Diálogos Realistas: Simulações de Rádio na Aviação e no Mar

Capítulo 12

Tempo estimado de leitura: 16 minutos

+ Exercício

Como usar simulações para treinar fraseologia (conceito e método)

Simulações de rádio são roteiros completos que reproduzem a dinâmica real de uma frequência: chamadas, respostas, confirmações, correções e mudanças de situação. O objetivo não é “decorar frases”, e sim treinar tomada de decisão comunicacional sob carga de trabalho: dizer o essencial, no momento certo, com a menor ambiguidade possível.

Estrutura padrão de cada simulação

  • Objetivos: o que o aluno deve conseguir ao final (ex.: obter autorização, coordenar passagem, declarar urgência).
  • Dados do cenário: quem fala com quem, onde, condições, restrições e “gatilhos” (ex.: canal congestionado, meteorologia deteriorando).
  • Transcrição padrão: como deveria soar uma comunicação disciplinada.
  • Versão com erros: exemplos realistas de falhas (ambiguidade, excesso de palavras, falta de leitura de volta, uso indevido de frequência).
  • Comentários linha a linha: por que cada escolha foi feita e qual risco é evitado.
  • Role-play: papéis alternados e variações para repetir o treino.
  • Critérios de avaliação: clareza, completude, concisão e disciplina de frequência.

Passo a passo prático para treinar com os roteiros

  1. Leia os dados do cenário e marque: quem é a estação chamada, qual é a intenção principal e quais são os dados críticos (posição, nível/rumo, restrição, tempo).
  2. Faça uma primeira execução lenta (sem pressão), seguindo a transcrição padrão.
  3. Repita com tempo real: pausas curtas, sem “pensar no ar”. Se precisar pensar, pare de transmitir e retome com mensagem pronta.
  4. Execute a versão com erros e identifique: onde a mensagem ficou ambígua, longa ou incompleta.
  5. Reescreva a fala em uma frase mais curta mantendo os dados essenciais.
  6. Troque os papéis (piloto/controlador; navio/estação costeira; navio/navio) e repita.
  7. Avalie com a rubrica ao final de cada cenário e registre 1 melhoria para a próxima rodada.

Simulação 1 (rotineira): Aviação — saída VFR com instruções simples

Objetivos

  • Solicitar saída VFR e receber instruções iniciais.
  • Executar leitura de volta completa dos itens críticos.
  • Manter mensagem curta e ordenada.

Dados do cenário

  • Aeronave: PT-ABC, monomotor, no pátio do Aeródromo Alfa.
  • Intenção: saída VFR para o ponto de notificação BRAVO, depois seguir para cidade Delta.
  • ATIS/Informação: Informação KILO em vigor.
  • Controle: Alfa Solo e Alfa Torre.

Transcrição padrão (roteiro completo)

1) PT-ABC: Alfa Solo, PT-ABC, pátio aviação geral, informação KILO, solicito táxi para saída VFR via BRAVO, destino Delta. 2) Alfa Solo: PT-ABC, táxi para ponto de espera pista 18 via taxiway A, QNH 1015. 3) PT-ABC: Táxi ponto de espera pista 18 via A, QNH 1015, PT-ABC. 4) (Após táxi) PT-ABC: Alfa Torre, PT-ABC, ponto de espera pista 18, pronto para decolagem, saída VFR via BRAVO. 5) Alfa Torre: PT-ABC, alinhe e aguarde pista 18. 6) PT-ABC: Alinhar e aguardar pista 18, PT-ABC. 7) Alfa Torre: PT-ABC, autorizado decolar pista 18, vento 170/08, após decolagem prossiga BRAVO, mantenha 1500 pés. 8) PT-ABC: Autorizado decolar pista 18, após decolagem BRAVO, manter 1500 pés, PT-ABC.

Versão com erros (para treinar identificação)

1) PT-ABC: Alfa Solo, aqui é o PT-ABC, a gente tá no pátio e quer sair agora pra Delta, pode liberar? 2) Alfa Solo: PT-ABC, táxi pista 18 via A, QNH 1015. 3) PT-ABC: Copiado. 4) PT-ABC: Torre, PT-ABC, pronto. 5) Alfa Torre: PT-ABC, alinhe e aguarde. 6) PT-ABC: Ok. 7) Alfa Torre: PT-ABC, autorizado decolar, vento 170/08, mantenha 1500 pés e siga BRAVO. 8) PT-ABC: Beleza, decolando.

