e parcelamentos.
  • Despesas variáveis: comissões, taxas de adquirência, marketing.
  • Investimentos e capex: compra de equipamentos, reformas (não confundir com despesa operacional).

Para previsibilidade, também é útil separar saídas “obrigatórias” (difíceis de adiar) de saídas “gerenciáveis” (que podem ser postergadas ou reduzidas), pois isso orienta ações quando o caixa aperta.

Previsibilidade: como transformar projeção em algo confiável

Projeção não é adivinhação; é uma combinação de compromissos já conhecidos com hipóteses explícitas. Em um dashboard, previsibilidade melhora quando você:

  • Define regras claras de projeção (ex.: cartão D+30, boleto D+2, assinatura todo dia 10).
  • Separa “previsto por contrato” de “previsto por estimativa” (ex.: aluguel vs. vendas futuras).
  • Registra o status (previsto, confirmado, pago/recebido, cancelado).
  • Mede erro de previsão (diferença entre projetado e realizado) para calibrar.

Um bom fluxo de caixa projetado não precisa prever tudo com perfeição; ele precisa ser suficientemente confiável para alertar com antecedência sobre semanas/dias de risco.

Estrutura lógica para o dashboard: três visões complementares

1) Linha do tempo do saldo (realizado + projetado)

Uma visualização muito útil é a curva de saldo ao longo dos dias: começa no saldo inicial, soma entradas e subtrai saídas. Para o futuro, continua com valores projetados. Isso responde: “em que dia o saldo fica negativo?” e “qual é o menor saldo do período?”.

Dashboard financeiro com gráfico de linha do saldo ao longo dos dias, mostrando uma parte sólida para realizado e uma parte tracejada/transparente para projetado, com marcador vertical indicando hoje; estilo Power BI, limpo, cores azul/verde para entradas e laranja/vermelho para saídas, fundo claro.

2) Entradas e saídas por categoria (realizado e projetado)

Além do saldo, você precisa entender “o que está puxando o caixa”. Um gráfico de barras empilhadas por categoria (ex.: fornecedores, impostos, folha) ajuda a identificar concentração e oportunidades de negociação.

3) Qualidade da projeção (acurácia)

Quando você compara o que foi projetado para um período com o que de fato aconteceu, você cria um indicador de confiança. Isso ajuda a responder: “posso tomar decisão com base nessa projeção?” e “quais categorias mais erram?”.

Passo a passo prático: como montar realizado e projetado no Power BI (sem repetir modelagem)

A seguir está um roteiro prático focado no capítulo: separar realizado e projetado, criar medidas e montar visuais de previsibilidade. O objetivo é você sair com um painel que mostre saldo diário, entradas/saídas e alertas de risco.

Passo 1 — Defina o “evento de caixa” e a data correta

Para fluxo de caixa, cada linha deve representar um evento que impacta o saldo. O campo mais importante é a Data de Caixa (data em que o dinheiro entra ou sai). Exemplos:

  • Venda no cartão em 05/03 com liquidação em 04/04: Data de Caixa = 04/04.
  • Boleto emitido em 10/03 e pago em 12/03: Data de Caixa = 12/03.
  • Conta de aluguel com vencimento 05/04 e paga em 05/04: Data de Caixa = 05/04.

Para projeção, você terá eventos futuros com Data de Caixa no futuro (vencimento esperado ou data prevista de recebimento).

Passo 2 — Crie um campo de “Tipo de Fluxo” (Entrada/Saída) e “Natureza” (Realizado/Projetado)

Você precisa de duas classificações simples para filtrar e somar corretamente:

  • TipoFluxo: “Entrada” ou “Saída”.
  • Natureza: “Realizado” quando status for pago/recebido; “Projetado” quando ainda não liquidado.

Se você já possui um campo de status (ex.: Pago, Em aberto, Previsto), mapeie para Natureza. Se não possui, crie uma regra: datas no passado com comprovante = realizado; datas futuras ou sem comprovante = projetado. O ideal é ter um status explícito para evitar ambiguidades.

Passo 3 — Padronize o sinal do valor (positivo/negativo) para facilitar saldo

Para calcular saldo acumulado, é prático ter um único campo numérico com sinal:

  • Entradas como valores positivos.
  • Saídas como valores negativos.

Assim, o saldo é apenas a soma acumulada. Se você preferir manter valores sempre positivos, então precisará subtrair saídas em todas as medidas; funciona, mas costuma aumentar a chance de erro.

Passo 4 — Medidas DAX essenciais para realizado, projetado e total

Considere que você tem uma tabela de eventos de caixa com colunas: DataCaixa, ValorAssinado (entradas +, saídas -), Natureza (Realizado/Projetado), TipoFluxo (Entrada/Saída), Categoria (ex.: Fornecedor, Impostos, etc.). As medidas abaixo são um ponto de partida.

