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PRF - Guia Completo de Preparação para o Concurso da Polícia Rodoviária Federal

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Direitos Humanos para PRF: fundamentos normativos e atuação policial

Capítulo 11

Tempo estimado de leitura: 13 minutos

+ Exercício

Em Direitos Humanos para a PRF, a banca costuma cobrar dois eixos ao mesmo tempo: (1) fundamentos normativos (Constituição, tratados e normas internas) e (2) aplicação concreta na atuação policial (abordagem, revista, uso da força, custódia, condução e atendimento ao público). O objetivo é compatibilizar segurança pública com direitos fundamentais, demonstrando legalidade, necessidade, proporcionalidade e respeito à dignidade.

1) Dignidade da pessoa humana: conceito e implicações operacionais

Conceito claro

Dignidade da pessoa humana é o reconhecimento de que toda pessoa tem valor intrínseco e deve ser tratada como um fim em si mesma, não como meio para atingir objetivos estatais. Na prática policial, isso se traduz em tratamento respeitoso, vedação de humilhações, discriminações e violência desnecessária, além de garantia de condições mínimas de integridade física e psíquica.

Aplicação prática na PRF

  • Comunicação respeitosa: linguagem objetiva, sem xingamentos, ameaças, ironias ou exposição pública desnecessária.
  • Minimização de constrangimento: evitar revistas em local de grande exposição quando houver alternativa segura; preservar intimidade.
  • Registro e transparência: anotar motivos da intervenção, medidas adotadas e eventuais resistências, para controle de legalidade.

Exemplo de item de prova (conceito)

Enunciado típico: “A dignidade da pessoa humana é princípio que pode ser relativizado quando houver suspeita de crime, autorizando tratamento degradante para obtenção de informação.” Como resolver: é falso. Suspeita não autoriza tratamento degradante; a vedação de tortura e tratamento desumano/degradante é absoluta.

2) Marcos normativos mais cobrados: leitura orientada (o que observar)

Em concursos, “leitura orientada” significa saber localizar o núcleo do comando normativo (o que é proibido, o que é obrigatório, quais garantias são inderrogáveis) e aplicar a situações de abordagem, condução e custódia.

Constituição Federal (foco em comandos operacionais)

  • Vedação de tortura e tratamento desumano/degradante: proibição absoluta; não depende de “situação excepcional”.
  • Inviolabilidade da intimidade, vida privada, honra e imagem: impacta exposição pública, filmagens, divulgação indevida e revistas vexatórias.
  • Devido processo, contraditório e ampla defesa: orienta a atuação estatal para não produzir “punição informal” na rua.
  • Presunção de inocência: impede tratar o abordado como culpado; influencia linguagem, uso de algemas e exposição.

Tratados internacionais (princípios recorrentes em prova)

As bancas costumam cobrar a lógica dos tratados: proteção da integridade, garantias mínimas e proibição de violência estatal arbitrária. O candidato deve reconhecer princípios como legalidade, necessidade, proporcionalidade, não discriminação e proteção judicial.

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  • Proibição de tortura e maus-tratos: dever de prevenir, investigar e punir; não se admite justificativa por ordem superior.
  • Garantias judiciais e proteção judicial: direito a recurso efetivo e a tratamento compatível com a dignidade.
  • Não discriminação: atuação policial não pode se basear em raça, cor, origem, condição social, orientação, religião ou outros marcadores como critério único para suspeição.

Normas internas e diretrizes de uso da força (o que a banca explora)

Em geral, a cobrança se concentra em: escalonamento do uso da força, prioridade de meios não letais quando suficientes, dever de assistência e de comunicação, e responsabilização por excessos.

  • Legalidade: a intervenção deve ter base normativa e finalidade legítima.
  • Necessidade: usar força apenas quando indispensável para atingir objetivo legítimo.
  • Proporcionalidade: intensidade e meios compatíveis com o nível de resistência/ameaça.
  • Moderação: cessar a força quando cessar a ameaça.
  • Prestação de socorro: dever de providenciar atendimento quando houver feridos, inclusive do agressor.