Comentários linha a linha (por que a fraseologia funciona)

  • Linha 1 (padrão): inclui estação chamada, identificação, posição, informação recebida e intenção. Isso reduz perguntas de retorno e acelera a coordenação.
  • Linha 2: instrução de táxi vem com destino (ponto de espera/pista) e rota (taxiway). O QNH é dado junto para evitar uma transmissão extra.
  • Linha 3: leitura de volta repete itens críticos (pista, rota, QNH). “Copiado” sozinho não confirma o conteúdo.
  • Linha 4: ao chamar a torre, informa posição (ponto de espera), prontidão e intenção (saída via BRAVO). “Pronto” sem contexto gera dúvida: pronto para quê?
  • Linha 5–6: “alinhe e aguarde” exige leitura de volta para evitar incursão indevida.
  • Linha 7–8: autorização de decolagem deve ser lida de volta com pista e restrição pós-decolagem (BRAVO, 1500 pés). “Decolando” sem pista/restrição é incompleto.

Role-play (papéis alternados)

  • Papel A: piloto (PT-ABC). Papel B: Alfa Solo/Torre.
  • Variação 1: troque pista para 36 e mude a rota de táxi (A + B).
  • Variação 2: torre pede “aguarde” por tráfego; piloto deve manter escuta e não “pressionar” com mensagens longas.

Critérios de avaliação

CritérioO que observarErros típicos
ClarezaIdentificação, posição e intenção audíveis e sem ambiguidade“Pronto”, “saindo agora”, sem referência
CompletudeLeitura de volta de pista, restrições e ajustes“Copiado”, “ok”
ConcisãoUma ideia por transmissão, sem justificativasExplicações longas
Disciplina de frequênciaNão interromper, aguardar janela, escuta ativaTransmitir em cima de outra estação

Simulação 2 (canal congestionado): Marítimo — coordenação navio-navio em área de tráfego

Objetivos

  • Estabelecer contato rápido em canal de trabalho/ponte a ponte.
  • Negociar passagem com intenção explícita (por boreste/bombordo) e confirmar.
  • Manter disciplina em canal congestionado: mensagens curtas, sem “bate-papo”.

Dados do cenário

  • Navio A: MV SERRA, rumo 090, velocidade 12 nós.
  • Navio B: FV LAGUNA, rumo 045, velocidade 9 nós.
  • Área: canal de acesso com tráfego intenso; várias estações falando.
  • Risco: CPA reduzida em 8 minutos se nada for feito.
  • Canal: VHF 16 para chamada inicial e mudança para canal de trabalho (ex.: 06 ou 72) conforme prática local.

Transcrição padrão (roteiro completo)

1) MV SERRA: FV LAGUNA, FV LAGUNA, FV LAGUNA, aqui MV SERRA no um-seis, câmbio. 2) FV LAGUNA: MV SERRA, aqui FV LAGUNA, recebendo no um-seis, câmbio. 3) MV SERRA: FV LAGUNA, para coordenação de passagem, mude para canal zero-seis, câmbio. 4) FV LAGUNA: Mudando para zero-seis, FV LAGUNA, câmbio. 5) MV SERRA (canal 06): FV LAGUNA, aqui MV SERRA, estou a duas milhas a oeste do farol Bravo, rumo zero-nove-zero, doze nós. Intenção: passar por sua popa, mantenha seu rumo e velocidade. Confirma? 6) FV LAGUNA: MV SERRA, FV LAGUNA. Confirmo: mantenho rumo zero-quatro-cinco e nove nós. Você passará por minha popa. 7) MV SERRA: Confirmado. MV SERRA mantendo rumo zero-nove-zero e doze nós. Encerrando.

Versão com erros

1) MV SERRA: Laguna, aqui é o Serra, tá me ouvindo? 2) FV LAGUNA: Ouvindo. 3) MV SERRA: Tá muito trânsito aqui, acho melhor você ir mais pra lá pra eu passar. 4) FV LAGUNA: Pra onde? 5) MV SERRA: Sei lá, dá um jeito aí que eu tô grande. 6) FV LAGUNA: Não entendi, vou manter. 7) MV SERRA: Então tá.

Comentários linha a linha

  • Linha 1: repetir o nome três vezes ajuda em congestionamento; identificar o canal e usar “câmbio” reduz incerteza de turno.
  • Linha 3–4: tirar a negociação do canal de chamada evita bloquear o canal principal.
  • Linha 5: inclui referência de posição, rumo e velocidade (contexto) e uma intenção inequívoca (“passar por sua popa”) com instrução simples (“mantenha rumo e velocidade”).
  • Linha 6: confirmação espelha os elementos críticos: o outro navio repete sua ação e a ação do interlocutor, reduzindo risco de entendimento assimétrico.
  • Erros: “acho melhor”, “mais pra lá”, “dá um jeito” são vagos; não há plano verificável nem confirmação.