Fluxo Realizado = CALCULATE(SUM(Caixa[ValorAssinado]), Caixa[Natureza] = "Realizado")
Fluxo Projetado = CALCULATE(SUM(Caixa[ValorAssinado]), Caixa[Natureza] = "Projetado")
Fluxo Total (R+P) = [Fluxo Realizado] + [Fluxo Projetado]

Para separar entradas e saídas (mantendo sinal), você pode criar medidas filtrando TipoFluxo:

Entradas Realizadas = CALCULATE(SUM(Caixa[ValorAssinado]), Caixa[Natureza] = "Realizado", Caixa[TipoFluxo] = "Entrada")
Saidas Realizadas = CALCULATE(SUM(Caixa[ValorAssinado]), Caixa[Natureza] = "Realizado", Caixa[TipoFluxo] = "Saída")

Como Saidas Realizadas estará negativa (se você adotou sinal), isso é bom para saldo. Para exibir saídas como valor positivo em um cartão, crie uma medida de apresentação:

Saidas Realizadas (Abs) = ABS([Saidas Realizadas])

Passo 5 — Saldo inicial e saldo acumulado (realizado e projetado)

O saldo acumulado precisa de um ponto de partida: Saldo Inicial (por exemplo, saldo bancário no início do período). Existem duas abordagens comuns:

  • Saldo inicial fixo: um parâmetro digitado (bom para começar).
  • Saldo inicial por extrato: calculado a partir de uma tabela de saldos diários (mais robusto).

Para um primeiro dashboard, use um parâmetro (What-if) chamado SaldoInicial. Então:

Saldo Inicial = SELECTEDVALUE(Parametros[SaldoInicial], 0)

Saldo acumulado realizado (até a data no contexto):

Saldo Acumulado Realizado = [Saldo Inicial] + CALCULATE([Fluxo Realizado], FILTER(ALL('Calendario'[Data]), 'Calendario'[Data] <= MAX('Calendario'[Data])))

Saldo acumulado total (realizado + projetado):

Saldo Acumulado Total = [Saldo Inicial] + CALCULATE([Fluxo Total (R+P)], FILTER(ALL('Calendario'[Data]), 'Calendario'[Data] <= MAX('Calendario'[Data])))

Com isso, você consegue desenhar duas linhas no gráfico: uma linha de saldo realizado (até hoje) e outra linha que continua com o projetado (horizonte futuro).

Passo 6 — Horizonte de projeção e “data de corte” (hoje)

Para previsibilidade, defina um horizonte (ex.: próximos 30, 60 ou 90 dias). Você pode criar uma medida para limitar visuais:

Dentro do Horizonte = IF(MAX('Calendario'[Data]) <= TODAY() + 60, 1, 0)

Use essa medida como filtro do visual (igual a 1). Isso evita que o gráfico fique “esticado” e melhora a leitura.

Passo 7 — Indicadores de risco: menor saldo futuro e dias até o caixa mínimo

Dois indicadores simples e poderosos:

  • Menor saldo no horizonte: o pior ponto do saldo acumulado total.
  • Data do menor saldo: quando ocorre o pior ponto.
Menor Saldo (60d) = MINX(FILTER(ALL('Calendario'[Data]), 'Calendario'[Data] >= TODAY() && 'Calendario'[Data] <= TODAY()+60), [Saldo Acumulado Total])
Data Menor Saldo (60d) = VAR T = FILTER(ALL('Calendario'[Data]), 'Calendario'[Data] >= TODAY() && 'Calendario'[Data] <= TODAY()+60) RETURN MINX(T, IF([Saldo Acumulado Total] = [Menor Saldo (60d)], 'Calendario'[Data]))

Se o “Menor Saldo” ficar abaixo de zero (ou abaixo de um limite mínimo operacional), você tem um alerta objetivo para agir (negociar prazos, antecipar recebíveis, reduzir gastos, etc.).

Passo 8 — Acurácia da projeção: comparando projetado vs realizado (sem misturar períodos)

Para medir previsibilidade, compare o que foi projetado para um período passado com o que de fato ocorreu. Para isso, você precisa guardar o “projetado” que existia antes do período acontecer. Na prática, isso exige uma captura diária/semana do projetado (snapshot). Se você ainda não tem snapshot, dá para começar com uma comparação simplificada por categoria no mês corrente (sabendo que a projeção muda ao longo do mês).

Com snapshot (recomendado), você teria uma tabela com colunas: DataReferencia (quando a projeção foi registrada), DataCaixa (data prevista), ValorPrevisto. A acurácia mensal pode ser:

Erro Absoluto = ABS([Realizado no Periodo] - [Previsto no Periodo])
Acuracia = 1 - DIVIDE([Erro Absoluto], ABS([Realizado no Periodo]))

Interpretação: acurácia próxima de 1 indica boa previsibilidade. Se a acurácia oscila muito, investigue quais categorias e métodos de previsão estão gerando mais erro (cartão, impostos, compras, etc.).

