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Preparatório para o Concurso da Escola de Aprendizes-Marinheiros (EAM - Marinha do Brasil)

Novo curso

10 páginas

EAM: Avaliação Psicológica e aspectos comportamentais exigidos

Capítulo 8

Tempo estimado de leitura: 10 minutos

+ Exercício

Objetivo da avaliação psicológica no contexto militar

A avaliação psicológica em seleções militares busca verificar se o candidato apresenta condições psicológicas e comportamentais compatíveis com a rotina e as exigências do serviço: disciplina, cumprimento de normas, convivência em equipe, tomada de decisão sob pressão e manutenção do autocontrole. Não se trata de “pegar” o candidato, nem de medir valor pessoal, e sim de identificar se há aderência entre o perfil do candidato e as demandas do ambiente militar.

Na prática, a avaliação procura reduzir riscos operacionais e de convivência, observando como a pessoa tende a agir em situações de estresse, hierarquia, cobrança, privação de conforto e necessidade de cooperação. Por isso, consistência entre o que você diz e o que demonstra (postura, coerência, responsabilidade) costuma ser tão importante quanto “acertar” respostas.

Instrumentos que podem ser utilizados

Entrevista psicológica

É uma conversa estruturada ou semiestruturada conduzida por psicólogo, com perguntas sobre histórico de vida, rotina, estudos, trabalho, relações, manejo de conflitos e expectativas. O foco é entender padrões de comportamento, maturidade, responsabilidade e como você lida com regras e frustrações.

  • O que costuma ser observado: clareza ao falar, coerência, capacidade de reconhecer limites, postura respeitosa, estabilidade emocional, senso de responsabilidade e aderência à hierarquia.
  • O que pode aparecer: perguntas sobre situações difíceis vividas, como você reagiu, o que aprendeu, como se organiza e como lida com críticas.

Testes psicológicos padronizados

São instrumentos com aplicação e correção padronizadas, aprovados para uso profissional, que podem avaliar traços de personalidade, atenção, raciocínio, controle emocional e outros indicadores relevantes. Podem ser individuais ou em grupo, com tempo definido e regras claras.

  • Exemplos de formatos: questionários de autorrelato (itens do tipo “concordo/discordo”), tarefas de atenção (marcar estímulos corretos sob tempo), testes de raciocínio (padrões, sequências), e instrumentos projetivos (quando aplicáveis).
  • Ponto-chave: não existe “macete” seguro. Responder tentando adivinhar o “perfil ideal” aumenta risco de inconsistência (respostas contraditórias) e pode prejudicar o resultado.

Observação comportamental e dinâmica (quando houver)

Em algumas avaliações, pode haver atividades em grupo, simulações ou tarefas com instruções para observar cooperação, liderança, respeito às regras, comunicação e controle emocional.

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  • O que costuma ser observado: ouvir antes de falar, contribuir sem impor, cumprir regras, tolerar frustração, manter respeito e foco na tarefa.

Dimensões frequentemente observadas

Atenção e concentração

Envolve manter foco, seguir instruções, evitar impulsividade e reduzir erros por pressa. No contexto militar, atenção é essencial para segurança, execução de procedimentos e cumprimento de ordens.

  • Indicadores positivos: ler instruções até o fim, conferir respostas, manter ritmo estável, evitar distrações.
  • Erros comuns: começar antes de entender a tarefa, pular etapas, marcar respostas sem conferir.

Responsabilidade e disciplina

Refere-se a cumprir regras, assumir consequências, manter rotina e entregar o que foi combinado. A avaliação pode buscar evidências de organização, pontualidade e compromisso.

  • Indicadores positivos: relatar hábitos consistentes (estudo, trabalho, treino), reconhecer falhas e mostrar como corrige.
  • Alerta: justificar tudo com fatores externos, sem assumir parte da responsabilidade, pode soar como baixa autocrítica.

Controle emocional e tolerância ao estresse

É a capacidade de manter comportamento adequado sob pressão, lidar com frustração e responder a críticas sem agressividade ou desorganização. Não significa “não sentir”, e sim regular reações.

