O que são Explorações (Explorations) e quando usar
Explorações no Google Analytics 4 são análises guiadas e flexíveis para responder perguntas específicas que nem sempre ficam claras nos relatórios padrão. A ideia é simples: você escolhe quais dados quer ver (dimensões e métricas), define como quer visualizar (tabela, funil, caminhos etc.) e aplica filtros/segmentos para isolar um comportamento.
Use Explorações quando você precisar, por exemplo: entender onde um fluxo “quebra” (funil), descobrir o que as pessoas fazem depois de uma página específica (caminhos) ou comparar desempenho/engajamento entre grupos (tabela livre).
O que você precisa saber antes de começar
- Dimensão: “como” você quer agrupar (ex.: Página de destino, Canal, Dispositivo).
- Métrica: “quanto” (ex.: Usuários, Sessões, Visualizações, Taxa de engajamento, Tempo médio de engajamento).
- Segmento: um recorte de usuários/sessões/eventos para comparar grupos (ex.: tráfego orgânico vs. pago).
- Filtro: restringe a análise a um valor específico (ex.: apenas uma landing page).
Como montar uma Exploração do zero (fluxo de trabalho prático)
O passo a passo abaixo funciona como “receita” para a maioria das análises em Explorações, independentemente do tipo (Free form, Funnel, Path).
1) Criar uma nova Exploração
- Acesse Explorar no GA4.
- Clique em + Nova exploração.
- Escolha o tipo mais adequado: Tabela livre (Free form), Exploração de funil (Funnel) ou Exploração de caminhos (Path).
2) Definir o período e checar consistência
- Defina um intervalo de datas que represente o comportamento que você quer analisar (ex.: últimos 28 dias).
- Se você comparar canais ou páginas, mantenha o mesmo período para todos os recortes.
3) Importar dimensões e métricas
Em Explorações, você normalmente precisa “trazer” dimensões e métricas para o painel antes de usá-las na visualização.
- No painel de variáveis, clique em + para adicionar Dimensões (ex.: Página de destino, Grupo de canais padrão da sessão).
- Clique em + para adicionar Métricas (ex.: Usuários, Sessões, Visualizações, Taxa de engajamento, Tempo médio de engajamento).
4) Montar a visualização
- Arraste dimensões para Linhas e/ou Colunas.
- Arraste métricas para Valores.
- Escolha o tipo de gráfico/tabela quando aplicável (ex.: tabela, barras).
5) Aplicar segmentos e filtros
- Segmentos são ideais para comparar grupos lado a lado (ex.: Orgânico vs. Pago).
- Filtros são ideais para “fixar” um contexto (ex.: analisar apenas usuários que entraram por uma landing específica).
6) Ajustar e interpretar
- Ordene por uma métrica relevante (ex.: maior número de usuários).
- Troque a dimensão para testar hipóteses (ex.: de Canal para Dispositivo).
- Interprete sempre em termos de pergunta: “o que eu queria descobrir?” e “o dado responde isso?”
Tabela livre (Free form): comparar engajamento por canal
Pergunta: “Quais canais trazem usuários mais engajados?”
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Uma tabela livre é ótima para comparações rápidas e para criar uma visão “tipo planilha” com métricas lado a lado.
Passo a passo
- Crie uma exploração do tipo Tabela livre (Free form).
- Em Dimensões, adicione: Grupo de canais padrão da sessão.
- Em Métricas, adicione (sugestão): Usuários, Sessões, Taxa de engajamento, Tempo médio de engajamento, Visualizações.
- Na aba (configurações da tabela):
- Arraste Grupo de canais padrão da sessão para Linhas.
- Arraste as métricas para Valores.
- Ordene a tabela por Usuários (para ver volume) e depois teste ordenar por Taxa de engajamento (para ver qualidade).
Como interpretar (exemplo prático)
- Se Paid Search tem muitos usuários, mas taxa de engajamento baixa, pode indicar desalinhamento entre anúncio e página de destino.
- Se Email tem menos volume, mas tempo médio de engajamento alto, pode ser um canal de alta intenção (bom para campanhas de conversão).
- Compare taxa de engajamento e tempo médio juntos: uma taxa alta com tempo baixo pode indicar sessões curtas porém “engajadas” (por exemplo, leitura rápida e clique em evento), enquanto tempo alto pode indicar consumo de conteúdo.
Melhorias rápidas
- Adicione uma segunda dimensão em Colunas, como Categoria do dispositivo, para ver se o engajamento por canal muda no mobile vs. desktop.
- Use um filtro para restringir a uma seção do site (ex.: páginas que contêm
/blog/) e comparar canais só para conteúdo.
