Espaçadores e juntas: junta mínima, junta de dessolidarização e juntas de movimentação

Capítulo 8

Tempo estimado de leitura: 8 minutos

+ Exercício

Para que servem os espaçadores (e o que eles não resolvem)

Espaçadores são peças plásticas usadas entre placas para manter a largura da junta uniforme durante o assentamento. Eles ajudam a controlar alinhamento visual, facilitam o rejuntamento e reduzem o risco de “encostar” uma peça na outra (o que elimina a junta e aumenta a chance de patologia). Espaçador não corrige base fora de plano, não substitui niveladores e não “garante” que a junta final ficará igual se houver variação dimensional das peças ou falhas de assentamento.

Funções principais

  • Uniformidade de junta: mantém a mesma abertura ao longo das fiadas.
  • Controle de modulação: reduz o “caminhar” das medidas ao longo do pano.
  • Facilita o rejunte: junta com largura constante recebe melhor o material e melhora o acabamento.
  • Reduz tensões por contato: evita que bordas se toquem, o que concentra esforços.

Como escolher a largura da junta (e o espaçador adequado)

A largura da junta não é apenas estética: ela compensa variações dimensionais, absorve pequenas movimentações e melhora a durabilidade do sistema. A escolha deve considerar: tamanho da peça, variação dimensional do lote, tipo de acabamento (retificado ou não), ambiente (interno/externo, seco/molhado) e o efeito visual desejado.

Critérios práticos de escolha

  • Tamanho da peça: quanto maior a placa, maior a tendência de pequenas variações acumularem ao longo do pano; juntas muito estreitas exigem controle dimensional e execução mais rigorosos.
  • Variação dimensional: mesmo dentro do mesmo calibre, pode haver diferenças milimétricas; quanto maior a variação, maior deve ser a junta para “diluir” o desvio sem criar degraus e desalinhamentos visuais.
  • Acabamento:
    • Retificado: bordas mais regulares permitem juntas menores, desde que o lote esteja bem calibrado e o assentamento seja preciso.
    • Não retificado: bordas com maior irregularidade pedem juntas mais largas para acomodar variações e facilitar um acabamento limpo.
  • Ambiente:
    • Áreas externas, fachadas, varandas e locais com sol: preferir juntas mais generosas, pois há maior variação térmica e movimentação.
    • Áreas molhadas: juntas muito estreitas dificultam preenchimento completo e podem favorecer microcanais; manter largura que permita rejunte bem compactado e contínuo.

Referência rápida (uso comum em obra)

Tipo de peça / condiçãoJunta típica (faixa prática)Observação
Retificado interno (controle bom de lote e execução)1,5 a 2 mmExige peças bem regulares e assentamento cuidadoso.
Não retificado interno3 a 5 mmAjuda a “absorver” irregularidades de borda.
Peças grandes (placas maiores) em geral2 a 3 mm (ret.) / 3 a 5 mm (não ret.)Evitar junta mínima “no limite” se houver variação dimensional.
Externo / sol / grandes panos3 a 5 mm (ou mais, conforme projeto)Maior movimentação térmica pede junta mais segura.

Boa prática: antes de definir a junta, faça um “ensaio a seco” com 6 a 10 peças do mesmo lote (misturando caixas) e verifique se as bordas “casam” bem. Se houver diferença perceptível, aumente a junta para reduzir o efeito visual e facilitar o alinhamento.

Passo a passo: usando espaçadores para manter junta constante

1) Defina a junta e separe o tipo de espaçador

  • Escolha a largura (ex.: 2 mm, 3 mm, 5 mm) conforme critérios acima.
  • Use espaçadores do tipo adequado ao padrão: cruzeta (encontro de 4 peças), “T” (bordas e amarrações), cunha/clip quando combinado com sistemas de nivelamento (sem confundir função).

2) Posicione os espaçadores sempre no mesmo ponto

  • Coloque a cruzeta próxima aos cantos, mantendo distância semelhante em todas as peças.
  • Evite “enterrar” o espaçador no local onde o rejunte precisa preencher: o ideal é que ele não impeça a profundidade útil da junta.

3) Controle a junta durante o assentamento

  • Após assentar a peça, confira se a junta ficou aberta e uniforme em todo o perímetro.
  • Se a peça “fechar” a junta ao bater/ajustar, reposicione antes da pega.

4) Retire espaçadores no momento correto

  • Remova após a argamassa ganhar firmeza (sem deslocar a peça), antes do rejuntamento.
  • Não deixe espaçador “perdido” dentro da junta: ele reduz a seção de rejunte e pode criar caminho para infiltração.

Juntas perimetrais e de dessolidarização: onde e como executar

Juntas perimetrais (também chamadas de juntas de dessolidarização no contorno) são folgas deixadas entre o revestimento e elementos fixos: paredes, pilares, rodapés, batentes, soleiras, colunas, muretas, ralos lineares com moldura rígida, entre outros. A função é evitar que o revestimento fique “travado” e não consiga acomodar dilatações, retrações e pequenas movimentações da estrutura.

