Drenagens linfáticas principais por regiões: mapas anatômicos integrados

Capítulo 11

Tempo estimado de leitura: 9 minutos

+ Exercício

Conceito: “rotas de drenagem” como mapas integrados

Em anatomia aplicada, é útil pensar a drenagem linfática como rotas previsíveis que conectam um território (pele, membro ou víscera) a estações linfonodais sucessivas e, por fim, a troncos linfáticos e grandes ductos. Neste capítulo, o foco é integrar essas rotas por regiões em mapas resumidos e fluxogramas, para orientar raciocínio clínico (ex.: edema, linfangite, metástase) e interpretação anatômica (ex.: qual cadeia é mais provável em uma lesão cutânea específica).

Para leitura rápida, use a lógica: território → linfonodos de primeira estação → cadeias profundas → troncos → ductos. Quando houver “atalhos” (vias alternativas), eles serão indicados como vias secundárias.

Mapa 1 — Membro superior (mão → cubitais → axilares)

Fluxograma principal

Mão/dedos (rede superficial e profunda) → vasos coletores do antebraço → linfonodos cubitais (epitrocleares) → linfonodos axilares → tronco subclávio

Mapa resumido por territórios

TerritórioPrimeira estação mais provávelSequência típicaObservação anatômica útil
Face medial do antebraço e mão (trajeto próximo à veia basílica)Cubitais (epitrocleares)Cubitais → axilaresClássico em infecções/lesões do lado ulnar; cubitais ficam próximos ao epicôndilo medial
Face lateral do antebraço e mão (trajeto próximo à veia cefálica)Axilares (via deltopeitoral pode intermediar)Axilares (± deltopeitorais) → tronco subclávioVia cefálica pode “pular” cubitais; importante em drenagem do lado radial
Profundo (músculos, articulações; acompanha artérias)Linfonodos profundos do braço/axilaProfundos → axilaresEdema profundo pode não cursar com linfonodos superficiais evidentes

Passo a passo prático (como inferir a rota a partir de uma lesão)

  • 1) Localize o território: radial (lateral) vs ulnar (medial) e se é superficial vs profundo.
  • 2) Associe ao “eixo venoso” superficial: basílica (medial) tende a conduzir para cubitais; cefálica (lateral) tende a conduzir para axilares (com possível estação deltopeitoral).
  • 3) Projete a cadeia seguinte: após cubitais, a drenagem converge para axilares.
  • 4) Verifique coerência anatômica: dor/linfangite em trajeto linear no antebraço sugere vasos superficiais; edema profundo sugere coletores profundos.

Casos anatômicos guiados

  • Caso A: ferida infectada na borda ulnar da mão (região do 5º dedo). Rota provável: mão (ulnar) → coletores junto à veia basílica → cubitaisaxilares.
  • Caso B: lesão cutânea no dorso do polegar (território radial). Rota provável: coletores laterais (cefálica) → axilares (± deltopeitorais) → tronco subclávio.

Mapa 2 — Membro inferior (pé → poplíteos → inguinais profundos → ilíacos)

Fluxograma principal

Pé/perna → linfonodos poplíteos → linfonodos inguinais profundos → linfonodos ilíacos → troncos lombares

Mapa resumido por territórios

TerritórioPrimeira estação mais provávelSequência típicaObservação anatômica útil
Borda lateral do pé e face póstero-lateral da perna (trajeto da veia safena parva)PoplíteosPoplíteos → inguinais profundos → ilíacosPoplíteos são chave em lesões do território da safena parva
Maior parte do membro inferior superficial (trajeto da veia safena magna)Inguinais (predomínio superficial; conexão com profundos)Inguinais → ilíacosMesmo quando a primeira estação é inguinal, a via profunda converge para ilíacos
Profundo (acompanha artérias tibiais/femoral)Poplíteos e/ou profundos femoraisPoplíteos → inguinais profundos → ilíacosEdema pós-trauma profundo pode envolver cadeias profundas sem grande linfangite superficial

Passo a passo prático (raciocínio por “eixo safeno”)

  • 1) Identifique se a lesão está no território da safena parva (lateral do pé/panturrilha posterior). Se sim, pense primeiro em poplíteos.
  • 2) Se a lesão está no território da safena magna (medial do pé/perna/coxa), pense em inguinais como estação inicial mais comum.
  • 3) Projete o caminho profundo: quando a drenagem “entra” no sistema profundo, a sequência típica segue para inguinais profundos e depois ilíacos.
  • 4) Correlacione com achados: dor na fossa poplítea com lesão lateral do pé reforça poplíteos; massa inguinal dolorosa com lesão medial sugere inguinais.