Role-play

  • Papel A: MV SERRA (coordena). Papel B: FV LAGUNA (confirma/nega e propõe alternativa).
  • Variação 1: FV LAGUNA não pode manter rumo (banco raso). Deve propor “reduzirei para 7 nós” ou “alterarei 10 graus a boreste” e pedir confirmação.
  • Variação 2: simule interrupções no canal: ambos devem esperar janela e repetir apenas o essencial.

Critérios de avaliação

CritérioIndicadorMeta
ClarezaIntenção de passagem explícita (proa/popa; boreste/bombordo)Sem termos vagos
CompletudePosição/ruma/velocidade + proposta + confirmaçãoPlano verificável
ConcisãoNegociação em 2–3 transmissõesSem justificativas
DisciplinaChamada no 16 e mudança para canal de trabalhoNão “negociar” no canal de chamada

Simulação 3 (mudança de plano por meteorologia): Aviação — desvio e nova autorização

Objetivos

  • Solicitar desvio por meteorologia com justificativa mínima e dados essenciais.
  • Receber e ler de volta nova rota/nível e restrições.
  • Manter prioridade de aviação: navegar primeiro, comunicar quando pronto.

Dados do cenário

  • Aeronave: PT-ABC em rota VFR, a 10 NM do ponto CHARLIE, 2500 pés.
  • Condição: formação de chuva intensa à frente; necessidade de desviar 20 graus à direita por 10 NM.
  • Órgão: Alfa Aproximação.

Transcrição padrão

1) PT-ABC: Alfa Aproximação, PT-ABC, a um-zero milhas antes de CHARLIE, dois-mil-e-quinhentos pés, VFR. Solicito desvio meteorológico duas-zero graus à direita por um-zero milhas. 2) Alfa Aproximação: PT-ABC, desvio aprovado. Mantenha VFR, não ultrapasse três-mil pés. Reporte retornando à rota. 3) PT-ABC: Desvio aprovado, manter VFR, não ultrapassar três-mil pés, reportarei retornando à rota, PT-ABC. 4) (Após contornar) PT-ABC: Alfa Aproximação, PT-ABC, retornando à rota, estimando CHARLIE em cinco minutos. 5) Alfa Aproximação: PT-ABC, recebido. Continue conforme.

Versão com erros

1) PT-ABC: Aproximação, PT-ABC, tá feio aqui na frente, vou dar uma desviada, tá? 2) Alfa Aproximação: PT-ABC, confirme intenção e altitude. 3) PT-ABC: Ah, vou pra direita um pouco e depois vejo. 4) Alfa Aproximação: PT-ABC, negativo, informe desvio em graus e distância e mantenha altitude. 5) PT-ABC: Tá, depois eu falo.

Comentários linha a linha

  • Linha 1 (padrão): posição + altitude + regra de voo + pedido com parâmetros (graus e distância). Isso permite ao controle avaliar separação e aprovar rapidamente.
  • Linha 2: autorização com limites (teto de altitude) e instrução de reporte. Limites evitam conflito vertical.
  • Linha 3: leitura de volta inclui o limite (“não ultrapasse três-mil pés”) e o reporte, que são os itens críticos.
  • Linha 4: reporte de retorno fecha o ciclo e ajuda o controle a prever sua trajetória.
  • Erros: “vou dar uma desviada” sem parâmetros impede coordenação; “depois eu falo” quebra previsibilidade e disciplina.

Role-play

  • Papel A: PT-ABC. Papel B: Aproximação.
  • Variação 1: controle nega o desvio proposto e oferece alternativa (“aprovado duas-zero à esquerda”). Piloto deve confirmar e ajustar.
  • Variação 2: piloto solicita também mudança de altitude por turbulência; deve separar em duas solicitações curtas se necessário.

Critérios de avaliação

CritérioChecagem
ClarezaPedido com graus e distância; posição atual
CompletudeLeitura de volta do limite de altitude e do reporte
ConcisãoJustificativa curta: “meteorologia” sem narrativa
DisciplinaNão transmitir enquanto executa manobra crítica; transmitir quando estabilizado

Simulação 4 (coordenação com tráfego): Marítimo — chamada à estação costeira (VTS) e instruções de tráfego

Objetivos

  • Reportar entrada em área controlada e receber instruções de tráfego.
  • Confirmar restrições (velocidade, setor, ponto de espera) e horários.
  • Evitar ocupar a frequência com informações não solicitadas.