3) Uso proporcional da força: passo a passo prático

Objetivo

Garantir segurança da equipe e de terceiros, controlar a situação e preservar direitos, reduzindo riscos de excesso e de nulidades/ responsabilizações.

Passo a passo (modelo aplicável em questões)

  • 1. Identificar a finalidade legítima: qual é o objetivo? (ex.: cessar agressão, impedir fuga perigosa, proteger terceiros, realizar prisão).
  • 2. Avaliar risco e resistência: cooperação, resistência passiva, resistência ativa, agressão com risco de lesão grave/morte.
  • 3. Priorizar verbalização e presença: comandos claros, identificação funcional quando possível, orientação sobre o que será feito.
  • 4. Escolher o menor meio eficaz: técnicas de controle e contenção adequadas ao nível de resistência; meios menos letais quando suficientes.
  • 5. Escalonar e reavaliar continuamente: se a resistência aumenta, ajusta-se; se diminui, reduz-se e cessa-se a força.
  • 6. Preservar integridade e dignidade: evitar golpes desnecessários, humilhação, exposição e sofrimento evitável.
  • 7. Após o controle, garantir assistência: checar lesões, acionar socorro, registrar e comunicar conforme protocolo.
  • 8. Documentar: relatar circunstâncias, resistência, meios utilizados, testemunhas e providências.

Exemplo de item de prova (proporcionalidade)

Enunciado típico: “Diante de resistência passiva (recusa em sair do veículo), é proporcional empregar força potencialmente letal para garantir cumprimento da ordem.” Como resolver: é falso. Resistência passiva exige meios graduais e menos gravosos; força potencialmente letal é medida extrema, vinculada a ameaça concreta de morte/lesão grave.

4) Proteção de grupos vulneráveis: parâmetros e condutas esperadas

Quem costuma aparecer em prova

  • Crianças e adolescentes
  • Mulheres (inclusive em situação de violência)
  • Pessoas idosas
  • Pessoas com deficiência
  • Pessoas LGBTQIA+
  • Pessoas em situação de rua
  • Imigrantes e refugiados
  • Povos indígenas e comunidades tradicionais

Regras práticas de atuação (sem “privilégios”, com proteção reforçada)

  • Não discriminação: suspeição não pode ser baseada apenas em aparência, origem, gênero, raça ou condição social.
  • Comunicação acessível: linguagem simples; quando necessário, apoio para barreiras de idioma/compreensão.
  • Proteção contra revitimização: em casos de violência, evitar perguntas humilhantes, exposição e contato desnecessário com agressor.
  • Revista com respeito: preservar intimidade; atenção a procedimentos com pessoas trans (evitar constrangimento e tratar com respeito, buscando solução operacional que minimize violação de direitos e maximize segurança).

Exemplo de item de prova (vulneráveis)

Enunciado típico: “A proteção de grupos vulneráveis autoriza a polícia a restringir direitos sem base legal, desde que para ‘evitar risco’.” Como resolver: falso. Proteção reforçada não substitui legalidade; restrições exigem fundamento e proporcionalidade.

5) Prevenção de tortura e tratamentos degradantes: sinais de risco e deveres

O que caracteriza (núcleo cobrado)

Provas costumam diferenciar: (a) tortura e (b) tratamentos cruéis, desumanos ou degradantes. O ponto central é que o Estado deve impedir sofrimento intencional ou humilhação, e não pode usar violência para obter confissão, informação, punição informal ou intimidação.

Deveres práticos na atuação

  • Proibir “corretivo”: qualquer punição física/psicológica informal é vedada.
  • Evitar exposição e humilhação: obrigar a ficar em posições dolorosas, xingamentos, ameaças, “passeio” para constranger, divulgação de imagens.
  • Controle de custódia: integridade do custodiado é responsabilidade do Estado; atenção a transporte, algemação e condições.
  • Comunicação e registro: relatar uso da força, lesões e providências de saúde; isso é prevenção e controle.

Exemplo de item de prova (ordem superior)

Enunciado típico: “O agente que pratica maus-tratos por ordem superior não responde, pois agiu em estrito cumprimento do dever legal.” Como resolver: falso. Ordem manifestamente ilegal não deve ser cumprida; tortura e maus-tratos não se legitimam por hierarquia.

