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Investimentos com Renda Fixa no Brasil: Estratégias por Objetivo e Prazo

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Estratégias para médio prazo: equilíbrio entre liquidez, taxa e risco

Capítulo 12

Tempo estimado de leitura: 13 minutos

+ Exercício

O que caracteriza uma estratégia de médio prazo em renda fixa

Médio prazo, na prática, costuma ser o intervalo em que você quer fazer o dinheiro trabalhar por tempo suficiente para capturar taxas melhores do que as alternativas de liquidez imediata, mas sem abrir mão de flexibilidade para ajustar o plano caso a vida mude. É o “meio do caminho” entre a reserva de emergência (que prioriza acesso rápido) e objetivos de longo prazo (que toleram oscilações e travas maiores para buscar prêmios adicionais).

Nesse horizonte, o investidor enfrenta um dilema recorrente: quanto mais ele tenta elevar a taxa contratada, mais tende a aceitar algum tipo de restrição (prazo, carência, menor liquidez) ou algum tipo de risco adicional (principalmente risco de crédito em emissores privados). Ao mesmo tempo, manter tudo em instrumentos com resgate imediato pode significar perder oportunidades de taxa, especialmente quando há prêmios para prazos intermediários.

Uma estratégia de médio prazo bem desenhada tenta equilibrar três forças: (1) liquidez suficiente para lidar com imprevistos “não emergenciais” (troca de carro, mudança, curso, reforma), (2) taxa/retorno compatível com o prazo, e (3) risco controlado, evitando que um objetivo de 2 a 5 anos dependa de um único emissor ou de uma única data de vencimento.

O tripé do médio prazo: liquidez, taxa e risco (sem repetir o básico)

Liquidez: não é só “poder resgatar”, é “poder resgatar quando precisa”

No médio prazo, liquidez deve ser pensada como disponibilidade em janelas. Você pode aceitar que uma parte do dinheiro fique “travada” por alguns meses, desde que outra parte esteja acessível para cobrir mudanças de plano. Em vez de perguntar “tem liquidez diária?”, a pergunta mais útil é: “qual é o pior cenário de acesso ao dinheiro e eu consigo conviver com isso?”

Exemplo prático: você planeja dar entrada em um imóvel em 36 meses, mas existe chance de antecipar para 24 meses se aparecer uma oportunidade. Nesse caso, faz sentido ter uma parcela com vencimentos distribuídos entre 18 e 30 meses, e não concentrar tudo em 36 meses.

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Taxa: o prêmio do médio prazo vem de compromissos moderados

O ganho típico do médio prazo não depende de “acertar o mercado”, e sim de aceitar compromissos moderados: prazos um pouco maiores, menor flexibilidade de resgate, ou diversificação em emissores. O objetivo é capturar um prêmio de taxa sem transformar o investimento em algo que você não consegue manter até o vencimento.

Uma forma de pensar: se você sabe que não precisará de todo o valor antes de 24 a 48 meses, pode separar uma parcela para instrumentos com vencimento nessa faixa, buscando taxas melhores do que as alternativas de curtíssimo prazo.

Risco: o médio prazo pune concentração e improviso

O risco mais comum no médio prazo não é “perder tudo”, e sim ficar sem flexibilidade quando surge uma necessidade (risco de liquidez) ou ficar exposto demais a um único emissor (risco de concentração). Como o horizonte ainda não é tão longo, o investidor tem menos tempo para “diluir” decisões ruins. Por isso, a disciplina de diversificar vencimentos e emissores costuma ser mais importante do que tentar maximizar a taxa em um único papel.

Quando o médio prazo é a melhor escolha (e quando não é)

Situações típicas de médio prazo

  • Planejamento de entrada de imóvel em 2 a 5 anos.
  • Troca de carro programada em 18 a 36 meses.
  • Reserva para transição de carreira (ex.: curso + período de recolocação) em 24 meses.
  • Reforma planejada em 12 a 30 meses com desembolsos por etapas.
  • Pagamento de pós-graduação parcelada com necessidade de saques semestrais.

Sinais de que você não deveria “forçar” o médio prazo

  • Você ainda não tem uma reserva de emergência funcional e separada.
  • O objetivo é incerto demais (valor e data mudam o tempo todo), exigindo liquidez maior.
  • Você tende a resgatar por ansiedade quando vê oportunidades ou notícias; nesse caso, travas moderadas podem ajudar, mas travas longas podem virar problema.