Dados do cenário

  • Navio: MT AURORA, aproximando-se do setor “Delta” do VTS.
  • Posição: 1,5 NM ao sul da bóia ECO.
  • Intenção: seguir para o berço 3.
  • VTS: Porto VTS.

Transcrição padrão

1) MT AURORA: Porto VTS, Porto VTS, aqui MT AURORA. 2) Porto VTS: MT AURORA, Porto VTS, prossiga. 3) MT AURORA: MT AURORA a uma vírgula cinco milhas ao sul da bóia ECO, entrando no setor Delta, destino berço três. Solicito instruções de tráfego. 4) Porto VTS: MT AURORA, mantenha velocidade máxima oito nós. Aguarde no ponto de espera Delta-um. Tráfego saindo do berço dois cruzará sua proa em cinco minutos. 5) MT AURORA: Velocidade máxima oito nós, aguardar ponto Delta-um. Tráfego saindo do berço dois cruzará minha proa em cinco minutos. MT AURORA. 6) Porto VTS: MT AURORA, correto. Reporte estabelecido em Delta-um. 7) MT AURORA: Reportarei estabelecido em Delta-um, MT AURORA.

Versão com erros

1) MT AURORA: VTS, aqui é o Aurora, tô chegando aí, como tá o movimento? 2) Porto VTS: Identifique e informe posição. 3) MT AURORA: Tô perto da bóia, indo pro berço 3, qualquer coisa eu aviso. 4) Porto VTS: Repita posição e aguarde instruções. 5) MT AURORA: Tá bom.

Comentários linha a linha

  • Linha 1–2: chamada curta e resposta “prossiga” evita despejar dados sem que a estação esteja pronta.
  • Linha 3: posição com referência objetiva + setor + destino + pedido. Isso dá ao VTS o mínimo necessário para integrar o navio ao quadro de tráfego.
  • Linha 4: instruções vêm com limite de velocidade, ponto de espera e informação de conflito (tráfego cruzando a proa) com tempo estimado.
  • Linha 5: leitura de volta confirma restrições e risco (tráfego cruzando). Isso reduz chance de o navio avançar indevidamente.
  • Erros: “tô perto” e “como tá o movimento” não são operacionais; “qualquer coisa eu aviso” não substitui reporte exigido.

Role-play

  • Papel A: MT AURORA. Papel B: Porto VTS.
  • Variação 1: VTS altera o ponto de espera e pede “mantenha fora do canal”. O navio deve confirmar e ajustar a derrota.
  • Variação 2: VTS solicita informação adicional (calado/ETA). O navio deve responder com uma transmissão única e ordenada.

Critérios de avaliação

CritérioIndicadorFalha comum
ClarezaPosição referenciada e intenção“perto”, “chegando”
CompletudeLeitura de volta de limites e ponto de esperaNão repetir velocidade/ponto
ConcisãoSem perguntas abertas (“como tá?”)Conversação
DisciplinaAguardar “prossiga”, cumprir reportesTransmitir dados sem ser solicitado

Simulação 5 (cenário de urgência): Aviação — PAN PAN por falha parcial e prioridade de pouso

Objetivos

  • Declarar urgência de forma padronizada e objetiva.
  • Informar natureza do problema, intenção, posição e assistência necessária.
  • Responder a instruções com leitura de volta e manter transmissões curtas.

Dados do cenário

  • Aeronave: PT-ABC, em aproximação para o Aeródromo Alfa.
  • Problema: falha parcial de motor (potência reduzida), aeronave mantém voo, mas precisa prioridade.
  • Posição: 8 NM final pista 18, 2000 pés.
  • Intenção: pouso imediato.
  • Órgão: Alfa Torre.

Transcrição padrão

1) PT-ABC: PAN PAN, PAN PAN, PAN PAN, Alfa Torre, PT-ABC. Falha parcial de motor, potência reduzida. Oito milhas na final pista 18, dois-mil pés. Solicito prioridade para pouso imediato. 2) Alfa Torre: PT-ABC, Alfa Torre. Prioridade concedida. Pista 18 livre, vento 170/10. Autorizado pousar pista 18. Informe pessoas a bordo e autonomia. 3) PT-ABC: Autorizado pousar pista 18, PT-ABC. Duas pessoas a bordo, autonomia duas horas. 4) Alfa Torre: PT-ABC, serviços de emergência acionados. Reporte pista à vista. 5) PT-ABC: PT-ABC, pista à vista. 6) Alfa Torre: PT-ABC, vento 170/10, continue. 7) PT-ABC: Continuando, PT-ABC.