Exemplo prático completo (cenário de pequeno negócio)

Imagine uma loja com os seguintes eventos (valores ilustrativos):

  • Saldo inicial em 01/04: R$ 12.000
  • Entradas realizadas: PIX e dinheiro recebidos diariamente (já no caixa)
  • Entradas projetadas: cartão a receber (parcelas) e boletos a compensar
  • Saídas realizadas: fornecedores pagos, taxas, pequenas despesas
  • Saídas projetadas: aluguel dia 05, folha dia 07, imposto dia 15, fornecedor dia 20

No dashboard:

  • O gráfico de saldo mostra que, após pagar folha e imposto, o saldo mínimo ocorre no dia 16 com R$ 1.200.
  • O gráfico de saídas por categoria mostra que imposto e folha concentram 65% das saídas do mês.
  • O indicador “Menor saldo (60d)” fica acima de zero, mas abaixo do limite mínimo desejado (por exemplo, R$ 3.000), acionando um alerta de “caixa apertado”.

Com isso, você consegue simular ações: negociar imposto para parcelamento, antecipar parte do cartão, ou adiar uma compra. O ponto é que a decisão nasce do calendário de liquidações, não do volume de vendas.

Boas práticas de visualização para fluxo de caixa

Use cores consistentes e sem ambiguidade

  • Entradas: verde (ou azul), Saídas: vermelho (ou laranja).
  • Realizado: cor sólida; Projetado: mesma cor com transparência/tracejado (quando possível).

Mostre “hoje” como divisor

Em gráficos de linha, inclua uma linha vertical (ou uma faixa) marcando a data de hoje. Isso ajuda a separar o que já aconteceu do que é projeção.

Evite somar realizado e projetado sem deixar claro

O saldo futuro pode usar realizado + projetado, mas as barras de entradas/saídas devem permitir alternar entre realizado, projetado e total. Um segmentador (Natureza) facilita a leitura.

Inclua um “limite mínimo de caixa”

Defina um valor mínimo operacional (ex.: uma semana de despesas fixas) e desenhe uma linha de referência no gráfico de saldo. Isso transforma o painel em ferramenta de alerta, não apenas relatório.

Regras de negócio úteis para projeção (cartão, recorrências e contas a pagar)

Cartão: projeção por regra de liquidação

Se você não tem o arquivo de recebíveis detalhado da adquirência, pode projetar por regra: venda no cartão em D, entra em D+X (ex.: 30 dias). Para parcelado, distribua por parcelas. Exemplo: venda de R$ 900 em 3x, com primeira liquidação em 30 dias: projete R$ 300 em D+30, R$ 300 em D+60, R$ 300 em D+90 (ajustando taxas, se aplicável).

Recorrências: despesas fixas e assinaturas

Para despesas fixas, crie eventos projetados recorrentes com data de vencimento. Mesmo sem automação completa, uma tabela simples de “Contas Recorrentes” (categoria, valor, dia do mês, início/fim) permite gerar projeções consistentes.

Contas a pagar: vencimento vs pagamento

Para o projetado, use a data de vencimento (ou a data planejada de pagamento). Para o realizado, use a data em que saiu do banco. Essa diferença é importante para medir atrasos e para entender se o caixa está sendo “empurrado” com postergações.

Checklist de validação (para confiar no painel)

  • O saldo acumulado bate com o saldo bancário em uma data de conferência?
  • Eventos de cartão estão na data de liquidação (não na data da venda)?
  • Saídas estão negativas (ou, se positivas, as medidas subtraem corretamente)?
  • Realizado e projetado não estão duplicados (o mesmo evento não aparece nos dois)?
  • Há categorias “Outros” demais? Se sim, refine a classificação para melhorar decisões.
  • O horizonte de projeção está claro e filtrado (30/60/90 dias)?

Quando esses pontos estão corretos, o dashboard deixa de ser apenas um gráfico bonito e vira um instrumento de previsibilidade: você enxerga o impacto de datas, compromissos e recebimentos futuros no saldo, com tempo para agir.

Agora responda o exercício sobre o conteúdo:

Em um dashboard de fluxo de caixa, qual prática ajuda a evitar a confusão entre dinheiro disponível hoje e valores que ainda vão liquidar?

Você acertou! Parabéns, agora siga para a próxima página

Você errou! Tente novamente.

Separar realizado (já pago/recebido) de projetado (a liquidar) e usar a Data de Caixa como a data de liquidação evita tratar vendas a prazo como dinheiro disponível e melhora a previsibilidade do saldo.

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Estoque orientado a decisão: saldo, cobertura, ruptura e excesso

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