6) Garantias processuais relevantes na rua: o que a banca transforma em pegadinha

Direitos do abordado/conduzido (foco prático)

  • Informação: explicar, quando possível, o motivo da abordagem e as medidas (ex.: revista, condução).
  • Integridade e respeito: proibição de violência desnecessária e de tratamento degradante.
  • Preservação de prova: evitar “forçar” narrativa; não induzir declarações; registrar fielmente.
  • Controle de legalidade: atos devem ser justificáveis e documentáveis; intervenções arbitrárias geram responsabilização e podem contaminar a prova.

Exemplo de item de prova (compatibilização)

Enunciado típico: “A eficiência da segurança pública autoriza flexibilizar garantias processuais, desde que o resultado seja a apreensão de ilícitos.” Como resolver: falso. Eficiência não autoriza violar garantias; a atuação deve ser legal e proporcional.

7) Abordagem e revista com respeito a direitos: passo a passo aplicável em questões

Abordagem veicular/pessoal (roteiro operacional compatível com direitos)

  • 1. Fundamento e objetivo: definir a razão (fiscalização, fundada suspeita, atendimento de ocorrência) e o que se busca (segurança, verificação, cessar risco).
  • 2. Segurança da equipe e do abordado: posicionamento, visibilidade das mãos, comandos claros, evitar escalada desnecessária.
  • 3. Identificação e comunicação: apresentar-se quando viável, orientar o procedimento e manter tom profissional.
  • 4. Revista pessoal: realizar quando houver justificativa de segurança (risco de arma/objeto perigoso) ou conforme hipótese legal; limitar-se ao necessário; evitar exposição.
  • 5. Busca no veículo/pertences: observar requisitos legais e finalidade; registrar o motivo e o que foi encontrado; preservar cadeia de custódia quando aplicável.
  • 6. Uso de algemas: excepcionalidade e justificativa (risco de fuga, perigo à integridade, resistência); registrar motivação.
  • 7. Encaminhamentos: se houver condução, garantir integridade, comunicação e providências; se não houver, liberar sem constrangimento adicional.

Revista vexatória e exposição: como a banca cobra

Questões costumam apresentar situações de humilhação (desnudamento desnecessário, exposição pública, comentários ofensivos) e perguntar se é “meio legítimo de segurança”. A resposta correta tende a apontar violação de dignidade e desproporcionalidade, exigindo alternativa menos gravosa e justificativa concreta.

8) Compatibilização entre segurança pública e direitos fundamentais: matriz de decisão para resolver questões

Matriz (use como checklist)

  • Base legal: existe hipótese normativa para a medida?
  • Finalidade legítima: qual risco/objetivo concreto?
  • Adequação: a medida contribui para o objetivo?
  • Necessidade: há meio menos gravoso igualmente eficaz?
  • Proporcionalidade em sentido estrito: o benefício supera o custo em direitos?
  • Controle e registro: a ação é justificável e documentável?

Exemplo de item de prova (aplicação da matriz)

Enunciado típico: “Em blitz, é lícito revistar todos os ocupantes de forma invasiva, sem justificativa individualizada, para maximizar apreensões.” Como resolver: tende a ser falso. Medidas invasivas exigem justificativa; a generalização sem necessidade viola proporcionalidade e dignidade.

9) Leitura orientada: como estudar dispositivos e princípios sem decorar “frases soltas”

Roteiro de leitura (para tratados e normas internas)

  • 1. Identifique o bem protegido: vida, integridade, liberdade, igualdade, devido processo.
  • 2. Marque verbos de comando: “proibir”, “garantir”, “assegurar”, “ninguém será”, “é vedado”.
  • 3. Separe regra e exceção: quando a norma admite restrição? quais condições?
  • 4. Traduza para a rua: qual conduta do policial muda por causa disso?
  • 5. Crie um exemplo e um contraexemplo: situação lícita vs. situação abusiva.