Casos anatômicos guiados

  • Caso C: celulite na borda lateral do pé (próxima ao 5º metatarso). Rota provável: pé lateral → poplíteosinguinais profundosilíacos.
  • Caso D: úlcera cutânea na face medial da perna. Rota provável: coletores mediais (safena magna) → inguinaisilíacos.

Mapa 3 — Mama (axilar e mamária interna)

Fluxograma integrado (duas vias principais)

Mama (parênquima e pele) → (A) linfonodos axilares → tronco subclávio  |  (B) linfonodos mamários internos (paraesternais) → troncos mediastinais → ductos

Mapa resumido por quadrantes e planos

Região da mamaVia predominanteEstação provávelPonto anatômico de referência
Quadrantes laterais (especialmente superolateral)AxilarAxilaresProximidade com prolongamento axilar e parede lateral do tórax
Quadrantes mediaisMamária internaMamários internos (paraesternais)Ao longo dos vasos torácicos internos, próximo ao esterno
Pele da mama (superficial)Axilar ± paraesternalAxilares e/ou mamários internosRede superficial pode cruzar a linha média, explicando drenagem contralateral em alguns casos
Região profunda/retroareolarMistaAxilares e mamários internosConvergência para plexos profundos com múltiplas saídas

Passo a passo prático (lesão por quadrante)

  • 1) Determine o quadrante: lateral sugere via axilar; medial sugere via mamária interna.
  • 2) Defina o plano: pele (superficial) pode ter rotas mais variáveis; parênquima (profundo) segue rotas principais.
  • 3) Projete a cadeia de segunda ordem: via axilar progride para cadeias superiores; via mamária interna progride para linfonodos mediastinais anteriores.

Casos anatômicos guiados

  • Caso E: lesão cutânea no quadrante superolateral. Rota provável: mama lateral → axilares.
  • Caso F: nódulo no quadrante inferomedial. Rota provável: mama medial → mamários internos (paraesternais) → cadeias mediastinais anteriores.

Mapa 4 — Cabeça e pescoço (cadeias superficiais → profundas → tronco jugular)

Fluxograma principal

Territórios superficiais da cabeça/pescoço → cadeias cervicais superficiais → cadeias cervicais profundas → tronco jugular

Mapa funcional por “camadas”

Camada/territórioPrimeira estação (conceito)Próxima etapaRelação anatômica-chave
Couro cabeludo e face superficialCadeias superficiaisCervicais profundasSuperficiais drenam para profundas ao longo de vasos cervicais
Estruturas profundas (faringe/laringe e planos profundos)Cervicais profundasTronco jugularProfundas acompanham a bainha carotídea e grandes vasos do pescoço

Passo a passo prático (raciocínio em “escada”)

  • 1) Pergunte se o foco é superficial (pele/couro cabeludo) ou profundo (mucosas/planos profundos).
  • 2) Se superficial, espere passagem por cadeias superficiais antes de convergir para profundas.
  • 3) Se profundo, considere cadeias profundas como primeira estação mais provável.
  • 4) Final comum: convergência para o tronco jugular.

Casos anatômicos guiados

  • Caso G: lesão cutânea no couro cabeludo posterior. Rota provável: território superficial → cadeias superficiaiscadeias profundastronco jugular.
  • Caso H: processo inflamatório profundo em orofaringe. Rota provável: drenagem profunda → cadeias cervicais profundastronco jugular.

Mapa 5 — Pulmões (hilares → traqueobrônquicos)

Fluxograma principal

Pulmão (parênquima/pleura visceral) → linfonodos hilares (broncopulmonares) → linfonodos traqueobrônquicos → troncos broncomediastinais

Mapa resumido por compartimentos

OrigemPrimeira estaçãoSegunda estaçãoRelação anatômica útil
Parênquima pulmonarHilaresTraqueobrônquicosHilo é “portal” de convergência: brônquios, vasos e linfáticos
Árvore brônquica proximalHilares/traqueobrônquicosTraqueobrônquicos superioresLinfonodos ao redor da carina e traqueia são pontos frequentes de aumento reacional

Passo a passo prático (imagem mental do hilo)

  • 1) Localize o foco: parênquima periférico vs próximo a brônquios maiores.
  • 2) Projete a primeira estação: quase sempre converge para hilares.
  • 3) Projete a progressão: do hilo para traqueobrônquicos (especialmente região da carina).

