ETFs para Iniciantes: Diversificação com ETFs no Brasil e no exterior

Capítulo 11

Tempo estimado de leitura: 9 minutos

+ Exercício

Diversificação como combinação de “fontes de risco”

Diversificar não é apenas “ter muitos ativos”. É distribuir a carteira entre diferentes fontes de risco que tendem a reagir de forma diferente a cenários econômicos. Em ETFs, isso costuma ser feito combinando: classes de ativos (ações, renda fixa, imobiliário quando aplicável, commodities via índices), geografias, moedas e estilos (por exemplo, valor vs. crescimento, qualidade, baixa volatilidade).

Uma forma prática de pensar: cada ETF adiciona “blocos” de exposição. Se você empilha blocos muito parecidos, você não diversifica; você apenas aumenta a concentração no mesmo risco.

1) Classes de ativos: o “motor” e o “amortecedor”

  • Ações: maior potencial de retorno no longo prazo, mas maior volatilidade.
  • Renda fixa: tende a reduzir oscilações e pode proteger em cenários específicos (depende do tipo: pós-fixado, inflação, prefixado, crédito).
  • Imobiliário (quando aplicável): pode adicionar uma fonte de retorno ligada a renda de aluguéis e ao ciclo imobiliário (mas também sofre com juros).
  • Commodities via índices: podem reagir a inflação, choques de oferta e ciclos globais; costumam ter dinâmica diferente de ações e juros.

2) Geografias: risco Brasil vs. risco global

Concentrar tudo no Brasil significa depender fortemente de fatores locais (política fiscal, juros domésticos, crescimento, câmbio). Ao adicionar ETFs de outros países/regiões, você dilui o risco de um único mercado. Na prática, a diversificação geográfica pode ser feita por: Brasil, EUA, desenvolvidos ex-EUA, emergentes ou combinações.

3) Moedas: o risco (e a proteção) do câmbio

Quando você compra exposição internacional, parte do resultado pode vir da variação cambial. Isso pode aumentar volatilidade no curto prazo, mas também pode funcionar como proteção quando o risco local aumenta e a moeda doméstica se desvaloriza. O ponto central para diversificação é: moeda é uma fonte de risco separada. Você pode ter ações globais e, ao mesmo tempo, estar muito exposto ao dólar (ou a uma cesta de moedas), mesmo que não perceba.

4) Estilos e fatores: diversificar “dentro” das ações

Mesmo dentro de ações, dá para diversificar por estilos: large caps vs. small caps, valor vs. crescimento, qualidade, dividendos, baixa volatilidade, etc. Esses estilos podem se comportar de forma diferente em ciclos de juros, inflação e crescimento. O cuidado é não confundir “mais ETFs” com “mais diversificação”: muitos ETFs de ações podem estar todos concentrados no mesmo estilo (por exemplo, tecnologia/mega caps).

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Como ETFs simplificam a construção de uma carteira diversificada

ETFs ajudam porque cada um já entrega uma cesta de ativos, reduzindo o trabalho de selecionar ações ou títulos individualmente. A simplificação aparece em três pontos:

  • Escala: um ETF amplo pode representar centenas ou milhares de ativos.
  • Padronização: fica mais fácil medir exposição por classe/país/setor, porque o índice costuma ter metodologia e dados públicos.
  • Rebalanceamento: ajustar percentuais entre blocos (ex.: ações vs. renda fixa; Brasil vs. exterior) costuma ser mais simples do que ajustar dezenas de ativos.

Correlação: por que “diferente” importa

Diversificação funciona melhor quando as partes da carteira não se movem juntas o tempo todo. Isso é a ideia de correlação: quando dois ativos/ETFs têm correlação alta, eles tendem a subir e cair juntos; quando é baixa (ou negativa), um pode compensar o outro em certos momentos.

Na prática, você não precisa calcular correlação com precisão acadêmica para melhorar a carteira. Você pode usar uma regra operacional: se dois ETFs têm composição muito parecida ou respondem ao mesmo fator dominante (ex.: dólar + tecnologia), a correlação tende a ser alta.

Exemplo prático de “falsa diversificação”

  • ETF A: ações brasileiras amplas.
  • ETF B: ações brasileiras de dividendos.
  • ETF C: ações brasileiras de small caps.