Arquiteturas de carteira para médio prazo

Estratégia 1: Escada de vencimentos (ladder) para reduzir risco de “data errada”

A escada de vencimentos consiste em dividir o capital em vários títulos com vencimentos diferentes dentro do seu horizonte. A ideia é simples: em vez de apostar em uma única data, você cria “degraus” que vencem ao longo do caminho. Isso reduz o risco de precisar do dinheiro antes do vencimento e também permite reinvestir parte do capital conforme o cenário muda.

Exemplo: objetivo em 36 meses, mas com chance de antecipação. Você pode distribuir em vencimentos de 18, 24, 30 e 36 meses. Se o plano antecipar, você usa os degraus mais curtos; se não antecipar, reinveste os degraus que vencem antes, mantendo a escada.

Passo a passo prático: como montar uma escada de vencimentos

  • Passo 1 — Defina o horizonte e a “data mais cedo” possível. Ex.: objetivo em 36 meses, mas pode acontecer em 24.

  • Passo 2 — Escolha 3 a 5 degraus de vencimento. Ex.: 18, 24, 30 e 36 meses (ou 12, 18, 24, 30, 36 se o valor for alto).

  • Passo 3 — Divida o capital por degrau. Uma divisão simples é igualitária (25% em cada), mas você pode concentrar mais nos degraus mais curtos se a chance de antecipação for alta.

  • Passo 4 — Diversifique emissores dentro de cada degrau. Se usar produtos bancários, evite colocar todo o degrau no mesmo emissor. Se usar títulos públicos, a diversificação é mais de indexador e vencimento.

  • Passo 5 — Crie uma regra de reinvestimento. Ex.: quando o degrau de 18 meses vencer, reinvestir para manter a escada (comprar algo que vença em 36 meses a partir daquele momento), a menos que o objetivo esteja mais próximo.

  • Passo 6 — Faça revisões trimestrais ou semestrais. A revisão não é para “girar” a carteira, e sim para ajustar o plano se o objetivo mudou (valor, data, probabilidade de antecipação).

Estratégia 2: Barbell (halter) adaptado ao médio prazo

O barbell combina duas pontas: uma parte bem líquida (para flexibilidade) e outra parte com prazo maior dentro do médio prazo (para buscar taxa melhor). Diferente da escada, que distribui em vários vencimentos, o barbell concentra em dois blocos: curto e médio.

Essa estratégia é útil quando você tem incerteza sobre a data do objetivo, mas quer aproveitar prêmios de taxa em prazos intermediários. A ponta líquida funciona como amortecedor: se o objetivo antecipar, você usa essa parcela; se não antecipar, você mantém a parcela de prazo maior até o vencimento.

Passo a passo prático: como estruturar um barbell

  • Passo 1 — Estime o “mínimo necessário” de liquidez. Ex.: 30% do valor total precisa estar acessível em até poucos dias.

  • Passo 2 — Defina a parcela de prazo intermediário. Ex.: 70% em vencimentos de 24 a 48 meses.

  • Passo 3 — Crie uma regra de uso da ponta líquida. Ex.: a ponta líquida só pode ser usada para antecipação do objetivo ou oportunidade diretamente ligada ao objetivo (entrada, sinal, custos de cartório), não para consumo.

  • Passo 4 — Rebalanceie quando a data se aproximar. Ex.: ao entrar nos últimos 12 meses, aumentar a parcela líquida gradualmente para reduzir risco de timing.

Estratégia 3: Parcelamento do objetivo (cash flow matching)

Alguns objetivos de médio prazo não acontecem em uma única data; eles têm desembolsos em etapas. Nesses casos, faz sentido casar vencimentos com as parcelas do gasto. Em vez de pensar “preciso de X em 36 meses”, você pensa “preciso de A em 12 meses, B em 24, C em 36”.

Exemplo: reforma com três etapas (projeto, obra, acabamento). Você pode alocar cada parte em vencimentos que coincidam com o cronograma, reduzindo a necessidade de resgates antecipados.

Passo a passo prático: como casar vencimentos com parcelas

  • Passo 1 — Liste os desembolsos com datas e valores. Ex.: R$ 10 mil em 9 meses, R$ 25 mil em 18 meses, R$ 15 mil em 30 meses.

  • Passo 2 — Separe o capital em “envelopes”. Um envelope por desembolso.

  • Passo 3 — Para cada envelope, escolha um vencimento anterior ou muito próximo da data. A ideia é ter o dinheiro disponível antes do pagamento, não depois.