Regra prática essencial

Nunca rejuntar encostado em paredes/estruturas. O rejunte rígido no perímetro transforma o pano em uma peça “presa”, aumentando tensões internas.

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Como fazer (passo a passo)

  1. Prever a folga perimetral: deixe um vão contínuo no contorno do pano (comumente alguns milímetros, compatível com o acabamento e com a movimentação esperada).
  2. Manter a junta limpa: não permitir que argamassa colante ou rejunte preencham totalmente o perímetro. Use espátula/estilete para limpar excessos antes de endurecer.
  3. Preencher com material flexível: aplicar selante elástico (ex.: PU ou silicone neutro adequado ao ambiente) e, quando necessário, usar cordão de polietileno (backer rod) para controlar profundidade e evitar aderência em três faces.
  4. Acabamento: alisar o selante para formar um filete contínuo, sem falhas e sem “buracos”.

Pontos típicos onde a dessolidarização é obrigatória

  • Encontro piso–parede em todo o perímetro do ambiente.
  • Encontro do revestimento com pilares, vigas aparentes, muretas e elementos estruturais.
  • Transição com outros materiais (madeira, vinílico, granito, concreto aparente).
  • Contorno de caixas, tampas e molduras rígidas (quando não houver perfil específico).

Juntas de movimentação: quando prever e como tratar

Juntas de movimentação são interrupções planejadas no revestimento para absorver deformações do conjunto (variação térmica, retração, vibração, movimentação da estrutura). Diferem das juntas comuns de assentamento (entre peças) porque são mais “estruturais” e devem ser preenchidas com material flexível, não com rejunte rígido.

Onde prever juntas de movimentação (situações comuns)

  • Grandes panos contínuos: quanto maior a área sem interrupção, maior a necessidade de “alívio” por juntas.
  • Áreas externas e fachadas: maior variação térmica e incidência solar exigem mais cuidado.
  • Transições: mudança de ambiente, mudança de base, encontro de áreas com diferentes condições (sol/sombra, interno/externo).
  • Em torno de elementos que “cortam” o pano: pilares, shafts, ralos lineares longos, grelhas, juntas estruturais existentes.
  • Onde já existe junta na base/estrutura: a junta do revestimento deve respeitar e “subir” alinhada com a junta do substrato (não pode ser “ponteada” com placa e rejunte rígido).

Como executar (passo a passo)

  1. Marcar e alinhar: defina o traçado das juntas de movimentação de forma alinhada à paginação para ficar discreto e funcional.
  2. Garantir abertura contínua: a junta deve atravessar o revestimento no local previsto, sem “fechar” em trechos.
  3. Limpar e preparar: remover resíduos e poeira; a superfície deve estar seca e limpa para boa adesão do selante.
  4. Controlar profundidade: inserir cordão de polietileno quando necessário para limitar a profundidade do selante e evitar aderência em três faces (o selante deve trabalhar em deformação).
  5. Aplicar selante flexível: usar selante apropriado ao ambiente (interno/externo, UV, umidade), formando um cordão contínuo.
  6. Acabamento e cura: alisar e respeitar o tempo de cura antes de lavar ou submeter a tráfego/água.

Erros frequentes e como evitar

  • Junta “mínima” sem critério: escolher 1 mm apenas por estética, ignorando variação dimensional e ambiente. Como evitar: ensaio a seco e ajuste da junta conforme o lote e o local.
  • Encostar peça na parede e rejuntar rígido no perímetro: trava o pano. Como evitar: deixar folga perimetral e selar com material flexível.
  • Preencher junta de movimentação com rejunte cimentício/epóxi rígido: perde a função de absorver movimento. Como evitar: usar selante elástico e backer rod quando aplicável.
  • Deixar espaçador dentro da junta: reduz seção de rejunte e cria ponto fraco. Como evitar: retirar no tempo correto e limpar a junta.
  • Junta suja/rasteira: pouca profundidade útil para rejunte/selante. Como evitar: limpar excessos de argamassa e garantir seção adequada.

Consequências de não respeitar juntas (o que costuma aparecer na obra)

  • Estufamento (levantamento do piso): o revestimento dilata e, sem espaço para acomodar, “empurra” até descolar ou criar barrigas.
  • Trincas no rejunte e/ou nas peças: tensões se concentram nas bordas e cantos, gerando fissuras.
  • Destacamentos: perda de aderência localizada ou em placas inteiras, muitas vezes iniciando em pontos travados (perímetro, pilares, soleiras).
  • Infiltrações: juntas mal preenchidas, com espaçadores esquecidos ou com trincas, viram caminho para água; em áreas molhadas isso acelera manchas, mofo e degradação do sistema.

Agora responda o exercício sobre o conteúdo:

Ao executar o assentamento, qual medida garante que o revestimento não fique “travado” no contorno e consiga acomodar movimentações sem gerar tensões?

Você acertou! Parabéns, agora siga para a próxima página

Você errou! Tente novamente.

A dessolidarização no perímetro evita que o pano fique preso a elementos fixos. A folga deve permanecer limpa e ser preenchida com selante elástico; quando necessário, o cordão de polietileno controla a profundidade e evita aderência em três faces.

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