Você tem três ETFs, mas ainda está majoritariamente exposto ao mesmo país e, em crises locais, eles podem cair juntos. Isso pode ser válido como escolha, mas não é diversificação geográfica.

Overlap (sobreposição): quando você compra o mesmo ativo duas vezes

Overlap é a sobreposição de holdings entre ETFs. Ele é comum quando você combina ETFs amplos com ETFs setoriais/temáticos ou quando mistura “Brasil amplo” com “Brasil dividendos”, por exemplo.

O problema do overlap não é “ser proibido”, e sim esconder concentração. Você pode achar que tem 6 blocos diferentes, mas na prática está reforçando as mesmas empresas/setores.

Como identificar overlap sem ferramentas avançadas

  • Pelo nome e escopo: se um ETF é “Brasil amplo” e outro é “Brasil grandes empresas”, a chance de sobreposição é alta.
  • Pelos top 10: compare as 10 maiores posições de cada ETF (geralmente divulgadas pelo gestor). Se muitos nomes se repetem, há overlap relevante.
  • Pelo setor dominante: dois ETFs diferentes podem ser dominados por um mesmo setor (ex.: tecnologia) mesmo com nomes distintos.

Concentração: três formas comuns de “risco escondido”

1) Concentração por país

Carteiras com muitos ETFs podem continuar com 70%–90% em um único país se a alocação não for planejada. Isso aumenta a dependência de um ciclo econômico e de um regime de juros/câmbio.

2) Concentração por setor

Mesmo um ETF amplo pode ter concentração setorial (por exemplo, quando um setor domina o mercado local). Ao adicionar ETFs setoriais, você pode amplificar isso sem perceber.

3) Concentração por moeda

Ao adicionar exterior, você pode ficar “quase tudo em dólar” (ou outra moeda) sem ter decidido conscientemente. Isso pode ser desejado ou não, mas precisa estar mapeado.

Método prático para mapear a carteira (e reduzir concentração indesejada)

A seguir, um método operacional que você pode aplicar com uma planilha simples. O objetivo é transformar sua carteira em um mapa de exposições e, depois, ajustar.

Passo 1 — Liste seus ETFs e o peso de cada um na carteira

Comece com o valor de mercado de cada ETF e calcule o percentual no total.

ETFValor (R$)Peso na carteira
ETF 110.00040%
ETF 28.00032%
ETF 37.00028%

Fórmula: Peso = Valor do ETF / Valor total da carteira

Passo 2 — Para cada ETF, anote “tags” de exposição

Você vai classificar cada ETF em dimensões. Use as informações do índice/gestor: classe de ativo, região/país, moeda base da exposição, setores e estilo (se aplicável).

  • Classe: ações / renda fixa / imobiliário / commodities
  • Geografia: Brasil / EUA / global desenvolvido / emergentes / etc.
  • Moeda: BRL / USD / cesta global (aprox.)
  • Setores: tecnologia, financeiro, energia… (ou “amplo”)
  • Estilo: valor, crescimento, dividendos, qualidade… (se for o caso)

Passo 3 — Quebre cada ETF em percentuais internos (quando necessário)

Alguns ETFs são “puros” (ex.: só Brasil; só EUA). Outros são globais e já vêm distribuídos por países e setores. Para mapear direito, você precisa da composição aproximada.

Exemplo: um ETF global pode estar assim (valores ilustrativos):

  • EUA 65%
  • Japão 6%
  • Reino Unido 4%
  • Outros 25%

Você não precisa de precisão absoluta; uma aproximação já revela concentrações grandes.

Passo 4 — Calcule a exposição “efetiva” por classe, país e setor

Agora você multiplica o peso do ETF pela composição interna para obter a exposição final.