Casos anatômicos guiados

  • Caso I: pneumonia lobar com linfonodomegalia reacional esperada. Rota provável: pulmão → hilarestraqueobrônquicos.
  • Caso J: lesão próxima ao brônquio principal. Rota provável: drenagem precoce para hilares e rapidamente para traqueobrônquicos.

Mapa 6 — Abdome (pré-aórticos/para-aórticos → ducto torácico)

Fluxograma principal

Vísceras abdominais → linfonodos pré-aórticos e/ou para-aórticos → troncos lombares → ducto torácico

Mapa resumido por lógica “visceral vs parede”

OrigemGrupo linfonodal predominanteEtapa seguinteComo lembrar
Vísceras abdominais (trato gastrointestinal e órgãos associados)Pré-aórticosTroncos lombares → ducto torácico“Pré-aórtico = visceral” (associado a ramos viscerais da aorta)
Parede posterior e estruturas profundas retroperitoneaisPara-aórticosTroncos lombares → ducto torácico“Para-aórtico = ao lado da aorta” (cadeia longitudinal)
Pelves e membros inferiores (convergência superior)Ilíacos → para-aórticosTroncos lombares → ducto torácicoIlíacos funcionam como ponte entre território inferior e cadeias abdominais

Passo a passo prático (do órgão ao eixo aórtico)

  • 1) Defina se a origem é visceral (órgão) ou parietal/retroperitoneal.
  • 2) Se visceral, priorize pré-aórticos; se retroperitoneal/parede posterior, priorize para-aórticos.
  • 3) Projete a convergência: ambos tendem a convergir para troncos lombares e seguir para o ducto torácico.
  • 4) Integre com rotas inferiores: membro inferior e pelve chegam aos ilíacos antes de alcançar cadeias abdominais superiores.

Casos anatômicos guiados

  • Caso K: processo inflamatório em alça intestinal. Rota provável: víscera → pré-aórticos → troncos lombares → ducto torácico.
  • Caso L: lesão profunda retroperitoneal. Rota provável: retroperitônio → para-aórticos → troncos lombares → ducto torácico.

Fluxogramas integrados (visão “de uma página”)

Rotas dos membros

Membro superior: mão → cubitais → axilares → tronco subclávio  (via lateral pode ir direto a axilares ± deltopeitorais) Membro inferior: pé → poplíteos → inguinais profundos → ilíacos → troncos lombares

Rotas torácicas

Mama: lateral → axilares | medial → mamários internos Pulmões: hilares → traqueobrônquicos → troncos broncomediastinais

Rotas cervicais e abdominais

Cabeça/pescoço: superficiais → profundas → tronco jugular Abdome: pré-aórticos/para-aórticos → troncos lombares → ducto torácico

Checklist de terminologia e orientação espacial (para evitar erros comuns)

  • “Primeira estação”: o primeiro grupo linfonodal mais provável para um território (não significa exclusividade).
  • Superficial vs profundo: superficial costuma acompanhar veias superficiais; profundo acompanha artérias e planos musculares.
  • Convergência: rotas periféricas tendem a convergir em cadeias profundas e troncos linfáticos.
  • Vias alternativas: especialmente em mama e membro superior lateral, podem existir caminhos que “encurtam” a rota esperada.

Agora responda o exercício sobre o conteúdo:

Uma lesão cutânea localizada no dorso do polegar (território radial do membro superior) tende a drenar linfaticamente primeiro para qual grupo linfonodal, considerando a rota superficial típica?

Você acertou! Parabéns, agora siga para a próxima página

Você errou! Tente novamente.

No território radial, os coletores superficiais tendem a acompanhar a veia cefálica, podendo “pular” os cubitais e chegar aos axilares; em alguns casos, a via deltopeitoral pode intermediar antes de convergir ao tronco subclávio.

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Baço: anatomia, hilo, vascularização e funções imunes

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