Exploração de funil (Funnel exploration): funil de páginas (landing → produto → checkout)
Pergunta: “Em qual etapa as pessoas desistem do caminho landing → produto → checkout?”
O funil ajuda a medir a passagem por etapas e a taxa de abandono entre elas. Para um funil de páginas, você define cada etapa com base na visualização de página (ou no caminho da página).
Antes de montar: escolha o tipo de funil
- Funil fechado: exige que a pessoa comece na etapa 1. Útil quando você quer analisar um fluxo específico iniciado por uma landing.
- Funil aberto: permite entrar em qualquer etapa. Útil quando você quer entender “como as pessoas chegam” em produto ou checkout, mesmo sem passar pela landing definida.
Passo a passo (funil fechado recomendado para landing → produto → checkout)
- Crie uma exploração do tipo Exploração de funil (Funnel).
- Defina como Funil fechado.
- Configure as etapas (exemplo):
- Etapa 1: Landing page — condição: Página de destino corresponde a
/landing-x(ou contém/landing). - Etapa 2: Página de produto — condição: Caminho da página e classe da tela contém
/produto/. - Etapa 3: Checkout — condição: Caminho da página e classe da tela contém
/checkout.
- Etapa 1: Landing page — condição: Página de destino corresponde a
- Defina a janela de tempo do funil (por exemplo, 1 dia ou 7 dias, dependendo do seu ciclo de decisão).
- Opcional: adicione um segmento para comparar canais (ex.: Orgânico vs. Pago) dentro do mesmo funil.
Como interpretar quedas e conversões entre etapas
- Uma grande queda de Landing → Produto pode indicar problema de mensagem (landing não conduz ao catálogo/produto), CTA pouco visível, ou tráfego pouco qualificado.
- Uma grande queda de Produto → Checkout pode indicar fricção (frete, preço, falta de confiança, formulário longo) ou que a página de produto não está levando ao carrinho/checkout com clareza.
- Compare segmentos: se Paid cai mais em Landing → Produto do que Organic, revise segmentação e promessa do anúncio.
Ajustes úteis no funil
- Teste trocar a etapa “Produto” de
/produto/para uma lista de páginas específicas (top 5 produtos) para reduzir ruído. - Crie um segundo funil com funil aberto para entender quantos entram direto em produto ou checkout sem passar pela landing.
Exploração de caminhos (Path exploration): o que acontece após uma landing page
Pergunta: “Depois de entrar pela landing X, para onde as pessoas vão?”
A exploração de caminhos mostra sequências de páginas ou eventos. É excelente para descobrir rotas comuns, loops, saídas e “próximos passos” reais, sem depender de suposições.
Passo a passo (começando pela landing)
- Crie uma exploração do tipo Exploração de caminhos (Path).
- Escolha a direção para frente (forward) para ver o que acontece depois do ponto inicial.
- Defina o ponto inicial (starting point): selecione a dimensão relacionada a página (por exemplo, Página e classe da tela ou Caminho da página e classe da tela).
- Selecione a landing desejada (ex.:
/landing-x). - Expanda os nós do caminho para ver os próximos passos (segunda interação, terceira interação etc.).
Como interpretar padrões comuns
- Próximo passo esperado: se a landing é de campanha para um produto, você espera ver muitos caminhos indo para
/produto/.... Se não acontece, revise links/CTAs e a coerência do conteúdo. - Saídas rápidas: se muitos caminhos terminam logo após a landing, investigue velocidade, clareza da proposta e adequação do tráfego.
- Loops: se usuários ficam alternando entre duas páginas (ex.: landing ↔ FAQ), pode indicar dúvida recorrente; transforme isso em conteúdo mais claro na própria landing.
Refinando a análise com filtros e segmentos
- Aplique um segmento de canal (ex.: Social) para ver se o caminho pós-landing muda por origem.
- Use um filtro para restringir a um tipo de página (ex.: apenas caminhos que incluem
/produto/) e entender quais produtos recebem mais continuidade.
Boas práticas para não se perder nas Explorações
Comece pela pergunta e transforme em estrutura
- Se a pergunta é “onde desiste?”, use Funil.
- Se a pergunta é “o que acontece depois?”, use Caminhos.
- Se a pergunta é “quem performa melhor?”, use Tabela livre com comparação por dimensão (canal, dispositivo, campanha).
Evite misturar muitas dimensões de uma vez
Uma exploração com muitas dimensões pode virar ruído. Comece com 1 dimensão principal e 3–5 métricas. Depois, refine.
Valide com uma segunda visão
Se um funil mostra queda em Produto → Checkout, use Caminhos a partir da página de produto para ver para onde as pessoas vão (saem? vão para frete? vão para política de troca?). Isso transforma um número em diagnóstico.