  • Indicadores positivos: descrever estratégias realistas (respiração, pausa, planejamento, pedir orientação), manter tom de voz estável.
  • Erros comuns: respostas extremas (“nunca fico nervoso”, “sempre explodo”), que podem parecer pouco realistas.

Trabalho em equipe e convivência

O ambiente militar exige cooperação, respeito à hierarquia e convivência com perfis diferentes. A avaliação pode observar como você se comunica, resolve conflitos e aceita orientações.

  • Indicadores positivos: ouvir, negociar, cumprir funções, reconhecer mérito do grupo, aceitar correções.
  • Erros comuns: postura competitiva excessiva, desqualificar colegas, dificuldade em receber feedback.

Postura, comunicação e conduta ética durante a avaliação

Postura e apresentação

  • Pontualidade: chegue com antecedência para reduzir ansiedade e evitar pressa.
  • Comportamento: mantenha postura respeitosa, evite interrupções, siga instruções com atenção.
  • Autocontrole: se errar uma questão ou se confundir, retome com calma; a forma de lidar com o erro também comunica maturidade.

Comunicação clara (o que dizer e como dizer)

Respostas claras tendem a ser: objetivas, coerentes, com exemplos e sem contradições. Uma técnica simples é organizar a fala em três partes: situação, ação, resultado/aprendizado.

  • Situação: descreva o contexto em uma frase.
  • Ação: diga o que você fez (comportamentos observáveis).
  • Resultado/aprendizado: mostre o que aconteceu e o que você ajustou depois.

Evite discursos longos e genéricos. Quando não souber ou não lembrar um detalhe, diga isso com naturalidade e foque no essencial, sem inventar informações.

Conduta ética e limites importantes

  • Não tente “burlar” testes: responder para parecer alguém que você não é pode gerar inconsistência.
  • Não prometa resultados: não existe garantia de aprovação por “falar certo”. O objetivo é apresentar-se com autenticidade e coerência.
  • Seja verdadeiro sobre sua rotina: exageros (por exemplo, “estudo 10 horas todos os dias sem falhar”) podem soar inverossímeis se não houver sustentação.
  • Respeite confidencialidade e regras: não comente conteúdo específico de testes como se fosse “gabarito”; foque em preparação comportamental.

Passo a passo prático de preparação comportamental

1) Faça um diagnóstico da sua rotina e do seu comportamento

Liste situações recentes em que você demonstrou disciplina, cooperação, controle emocional e responsabilidade. Use fatos concretos (estudo, trabalho, família, esporte, projetos).

  • Exemplo de registro: “Atrasava em X; ajustei horário e passei a chegar 15 min antes; mantive por 3 meses”.

2) Treine respostas com estrutura (situação → ação → resultado/aprendizado)

Escolha 6 a 10 situações reais e treine explicar cada uma em 30 a 60 segundos. O objetivo é reduzir ansiedade e aumentar clareza, sem decorar frases.

  • Situações sugeridas: receber crítica, trabalhar com alguém difícil, corrigir um erro, lidar com pressão de prazo, seguir regras mesmo discordando, ajudar um colega.

3) Pratique controle de ansiedade antes e durante

Use estratégias simples e discretas: respiração lenta (inspirar 4 segundos, soltar 6), relaxar ombros, ler instruções duas vezes, começar pelo que você entendeu melhor.

  • Durante testes de atenção: mantenha ritmo constante; se perder uma linha, volte ao último ponto seguro e continue.

4) Prepare coerência entre fala e atitude

Se você diz que é disciplinado, demonstre isso: siga regras, não discuta instruções, mantenha educação, organize documentos e horários. Coerência é observável.

5) Revise pontos sensíveis com honestidade e maturidade

Se houver algo que você considera uma dificuldade (por exemplo, nervosismo em prova, timidez, impaciência), prepare como explicar: reconheça, diga o que faz para melhorar e mostre evolução.

  • Modelo: “Eu ficava ansioso em avaliações; percebi que isso me fazia acelerar; passei a treinar simulado com tempo e usar respiração; hoje consigo manter o ritmo e revisar no final.”