  • Passo 4 — Defina uma margem de segurança. Ex.: deixar 5% a 10% do total em liquidez para variações de orçamento.

Como escolher a combinação de produtos no médio prazo (sem repetir capítulos anteriores)

Use “funções” na carteira: caixa, núcleo e satélites

Uma forma prática de montar o médio prazo é atribuir função a cada parte do dinheiro, em vez de escolher produtos “soltos”.

  • Caixa de flexibilidade: parcela que você aceita render menos em troca de acesso rápido para antecipações e ajustes de rota.

  • Núcleo do objetivo: parcela que você pretende levar até o vencimento, com prazos alinhados ao objetivo e foco em previsibilidade do plano.

  • Satélites de taxa: pequenas posições para capturar prêmios específicos (por prazo, emissor ou estrutura), sempre sem comprometer o objetivo se algo der errado.

Essa lógica evita um erro comum: colocar 100% do objetivo em um único papel “porque paga mais”. No médio prazo, o custo de um imprevisto pode ser maior do que o ganho marginal de taxa.

Regras simples para não errar a mão

  • Regra da antecipação: se existe chance real de usar o dinheiro antes, mantenha uma parcela compatível em instrumentos de acesso rápido ou com vencimentos mais curtos.

  • Regra do emissor: não concentre o núcleo do objetivo em um único emissor privado. Se você quer diversificar, faça isso de forma planejada por degraus.

  • Regra do vencimento único: evite que 100% do objetivo dependa de um único dia. Escada ou parcelamento reduzem esse risco.

  • Regra do “satélite pequeno”: qualquer posição que você não entende perfeitamente ou que tenha restrições mais duras deve ser pequena o suficiente para não atrapalhar o objetivo.

Exemplos de montagem por objetivo (com números)

Exemplo 1: Entrada de imóvel em 36 meses (com chance de antecipar para 24)

Meta: acumular R$ 120.000.

Estratégia sugerida: escada de vencimentos com reforço de caixa.

  • Caixa de flexibilidade (25% = R$ 30.000): manter em instrumentos de alta liquidez para cobrir sinal, documentação, ou antecipação parcial.

  • Degrau 1 (25% = R$ 30.000): vencimento em ~18 a 24 meses.

  • Degrau 2 (25% = R$ 30.000): vencimento em ~30 meses.

  • Degrau 3 (25% = R$ 30.000): vencimento em ~36 meses.

Como operar: se em 24 meses o imóvel aparecer, você usa o caixa + o degrau que venceu (ou está para vencer). Se não aparecer, reinveste o degrau mais curto para manter o plano até 36 meses.

Exemplo 2: Troca de carro em 24 meses (data mais certa)

Meta: R$ 60.000.

Estratégia sugerida: barbell com rebalanceamento no último ano.

  • Ponta líquida (20% = R$ 12.000): para cobrir entrada, documentação, seguro, ou oportunidade de compra antes do previsto.

  • Ponta de prazo (80% = R$ 48.000): vencimentos próximos de 24 meses.

Regra de ajuste: ao entrar nos últimos 9 a 12 meses, aumentar a ponta líquida gradualmente (por exemplo, direcionando novos aportes para liquidez) para reduzir risco de precisar vender antes do vencimento.

Exemplo 3: Pós-graduação com pagamentos semestrais por 2 anos

Meta: R$ 40.000 em quatro parcelas semestrais de R$ 10.000.

Estratégia sugerida: cash flow matching.

  • Envelope 1: R$ 10.000 com vencimento em ~6 meses.

  • Envelope 2: R$ 10.000 com vencimento em ~12 meses.

  • Envelope 3: R$ 10.000 com vencimento em ~18 meses.

  • Envelope 4: R$ 10.000 com vencimento em ~24 meses.

Margem: se houver risco de reajuste de mensalidade, manter uma pequena reserva líquida adicional para complementar as parcelas.

Gestão de aportes no médio prazo: como investir mês a mês sem complicar

Aporte recorrente com “alvo de vencimento”

Quando você aporta mensalmente, o erro comum é comprar sempre o mesmo produto, mesmo quando o prazo restante do objetivo encurta. Uma abordagem mais consistente é usar o prazo restante como guia: conforme o objetivo se aproxima, os novos aportes vão migrando para vencimentos mais curtos ou para a parcela de caixa.

