Conceito: “rotas de drenagem” como mapas integrados
Em anatomia aplicada, é útil pensar a drenagem linfática como rotas previsíveis que conectam um território (pele, membro ou víscera) a estações linfonodais sucessivas e, por fim, a troncos linfáticos e grandes ductos. Neste capítulo, o foco é integrar essas rotas por regiões em mapas resumidos e fluxogramas, para orientar raciocínio clínico (ex.: edema, linfangite, metástase) e interpretação anatômica (ex.: qual cadeia é mais provável em uma lesão cutânea específica).
Para leitura rápida, use a lógica: território → linfonodos de primeira estação → cadeias profundas → troncos → ductos. Quando houver “atalhos” (vias alternativas), eles serão indicados como vias secundárias.
Mapa 1 — Membro superior (mão → cubitais → axilares)
Fluxograma principal
Mão/dedos (rede superficial e profunda) → vasos coletores do antebraço → linfonodos cubitais (epitrocleares) → linfonodos axilares → tronco subclávio
Mapa resumido por territórios
Território
Primeira estação mais provável
Sequência típica
Observação anatômica útil
Face medial do antebraço e mão (trajeto próximo à veia basílica)
Cubitais (epitrocleares)
Cubitais → axilares
Clássico em infecções/lesões do lado ulnar; cubitais ficam próximos ao epicôndilo medial
Face lateral do antebraço e mão (trajeto próximo à veia cefálica)
Axilares (via deltopeitoral pode intermediar)
Axilares (± deltopeitorais) → tronco subclávio
Via cefálica pode “pular” cubitais; importante em drenagem do lado radial
Edema profundo pode não cursar com linfonodos superficiais evidentes
Passo a passo prático (como inferir a rota a partir de uma lesão)
1) Localize o território: radial (lateral) vs ulnar (medial) e se é superficial vs profundo.
2) Associe ao “eixo venoso” superficial: basílica (medial) tende a conduzir para cubitais; cefálica (lateral) tende a conduzir para axilares (com possível estação deltopeitoral).
3) Projete a cadeia seguinte: após cubitais, a drenagem converge para axilares.
4) Verifique coerência anatômica: dor/linfangite em trajeto linear no antebraço sugere vasos superficiais; edema profundo sugere coletores profundos.
Casos anatômicos guiados
Caso A: ferida infectada na borda ulnar da mão (região do 5º dedo). Rota provável: mão (ulnar) → coletores junto à veia basílica → cubitais → axilares.
Caso B: lesão cutânea no dorso do polegar (território radial). Rota provável: coletores laterais (cefálica) → axilares (± deltopeitorais) → tronco subclávio.
Borda lateral do pé e face póstero-lateral da perna (trajeto da veia safena parva)
Poplíteos
Poplíteos → inguinais profundos → ilíacos
Poplíteos são chave em lesões do território da safena parva
Maior parte do membro inferior superficial (trajeto da veia safena magna)
Inguinais (predomínio superficial; conexão com profundos)
Inguinais → ilíacos
Mesmo quando a primeira estação é inguinal, a via profunda converge para ilíacos
Profundo (acompanha artérias tibiais/femoral)
Poplíteos e/ou profundos femorais
Poplíteos → inguinais profundos → ilíacos
Edema pós-trauma profundo pode envolver cadeias profundas sem grande linfangite superficial
Passo a passo prático (raciocínio por “eixo safeno”)
1) Identifique se a lesão está no território da safena parva (lateral do pé/panturrilha posterior). Se sim, pense primeiro em poplíteos.
2) Se a lesão está no território da safena magna (medial do pé/perna/coxa), pense em inguinais como estação inicial mais comum.
3) Projete o caminho profundo: quando a drenagem “entra” no sistema profundo, a sequência típica segue para inguinais profundos e depois ilíacos.
4) Correlacione com achados: dor na fossa poplítea com lesão lateral do pé reforça poplíteos; massa inguinal dolorosa com lesão medial sugere inguinais.
Casos anatômicos guiados
Caso C: celulite na borda lateral do pé (próxima ao 5º metatarso). Rota provável: pé lateral → poplíteos → inguinais profundos → ilíacos.
Caso D: úlcera cutânea na face medial da perna. Rota provável: coletores mediais (safena magna) → inguinais → ilíacos.
Proximidade com prolongamento axilar e parede lateral do tórax
Quadrantes mediais
Mamária interna
Mamários internos (paraesternais)
Ao longo dos vasos torácicos internos, próximo ao esterno
Pele da mama (superficial)
Axilar ± paraesternal
Axilares e/ou mamários internos
Rede superficial pode cruzar a linha média, explicando drenagem contralateral em alguns casos
Região profunda/retroareolar
Mista
Axilares e mamários internos
Convergência para plexos profundos com múltiplas saídas
Passo a passo prático (lesão por quadrante)
1) Determine o quadrante: lateral sugere via axilar; medial sugere via mamária interna.
2) Defina o plano: pele (superficial) pode ter rotas mais variáveis; parênquima (profundo) segue rotas principais.
3) Projete a cadeia de segunda ordem: via axilar progride para cadeias superiores; via mamária interna progride para linfonodos mediastinais anteriores.
Casos anatômicos guiados
Caso E: lesão cutânea no quadrante superolateral. Rota provável: mama lateral → axilares.
Caso F: nódulo no quadrante inferomedial. Rota provável: mama medial → mamários internos (paraesternais) → cadeias mediastinais anteriores.
Checklist de terminologia e orientação espacial (para evitar erros comuns)
“Primeira estação”: o primeiro grupo linfonodal mais provável para um território (não significa exclusividade).
Superficial vs profundo: superficial costuma acompanhar veias superficiais; profundo acompanha artérias e planos musculares.
Convergência: rotas periféricas tendem a convergir em cadeias profundas e troncos linfáticos.
Vias alternativas: especialmente em mama e membro superior lateral, podem existir caminhos que “encurtam” a rota esperada.
Agora responda o exercício sobre o conteúdo:
Uma lesão cutânea localizada no dorso do polegar (território radial do membro superior) tende a drenar linfaticamente primeiro para qual grupo linfonodal, considerando a rota superficial típica?
Você acertou! Parabéns, agora siga para a próxima página
Você errou! Tente novamente.
No território radial, os coletores superficiais tendem a acompanhar a veia cefálica, podendo “pular” os cubitais e chegar aos axilares; em alguns casos, a via deltopeitoral pode intermediar antes de convergir ao tronco subclávio.