Mini-exercício (transformando norma em caso)

Norma/princípio: proibição de tratamento degradante. Exemplo lícito: contenção técnica proporcional diante de agressão, cessando ao cessar a ameaça, com registro e assistência. Exemplo ilícito: manter pessoa algemada e exposta ao ridículo para “dar exemplo”, sem necessidade operacional.

10) Casos e questões comentadas (estilo banca)

Caso 1: resistência passiva em fiscalização

Situação: condutor se recusa a sair do veículo, mas não agride nem tenta fugir; há trânsito intenso e risco de tumulto. Pergunta: qual conduta melhor compatibiliza segurança e direitos?

Comentário: aplicar verbalização e comandos claros, buscar reduzir risco do local (posicionamento seguro), escalar apenas o necessário para retirar o condutor com técnicas de controle proporcionais, evitando violência desnecessária. Registrar a resistência e as medidas. Força potencialmente letal ou agressões punitivas seriam desproporcionais.

Caso 2: revista e exposição pública

Situação: em abordagem, agente decide revistar pessoa em local aberto e movimentado, com comentários jocosos, filmando para “prova”. Pergunta: há violação de direitos humanos?

Comentário: sim. Mesmo quando a revista é justificável, deve preservar dignidade e intimidade, evitando exposição e humilhação. Comentários e filmagem para constranger caracterizam tratamento degradante e violam intimidade/imagem. O registro deve ser institucional e necessário, não vexatório.

Caso 3: custódia e integridade

Situação: após contenção, o custodiado apresenta lesão e dor; a equipe decide “deixar para depois” para não atrasar a ocorrência. Pergunta: qual dever imediato?

Comentário: providenciar assistência e registrar. A integridade do custodiado é dever do Estado; omissão pode configurar violação de direitos e gerar responsabilização. A força deve cessar quando cessar a ameaça, e o pós-evento inclui cuidado, comunicação e documentação.

Questão 1 (C/E): proporcionalidade

Item: “O princípio da proporcionalidade autoriza o uso de qualquer meio disponível, desde que o objetivo seja legítimo.” Gabarito: Errado. Proporcionalidade limita meios; exige adequação, necessidade e moderação.

Questão 2 (múltipla escolha): não discriminação

Enunciado: Em fiscalização, qual conduta é compatível com direitos humanos?

  • A) Selecionar abordagens exclusivamente por aparência e origem, pois é critério eficiente.
  • B) Abordar com base em critérios objetivos e comportamentais, comunicando o procedimento e evitando exposição desnecessária.
  • C) Expor o abordado em rede social para “inibir crimes”.
  • D) Manter algemas como regra, para facilitar o serviço.

Gabarito: B. Critérios objetivos e respeito à dignidade; exposição e algemação automática violam proporcionalidade e direitos.

Questão 3 (C/E): tortura e ordem superior

Item: “A vedação de tortura admite exceção em situações de grave ameaça à ordem pública, desde que determinada por superior hierárquico.” Gabarito: Errado. A proibição é absoluta; ordem superior não legitima.

Questão 4 (situação-problema): abordagem e revista

Situação: em blitz, passageiro faz movimento brusco em direção à cintura ao ver a equipe. Pergunta: é cabível revista pessoal? Qual limite?

Comentário: é cabível por razão de segurança (risco de arma/objeto perigoso), devendo limitar-se ao necessário, com técnica adequada, preservando dignidade e cessando a intervenção ao afastar o risco. Registrar a motivação (movimento suspeito e risco percebido) e o resultado.

Agora responda o exercício sobre o conteúdo:

Em uma blitz, um passageiro faz um movimento brusco em direção à cintura ao ver a equipe. Qual conduta é mais compatível com direitos humanos e com as diretrizes de atuação policial?

Você acertou! Parabéns, agora siga para a próxima página

Você errou! Tente novamente.

O movimento na direção da cintura pode justificar revista por segurança, mas a intervenção deve seguir legalidade, necessidade e proporcionalidade: menor meio eficaz, preservação da dignidade e registro. Força potencialmente letal é medida extrema e não se justifica sem ameaça concreta grave.

Próximo capitúlo

Ética e conduta profissional na PRF: deveres, vedações e responsabilizações

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