Exemplo: se o ETF global pesa 30% na carteira e tem 65% em EUA, então a exposição a EUA via esse ETF é:

Exposição EUA = 30% × 65% = 19,5%

Faça isso para:

  • Classe de ativo (quanto é ações vs. renda fixa etc.)
  • País/região
  • Setores (se você tiver ETFs setoriais ou se o mercado for concentrado)
  • Moedas (aprox.: BRL vs. USD vs. outras)

Modelo de tabela para a planilha

ETFPesoClasseBrasilEUAOutrosUSDBRL
ETF Brasil amplo40%Ações100%0%0%0%100%
ETF Global32%Ações0%65%35%100%0%
ETF Renda Fixa BR28%Renda fixa100%0%0%0%100%

Depois, some as colunas para obter os totais (ex.: total Brasil, total EUA, total USD, total BRL).

Passo 5 — Identifique exposições duplicadas (overlap) e “pontos de concentração”

Use três checagens rápidas:

  • Top holdings repetidas: se dois ETFs têm muitas das mesmas maiores posições, você está duplicando risco específico.
  • Setor dominante repetido: se vários ETFs têm grande peso em um mesmo setor (ex.: tecnologia), a carteira pode ficar sensível a um único fator.
  • País/moeda dominante: se mais de metade da carteira depende de um país ou moeda, isso é uma concentração relevante (não necessariamente errada, mas deve ser intencional).

Passo 6 — Ajuste com regras simples (sem “adivinhar o mercado”)

Defina faixas-alvo para cada dimensão e rebalanceie quando sair delas. Exemplos de regras (apenas como modelo):

  • Classe: ações 50%–70%, renda fixa 30%–50% (ajuste conforme objetivo e tolerância a risco).
  • Geografia: Brasil 20%–60%, exterior 40%–80% (ou outra faixa que faça sentido para você).
  • Moeda: BRL 30%–70%, moedas fortes 30%–70%.
  • Concentração setorial: evitar que um setor ultrapasse X% do bloco de ações (especialmente se você usa ETFs setoriais).

Quando houver concentração indesejada, você tem três alavancas:

  • Reduzir o ETF que está causando a concentração.
  • Adicionar um ETF que compense (ex.: adicionar renda fixa ou outra geografia/estilo).
  • Substituir dois ETFs sobrepostos por um ETF mais amplo (reduz overlap e simplifica).

Exemplos de montagem (Brasil + exterior) focados em diversificação

Exemplo A — “Núcleo amplo + satélites controlados”

  • Núcleo: um ETF amplo de ações Brasil + um ETF amplo de ações globais (ou EUA + desenvolvidos).
  • Amortecedor: um ETF de renda fixa (para reduzir volatilidade).
  • Satélite opcional: um ETF de commodities via índice ou um ETF de estilo (ex.: valor/qualidade), com peso pequeno para não dominar a carteira.

O cuidado aqui é garantir que o satélite não crie concentração setorial excessiva nem overlap grande com o núcleo.

Exemplo B — “Geografias separadas para enxergar o risco”

Em vez de um único ETF global, você pode separar por blocos para mapear melhor:

  • Brasil (ações)
  • EUA (ações)
  • Outros desenvolvidos (ações)
  • Emergentes (ações)
  • Renda fixa (BR e/ou global, conforme objetivo)

Isso facilita ver se você está, por exemplo, “EUA demais” ou “Brasil demais”, e ajustar com precisão.

Checklist rápido de diversificação usando ETFs

  • Tenho mais de uma classe de ativo ou estou 100% em ações?
  • Minha exposição está concentrada em um país específico?
  • Quanto do meu risco está em moeda estrangeira?
  • overlap grande entre ETFs (top 10 repetidos)?
  • Algum setor domina o bloco de ações?
  • Meus ETFs representam estilos diferentes ou todos reforçam o mesmo fator?
  • Tenho faixas-alvo e um gatilho de rebalanceamento (por exemplo, quando sair X pontos percentuais do alvo)?

Agora responda o exercício sobre o conteúdo:

Ao montar uma carteira diversificada com ETFs, qual abordagem mais ajuda a evitar a “falsa diversificação” de ter muitos ETFs, mas todos expostos ao mesmo risco dominante?

Você acertou! Parabéns, agora siga para a próxima página

Você errou! Tente novamente.

Diversificação é distribuir entre fontes de risco diferentes. Mapear exposições (classe, país, moeda, setor e estilo) e checar overlap ajuda a revelar concentrações escondidas e evitar vários ETFs que reagem do mesmo jeito.

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