Versão com erros

1) PT-ABC: Torre, PT-ABC, tô com um problema aqui no motor, acho que tá falhando, vou tentar pousar logo. 2) Alfa Torre: PT-ABC, confirme se é emergência ou urgência e informe posição. 3) PT-ABC: É... não sei, mas tá ruim. Tô vindo aí. 4) Alfa Torre: PT-ABC, informe pessoas a bordo e autonomia. 5) PT-ABC: Depois eu vejo, agora tô ocupado.

Comentários linha a linha

  • Linha 1 (padrão): a declaração de urgência vem primeiro para “abrir caminho” na frequência. Em seguida: estação chamada, identificação, natureza do problema, posição e intenção. Isso permite priorização imediata.
  • Linha 2: a torre dá prioridade, confirma pista e emite autorização de pouso. Pergunta POB e autonomia porque são dados úteis para coordenação de resposta.
  • Linha 3: leitura de volta inclui a autorização de pouso e responde aos dados solicitados em uma única transmissão curta.
  • Linha 4–7: torre reduz carga do piloto com instruções simples e confirma acionamento de emergência; piloto responde apenas o necessário.
  • Erros: “tô com um problema” sem declarar urgência pode atrasar prioridade; não informar posição impede separação; “depois eu vejo” pode ser aceitável se realmente impossível, mas aqui a resposta é curta e viável.

Role-play

  • Papel A: PT-ABC. Papel B: Alfa Torre.
  • Variação 1: torre pede para “orbitar” por tráfego, mas o piloto deve negar se não for seguro e solicitar pouso direto.
  • Variação 2: falha de rádio intermitente: piloto deve reduzir transmissões ao mínimo e confirmar apenas itens críticos.

Critérios de avaliação

CritérioExcelenteA melhorar
ClarezaDeclara urgência + problema + posição + intenção em uma chamadaMensagem vaga (“tá falhando”)
CompletudeResponde POB/autonomia quando solicitadoOmitir dados solicitados sem necessidade
ConcisãoFrases curtas, sem narrativaExplicações longas no ar
DisciplinaPrioriza controle da aeronave; transmite quando estabilizadoFalar enquanto executa ação crítica

Exercícios integrados (mistos aviação e mar)

Exercício 1: “Compacte a mensagem”

Reescreva cada fala longa abaixo em uma transmissão curta mantendo os dados críticos.

  • Frase longa: “Então, eu tô aqui mais ou menos perto do farol e tem um navio vindo e eu queria ver se dá pra eu passar primeiro porque eu tô com pressa.”
  • Meta: posição objetiva + intenção de passagem + pedido de confirmação.

Exercício 2: “Espelhamento de confirmação”

O instrutor lê uma instrução com dois itens críticos (ex.: limite + ponto). O aluno deve responder repetindo ambos na ordem correta.

  • Exemplo: “Velocidade máxima oito nós, aguarde Delta-um.”
  • Resposta esperada: “Velocidade máxima oito nós, aguardar Delta-um, [identificação].”

Exercício 3: “Janela de transmissão em canal congestionado”

Simule interrupções: o instrutor fala por cima propositalmente. O aluno deve parar, aguardar e repetir somente a parte essencial, sem aumentar volume nem acelerar demais.

Exercício 4: “Mudança de plano com restrição”

O instrutor impõe uma restrição (ex.: “não ultrapasse 3000 pés” ou “mantenha fora do canal”). O aluno deve: (1) ler de volta, (2) executar, (3) reportar quando estabelecido.

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Rubrica única de avaliação (use em todos os role-plays)

NívelClarezaCompletudeConcisãoDisciplina de frequência
4Identificação/posição/intenção inequívocasTodos os itens críticos confirmadosSem palavras supérfluasTurnos corretos, sem bloqueio
3Pequena ambiguidade, mas recupera rápidoUm item crítico faltou, corrige ao ser solicitadoLeve excesso de palavrasBoa escuta, raras sobreposições
2Vago; exige perguntas de retornoLeitura de volta incompletaMensagens longasInterrompe ou ocupa canal indevidamente
1Confuso; risco operacionalOmissões repetidasIncontrolávelSem disciplina; bloqueia comunicações

Agora responda o exercício sobre o conteúdo:

Em uma simulação de rádio, qual prática melhor atende ao objetivo de reduzir ambiguidade e melhorar a coordenação ao receber uma instrução com itens críticos?

Você acertou! Parabéns, agora siga para a próxima página

Você errou! Tente novamente.

O treino prioriza decisões comunicacionais sob carga: dizer o essencial com mínima ambiguidade. A leitura de volta com itens críticos (pista, rota, limites, ponto de espera) confirma o conteúdo e reduz risco; “copiado” ou narrativas longas não garantem entendimento.

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