Passo a passo prático: regra de aportes por janela de tempo

  • Se faltam 24 a 48 meses: priorize o núcleo em vencimentos alinhados ao objetivo e mantenha uma parcela de caixa estável.

  • Se faltam 12 a 24 meses: aumente gradualmente a escada (mais degraus) ou encurte o prazo médio dos novos aportes.

  • Se faltam 0 a 12 meses: direcione a maior parte dos novos aportes para liquidez e vencimentos muito próximos, reduzindo o risco de precisar de resgate fora do plano.

Checklist rápido para cada novo aporte

  • Qual é o prazo restante real? Considere a data mais cedo em que você pode precisar.

  • Minha carteira ficou concentrada em um vencimento? Se sim, o aporte pode ir para um degrau diferente.

  • Minha parcela de caixa está suficiente? Se o objetivo ficou mais incerto, aumente caixa.

  • Estou aumentando risco para ganhar pouco? Se o ganho de taxa for marginal, prefira simplicidade e robustez.

Erros comuns no médio prazo e como evitar

Erro 1: travar demais e depois precisar do dinheiro

Isso acontece quando o investidor confunde “médio prazo” com “posso ficar sem o dinheiro por anos”. A correção é estrutural: escada de vencimentos ou barbell com caixa bem definido. Se você não consegue estimar a data com razoável confiança, a carteira precisa refletir essa incerteza.

Erro 2: buscar a maior taxa e ignorar a função do dinheiro

No médio prazo, o dinheiro tem função: viabilizar um objetivo. Se a escolha do produto aumenta a chance de você precisar resgatar antes do vencimento, o risco do plano aumenta. Uma regra útil é separar “núcleo” e “satélites”: o núcleo não é lugar para apostas.

Erro 3: concentrar em um único emissor porque “é conhecido”

Conhecimento de marca não substitui diversificação. Mesmo quando você confia no emissor, o objetivo pode ser prejudicado por eventos específicos (mudança de condições de liquidez, necessidade de rolagem, limites de exposição). Distribuir por emissores e por vencimentos reduz a dependência de um único ponto de falha.

Erro 4: não atualizar o plano quando a vida muda

Médio prazo é justamente o intervalo em que mudanças são mais prováveis: mudança de emprego, casamento, filhos, mudança de cidade. A carteira deve ser revisada com uma periodicidade simples (trimestral ou semestral) para ajustar a data-alvo, o valor e a necessidade de liquidez. Revisar não é girar; é manter aderência ao objetivo.

Modelo de “roteiro de decisão” para montar sua estratégia de médio prazo

Roteiro em 7 perguntas

  • 1) Qual é a data-alvo e qual é a data mais cedo possível? Trabalhe com as duas.

  • 2) O objetivo é de pagamento único ou em parcelas? Se for em parcelas, use casamento de vencimentos.

  • 3) Qual percentual precisa estar acessível rapidamente? Isso define o caixa.

  • 4) Quanto do capital pode ficar “travado” até o vencimento? Isso define o núcleo.

  • 5) Você consegue dividir em 3 a 5 vencimentos? Se sim, escada tende a ser robusta.

  • 6) Como você vai reinvestir quando um vencimento chegar? Defina a regra antes para não improvisar.

  • 7) Qual é o limite de complexidade que você sustenta? Uma estratégia simples executada bem costuma superar uma sofisticada mal executada.

Exemplo de regra escrita (para você copiar e adaptar)

Objetivo: R$ 100.000 em 36 meses (pode antecipar para 24). 1) Manter 25% em caixa de flexibilidade. 2) Investir 75% em escada com vencimentos em 18, 24, 30 e 36 meses. 3) Não concentrar mais de 35% do total em um único emissor privado. 4) Revisar a cada 6 meses: se a data mais cedo encurtar, aumentar caixa e encurtar novos aportes. 5) Ao vencer um degrau, reinvestir para manter a escada, exceto se faltar menos de 12 meses para o objetivo.

Agora responda o exercício sobre o conteúdo:

Em uma estratégia de renda fixa para objetivos de 2 a 5 anos, qual combinação melhor reduz o risco de precisar do dinheiro antes do vencimento e de depender de um único ponto de falha?

Você acertou! Parabéns, agora siga para a próxima página

Você errou! Tente novamente.

No médio prazo, o foco é equilibrar liquidez, taxa e risco. Ter caixa e distribuir o dinheiro por vencimentos e emissores reduz o risco de liquidez e de concentração, evitando que o objetivo dependa de uma única data ou de um único emissor.

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