Exemplos de situações avaliadas e como responder com clareza e coerência

Situação 1: “Conte uma situação em que você recebeu uma ordem com a qual não concordava.”

Resposta clara (exemplo): “No trabalho, recebi uma orientação para mudar a forma de registrar uma tarefa. Eu achava que o método anterior era mais rápido, mas segui a orientação, porque era o padrão da equipe. Depois, pedi um momento para entender o motivo e sugeri um ajuste para reduzir retrabalho. O resultado foi que eu me adaptei ao padrão e a equipe manteve consistência. Aprendi a executar primeiro e questionar de forma respeitosa no momento adequado.”

Situação 2: “Como você reage quando é criticado?”

Resposta clara (exemplo): “Eu procuro ouvir até o fim e entender o ponto específico. Se faz sentido, eu ajusto e acompanho se melhorou. Se eu não concordo, eu pergunto exemplos e tento alinhar expectativa. Já aconteceu de eu receber crítica sobre atraso; organizei meu horário e passei a chegar antes. Prefiro transformar a crítica em ação.”

Situação 3: “Você já cometeu um erro importante? O que fez?”

Resposta clara (exemplo): “Em um projeto escolar, eu deixei para revisar no fim e entreguei com um dado errado. Assim que percebi, avisei o responsável, corrigi e refiz a parte afetada. Depois disso, passei a revisar em duas etapas: uma revisão no meio e outra no final. Aprendi a não confiar só na pressa.”

Situação 4: “Como você lida com pressão e prazos?”

Resposta clara (exemplo): “Eu quebro a tarefa em etapas, defino prioridade e começo pelo que é mais crítico. Quando sinto ansiedade, eu desacelero para manter precisão. Em semana de prova, por exemplo, eu monto um cronograma e reviso por blocos curtos. Isso me ajuda a manter constância sem perder qualidade.”

Situação 5: “Como é seu comportamento em equipe?”

Resposta clara (exemplo): “Eu gosto de combinar responsabilidades e manter comunicação objetiva. Se alguém está com dificuldade, eu ofereço ajuda sem tomar o controle. Em um trabalho em grupo, eu fiquei responsável por organizar prazos e checar se todos tinham entendido. O grupo entregou no prazo e sem conflito porque as funções ficaram claras.”

Situação 6: “O que você faz quando percebe um colega descumprindo uma regra?”

Resposta clara (exemplo): “Eu avalio o risco e a gravidade. Se for algo simples, eu chamo a pessoa em particular e lembro a regra de forma respeitosa. Se for algo que comprometa segurança ou seja repetido, eu comunico ao responsável, porque regra existe para proteger o grupo. Eu evito exposição desnecessária, mas não ignoro.”

Situação 7: “Por que você quer seguir carreira militar?”

Resposta clara (exemplo): “Eu busco um ambiente com disciplina, rotina e propósito coletivo. Eu me identifico com a ideia de servir e com a necessidade de cumprir padrões. Tenho disposição para aprender, aceitar hierarquia e trabalhar em equipe, e venho me preparando para isso com estudo e hábitos de rotina.”

Situação 8: “Em um teste com tempo curto, você percebe que está errando. O que faz?”

Resposta clara (exemplo): “Eu paro por alguns segundos, releio a instrução e retomo com ritmo mais estável. Se eu perdi uma linha, volto ao último item que tenho certeza. Prefiro reduzir a velocidade e aumentar acerto do que continuar acelerando e acumular erro.”

Agora responda o exercício sobre o conteúdo:

Durante a avaliação psicológica para seleção militar, qual comportamento tende a ser mais adequado para demonstrar compatibilidade com a rotina e reduzir risco de inconsistências?

Você acertou! Parabéns, agora siga para a próxima página

Você errou! Tente novamente.

A avaliação busca identificar aderência ao ambiente militar. Coerência entre fala e atitude, clareza e exemplos reais ajudam a evitar contradições e evidenciam disciplina, responsabilidade, cooperação e autocontrole.

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EAM: Rotina de formação militar, disciplina e adaptação

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